TRIUMPH OF METAL FESTIVAL 7ª edição, Pouso Alegre-MG (16/11/13).

Por Anderson Carvalho de Oliveira
Fotos: Rogério Seiji

Realizado na acolhedora Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, o Triumph Of Metal é um dos principais festivais de Heavy Metal do Brasil. Sempre com um cast de peso e produção impecável, o evento oferece uma excelente estrutura para todas as bandas. Todo esse empenho por parte da produção reflete na enorme expectativa em torno de cada nova edição, como também na presença cada vez maior do público.
Na abertura desta sétima edição, uma prata da casa, a banda LADO DE LÁ empolgou com seu rock’n’roll em português, fez o lançamento de seu primeiro CD e teve como destaque a vocalista/guitarrista Laís Tiburcio Torres, que possui uma bela voz e muito carisma no palco.
 
LADO DE LÁ

Na sequência veio o FUNERATUS com seu Death Metal brutal e trabalhado, com a experiência adquirida em anos de estrada no underground. Fizeram um show matador, com muitas rodas se abrindo. Indian Healling,Universatan e Visions From Hell foram alguns destaques do set.
 
FUNERATUS

Em seguida sobe ao palco o BARANGA, bem conhecido dos mineiros e tendo se apresentado em outros grandes eventos do estado, como ROÇA’N’ROLL e CAMPING ROCK. O Rock pesado, direto e bem humorado do BARANGA faz de cada show uma verdadeira festa, sempre com muita interação com a galera. Filho Bastardo, Meu Mal e Menina de 16 foram os pontos altos do show. O guitarrista Deca teve uma perfomance alucinante, no melhor estilo Angus Young.
 
BARANGA

Depois entrou em cena a clássica SALÁRIO MÍNIMO: o show foi uma viagem aos anos oitenta, com visual a caráter e grande presença de palco que emocionaram os amantes do Heavy Metal Tradicional ao executar pérolas como Delírio Estelar,Cabeça Metal e Beijo Fatal.
 
SALÁRIO MÍNIMO

Era chegada a hora de um dos shows mais aguardados do festival: a lendária banda CHAKAL fez uma apresentação diferenciada, a começar pela qualidade do som, extremamente bem regulado e com o volume ideal para todos os instrumentos. Divulgando o recém lançado e já aclamado Destroy! Destroy! Destroy!, foi uma porrada atrás da outra, destaque para Possessed Landscape, Flowers On Your Grave e Jason Lives. Vladimir Korg, considerado um dos melhores letristas do Metal nacional, é também um dos melhores frontman do Brasil.
 
CHAKAL

Com a casa completamente lotada, entra em ação a principal atração do evento: o RATOS DE PORÃO mostrou no palco ser uma das bandas mais cultuadas da nossa cena, unindo punks e headbangers na mesma roda de mosh ao som de clássicos como Beber até morrer, Amazônia nunca mais, Aids, Pop, Repressão e Commando(Ramones). Após o show, João Gordo foi atencioso com a galera, atendendo a todos e tirando fotos no backstage.
 
RATOS DE PORÃO

Já era madrugada, e devido ao compromisso com a excursão, tivemos que deixar o evento que ainda apresentou 3 excelentes shows: o EXECUTER, divulgando o DVD 25 Years Thrashing Heads; a ECLIPTIKA que alterna vocais guturais e líricos; e a SVARTLAND encerrou o festival executando um Black Metal insano.
Mais uma vez o TRIUMPH OF METAL foi sucesso absoluto. Parabéns a toda equipe de produção, às bandas, e ao público que prestigiou. Em 2014 tem mais!

POP JAVALI – No Reason To Be Lonely (CD, 2011)


Oriundo de Americana (SP), o trio POP JAVALI marcou a sua estréia com “No Reason To Be Lonely” no final de 2011, lançado pela Oversonic Music. Inicialmente, podemos dizer que o trabalho se trata de um Hard Rock bem trabalhado, também seguindo uma linha progressiva. Ao ouvir a primeira música, Silence, já é possível identificar uma nítida influência do consagrado trio canadense RUSH, o que agradaria em cheio qualquer apreciador do estilo. Na sequência Disillusions Of Mind e Wasted Time possuem riffs pesados e solos marcantes, além dos refrões que grudam na cabeça. As guitarras permanecem em destaque na eletrizante Anything You Want, também composta por uma bela melodia. No entanto, o contraste surge em Believe, onde os riffs violentos cedem espaço a uma agradável balada, com a sonoridade típica do Hard Rock setentista. Por fim, guitarras bem destacadas, e ótimas e complexas melodias é o que podemos encontrar no som do POP JAVALI. E, sem dúvidas, o seu Hard Rock bem autêntico promete repercutir muito mais em seu próximo lançamento. Nota: 8,0

Por Gisela Cardoso

Faixas:
01. Silence
02. Disillusions Of Mind
03. Wasted Time
04. Anything You Want
05. Sacrifice My Dreams
06. My Own Shield
07. No Reason To Be Lonely
08. Believe
09. Not Enough
10.
Do For Me

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TOMCAT – Bits N’ Pieces (CD, 2013)


Oriunda da Eslovênia, a banda TOMCAT lançou o seu álbum de estréia, ‘Bits N’ Piece’, em março deste ano, trazendo dez músicas bem trabalhadas e energizantes, assim como o bom e clássico heavy metal pede. Já na primeira faixa, Hangover, é possível concluir do que se trata o disco: uma nítida influência do Hard/heavy metal setentista, dotada de riffs ebm construídos, batidas enfáticas, refrões marcantes e um vocal rasgado visceral. Além disso, em algumas faixas, como a Goodbye e Girl In Leather, é notória uma sonoridade característica do hard rock dos anos 80, principalmente em relação às suas linhas vocais e riffs de guitarra, o que empolgaria qualquer fã do gênero. No entanto, na Purgatory’ e Edge Of The Blade, o heavy a lá NWOBHM retorna com peso, com mais peso e velocidade em suas composições. Também é interessante notar que, em algumas canções, há uma equilibrada mescla do heavy metal com elementos do rock’n’roll, como a Riders e Wipe My Tears, o que encorpa ainda mais a sua sonoridade. Para encerrar o trabalho, o grupo optou por Stevie Annie and Me, à qual cria uma atmosfera mais voltada ao hard rock oitentista, com um som mais calmo, mas também marcante. Assim sendo, variando do clássico rock’n’roll ao heavy metal, do peso à melodia, a TOMCAT deixa a sua marca registrada em seu debut. Nota: 7,5

Por Gisela Cardoso

Faixas:
1-Hangover
2-Goodbye
3-Dirty Old Mind
4-Follow You
5-Girl in Leather
6-Edge Of The Blade
7-Purgatory
8-Wipe My Tears
9-Riders
10-Stevie Annie and Me
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MISCONDUCTERS – Reset (EP)


Formada na Inglaterra, em 2008, pelos brasileiros Den (vocal/guitarra),Sly (baixo) e Daniam (bateria), a banda MISCONDUCTERS lançou no ano passado o seu EP “Reset”, trazendo uma sonoridade autêntica e de boa qualidade. Composto por três faixas, o trabalho deixa claro que o grupo não possui um estilo muito definido, que vai do clássico Rock and Roll ao Heavy Metal tradicional. A primeira música, New Line, possui riffs pesados e cadenciados, e uma sonoridade bem característica do clássico rock inglês. Em seguida, a faixa-título já possui uma timbragem a lá punk rock, também dotada de linhas vocais bem trabalhadas, assim como a última música, Wasting Away. Em suma, em “Reset”, pode ser identificado um som autêntico e certa influência da escola de rock inglesa, mesclando elementos do hard, punk rock e heavy metal, dotado de várias guitarras marcantes e vocais bem trabalhados. Agora só resta esperar o que a banda tem a oferecer em seu próximo trabalho. Nota 7.

Por Gisela Cardoso

Faixas:
New Line
Reset
Wasting Away

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VULCANO – The Man, The Key, The Beast (CD, 2013)

Após 30 anos de estrada e orgulho, a lendária banda VULCANO ressurge este ano com o seu novo álbum “The Man, The Key, The Beast”, mostrando que continua em plena brutalidade e melhor do que nunca. Sob a direção do seu antecessor, “Drowning in Blood”, a banda nos presenteia com uma implacável sonoridade contida em 11 músicas. Entre os destaques está a faixa No Mercy for Fucking Traitors, à qual possui dois memoráveis solos de guitarra e uma massiva pancadaria sonora, que agradam aos Headbangers adeptos do estilo. A faixa You Have Been Warned, em que o vocalista Luiz Carlos Louzada utiliza uma timbragem mais grave, possui todos os seus instrumentos muito bem explorados, o que dá mais luz ao peso desta composição. A instrumental faixa-título também merece uma atenção especial, já que apresenta uma perfeita e pesada sincronia entre as guitarras e bateria, e quebra um pouco a sonoridade apresentada até então, o que também serve de introdução à Dead Water, à qual não poupa em velocidade e extremismos, e que certamente causaria inúmeras rodas de ‘mosh’ em um show. Em suma, a VULCANO continua fiel às suas origens marcadas pelo seu próprio e intenso estilo, firmando ainda mais o seu nome como uma dos grandes expoentes do bom e velho Metal brasileiro. Nota 9.

Por Gisela Cardoso

Faixas:
01.Aninhilate all of them
02.No mercy for fucking traitors
03.Church at a crossroad
04.You have been warned
05.Blood & Champagne
06.The Man The Key The Beast
07 .Dead Water
08 The Wizard
09.The Devil Escaped from the earth
10.Compulsive gambler
11.In the silence of the grave

BLACK SABBATH – 13 (CD, 2013)

Quando o BLACK SABBATH anunciou lá pelos finais de 2011 o retorno da formação original e a gravação de um novo álbum, um sorriso se estampou no rosto de muitos headbangers e promotores de eventos ao redor do mundo. Como nem tudo são flores, poucos meses após este anúncio, TONY IOMMI foi diagnosticado com linfoma (um tipo de câncer no sangue), o qual ele lutou e tem encarado com garra. Ao se pensar que tudo estava resolvido com a melhora do guitarrista, BILL WARD confirmou sua não participação no retorno e com isso ainda mais se especulou sobre como seria o novo disco. Quem assumiria as baquetas? O retorno ocorreria assim mesmo? Pôs bem, IOMMI, OZZY e GEEZER BUTLER recrutaram o baterista do RAGE AGAINST THE MACHINE, Brad Wilk (embora teria sido mais lógico alguém do porte de um VINNY APPICE da vida), e em junho deste ano, 13 (o título também poderia ter sido mais criativo) foi lançado. Para produzir o disco, o produtor Rick Rubin entrou em cena, chegando para os três remanescentes, tacando o primeiro disco da banda na mesa e falando a eles que se inspirassem nele para conceber um disco nos respectivos moldes, cuja pegada seria puramente anos 70. Bom, de forma geral, 13 é um ótimo disco, mas Rubin já cometeu um grande erro abordando as coisas desta forma e vocês logo entenderam por quê.  O começo com End of the beginning retrata o clima da clássica música Black sabbath. Não ficou ruim, mas ficou meio descarado. Neste aspecto de levada mais arrastada, God is dead?  se saiu melhor, tendo como destaque as belas linhas do baixo de BUTLER, um toque de classe. Loner dá um ar bem forte de N.I.B, mas ainda sim prende a atenção. A fase de “Paranoid” (1970) é clara em Zeitgeist, que seria uma Planet caravan revisitada. Em Age of reasone Life forever o clima começa arrastado e depois socam o pé no acelerador, com riffs martelados.  Damaged soul é a melhor em minha opinião, pois realmente conseguiram recriar anos 70 sem autocopia, evidenciando a pegada blues distorcida e suja, que moldou a banda no fim dos anos 60 ainda como EARTH. Nesta música o charme fica por conta das excelentes bases e solos de IOMMI e a gaita de OZZY. Para fechar a edição simples do álbum, Dear fatherapresenta elementos que remetem à “Sabotage” (1975), com o vocal atuando em perfeita melodia e sincronia com os riffs da guitarra, encerrando com efeitos de trovões e chuva no típico estilo sombrio do Sabbath. Mas e BRAD WILD? Ele conseguiu copiar relativamente bem a técnica de BILL WARD, dando conta do recado e posso dizer que fez um considerável trabalho. Um bom e provavelmente último registro de estúdio destes dinossauros do Heavy metal. Nota 8,5.
Por Écio Diniz
Faixas:
1-End of the biginning
2-God is dead?
3-Loner
4-Zeitgeist
5-Age of reason
6-Life forever
7-Damaged soul
8-Dear father

GOATLOVE – The Goats Are Not What They Seem (CD)

Os paulistanos do GOATLOVE tem por excelência nadar contra a correnteza. Isto inclui não atender a modismos, transcender sua própria música e criar uma forte imagem que caracteriza a banda. Todos os músicos desempenham bem seu papel, sendo que o vocalista Roger Lombardi tem uma presença marcante com seu vocal enfático, repleto de feeling e até meio soturno. “The Goats Are Not What They Seem” é um trabalho que só ouvindo por si próprio você o entenderá e sentirá sua essência. Os ingredientes das músicas não se limitam a uma única formula. Na abertura com Brand new horse há uma pegada meio Hard marcante e diferenciada e já em Beatiful bomb o clima é profundo e reflexivo. Uma pegada no estilo SYSTERS OF MERCY caracteriza Here she comes. Blade of love é marcante e também uma música já bem conhecida da banda. A nostalgia toma conta em Desperate passion. Automatic fire apresenta uma levada com um ‘quê’ de country/blues e I don’t believe tem uma batida e atitude bem punk. Gótico, rock, blues, punk? Acredito que “arte” é uma boa palavra pra definir o GOATLOVE. Ouça sem moderação. Nota 9.
Por Écio Diniz
1-Brand new horse
2-Beatiful Bomb
3-Here she comes
4-Blade of love
5-Desperate passion
6-Kill somebody
7-Ultramarine dog
8-Automatic fire
9-I don’t believe
10- St. Pity
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CADELA MALDITA – The universe in a belly button (CD, 2013)


Neste novo e recém lançado terceiro álbum de estúdio desses paranaenses, a proposta da banda que sempre foi focada no Crossover apresenta um pé a mais no Thrash metal. Aliás, neste trabalho nota-se uma grande evolução em termos de composição com faixas mais diversificadas. Diga-se que fizeram um trabalho muito profissional para um lançamento feito de forma independente, visto que no Brasil não é tão simples assim gravar um disco. Sobre as músicas, a pegada tipicamente Thrash com riffs cortantes pode ser ouvida em Kicking the owl, Shooting children in the head e Nature’s revenge. A veia Hardcore/Crust de Non conformist, Busted again e Rock is my life são os pontos mais altos. Destacam-se ainda a metralhadora sonora de Life and death in the same room. As letras continuam contundentes como sempre e aqui ainda mais reflexivas sobre a condição humana e a existência.  Ponha no som e aperte o repeat para todo set list. Nota 8,5
Por Écio Diniz
Faixas:
1-Kicking the owl
2- Shooting children in the head
3- Nature’s revenge
4-Non conformist
5-Violent desire to ruin everything
6-Busted again
7-Work like a dog, get paid like a dumb
8-Life and death in the same room
9-The universe in a belly button
10-Rock is my life
11-Violent world
12-I’ll kill myself with the guitar cord
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IN SOULITARY- He who walks (EP, 2013)

“He who walks”, novo EP da IN SOULITARY com certeza é um dos lançamentos mais audaciosos do ano. A banda executa sua música com maestria, englobando elementos de diversos estilos que transitam de forma bem elaborada do Heavy ao Black, sendo que o Death melódico é um dos mais salientes aqui. Um das características que evidencia a presença mais marcante deste estilo é, por exemplo, o acentuado uso de bases de teclado a lá CHILDREN OF BODOM. Embora, particularmente o teclado seja demasiado muito homogêneo no decorrer de cada música, se encaixa corretamente a proposta da banda. A primeira música ‘Behindtherows’, certamente grudará em sua cabeça. Mas o melhor do trabalho está na faixa ‘Hollow’ que tem um contraste muito bacana entre as partes mais melódicas e as mais extremas. A participação do vocalista Mario Pastore ainda deu ‘up’ interessante nas músicas. Só falta agora um fulllength para a banda demonstrar mais seu potencial. Nota 7.
Por Écio Diniz
Faixas:
1-Behindtherows
2-Hollow
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BAIXO CALÃO – Atmo Mediokra


Distro Rock Records
Este álbum do BAIXO CALÃO lançado em 2011, certamente ainda será uma referência para muitas bandas no Grindcore nacional. Afinal, além da qualidade de gravação aliada à podridão extrema característica do estilo, o cunho cultural-filosófico para tratar de toda a devassidão, hipocrisia e miséria humana em “Atmomediokra”édestilado sem compaixão. É arduo destacar pontos altos em um trabalho completo como este, mas vamos lá. A brutalidade já entra sem pedir licença com ‘Edadinamuh’. A faixa título tem uma letra fodida, versatilidade nos vocais e algumas partes mais cadenciadas que botam pra moer. ‘Nem resetando a humanidade’ fala da incapacidade de se mudar o egoísmo humano mesmo se recomeçar essa raça. Podemos destacar também os riffsnavalhantes de ‘Fracassar’, a odiosa ‘Corpofagia’, um escracho sobre comidas industriais vendidas por aí que causam câncer ‘Pra que sapiens?’ com sua levada Sabática e é também a mais longa do disco.Definitivamente contraindicado para pessoas sensíveis ou doentes cardíacos. Nota 9.
Por Écio Diniz
Faixas:
1-Edadinamuh
2-Signo da absurdidade
3-Atmo Mediokra
4-Nem resetando a humanidade
5-Homem contumaz
6-Mëdiökrizäção
7-Cordão umbilical farpado
8-Fracassar!!!
9-Kaos confesso (Revethudebary)
10-Após a incisão do tumor
11-Prolegômenos
12-Corpofagia
13-Não queres prestar!!!
14-Viver crucificado
15-Pra que sapiens?
16-Das vísceras da estupidez-Live
17-Hipocrisia movediça-Live
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SWORDS AT HYMNS – The only end to a brave (SINGLE, 2013)

Dead Marshall Records

São projetos como este que realmente confirmam que o Brasil possui uma riqueza artística muito grande, no caso se tratando de Metal Extremo.  Este single do SWORDS AT HYMNS, projeto oriundo de Caxias do Sul (RS), lançado em janeiro de 2013 e empreendido por Maicon Ristow (vocal, guitarra e teclado) e Leonardo Goulart (baixo e vocal), é de grande qualidade e de um feeling genuíno. A temática em sua base principal trata de batalhas, honra de guerreiros e natureza, ou seja, uma linha Pagan/Black Metal, é exposta em um instrumental vigoroso, com passagens rápidas e de riffs fortes com vocais gutural e rasgado, sendo estas alternadas com partes mais cadenciadas e atmosféricas. Eis aqui um projeto promissor. Nota 10.

Faixas:
1-The onlyendto a brave

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PSYCHOTIC EYES – Psychotic eyes

Já neste debut o PSYCHOTIC EYES não deixou dúvidas que é uma das bandas mais criativas e diferenciais no Extremo nacional, surgida nos anos 2000. A técnica é irrepreensível e o mais importante, é utilizada com muito feeling a cada nota. A começar pela performance do guitarrista/vocalista Dimitri Brandi, as músicas só tem a acrescentar, pois são uma rica fusão de vários elementos que passeiam doDeath, ThrashaoProg e Erudito. Os pontos certeiros são encontrados na abertura com a fulminante ‘Celebratetheblood’ (puxa, que música!), a faixa título com sua atmosfera sufocante e passagens mais cadenciadas, a grandiosa ‘Black lotus’ que presta uma homenagem ao Thrashodlschool, ‘Carnageismyname’ que é mais melódica e trata da dor e traumas causados a soldados que lutam em guerras. Nestalinha mais melódica segue também ‘The handoffate’ e mostra elementos que lembram PARADISE LOST (época “Draconiam times”). A linda e instrumental ‘Psychotic I: remember’ fecha brilhantemente o disco. Além de um set list excepcional, o pacote fica ainda mais bacana com um belo encarte, cujas letras recebem traduções para o português possibilitando ainda mais o ouvinte a entender suas mensagens. Uma palavra pode definir este álbum: Marvailhoso. Nota 9.
Por Écio Diniz
Faixas:
1-Celebrate the blood
2- Bloody years forever
3-Psychotic eyes
4-Black lotus
5-Carnage is my name
6-The hand of fate
7-Storm warning
8-The logic of deterrence
9-Psychotic I: Remember
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MEDOFOBIA – Faceless (EP, 2008)


Thrash direto e cru. Isto é o que representa este EP dos paulistas da MEDOFOBIA. As bases são fortes, riffs espertos, uma cozinha alinhada e um vocal urrado/roco meio primitivo que dá um toque diferenciado às músicas. Aqui o som é calcado num Thrash mais atual, mas com pitadas de oldschool e algumas passagens de Death. Destacam-se as faixas ‘Factory’ (com uma pegada que lembra OBITUARY, fase “Back fromthedead”), a melhor do trabalho, e ‘Leadershit’, que apesar de oscilações no volume e qualidade da gravação é potente. Que a porrada sonora continue seu caminho, recebendo a banda os apoios necessários para se produzir bons CDs completos. Nota 7.
Por Écio Diniz
Faixas:
1-Faceless
2-Factory
3-I run
4-Leadershit
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KHROPHUS – Eyes of Madness (CD, 2013)

Assim como seus conterrâneos do RHESTUS, os catarinenses do KHROPHUS adentram agora duas décadas de história na cena Extrema nacional. Diga-se que sem duvida, “Eyesofmadness” é o melhor trabalho da banda. A precisão com a qual os músicos uniram técnica, brutalidade, crueza a uma gravação “limpa”, é digna de elogio. De cara, ‘Smokescreen’ já entra arrebentando com bateria de metranca e riffs bem sacados e em ‘Bythesun’ as linhas bem elaboradas de baixo estralam ao ouvido. ‘Interposition’ arrebenta em todos os aspectos, ‘Harvest (Eyesofmadness)’ é das mais extremas e ‘Chimeras’ apresenta passagens mais cadenciadas e densas. Este é o tipo de álbum que não lhe deixa tomar folego, pois é Death metal brutal e técnico do inicio ao fim, para deixar o pescoço com torci colo. Nota 9
Por Écio Diniz
Faixas
1-Smoke screen
2-Dead face
3-By the sun
4-Interposition
5-Forbidden melodies
6-The book of the dead
7-Lost initiations
8-Master of shadows
9-Harvest (Eyes of madness)
10-Chimeras
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DECAYED/IRAE/INQUISITOR – From the underworld with hate (Split CD, 2013)

HelldProd-imp.
A tríade diabólica que integra este Split é uma boa amostra para os leigos da força do underground extremo em Portugal. A proposta das bandas Deacayed e Irae é voltada para um Black metal extremamente blasfemo. Já a banda Inquisitor pratica um Thrash bastante agressivo. Mas vamos por partes. A Decayed abre o disco com sete sons que parecem vir das profundezas do inferno (sem exagero). Assim, hinos macabros como Slaychristsprophets, A morte e Bells ofdoomsday não devem ser apresentados a nenhum crédulo. Nas seis músicas que cabe a Irae, o som é mais pesado, com vocais extremamente rasgados e o volume mais alto, lembrando bandas como Darkthrone (fase TransylvaniaHunger), Mayhem e Bathory (em The return). Ou seja, trata-se do Black com elementos do estilo repopularizado no inicio dos anos 90, sobretudo, por bandas norueguesas. Os destaques são notáveis para A world in ruins, Procreatingmadnesse Azazel. Para fechar com garra, o Inquisitor entra varrendo tudo em suas quatro músicas com riffsrápidos e vocal rasgado com alguns gritos agudos, características estas bem aplicadas em sons como Final execution, Fulminados pelo aço (soberba esta música) e o cover para Diabolic Forcedo Running Wild. Nota 7,0.

Por Écio Diniz

Faixas: 

DECAYED
1.Decayed – Descent (Intro) 
2.Decayed – Slay Christs Prophets 
3.Decayed – A Morte
4.Decayed – Bells Of Doomsday 
5.Decayed – Hels Dominion 
6.Decayed – The Norns 
7.Decayed – Ascension (Moonrise PT II) 
IRAE
8.Irae – Intro
9.Irae – A World In Ruins 
10.Irae – Weapons Of Darkness 
11.Irae – Procreating Madness 
12.Irae – Queima As Casas De Deus 
13.Irae – Azazel 
INQUISITOR
14.Inquisitor – Final Execution 
15.Inquisitor – Evil Soldiers 
16.Inquisitor – Fulminados Pelo Aço 
17.Inquisitor – Diabolic Force (Running Wild)

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IMMINENT ATTACK – Delivery us from ourselves (CD, 2012)

 Simplesmente um dos melhores álbuns de Crossover/Thrash metal que ouvi nos últimos. Músicas empolgantes, técnica aplicada de forma inteligente, agressividade, rapidez e excelente produção geral. O mais legal de tudo isso? É um disco de uma banda de São Paulo, cuja produção, gravação, mixagem e masterizaçãoficou a cargo de Augusto Lopes (FANTASMA, ex-TORTURE SQUAD). O time todo manda bem nas suas respectivas funções, e o vocale estilo de Dinho Guimarães dá o toque característico do estilo. Logo na primeira faixa, a rapidíssima e grudenta ‘Elliot’ você verá que pode esperar musicas de primeira classe no restante do trabalho. A faixa título lembra um pouco de EXODUS da fase “Pleasuresoftheflesh” e algumas passagens a lá SUICIDAL TENDENCES. Chamam atenção também ‘Secretofskin’ com um quê de Crust, ‘Ignorance’spride’, ‘No name’, ‘Mousebeer’ e ‘Mechanicalmind’, com seusbordões típicos do punk, e a incendiaria ‘Paradise now’. A arte da capa e layout do encarte produzido por Carlos Cananéa também ficaram muito legais. E é gol, do IMMINENT ATTACK. Nota 9.

Por Écio Diniz

Faixas:
1-Elliot
2- Imminent attack
3-Noise for nothing
4-Secret of skin
5-Ignorance’s pride
6-No name
7-Mousebeer
8-Mechanical mind
9-Sweet and pink
10-Drinks and fun
11-The naked mammoth
12-Splact
13-Paradise now
14-St. Madness

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AUGRIMMER/GRAVE DESECRATOR – Bloody deathcross (Split 7’EP, 2013)

HelldProd
 
Neste split7’ vinil da banda germânica AUGRIMMER e a brasileira GRAVE DESECRATOR, o que temos é som Extremo, cru e blasfemo. Em ‘Thisishowyou do it (withtheDevil)’ o AUGRIMMER manda ver num soberboDeath/thrash com forte pegada Hardcore. O GRAVE DESECRATOR em ‘Satan’ssigh’ despeja toneladas de puro ódio através do seu Black/Thrash, que o tornou um dos nomes mais respeitados do Extremo underground brasileiro. Pena que a tiragem do trabalho foi limitada a 300 cópias. Mas aos fiéis seguidores dos estilos vale a pena correr atrás para obtê-lo e englobar a coleção. Nota 9.
 
Por Écio Souza Diniz
 
Faixas:
1-This is how you do it (with the Devil)-Augrimmer
2-Satan’ssigh-Grave Desecrator
 
Mais informações sobre a banda:

BROKEN AND BURNT – Let the burning begin (CD)

 O capixaba BROKEN AND BURNT foi fundado pelo guitarrista e vocalista Hugo Ali e o guitarrista Cesar Schroeder em 2011, incialmente como apenas um projeto. Após o lançamento da demo “Hatewillgrow” em 2011, a confiança em fazer do projeto uma banda se consolidou e cá estão com seu debut álbum, “Lettheburningbegin”, lançado em 2012. Uma das características mais bacanas da banda é o estilo que praticam, mesclando peso típico do Thrash com pitadas bem salientes de groove e elementos até de stoner em alguns momentos.
Diga-se, que no Brasil não ainda hoje não há muitas bandas se enveredando por estes direcionamentos. ‘Short-sighedsolution’ abre o disco já com a bola na cara do gol, vide o trabalho do baixo no inicio e pegada Thrash pura. Em ‘Break andBurn’ o groove é bem saliente, e sua levada a lá PANTERA e seguimento em direção a uma atmosfera distorcida a tornouinstigante. Há até partes semi-metrancadas de bateria em ‘Hatredsong’, uma das melhores do disco. Na emblemática e densa ‘Bleed’ e ‘Tell me no lies’ os elementos de stoner aparecem com maior intensidade. Os solos inspirados de ‘Hatewillgrow’ encerram muito o set list. Até a bela capa faz jus ao som destilado ao longo das nove faixas que constituem o disco. Ponto para o BROKEN AND BURNT. Nota 9.
Por Écio Diniz
Faixas:
1-Short-sighed solution
2-Break and burn
3-Hatred song
4-The new me
5-Bleed
6-The bait I won’t bite
7-Those down (Shall rise)
8-Tell me no lies
9-Hate will grow
Mais informações sobre a banda:

FATES PROPHECY – The Cradle of life (CD, 2013)


Que a FATES PROPHECY já deixou seu nome marcado na história do Heavy metal brasileiro é algo indubitável. No entanto, os paulistanos conseguiram dar um passo mais adiante com “The cradleoflife”, que é um dos melhores trabalhosdo estilo nos últimos por aqui, além de ser de muito bom gosto e possuir uma abordagem interessantíssima. Para os incrédulos que pensam que com ingredientes triviais não é possível fazer algo bem palatável, a resposta está bem aqui. A temática gira em torno de questões que contestam e indagam sobre a nossa origem e de nosso mundo, discutindo inclusive de forma incisiva a participação da ciência para nos explicar isso, como o caso da teoria da evolução de Darwin. Quanto às nove faixas que compõe este petardo, todas tem seu charme, não havendo aquelas medianas ou enfadonhas. Entretanto, há faixas que se sobressaem como as excelentes e marcantes ‘New degeneration’ e ‘A praytothesun’ (o refrão grudará em sua cabeça), a grandiosa e belíssima faixa título, a densa ‘Devilismyname’ e balada em ‘Onelife’. O time todo trabalha bem no álbum, os riffs e solos do guitarrista Paulo Almeida estão inspirados, as bases de bateria de Sandro Muniz com variações inteligentes e o vocal de Ricardo Perez se encaixou bem a proposta do disco. Para completar a arte da capa é digna de admiração. Com tudo isso, só falta um selo honrar o lançamento do álbum, que até o momento foi inteiramente custeado pela banda e disponibilizado para download gratuito. Nota 9.
PorÉcioDiniz
Faixas:
1-24-7 to death
2- New degeneration
3-Ressurection
4-A pray to the sun
5-The cradle of life
6-The unbeliever
7-Primitive man
8-Devil is my name
9-One life
Mais informações sobre a banda:

SKINLEPSY – Condemning the Empty Souls (CD)

O que se pode esperar de uma banda composta por músicos veteranos que passaram por nada menos que bandas como ANTHARES, NERVOCHAOS, PENTACROSTIC e SIGRIED INGRID? Se você pensou em um som brutal e bem executado, aqui capitaneado por André Gubber (vocal e guitarra), Luiz Berenguer e Evandro Junior, acertou em cheio. Este debut da SKINLEPSY dá uma aula de Thrash visceral com elementos de Death aqui e acolá. Após breve introdução o disco já abre com o bombardeio de ‘Crucial words’, uma das primeiras composições da banda lá pelos idos de 2003. A faixa título marca presença com refrão memorável e pegada a lá MORBID ANGEL (fase “Domination”). Dentre as várias participações no disco, o chamariz fica a cargo de Luiz Carlos Louzada (VULCANO) em ‘Perversionsof Racial Hatred’. Ainda se destacam a avassaladora ‘Crawling as a worm’, ‘Global desolation’ e ‘Dominium’ (dê uma boa sacada na bateria). Eis que temos mais um grande nome para carregar a bandeira do Metal Extremo brasileiro. Que venha o próximo álbum e muitos shows. Nota 9
Por Écio Diniz
Faixas:
1-Crucial Words
2-Condemning the Empty Souls
3-Crawling as a Worm
4-Alienation
5-Perversions of Racial Hatred
6-Pride and Rancour
7-Regressing from the End
8-Global Desolation
9-Dominium
Mais informações sobre a banda:

LABBRA – Angel Human Demon Dance (Demo)

Esta é a primeira Demo da paranaense LABBRA e a qualidade da gravação foi levada a sério, e mesmo não sendo esmerada é digna de elogios. O que a banda nos mostra é um Prog/metal com influência notória do Rock progressivo do final dos anos 60, mas também forte pé na década de 70. Há ainda melhorias a serem feitas no caminho como uma concisão maior nas viradas de ritmos/atmosferas e contratempos, melhor timbragem do vocal (que mesmo diante dessa necessidade deu um toque diferenciado nas músicas) e arte gráfica. Entretanto, no que diz respeito as faixas que compõe o material, elas são bem interessantes e como a própria banda acertadamente se conceitua seu som, ‘trata-se de uma sonoridade pesada e contemporânea’, constituindo assim, um set list rico e diversificado. A abertura de ‘No orgasm’ é pesada, com uma sacada Zappiana e até mesmo elementos que remetem ao Thrash metal.  Já ‘Programmed failure’ é repleta de boas melodias e possui uma atmosfera um tanto mística e digamos meio bucólica. Outros destaques também cabem à densa, distorcida e irônica ‘Santa Maria Maggiore’ e as delirantes ‘Love angel demon (movement 1) e ‘Angel human demon (movement 2)’. Bom começo. Nota 7.
Por Écio Diniz
Faixas:
1-No orgasm
2-Programmed failure
3-Santa Maria Maggiore
4-Never a shadow
5-Love angel demon (movemente 1)
6-Angel human demon (movement 2)
Mais informações sobre a banda e audição da demo:

KNEEL – Interstice (CD full, 2013)

Boa qualidade de gravação, riffs certeiros e uma porrada sonora. Estes são termos que definem este disco do KNEEL, projeto oriundo de Portugal, capitaneado pelo baterista Pedro Mau, que é calcado num Thrash metal rigoroso contemporâneo com elementos de outras vertentes musicais, como passagens características de Death e Metalcore. Ou seja, ideal para fãs de bandas como MESHUGGAH, CONVERGE e TRAP THEM. Todos os instrumentos foram gravados por Mau e o vocal ficou a cargo de Filipe Correia (CONCEALMENT). Aliás, a técnica de Mau em todos os instrumentos se mostra bem apurada, e o vocal de Correia é um urrado que soa como um soco na cara. No decorrer de todo o disco você não terá fôlego para respirar e descansar seu pescoço à banguear, visto que as doses de agressividade são até sufocantes. Como destaques podem ser citadas ‘Mumurs’ com seus riffs distorcidos, a rápida e furiosa ‘Amend’, ‘Cloak’ com passagens mais cadenciadas e sombrias e ‘Thrall’. Ótimo disco ouça bem alto. Nota 7,5.
Por Écio Diniz
Faixas:
1-Mumurs fúria com riffs distorcidos
2-Amend rápida e furiosa
3-Occlusion –
4-Lessening
5-Abssence
6-Cloak
7-Debris
8-Thrall
9-Sovereignty
Mais informações sobre a banda e audição da demo:

ANGELS HOLOCAUST – Crystal Night (EP).

Esta banda oriunda de Itapetininga (SP) chega aqui em seu terceiro lançamento, registrado neste EP através de duas músicas bem trabalhadas e viscerais. O trabalho foi gravado no Norcal Studios sob a produção do já muito conhecido Edu Falaschi (ALMAH, ex-ANGRA, SYMBOLS, VENUS, etc). O que se nota aqui é uma banda com garra para mandar um Heavy metal riscado com elementos Thrash, e nota-se que sua identidade está ainda em construção. A abertura já com a rifferama de ‘SS The Truth Behind’ indica uma banda com potencial, mas é na faixa-título com suas alternâncias entre partes cadenciadas e rápidas mescladas a refrão marcante que a vontade de bater cabeça realmente pega. Que a banda continue sua evolução e venha logo um full length. Nota: 7,5.

Por Écio Diniz

Faixas:
1-SS The Truth Behind
2-Crystal Night



Roça and Roll – 15ª edição: E realmente a mueção rolou solta!

Resenha por Écio Diniz 
Fotos:Écio Diniz e Keniton Rezende

E eis que mais uma celebração ao Rock and roll e Metal foi consumada nos palcos da Fazenda Estrela (Varginha-MG), cumprindo primorosamente mais uma edição do Roça and roll, que além de já ser um dos maiores festivais do país nos últimos anos, foi além nesta edição com um cast de tirar o fôlego. Nesta 15ª edição do evento, que teve como headliner os consagrados alemães do GRAVE DIGGER, o que não faltou foi agitação constante para o público.
Apesar do evento como um todo ser distribuído por três dias (teve início dia 30 de junho), nós tivemos apenas como comparecer no dia principal do evento (01 de junho), devido à logística de conciliar a ida para o local com trabalho e os compromissos do dia a dia. É exatamente este dia principal do evento que aqui será descrito, a fim de transmitir aos headbangers de várias regiões a magnitude da coisa toda.
DROWNED

A jornada nesse grande dia para curtir o som que tanto amamos começou as quase 16 horas da tarde, horário em que aportamos no solo do Roça. Infelizmente, perdemos algumas bandas legais, visto que por volta de 14 horas já havia várias bandas tocando. Mas, chegamos e pegamos de cara os belo horizontinos do DROWNED, que creio não precisar dizer que é um dos nomes de competência da cena mineira nos últimos anos. Atualmente divulgando seu mais novo álbum, o ‘bélico’ “Belligerent Part I – The killing state of the art” (2012), eles conseguiram levantar as rodas de mosh com seu Death/Thrash intrincado, técnico e agressivo. A avalanche de rifferamas de músicas como a faixa-título do novo álbum e o vocal poderoso de Fernando Lima foram o suficiente para balançar as estruturas do local.
CÓLERA

Na sequência veio uma lenda do punk nacional, a CÓLERA, agraciando muitos dos fãs mineiros que não tiveram até então a oportunidade de conferir a banda ao vivo. Mesmo com a ausência do caricato e inesquecível Redson (vocal e guitarra, falecido em 2011), a banda decidiu tocar o barco, propagando sua ideologia libertaria. O novo vocalista Wendel agitou a galera, com sua performance frenética pelo palco, e dentre vários clássicos já era esperado a extasia em músicas como ‘Pela paz’, cantada por boa parte do público. Enquanto o punk moía no palco principal, na tenda combate o Hard/Heavy do GLITTER MAGIC mostrava sua cara, alavancando também um público relativamente grande e empolgado. Além de tocar grandes sons de seu álbum “Bad for health” (2012), a banda ainda puxou mais o agito com covers de ‘Sad but true’ do METALLICA e ‘Whiskey in the jar’ do eterno THIN LIZZY. Realmente, esta é uma banda com grande potencial.
GLITTER MAGIC

Agora era hora de um terremoto chamado NERVOCHAOS subir ao palco e arrebentar os tímpanos desavisados ou sensíveis com seu Death metal brutal. A banda, que é um dos grandes expoentes do som extremo brasileiro, já com seu nome reconhecido na Europa, tocou músicas para arrasar quarteirão de vários momentos de sua carreira como faixas do álbum “Battalions of hate” e a faixa título do seu novo álbum, “To the death” (2012). O vocalista/guitarrista Guiller demonstrou grande atuação. Na verdade, a banda toda é bem coesa e tende a se consolidar cada vez mais na cena.
NERVOCHAOS

Os varginhenses do MOTOSSERRA TRUCK CLUBE, que já tocaram no festival em 2012, vieram em seguida, para trazer uma onda mais malandra de curtição e cervejada com seu Rock and roll rasgado e sem frescura. Na divulgação de seu primeiro álbum, “Na estrada” (2012), a execução de músicas como ‘Madeira’ e ‘Tira-gosto’, com destaque para o bem humorado vocalista Thiago Giovanella, falou por si só em agitar a galera. Além disso, a banda executou em grande forma o hino do Roça and roll. A classificação a que eles mesmos se propõe de “banda sul-mineira que mistura Heavy Metal com serra elétrica, caminhão, lenha e cachaça”, faz jus ao show que fazem.
MOTOSSERRA TRUCK CLUBE

Aos adeptos de um som extremo mais trabalhado e orquestrado, os baihanos do MALLEFACTOR trouxeram seu “Barbarian metal” ou “Unholy metal” como é mais referida. Atualmente a banda divulga seu recém lançado trabalho, o emblemático “Anvil Of Crom” (2013). Bases fortes, complexas, alternâncias entre vocal rasgado e limpo do vocalista Lord Vlad e orquestrações via teclado, propiciando atmosferas profundas, agradou boa parte do público.
MALEFACTOR
Propicio para tomar um fôlego curtir um Rock and roll mais raiz e beber uma cerveja, ou até mesmo uma cachaça, o CRACKER BLUES, que já se apresentara em no evento em 2011, mandou ver em seu “Blues and Roll” e foram um dos grandes momentos da noite. Com influências de lendas como Robert Johnson, ZZ Top, The Allman Brothers Band, Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan, eles deram um toque especial no evento. A músicas de seu álbum, “Entre o méxico e o inferno” (2009) tem tudo para torna-la um grande nome do estilo no Brasil.
ORPHANED LAND

Uma das atrações principais cotadas e esperadas para esta edição do evento, sobretudo, pela natureza um tanto ‘exótica’ de sua música acabara de entrar em cena. Direto de Israel, a ORPHANED LAND fez um show interessante e agradável de assistir, primeiro, pela performance da banda, sobretudo do guitarrista Yossi Sassi e do vocalista Kobi Farhi, que interagiam muito publico. Em segundo lugar pela criatividade de suas músicas, que caminham num sentido digamos até que progressivo mesclado ao Metal, visto as várias atmosferas que as compõe, sendo isto unido a elementos típicos da música de sua terra natal. Não é necessário dizer, que é no mínimo diferente e surpreendente ver uma banda cantando em hebraico. A execução de músicas como ‘Sapari’ e ‘Norra el norra’ são apenas dois exemplos, dentre os vários momentos em que os israelenses conquistaram a simpatia do público do Roça and roll que cantou com eles diversas músicas em clima muito amistoso, o que refletiu em várias trocas de satisfação entre banda e público.
DEVON

A banda DEVON, entrou em seguida com seu Heavy metal de ótima qualidade, tocando músicas de seu debut álbum, o excelente “Unreal” (2012). O vocal de Alex Gardini se encaixa perfeitamente na proposta da banda e pode ser considerado acima da média. Músicas como ‘Turning’, ‘Call the brothers’ e ‘The sunset rider’ servem como amostra do potencial da banda e agitou parte do público. Além disso, presentearam os presentes com covers bem executados de ‘Perry mason’ do OZZY e ‘Painkiller’ do JUDAS PRIEST. O baixista Rafael DM é outro destaque na banda, pois além de ser um dos principais compositores, possui excelente técnica, visto também sua atenção na lendária banda de Thrash paulista, PANZER. O único pesar do show da DEVON foi o fato de simultaneamente estar sendo montada a estrutura do GRAVE DIGGER no palco ao lado, o que dispersou uma parte do público, e dois pobres mal educados que ficavam em frente ao palco pedindo à banda que tocasse covers. Mas aos que assistiram ao show com atenção, tenho certeza que em sua maioria viram a qualidade da DEVON.
GRAVE DIGGER
O momento tão esperado por muitos dos presentes finalmente chegou, os alemãs do GRAVE DIGGER entraram em cena, para despejar decibéis de seu Heavy metal forte e tradicional, que a tornou uma das maiores bandas do estilo no mundo. A abertura já foi apoteótica com a faixa título do novo álbum, “Clash of the gods” (2012), e ela foi apenas a ponta do iceberg, visto que o que viria no decorrer do show foi simplesmente e literalmente emocionante. Apenas para citar alguns dos vários momentos deste show que pode ser dito sem receio ou exagero algum como impecável, o clima foi de euforia com músicas como ‘The grave digger’, ‘The house’ e ‘The last supper’. Se com essas músicas foi assim, imagine o delírio com clássicos como ‘Excalibur’, ‘The round table (forever)’ (ambas do álbum “Excalibur”, 1999) e a trinca de ferro do inquebrável “Tunes of war” (1996): ‘Rebellion (The clans are marching)’, cantada em uníssono pelo público, ‘The dark of the sun’ e ‘Killing time’. O vocalista e líder Chris Boltendahl demonstrava imensa satisfação durante todo o show, visto a imensa receptividade do público, em sua grande parte mineiro, à banda, e com isso ele se comunicava com as pessoas instigando-as a gritar o máximo que podiam e percorria o palco com frenesi. Era incontido o sorriso de Boltendahl cada vez que o público entoava: “olê, olê, olê, Digger, Digger”. A atuação do guitarrista Stefan Arnold também foi um grande destaque visto sua excelente técnica aliada a um grande feeling. Para fechar esta verdadeira aula de Heavy Metal, Boltendahl anunciou um dos primeiros e absolutos hinos da banda, ‘Heavy metal breakdown’ (do debut álbum autointitulado de 1984). Se você algum dia puder ir ao show desses alemães, vá e aposto que concordará com tudo o que aqui descrevi.
MARTIN WALKYIER

Para não poupar o fôlego de muitas pessoas, após a avalanche Metal alemã, os fãs do bom e velho Folk metal receberiam agora o vocalista inglês Martin Walkyier, executando juntamente com a TUATHA DE DANANN os clássicos de sua ex-banda, a lendária SKLYCLAD. O vocalista que já esteve tocou no Roça em 2010, se mostrou muito contente em tocar no Brasil novamente, e volta e meia falava de sua paixão pela cachaça, intitulando-se como o “Cachaceiro inglês” dito em bom português. Além disso, interagia com desenvoltura com os bangers e não fez feio em músicas renomadas da SKYCLAD como ‘Civil war dance’ e ‘Inequality street’. Ao término da apresentação de Martin Walkiyer, a TUATHA DE DANANN que desde 2010 encontra-se temporariamente parada, se reuniu mais uma vez para satisfazer o grande público que conquistara no decorrer de sua carreira. É evidente que músicas como ‘The dance of the little ones’, ‘Land of youth’, ‘Believe: it’s true!’, ‘The last words’ e a muito bem humorada ‘Finganforn’ tocadas neste show não soam datadas, mas ao contrário disso, criam um clima viajante que transporta-nos a cultura celta e contos de gnomos, duendes, druidas e afins. Realmente, a banda ainda pode ter a oferecer e resta esperar um possível retorno definitivo.
TUATHA DE DANANN

O momento de uma lenda do Metal nacional entrar em cena chegou, os cariocas da METALMORPHOSE adentraram o palco, que foi estilizado com a arte da capa de seu novo álbum, o já clássico “Máquina dos sentidos” (2012). A banda, que foi uma das pioneiras no estilo em terras tupiniquins, se mostrou entrosada e em plena forma. O timbre vocal de Tavinho Godoy está mais evoluído e fez um bom trabalho nas músicas novas como nas antigas. Como era esperado o set foi mais voltado as músicas do novo álbum, assim, a banda abriu com a marcante ‘Jamais desista’, e tocaram ainda ‘Máscara’, a ótima ‘Metrópole’, ‘Pelas sombras’, ‘No topo do mundo’ e a inesquecível faixa titulo. Já com relação aos clássicos dos anos 80 tocaram a inigualável ‘Cavaleiro negro’ e ‘Desejo imortal’ (ambas do histórico Split “Ultimatum” com a DORSAL ATLÂNTICA, de 1985), assim como ‘Maldição’ e ‘Minha droga é metal’. De quebra ainda mandaram dois clássicos do AZUL LIMÃO, ‘Satan clama metal’ e ‘O grito’, que se deve a presença do recém integrado a banda, Marcos Dantas (guitarrista da AZUL LIMÃO). O baixista André Bighinzoli falou e demonstrou várias vezes ao público sua satisfação em estar tocando no sul de Minas Gerais, região em que muitos que conhecem a banda nunca a viram ao vivo e vários outros puderam conhece-la. Infelizmente, o set da banda não pode ser maior, e assim hinos como ‘Harpya’ e ‘Complexo urbano’ ficaram de fora, visto também que o horário já passava das três da madrugada, e além, disso muitos já estavam bem cansados. Mas que a banda retorne aos palcos do Roça and roll, em horário mais acessível e possa ser ainda mais prestigiada.
METALMORPHOSE

O encerramento dessa edição foi feito com chave de ouro com um nome oldschool do Thrash, a paulista ATTOMICA. E boa parte do público permaneceu no local para vê-la. Logicamente que não decepcionaram e riffs cortantes e cascudos no melhor estilo Thrash foi o que não faltou, e ainda alavancou moshs ferrados. A atuação do vocalista Alex Rangel é a ideal para uma banda do calibre da ATTOMICA. O conjunto de músicas que abrangeram álbuns como o primeiro autointitulado (1987), “Disturbing the noise” (1991) e o mais recente e competente “Attomica 4” só podiam mesmo era esquentar o sangue dos headbangers na madrugada fria que é comum na Fazenda Estrela essa época do ano.
ATTOMICA

É isso aí, se passaram 15 anos desde a primeira edição do evento, que começou de forma descompromissada, um lance entre amigos, em sala de casa (falo sério, confiram no DVD documentário: “Roça and roll: 15 anos de estrada e mueção”), tem se consolidado ainda mais a cada edição como um dos maiores festivais do país, que recebe desde bandas grandes até aquelas que estão começando.

DARKEST – Human Decay (EP).

Este EP lançado em 2012, que consiste no primeiro lançamento oficial da banda (após uma Demo registrada no mesmo ano) mostra uma banda com boas pretensões, calcadas numa sonoridade crua e agressiva, remetendo em primeira instância as influencias oriundas dos primórdios do Thrash/Death Europeu de bandas como SODOM e Thrash USA a lá WHIPLASH. A produção aqui ainda é rústica, mas em nada compromete o potencial das músicas, que fazem bem a cabeça dos fãs dos estilos citados. A abertura com ‘Endless pain’ com seus riffs rápidos e vocais rasgados/urrados alternados com gutural já dão uma boa ideia do que pode-se ouvir no restante do disco. Em ‘I’m dead’ as bases são mais cadenciadas com solos melodiosos e a posteriori rápidos. As bases cavalgadas de ‘Sociopath’ remete aquela boa pegada Thrash com elementos de NWOBHM. Em suma, esta é uma banda que tem potencial para enriquecer a cena nacional. Nota: 7
Por Écio Souza Diniz
Faixas:
1-Endless pain
2- I’m dead
3-Sociopath
4-Death on strike
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