ENTREVISTAS

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ANHAGUAMA: culto à destruição! (20/02/2010)

ANGRA: convicto e realizado! (11/03/2015)

ÁGONA: evolução essencial! (31/07/2011)

ANTHARES: o caos ainda rola solto!

APOKALYPTIC RAIDS: O apocalipse no Death metal (02/2010)

APOKALYPTIC RAIDS: o quarto capítulo da invasão apocalíptica! (31/07/2011)

ATACKE NUCLEAR: força e resistência! (06/01/2011)

AZUL LIMÃO: um legado que já ultrapassa 30 anos. (22/01/2017)

CHAKAL: Na ativa e com vigor! (07/10/2010)

CALVARY DEATH: Death metal arrasador e com honestidade! (09/08/2010)

CLAUSTROFOBIA: a peste deixa ainda mais rastos (14/03/2015)

COGUMELO RECORDS: um legado que persiste ao tempo! (23/02/2016)

CORPSE GRINDER: A luta do verdadeiro Death metal! (11/05/2010)

DEVON: forte para além do nome! (24/12/2012)

DORSAL ATLÂNTICA: depois do fim…revive a lenda! (04/05/2012)

DORSAL ATLÂNTICA: novo capítulo se abre e velhas páginas se fecham…! (28/08/2015)

DORSAL ATLÂNTICA: uma nova saga, à caminho do sertão nordestino! (09/02/2017)

DIATORT: retorno com força total! (06/01/2011)

GENOCIDIO: Mais sólido do que nunca! (20/02/2010)

GOATLOVE: contrariando tendências e modismos! (25/07/2013)

HARPPIA: Em altos voos! (24/02/2011)

HAMMURABI: Na fúria do Death metal mineiro! (07/10/2010)

HATEFULMURDER: Um passo à frente na carreira! (10/04/2015)

HEREGE: Por um mundo melhor, justiça e liberdade! (04/08/2015)

HERESIS: Direto e honesto! (07/10/2010)

HIRAX: com força total! (EUA, 04/02/2014)

HOLOCAUSTO: no front do Metal de guerra! (25/02/2011)

HOLOCAUSTO: o massacre War metal está de volta! (12/03/2017)

HUMAN HATE: O grande retorno! (19/02/2010)

IMPERFECT SOULS: fiel ao underground! (05/01/2011)

INSULTERS: forte e polêmico (Espanha, 19/02/2014)

KAMALA: Equilíbrio x peso!

KRIG: além dos rotulos! (05/01/2011)

MÁRCIO CATIVEIRO (Apokalyptic Raids, Internal bleed…): Versatilidade no Metal Extremo! (09/08/2010)

METALMORPHOSE: Nas raízes do Metal brasileiro! (31/05/2010)

METALMORPHOSE: com o pé no acelerador! (22/01/2017)

MR. SPEED: ” Fazer rock no Brasil é para quem gosta mesmo”! (02/02/2013)

MUQUETA NA OREIA: Lobisomens, monstros e Rock and roll! (31/07/2011)

MUSTANG: Criatividade em alta! (02/02/2010)

PAR’UZHA: no front do Thrash! (06/01/2011)

NECROMANCIA: 30 anos de Thrash metal na veia. (22/12/2014)

NECROBIOTIC: Uma máquina Death metal! (10/04/2015)

NOTURNALL: sólido e centrado (16/05/2014)

OLD THRONE e ANTI-LIFE: Originalidade e força no Black metal! (20/05/2010)

OMFALOS: a arte inovadora da transcedência! (20/01/2012)

PERVENCER: dedicação aos guerreiros do underground! (20/01/2012)

PROJECT 46: “Hoje não basta dizerem que sua banda soa que nem banda gringa, queremos bem mais” (15/08/2014)

RED EVOLUTION: politizado e pesado. (08/01/2015)

REVOGAR: Inovação no Metal Extremo! (05/01/2011)

RIZZI: potencial em ascensão! (29/01/2015)

SANGRENA: “Metal não é entretenimento, é arte”! (19/03/2014)

SCELERATA: criatividade e força no Power metal! (10/08/2010)

SECURITÄTE: entre a força e a atitude! (31/07/2011)

SHADOWSIDE: criatividade que gera crescimento (02/02/2014)

SODAMNED: brutalidade aliada à melodia! (20/01/2012)

SPECTRUM: nova safra do Heavy metal em português! (23/02/2011)

SLIPPERY: A energia do Hard/Heavy 80’s sem nem um pouco de saudosismo. (24/12/2012)

STRESS: pioneiros do Metal nacional! (22/01/2017)

TAURUS: o bombardeio Thrash não para! (22/01/2017)

TORTURE SQUAD: Caos, horror e tortura no Metal! (11/08/2010)

TRAY OF GFIT: “não queremos ficar à sombra de ninguém” (16/05/2014)

TUATHA DE DANANN: uma trova revigorada! (04/09/2013)

TUATHA DE DANANN: “O alvorecer de um novo sol”! (11/09/2014)

VENERAL SICKNESS: Esforços recompensados! (04/08/2015)

VULCANO: a fúria não pára! (12/03/2016)

WAGNER GRACCIANO: a música do cotidiano! (29/03/2014)

ZOMBIE COOKBOOK: a trilha sonora do terror! (04/10/2014)

WAGNER GRACCIANO: a música do cotidiano!

Por Ramon Teixeira
 

Músico profissional e versátil, Wagner Gracciano, depois de três anos de trabalho, entre composição, pré-produção e gravação acaba de lançar seu primeiro registro solo, a odisseia musical Across the Universe . Num clima cinematográfico, nesse registro o guitarrista demonstra amplo feeling e deixa transparecer óbvias influências de jazz, progressivo, black music, Classic Rock, fusion e Hard Rock. Nessa entrevista ele nos conta um pouco sobre sua carreira.

 
Pólvora Zine: Fale um pouco sobre como você iniciou a sua carreira.
 
Wagner Gracciano: Foi ainda criança em Arapuá, Minas Gerais, pouco depois em Uberlândia ganhei um violão quebrado de uma tia que meu pai correu em arrumar. Logo depois comecei a estudar violão erudito e tirar musicas de ouvidos dos muitos discos que meu pai tinha. Toquinho, Led Zeppelin, Tom Jobim, Bach, Van Halen, tinha de tudo em casa, desde o samba até o Heavy metal, e isso foi maravilhoso para desenvolver o ouvido e aprender à moda antiga. Logo depois comecei a tocar na igreja e dar aulas. Mudando para Goiânia comecei a acompanhar cantores e fazer pequenos shows.

SANGRENA: “Metal não é entretenimento, é arte”

A cena do Metal extremo brasileira passa por uma excelente fase, especialmente em se tratando de Brutal Death metal em que vemos surgir novas bandas ou ganhar destaque bandas que já estão na estrada, movimentando o underground há algum tempo, entre estas, encontra-se a banda Sangrena (Amparo-SP), na ativa desde 1998. Atualmente formada por Luciano Fedel (baixo, vocal), Fábio Ferreira (guitarra), Gustavo Bonfá (guitarra) e Alan Marques (bateria), nessa entrevista o guitarrista Fábio fala sobre o futuro lançamento nacional do debut Blessed Black Spirit, lançado no final de 2009 pela Darzamadicus Records (Macedônia) e Sevared Records (USA) e que, finalmente chega ao mercado nacional esse ano.
Pólvora Zine: Para começar, conte um pouco sobre a história da banda.
Fábio Ferreira: O SANGRENA começou em Julho de 1998 comigo e Luciano Fedel. Na verdade eu, o Fedel e o Ricieri (que tocou no SANGRENA de 2001 até 2012) tocamos juntos em outras bandas desde 1990. Depois de uma temporada em outra banda que não andou muito a gente decidiu formar o SANGRENA em 1998. No início da banda o Fedel era guitarrista também e começamos uma caçada para completar a line-up. Em Setembro de 1998 a banda estava formada. Nesses quase dezesseis anos muita coisa aconteceu, várias mudanças de formação, muitos shows pelo Brasil, produzimos uma K7-Demo, dois CDs Demo, um Split CD, 2 EPs e um Full length. 

P.Z: O debut Blessed Black Spirit foi lançado em 2009 simultaneamente nos EUA pela Sevared Records e na Europa pela Darzamadicus Records, como foi a recepção desse disco nos países em que ele foi distribuído? Vocês fizeram muitos shows lá fora?
Fábio: A resposta ao Blessed Black Spirit no exterior foi muito melhor do que esperávamos. A expectativa era muito grande porque não tínhamos ideia do que nos esperava. Constantemente recebíamos mensagens positivas tanto de público como da mídia especializada. Esperamos muito que o álbum seja bem aceito aqui no Brasil também. Ainda não tocamos fora do Brasil, mas está em nossos planos futuros.
  
P.Z: Só agora, quase cinco anos depois, é que o debut vai ser lançado e distribuído no Brasil. Expliquem um pouco essa história, por que tanto tempo para que o disco chegasse ao país, e como ele vai ser distribuído? De forma independente?

Fábio: Ele foi lançado no final de 2009 no exterior e trabalhamos com ele praticamente até o final de 2011, quando decidimos lançá-lo de forma independente no Brasil. A ideia era fazer esse lançamento no segundo semestre de 2012, mas tivemos uma mudança de formação importante nesse tempo com a saída do guitarrista Ricieri Geremias. Logo que houve a substituição por Gustavo Bonfá recomeçamos esse planejamento e só agora nos organizamos pra fazer com que isso aconteça da forma mais profissional possível. 
P.Z: Qual será a estratégia de vocês para a divulgação desse lançamento aqui no Brasil?
Fábio: Provavelmente o disco será lançado em Abril ou Maio e estamos organizando uma turnê que irá passar por várias cidades do país. Já temos algumas datas certas e divulgaremos os detalhes em breve. 
P.Z: Como vocês avaliam o cenário do metal nacional?
Fábio: Eu acredito que a cena do Brasil é uma das mais sólidas do mundo. Poucos lugares sustentaria uma cena com tantos “perrengues” e falta de estrutura como aqui no Brasil. Pra tocar Metal aqui tem que ter muita garra e força de vontade. A gente já entra nessa vida sabendo de tudo que vai passar e os obstáculos que teremos que superar, sem pretensão, apenas com a necessidade de criar nossa arte. A vantagem é que isso tudo deixa a cena mais honesta, os poserso tempo dá conta porque não aguentam o tranco e a arte se sobressai. Não importa o que aconteça nem a situação que viva, o artista tem a necessidade de fazer sua arte e fazer com que as pessoas se identifiquem com ela, e o Metal sendo especialmente um estilo de música fundamentado na arte, na sinergia do ser humano, se beneficia disso.
            Mas seria muito bom que o brasileiro tivesse a cultura de consumir arte, não só se interagir quando cai em seu colo sem muito esforço, porque assim conseguiríamos fazer com que um artista pudesse se dedicar mais à sua arte e assim todos nós, artistas e consumidores de arte, sairiam ganhando. Mas essa discussão acaba sendo política também porque envolve a educação e a cultura, que é implantada na população através do governo que, como sabemos, não tem muito interesse em desenvolver o senso crítico da população. 
P.Z: Ainda sobre o cenário nacional já se ouviu muito sobre os fãs do Brasil, que os mesmos não apoiam as bandas nacionais. Mas vamos esquecer o fator público de metal no Brasil. Na concepção de vocês o que as bandas nacionais precisam fazer para serem maiores dentro da nossa cena?
Fábio: Antes de tudo a banda tem que ser honesta com seus ideais e sua filosofia de vida. Metal não é entretenimento, é arte, e sendo assim é baseado na energia e nos sentimentos do artista. Não dá pra falar uma coisa e ser outra. Honestidade e coerência sempre! Talvez os membros das bandas tenham se esquecido que além de tocarem Metal eles também são público porque também curtem Metal. Se cada membro de banda também consumisse discos de bandas que gostassem, comprassem zines, fossem em outros shows underground, entre outras atitudes, nossa cena se sustentaria. Quando eu falo do mercado não é que tudo está fundamentado em ganhar dinheiro, pelo contrário, não acredito que arte seja profissão. Apenas estou levando em conta que o mundo é capitalista e precisamos de capital pra viver quer goste ou não, e dessa forma, novamente falando, o artista poderia se dedicar à sua arte. Essa sustentação financeira está ligada à viabilização do cenário, mas isso tem que ser a consequência da sua arte e nunca o objetivo. Se seu objetivo é ganhar dinheiro tocando é melhor tentar outro estilo de música.  
P.Z: O foco de vocês nesse momento será o Blessed Black Spirit, mas vocês já estão com um novo disco em processo de composição. Este registro já tem previsão de lançamento? Vocês vão lançar ele primeiro lá fora e depois no Brasil como foi com o Blessed…?
Fábio: Praticamente já acabamos as músicas e estamos tocando nos ensaios para darmos os últimos reparos nos arranjos. A nossa intenção é estarmos com ele pronto no começo do ano que vem pra talvez lançar no meio do ano. Ainda não sabemos como será o lançamento dele, gostaríamos que fosse simultâneo no Brasil e no exterior dessa vez. 
P.Z: Explique como funciona o processo de composição da banda.
Fábio: Na parte instrumental eu, o Fedel e o Gustavo compomos as bases de guitarra (cada um cria a sua música inteira) e depois mostramos aos outros membros pra discutirmos sobre ela. Assim que fazemos as alterações necessárias o Alan cria a bateria, na maioria das vezes ele sequencia uma batera eletrônica com as ideias que ele imaginou pra música e nos manda de volta. Depois os últimos acertos são feitos nos ensaios. As letras são todas compostas pelo Fedel, em alguns poucos casos a gente manda uns textos com algumas ideias ou alguns temas e ele desenvolve. Preferimos assim porque fica mais fácil pra ele interpretar depois porque ele sabe o que ele estava sentindo quando escreveu e a energia que ele quer transmitir na execução. 
P.Z: Vocês possuem influências de Morbid Angel, Slayer, Hate Eternal entre outras. Mas do que tem sido feito atualmente no Metal, o que vocês têm escutado?
Fábio: Isso é muito sazonal, cada época nós escutamos bandas diferentes. Nesse momento estamos curtindo as Italianas, estamos ouvindo muito FLESHGOD APOCALIPSE e HOUR OF PENANCE. 
P.Z: Voltando ao Blessed Black Spirit, qual foi a inspiração para a escrita das letras?
Fábio: O Blessed Black Spirit é quase todo voltado à opressão espiritual-religiosa e os danos que isso se aplica à mente, ao juízo do ser humano. É um disco anti-religioso, baseado no anti-cristianismo. Mas também falamos de violência, guerra, suicídio, entre outros assuntos. 
P.Z: A palavra está aberta agora para vocês dizerem o que quiserem aos fãs.
Fábio: Primeiro muito obrigado ao Écio e o Pólvora Zine pelo espaço cedido ao SANGRENA e continue nessa batalha porque a cena precisa de gente como você, que batalhe a favor. Pra quem tiver interessado em conhecer mais o SANGRENA pode visitar nossa página no facebook www.facebook.com/sangrenaofficiale ouvir algumas do nosso álbum, Blessed Black Spirit, que está pra sair. Esperamos encontrar vocês em algum show da nossa tour. Não desistam da guerra… Sigam a Marcha!

            

INSULTERS: forte e polêmico!

Por Écio Souza Diniz
O INSULTERS, formado em 2008 em Sabadell, é um dos nomes de peso da atual cena Extrema na Espanha, e está colhendo os frutos do seu avassalador álbum “We are the plague”, um disco rápido, brutal e blasfemo. Detentor de uma postura forte com relação à cena metálica, crítica musical e como uma banda deve funcionar, o vocalista Blasphemic Vomitor concedeu esta entrevista inédita ao Brasil, através do Pólvora Zine. Acompanhem.
Como tem sido a recepção dos fãs e crítica à “We are the plague”?
Há alguns bastardos que gostaram muito do LP, nós não damos a mínima para o que a crítica pode dizer, mas a resposta tem sido boa pra caralho. Nós trabalhamos por dois anos para definer essa meia hora de agressão e blasfêmia.
Qual sua opinião sobre o cenário Extremo na Espanha atualmente?
Eu acho que nos últimos anos a cena underground espanhola está muito boa, com bandas como  ATONEMENT, MANIAC, BALMOG, KORGULL THE EXTERMINATOR, GRAVEYARD, ERED, ATARAXY, DECAPITATED CHRIST, MORBID FLESH etc.
 “We are the plague” tem muitos bons momentos que transitam entre muitos estilos como Hardcore, Crust, e claro, Thrash e Death metal. Como foi o processo de composição neste álbum?
Dois anos de loucura total na sala de ensaio, não um direcionamento específico para soar como um estilo ou outro, nós tocamos como nos sentimos a música e então, obviamente todas essas influencias aparecem no som que nós tocamos. Nós apenas queremos tocar Metal e foda-se o mundo. Quando o material estava pronto nós entramos em Moontower Studios para gravar a merda, e isso é tudo. Nós achamos que o resultado foi ótimo.
Exemplos de músicas fortes são Dynamite the Mosque, Curse the sun for risingand Lucifer say Die. Quais são os destaques nos shows?
É difícil dizer os destaques porque eu não presto muita atenção para o que o público está fazendo. Talvez Masters of Sin e Burn the Church.
Como surgiu a parceria com a Diabolus Productions para graver o split “Spit on The Crucifix” with NOCTURNAL HELL?
O Split com NOCTURNAL HELL foi concebido por nós mesmos através da Sabathell Metal Attack Records. A Diabolus Productions fez uma compilação das Demos prévias em formato CD, isso é tudo. Eles que entraram em contato conosco e perguntaram pelo lançamento. Isto foi muito rápido e fácil, há um bom maníaco por trás da Diabolus Productions.
Como tem sido trabalhar com Unholy Prophecy? Quais são suas principais contribuições para a banda?
Trabalhar com aUnholy Prohecy tem sido ótimo, e estas não são palavras compromissadas, o Walter fez um trabalho profissional, rápido, fácil e efetivo neste álbum e também está fazendo um ótimo trabalho com a promoção de nosso LP. Você deveria procurar pelo CD digipack feito pela Unholy Prophecy, ele está matador sem dúvida.
O INSULTERS tem a preferência em registrar seus trabalhos em LP e Tape. Você acredita que este formato está retornando com mais intensidade nos últimos anos?
Na verdade, talvez haja uma moda sobre o formato de vinil, mas eu não dou a mínima para a moda. Eu tenho que dizer que eu gosto mais dos lançamentos em vinil, pela forma como o nosso Lp foi lançado pela Equinox Records e Trabuc Records.
Além de divulgar “We are the plague”. Quais são os outros planos a curto prazo?
Nós começamos a tocar com um novo membro, Mark Wild (Graveyard, Körgull the Exterminator, Infektor) e nós esperamos começar a tocar ao vivo o mais breve possível e invocar um novo material para o culto ao Metal. Se há alguém interessado em falar conosco, escreva para: insulters.666@gmail.com
Toque sempre muito alto!!!
 

HIRAX: com força total!


  


Por Écio Souza Diniz e Gisela Cardoso
Tradução: Jorge Cota

Não é novidade que o HIRAX foi uma das peças fundamentais para a consolidação do Thrash Metal mundo afora. Também não o é o fato que o vocalista Katon De Pena é uma das figuras mais icônicas e carismáticas do estilo, além de ser um batalhador, que não implora por holofotes, mas sim estar perto dos fãs e fazer cada show como se fosse o último. Mas, uma novidade muito boa para os fãs da banda é que estão para lançar em fevereiro um novo disco de estúdio, Immortal Legacy. Para nos falar mais sobre o lançamento, fatos relativos à história da banda e opiniões acerca do cenário metálico mundial , Katon nos concedeu esta entrevista. Acompanhem.

Vocês lançarão Immortal Legacy em fevereiro. Quais eram as suas metas quando começaram a compô-lo?


Katon: Primeiro, deixe-me agradecer por suas palavras, eu estou honrado. Quanto ao Immortal Legacy, nosso principal objetivo quando nós começamos a escrevê-lo era fazer sempre o melhor álbum do Hirax como de costume. Ou seja, deveria ser muito pesado e rápido, um Thrash metal intransigente e extremo em sua cara. Além de uma gravação que nossos fãs se orgulhem. Eu sei que temos alcançado este objetivo.

O que os fãs do Hirax podem esperar de Immortal Legacy em relação aos demais trabalhos da banda?

Katon: O som e a produção estão incríveis. Nós sempre nos esforçamos para obter o melhor som possível, mas esta tem sido a melhor gravação que fizemos até o momento. Maciças guitarras tecnicamente avançadas, bateria poderosa, baixo estrondoso e vocais urrados por cima, tudo soando como uma explosão sônica. Eu acho que há algo neste álbum para todos os fãs de Heavy metal. Sem dúvida este é nosso melhor registro.

Quais foram os motivos deste adiamento de lançamento do álbum para este ano?


Katon: O principal motivo foi porque não queríamos apressar as coisas, visando garantir que tudo saísse perfeito. Nós queremos dar a nossos fãs boa música e 100% de não compromisso, que é o nosso lema.

O que os levou a incluir músicas instrumentais (Earthshaker e Atlantis – Journey to Atlantis) neste novo álbum?

Katon: Earthshaker e Atlantis foram inclusas para mostrar a diversidade da banda. Os irmãos Harrison (N.R: guitarristas) são ambos grandes músicos e nós queríamos mostrar seus talentos no álbum. Ambas as músicas tem sido tocadas ao vivo por anos e eu achei que já era hora de gravá-las e coloca-las como uma surpresa especial.

As faixas La Boca De La Bestia – Mouth of the Beaste Hellion Rising tem sido divulgadas por canais como Youtube. Elas mantêm bem o estilo de tocar que popularizou a banda. Como elas têm sido recebidas pelo público e críticas especializadas?

Katon: La Boca De La Bestia e Hellion Rising são as duas primeiras músicas que as pessoas têm ouvido de Immortal legacy. O retorno por parte dos fãs tem sido louco, eles estão amando este novo material e nós estamos muito contentes com isso. Haverá um vídeo filmado para Hellion Rising em breve. Uma grande parte da crítica tem dito que este é nosso melhor trabalho.

Vocês trabalharam no referido álbum com o produtor Bill Metoyer (Slayer, Armored Saint, W.A.S.P., Sacred Reich, entre outros). Como surgiu esta parceria? Qual foi a principal contribuição que ele deu durante as gravações?


Katon: Quando nós começamos a planejar o novo álbum tínhamos três produtores em mente: Bill Metoyer, Andy Sneap (Arch Enemy, Exodus, Nevermore, entre outros) e Jeff Waters (Annihilator). Todos eles são experientes no Thrash metal, mas nós escolhemos Bill porque eu o conhecia desde o princípio dos anos 80, quando trabalhei com ele na Metal Blade Records nos dois primeiros álbuns do Hirax. Ele também veio nos ver em nossos shows em Los Angeles, e uma noite ele veio ao camarim e disse que estaria interessado em produzir o álbum. Nós somos uma banda perfeita para ele trabalhar e também acreditamos que ele é fã de nosso trabalho por muitos anos, sendo assim, definitivamente a pessoa certa para fazer a gravação. Ele colocou à mesa sua grande experiência e ouvido para a música. É incrível. É como ter um quinto membro na banda, pois ele sabe como obter os melhores sons da banda e neste disco provou isso.

O Thrash foi um grande movimento nos EUA nos anos 80, e um dos maiores da história do Metal. Entretanto, como na NWOBHM, muitas bandas permaneceram mais no underground.   Vocês estão entre as bandas que têm maior proximidade com o público nos shows. Fato este às vezes proporcionado, por tocarem em casas menores também.

Katon: Nós sempre aprecíamos um massa de seguidores em todo o mundo, mas nos últimos anos tem havido um enorme ressurgimento do Thrash metal e agora estamos mais populares do que antes. Eu penso que isto prova que o Thrash tem resistido ao teste do tempo e ainda está forte.

Quais foram os shows mais marcantes que fizeram em sua passagem pelo Brasil em 2013?

Katon: Todos os shows no Brasil foram excepcionais e grandiosos. Os fãs aí são incrivelmente leais e obstinados. Nós amamos nossos fãs brasileiros e estamos cogitando voltar agora em 2014. Eu gostaria de agradecer a Kill Again Records por sua ajuda e apoio.

Dentre os álbuns mais recentes, El rosto de la muerte(2009), poderia ser considerado como candidato à clássico da banda e do Thrash metal em sua opinião?

Katon: Esta é uma pergunta difícil de responder. Acho que devíamos deixar isso para os fãs e os críticos, somente o tempo dirá. Uma observação interessante sobre esse registro não é apenas sobre a música, também é sobre a comunicação através de diferentes linguagens.

Quais são os cinco melhores álbuns de Rock/Metal para você?

Katon: Minha opinião sobre isso muda diariamente, mas tentarei selecionar os cinco maiores e importantes álbuns:

1. Deep Purple -Machine Head
2. Judas Priest -Hell Bent for Leather
3. Thin Lizzy – Jailbreak
4. Motorhead – Iron Fist
5. Trust -Repression


Você acha que um dos principais problemas da cena metálica hoje em dia é falta de união entre as bandas, aliada a ganância de muitos produtores e donos de gravadoras por aí?

Katon: Esse problema sempre existiu e nunca terá fim por conta de egos, dinheiro e ganância. A única coisa que realmente importa é a música e os fãs. Enquanto bandas como nós se lembrarem disso, a música sobreviverá.

Você acha que a ascensão da internet tornou a música, no caso do Metal, de certa forma algo mais artificial e comercial?

Katon: Não realmente, o uso da internet está relacionado à integridade das bandas. É para nós apenas uma ferramenta para chegar até nossos fãs, e isso não compromete nossa música nem muda nossa visão de ser uma verdadeira banda underground. Nós nunca esqueceremos que viemos do old-school, quando haviam panfletos, vendedores de fitas e correio tradicional.

Caso vocês não tivessem parado as atividades em 1989, como você pensa que a história da banda poderia ter sido?

Katon: Esta também é uma questão difícil de responder (Risos). Mas vou tentar. Eu tento nunca olhar para trás e ter algum arrependimento, somente procuro olhara para o futuro, continuar em turnê com minha banda e gravar novos álbuns, que sempre foi meu foco e sempre será.

Após o lançamento de Immortal Legacy, quais são próximos planos da banda?

Katon: Immortal legacy será lançado na Alemanha dia 21 de fevereiro, 24 de fevereiro no resto da Europa e quatro de marco em todo mundo pela Steamhammer/SPV Records. O restante de 2014 a banda excursionará em todo o mundo e retornará ao Brasil e outros lugares da América do Sul, estamos ansiosos para ver todos os nossos fãs e agradecer a todos vocês por seu verdadeiro apoio ao Metal. Preparem-se para o ataque Thrash!

SHADOWSIDE: criatividade que gera crescimento!

Por Écio Souza Diniz


A SHADOWSIDE é na atualidade uma das bandas brasileiras de grande renome, não somente por aqui, como na Europa. Após o lançamento do ótimo Inner Monster Out (2011), a banda ainda está colhendo bons frutos , realizando diversos shows marcantes, além de ter tocado ao lado de ícones como Helloween, Gamma Ray e W.A.S.P. Para nos falar mais sobre o momento que a banda está vivendo, a frontwoman Dani Nolden concedeu essa entrevista exclusiva ao Pólvora Zine.

Pólvora Zine: Para começar, vocês esperavam que Inner Monster Out alcançaria a aceitação que tem recebido desde seu lançamento? Como foi o processo de composição deste álbum?

Dani Nolden: Não, não tem como esperar! Você torce, mas esperar, nunca. Seria arrogante demais! Por mais que todos na banda saibam do potencial do álbum, gostem de todas as músicas, nunca temos como saber se o mundo vai concordar com a nossa opinião sobre nosso próprio trabalho. Lançar um álbum é sempre uma aposta, uma tentativa e podemos apenas torcer pelo melhor, e o melhor que imaginávamos sem dúvida não era perto do que alcançamos com o Inner Monster Out. Fizemos esse álbum de forma completamente espontânea, sem pensar muito. Fizemos o que gostamos, porém tendo como desafio agradar quatro membros da banda que gostam de coisas completamente diferentes. Nós abraçamos as tais diferenças musicais ao invés de brigarmos por causa delas. Acho que isso que acabou dando esse toque especial ao álbum e agradou tanta gente.


P.Z: Um dos exemplos do reconhecimento do trabalho feito em Inner Monster Out foi sua presença na edição da Roadie Crew dos 60 grandes álbuns do Metal nacional. O que representou isso para vocês?

Dani Nolden: Foi uma honra, de verdade! Com o Inner Monster Out, já havíamos alcançado vários resultados incríveis. Alcançamos os 30 álbuns mais vendidos no Japão, ficamos por seis semanas seguidas nos top 15 dos álbuns mais tocados nos Estados Unidos, tendo alcançado a 9ª colocação, fizemos mais de 50 shows na turnê… mas o reconhecimento dentro do seu próprio país sempre tem um sabor especial, porque quem faz Metal escuta desde o primeiro dia de carreira que artista nacional não é valorizado, que é muito difícil chamar a atenção aqui. Porém, isso não vem acontecendo conosco. Tanto o público quanto a imprensa brasileira tem nos tratado maravilhosamente bem e eu os considero a base do nosso sucesso internacional.


P.Z: O amadurecimento musical e lírico atingido no referido álbum foi algo surpreendente, conseguindo transitar com eficácia e inteligência do Heavy ao Thrash.

Dani Nolden: Aquelas velhas diferenças musicais! Nós não tínhamos como objetivo transitar entre os estilos, mas acabou acontecendo porque nós gostamos de tanta coisa diferente que tentar agradar a todo mundo tornou isso uma necessidade. Precisávamos de um álbum que fosse pesado e visceral, porém muito musical, com melodias marcantes e bonitas… sem que isso se tornasse uma bagunça sem sentido. Nós entramos no estúdio desprovidos de ego. Compositores às vezes não gostam que mudem suas músicas, mas nós chegamos querendo a mudança por parte dos outros membros da banda. Eu e o Raphael chegamos no estúdio com metade das ideias iniciais cada um, porém o que você ouve no Inner Monster Out é completamente diferente das nossas primeiras demos. Nós cortamos algumas partes, adicionamos outras, mudamos estruturas, melodias e fizemos o verdadeiro exemplo de um trabalho em grupo.

P.Z: Vários são os bons momentos de Inner Monster Out, como em Gag order, a marcante Habitchual, a rápida In the name of love e a pesadíssima faixa-título. Quais destas músicas têm obtido melhores respostas nos shows?

Dani Nolden: Inner Monster Out, Gag Order que experimentamos e testamos durante a tour com o W.A.S.P. em 2010, Habitchual, Angel with Horns, Waste of Life. Penso que essas são as favoritas do álbum, tanto da banda quanto do público nos shows. Escutamos sempre excelentes comentários de In the Name of Love, mas essa é uma música que a galera gosta de observar. My Disrupted Reality também sempre abre algumas rodas (risos).

P.Z: Inner Monster Out traz também diversas participações especiais como a dos vocalistas Mikael Stanne (DARK TRANQUILLITY), Björn “Speed” Strid (SOILWORK), Niklas Isfeldt (DREAM EVIL) e Roger Moreira (ULTRAJE A RIGOR). Para você qual foi a principal contribuição de cada um desses nomes nas músicas?

Dani Nolden: Os suecos foram convidados para trazer um pouco da personalidade deles para nós, ao mesmo tempo que, nós levamos nosso mundo a eles. Levamos as melodias para eles, mas eles foram incentivados a mudar como achassem necessário. Nós não queríamos convidados pra encher o álbum de nomes, queríamos pessoas que fossem ao estúdio e realmente estivessem interessadas a dar vida a música, que quisessem fazer esse intercâmbio de arte, da forma de compor, de gravar. Pensamos no Roger já na Suécia. Ele havia nos dado a autorização para gravar a música e então decidimos convidá-lo para participar. Ele pediu para que enviássemos a música quando estivesse pronta… quando enviamos, ele gostou e aceitou o convite. Gravamos a participação dele em São Paulo. Foi algo sensacional, Roger é uma verdadeira lenda do rock brasileiro e tê-lo no álbum, cantando a música composta por ele, mas na nossa versão, foi incrível.

P.Z: O que os levou a incluir o cover para Inútil, do ULTRAJE A RIGOR?

Dani Nolden: Inicialmente, a vontade de termos uma música em português no álbum. Porém, não tivemos tempo para compor essa música. Eu sempre escrevi letras apenas em inglês, então escrever em português não vai ser uma tarefa fácil, nem rápida. Portanto, pensamos em Inútil, porque a letra ainda combina perfeitamente com o estado atual do nosso Brasil (risos).

P.Z: O W.A.S.P cedeu uma grande oportunidade à SHADOWSIDE para que atingisse em massa o público europeu. Fale sobre como se deu essa parceria e dividir o palco com Black Lawless.

Dani Nolden: Seremos eternamente gratos ao W.A.S.P. Eles nos deram uma chance que ninguém mais queria dar, não porque não gostassem da banda, mas porque não nos conheciam como pessoas. Ninguém quer arriscar levar para uma turnê de dois meses uma banda problemática, que se atrasa, que perturba… e ninguém tinha como saber que nós não éramos assim. Mas o W.A.S.P. decidiu que merecíamos a chance e nunca esqueceremos isso. Blackie é um cara extremamente reservado. Ele passa o tempo todo sozinho ou com a esposa. Nós chegamos ao primeiro show apavorados com todas as histórias sobre ele, de como ele é um problema, e ele, na verdade, era praticamente invisível. As regras eram rígidas e tudo era muito profissional o tempo todo, porém era tudo muito claro e nunca tivemos problemas. Sempre tivemos total condição de fazer o nosso trabalho e sempre tínhamos tudo que precisávamos. Fomos muito bem tratados por todo mundo no WASP e pelo público europeu.

P.Z: Em 2013, vocês também fizeram uma bem sucedida turnê europeia com HELLOWEEN e GAMMA RAY. Como se deu esse convite para abrir os shows destas bandas? Quais foram os melhores momentos desses shows?

Dani Nolden: Nós já havíamos feito alguns shows com o Helloween em 2006 aqui no Brasil. Como tudo correu bem daquela vez, desde então perturbamos o manager deles pedindo a chance de uma turnê europeia (risos). Sempre recebemos um “não”, então dessa vez novamente entramos em contato, mas praticamente esperando a negativa, mas eles nos surpreenderam dizendo “ok, se vocês quiserem nos acompanhar durante toda a turnê, o lugar é de vocês”. Alguns dos melhores momentos foram o público na Polônia, que estava tão insanos que até os seguranças estavam batendo cabeça, a galera na Grécia gritando “Shadowside”, o fato de termos sido a primeira banda brasileira de Heavy metal a pisar nos palcos do Olympia, em Paris, casa fundada em 1888 por onde já passaram artistas como The BEATLES, JIMMY HENDRIX, ELIS REGINA etc. Foram alguns momentos bem marcantes na carreira da banda.

P.Z: De onde surgiu a ideia de gravar o videoclipe para Habitchual(um dos grandes destaques de Inner Monster Out), no centro histórico de Santos (SP).

Dani Nolden: A banda nasceu em Santos. Mas nunca gravamos um videoclipe em alguma parte interessante da cidade. O centro histórico é um lugar que combina a arquitetura bela com lugares destruídos e abandonados, é perfeito para a gravação de um clipe! Já fizemos todas as cenas da atriz na frente do prédio dos Correios. Temos mais dois locais em mente para fazer as cenas da banda tocando. Essa filmagem deve acontecer em Fevereiro ou Março.

P.Z: A SHADOWSIDE também fez ótimos shows no Brasil em 2013 ao lado da banda SUPREMA. Em quais regiões e/ou locais sentiram um melhor ‘feedback’ do público?

Dani Nolden: Esses shows foram legais em todas as cidades que passamos! Ao final do show fazíamos uma jam que deixava o público insano. Foi muito divertido, mostramos aos fãs que é possível sim unir duas ou mais bandas para fazer algo interessante, diferente. Tocamos em Manaus, Limeira, Jundiaí, São Paulo. Todos os shows foram incríveis!

P.Z: Numa entrevista recente ao portal da Agencia Yaih, você expressou sua opinião sobre as mulheres que usam a beleza como forma de ganhar respaldo no Metal. Você acha que ainda hoje há uma resistência a presença de mulheres em bandas de Rock e Metal?

Dani Nolden: Não, não acho. Acho que há resistência apenas quando exatamente essa situação acontece. Mas isso acontece com os homens também. Ninguém leva a sério alguém que está em uma banda para supostamente fazer música, mas faz com que as pessoas prestem atenção primeiro a outras coisas que não estão relacionadas a música. Não tem nada de errado uma mulher ser bonita, mas tem que existir um limite. Não podemos ser modelos! Somos membros de uma banda de Metal! Vaidosas, mulheres, mas não modelos! Todo mundo quer ouvir boa música e ninguém vai deixar de ouvir boa música porque é uma mulher cantando ou tocando. Mas eu acredito que exista certa resistência por qualquer um que seja mais imagem que música. Passa a impressão de que sua música não é boa o suficiente para chamar atenção sozinha.

P.Z: Ainda sobre o tópico ‘beleza feminina’, como é para você a sua consideração por mídias e público como uma das musas do Metal?

Dani Nolden: Estranho. Parece que não estão falando de mim (risos). Eu não me vejo dessa forma, não me sinto dessa forma. Pra mim, estão falando de outra Dani (risos).

P.Z: Tem aparecido noticias que vocês estão se preparando para fazer o novo álbum, isso procede? Ele será também realizado sob a tutela de Fredrik Nordström (guitarrista do DREAM EVIL e produtor que já trabalhou com bandas como EVERGREY, ARCH ENEMY e DIMMU BORGIR)?

Dani Nolden: É bem provável que sim! Pela primeira vez queremos repetir o produtor, porque nos demos muito bem com ele, ele entendeu exatamente o que a banda estava buscando, mas a gravação foi curta. Trabalhamos com Fredrik e Henrik Udd por apenas 25 dias e sentimos que ainda há muito a ser descoberto musicalmente nessa parceria. Estamos trabalhando em músicas novas, sim. Assim que elas estiverem prontas, já começaremos a enviar ao Fredrik para trabalharmos na pré-produção com ele.

P.Z: Paralelamente à SHADOWSIDE, você recentemente você assumiu os vocais da SPHAERA ROCK ORCHESTRA (projeto que mescla música erudita ao Rock, sendo que já teve a participação de Andreas Kisser – SEPULTURA e Rafael Bittencourt – ANGRA). Qual tem sido o saldo dessa experiência?

Dani Nolden: A melhor forma de descrever o Sphaera Rock Orchestra é chamá-la de “orquestra de Rock”. É como o Alexey Kurkdjian, o maestro, chama a banda. A experiência tem sido fantástica. Cantar com uma banda é completamente diferente de cantar com uma orquestra, é outra interpretação, outra dinâmica de show, é como se eu fosse mais um instrumento da orquestra e não a “frente” de uma banda. A frente, nesse caso, é o maestro e tem sido um grande desafio. O plano agora com o Sphaera Rock Orchestra é começar a compor, pois até o momento, tem sido um projeto que faz versões de grandes clássicos, mas provavelmente agora o grupo irá um passo a frente com composições próprias.

P.Z: Quais são os planos imediatos para 2014?


Dani Nolden: Temos mais alguns shows pra fazer em 2014, porém no intervalo trabalharemos em músicas novas. Finalizaremos o videoclipe de Habitchual, que encerrará o ciclo do Inner Monster Out. Depois dele, não lançaremos mais nada desse álbum e será o momento de trabalhar nesse material novo enquanto tocamos nos lugares onde ainda não fizemos shows aqui no Brasil. Ainda tem muito lugar pra visitar e não queremos ficar longe dos palcos enquanto fazemos o novo álbum, afinal nos alimentamos da energia do público. Imagino que começaremos a gravar ainda este ano, mas não tenho certeza do momento, pois não queremos apressar o processo de composição. De qualquer forma, ficaremos ocupados e contaremos as novidades sempre que elas aparecerem!

TUATHA DE DANANN: uma trova revigorada.

Por Écio Souza Diniz
A TUATHA DE DANANN, uma das bandas mais criativas já surgidas no cenário do Metal nacional, ao longo de sua carreira conquistou um público fiel, especialmente em sua região de origem, no Sul de Minas Gerais e ainda estendeu sua arte ao renomado festival Wacken Open Air em 2007. A característica que fez a banda conhecida foi a prática de um Heavy metal mesclado ao contexto e instrumentos típicos da cultura celta. Após uma pausa indeterminada em suas atividades que se iniciou em 2010, a banda recentemente tem empreendido seu retorno efetivo, e é exatamente para nos falar a sobre este e outros fatos que tivemos essa conversa exclusiva com o vocalista/guitarrista Bruno Maia.
 
Pólvora zine: Primeiramente, qual foi a maior motivação para o retorno definitivo da banda? De quem partiu a iniciativa?
 
Bruno:Na verdade, por mais que tenhamos passado um tempo meio estranho, nunca brigamos feio na banda. Eu saí numa época que eu não via tanto sentido mais pra eu continuar ali. Saí e deixei a banda que eu criei para os caras seguirem e eu poder me concentrar nas minhas coisas, no meu tempo e tudo mais. Acabou que a banda não continuou, dois tuathas (Berne e Giovani) montaram uma banda, o TRAY OF GIFT, e eu, Abreu e o Edgard montamos o KERNUNNA. Não foi nada feio nem muito sério, tanto que tocamos nuns Roça´n´Roll depois etc… O que houve foi que vimos que qualquer problema que podemos ter tido era muito menor que tudo que passamos, criamos e enfrentamos juntos. A gente se conhece desde moleque, a amizade e nossa história juntos é muito mais legal e maior que qualquer desavença antiga.


 
P.Z: O diferencial da TUATHA DE DANANN foi a proposta de letras interessantes e divertidas sobre duendes, natureza e tudo de mágico que cerca este mundo. Como você enxerga a carreira da banda, desde sua fundação em 1994?

Bruno:
Acho que o diferencial maior é a parte musical: as flautas, bandolins, as diferentes vocalizações e mesmo a atmosfera das músicas. Claro que as letras destoam um pouco do habitual, mas acho que o forte é o tipo de composição da banda. Enxergo nossa história com muito orgulho e satisfação. É muito difícil uma banda do interior de Minas Gerais, sem empresário forte, sem dinheiro pra pagar por tudo e sem noção como éramos chegar onde chegamos. Tocamos em tudo o que é buraco, em situações adversas e até cômicas, mas sempre levando na boa, sem muito stress e funcionou. Acho nossa história foda! 
 
P.Z: Dentre os vários shows de vocês que assisti, um dos que mais me lembro foi o da edição de 2011 do festival Roça and Roll, no qual um grande público cantou quase todas às musicas inteiramente. Quais são suas melhores lembranças em termos de shows e o que acham da figura da banda no referido festival?
 
Bruno: Realmente esse show foi demais, pois eu tinha acabado de sair da banda, e o povo começou um coro altíssimo “Hey Bruno, volta pro Tuatha!” ….foi emocionante ver o quanto tínhamos valor pra galera. O Tuatha e o Roça têm uma história parecida: os dois nasceram e se mantiveram por muito tempo movido à paixão e vontade. Tudo muito na unha mesmo. E quando o Roça começou, a única banda de mais nome que tocava no evento era o Tuatha, isso, com certeza deu uma força a mais pro Roça e ajudou- o a se destacar na cena em seus primórdios. E, na contramão, posso dizer que nessa época, como o Tuatha já tinha um nome mais bem estabelecido e aqui na região não tínhamos ainda tantos festivais legais como hoje, o Roça ajudou o Tuatha a sedimentar seu nome em nossa área, pois era a única forma da banda se apresentar aqui pra tanta gente, já que  sempre foi meio inviável fazermos shows em cidades pequenas do Sul de Minas. E o louco é que hoje em dia, depois de tanto tempo, mesmo o Roça sendo o que é, uma referência, com atrações internacionais e tudo mais, posso dizer que o Tuatha é sempre uma das bandas mais esperadas. É muito louco isso!!!
 
P.Z: Sim, me lembro bem disso. Foi bacana ver a galera falando pra você voltar, valorizando a banda. Houve uma energia muito legal naquele show. Ao mesmo tempo foi engraçado, porque falaram isso várias vezes (Risos).
 
P.Z: O primeiro destaque para a banda foi alcançado com o segundo álbum, “Tingaralatingadum”, e mais adiante vocês ainda surpreenderam com o ultimo álbum, “Trova di Danú”. Você acha que estes trabalhos tem superado a prova do tempo?
 
Bruno:Realmente estes são os nossos discos mais mais, sabe? No “Tingaralatingadum” a gente conseguiu deixar de lado uma carga extrema e até meio Dark e abraçar mais o que nossa música se tornaria depois: um lance mais alegre, festivo etc… e com o “Trova di Danú” a gente deu uma ‘progressivada’ a mais e conseguimos a produção e qualidade que sempre quisemos. O Trova é meu favorito!
 
P.Z: Sempre surge para muitas pessoas uma duvida: por que já a um bom tempo são tocadas poucas musicas do primeiro álbum, o autointitulado, “Tuatha de Danann”?
 
Bruno:Geralmente o tempo de um show não passa de 80 ou 90 minutos. Se for festival é uma hora no máximo, daí temos de tocar as mais conhecidas e esperadas da galera, que em sua maioria estão nos trabalhos seguintes. E é meio como eu disse: até esse primeiro CD, o “Tuatha de Danann”, acho que ainda procurávamos o nosso som verdadeiro; você escuta esse álbum e percebe nitidamente como as músicas não tem muito a ver uma com a outra. Isso é até legal, mas mostra que era uma banda ainda a procura de desenvolvimento. Mesmo assim tocamos ‘Us, e às vezes ‘The Bards Of the Infinity’ ou ‘Tuatha de Danann’.
 
 P.Z: Como foi a recepção à banda na edição 2005 do Wacken Open Air, na Alemanha?
 
Bruno:Foi foda! Não esperávamos nada, de verdade. Só de falar que pisamos no palco do Wacken já era a realização suprema. E o mais legal é que fomos convidados, não fomos por concurso etc… Acabou que lá a gente estava concorrendo sim, sem saber, e acabamos ganhando o prêmio de maior banda internacional. Foi demais!
 
P.Z: O que os fãs da banda podem esperar deste retorno? Haveria um possível novo álbum sendo planejado?
 
Bruno:Estamos com muita vontade de fazer um disco pra nos orgulharmos dele, o que acredito ser o mais importante. Estamos fazendo uns shows agora pra desenferrujar e pra sentir de novo a magia que é tocar Tuatha com o Tuatha e com o público tuathero e para o ano que vem vamos ver esse lance do disco.
 
P.Z: E tal disco pode ser algo além do que já fizeram ou seguiria as sonoridades conhecidas acerca da banda?
 
Bruno:Com certeza carregará o que é característico no Tuatha, mas deverá trazer um diferencial sim, para o bem ou para o mal.
 
P.Z: Ademais como estão seus projetos BRAIA e KERNUNNA? Aliás o KERNUNNA lançará o debut agora em setembro. Fale sobre isso.
 
Bruno:O BRAIA tá meio parado. Sempre foi um grupo muito difícil de fazer virar, muita gente, um som diferente demais que não se encaixa em quase nada (isso pra mim é o must) e isso nos rendeu poucos shows, 11 eu acho e demos um tempinho. O KERNUNNA é um projeto/banda que eu to mega realizado musicalmente com ele. Os músicos da banda são muito feras, talentosos, legais e as músicas eu realmente adoro. Mesmo que quatro delas sejam músicas que estariam no disco do Tuatha que deveríamos ter gravado antes da ruptura, elas já carregam esse teor de novidade, algo mais progressivo e aberto. Acho que é o meu melhor trabalho até hoje.
 
P.Z: O que está pro trás do termo KERNUNNA? A capa do disco ficou excepcional, você passou o conceito ao artista gráfico para que a fizesse?
 
Bruno:‘Kernunna’ é uma corruptela do nome de uma entidade presente no imaginário de quase todo o território celta, o deus Cernunnos ou Kernunos e até outras formas. Era uma entidade, deus, que representava o lado masculino, a virilidade, fertilidade, muitas vezes o Sol e é uma das representações mais antigas encontradas entre os antigos celtas. Mas colocamos ‘Kernunna’ pra dificultar encontrar bandas homônimas na net etc. Sim passamos o conceito para o artista e ele debulhou, se chama Diego Moscardini.
 

 

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GOATLOVE: contrariando tendências e modismos!

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Por Écio Souza Diniz

 
Atualmente, algo um tanto difícil muitas vezes na cena metálica é propor algo com uma alta originalidade, visto que há uma gama imensa de estilos, e muitas bandas repetem fórmulas já criadas em outrora. De forma que contrarie esta ‘tendência’ e caminhe no sentido oposto do óbvio, deixando uma série de indagações sobre o que praticam, os paulistanos do Goatlove foram uma das revelações prazerosas no Brasil nos últimos tempos. Com sua aura Gothic Rock, composta por uma mescla de estilos que podem ser evidenciados do punk à medalhões do estilo como Sisters of Mercy, Bauhaus e até mesmo passagens a lá Paradise Lost, a banda vem chamando a atenção por sua música digamos incomum diante do que vem sendo produzido por aí. A verdade, é que é difícil enquadra-los em um rótulo único. O time aqui é composto por Roger Lombardi nos vocais, Fabio Gusmão e Marco Nunes nas guitarras, Frank Gasparotono baixo e Alexandre Watt na bateria. É exatamente para nos falar sobre o conceito de seu som e outros vários aspectos envolvendo seu debut, The Goats Are NotWhatTheySeem, lançado no segundo semestre de 2012, que chamamos Roger Lombardi para bater um papo.
 
Pólvora Zine: Roger, a ideia de formar o Goatlove partiu de você, certo? Fale-nos sobre o processo que o levou a montar a banda.
 
Roger: Isso. A ideia era simplesmente formar uma banda para colocar na prática conceitos e influências das quais eu acreditava. Ou seja, o mesmo caminho de qualquer outra. A partir do momento que fui encontrando outras pessoas que também pensavam assim, o grupo tomou corpo.
 
P.Z: De forma geral, como tem sido a recepção à The Goats Are Not What They Seem?
 
Roger: A maioria tem gostado, ao menos das pessoas que tivemos contato. Acho que acabou sendo uma surpresa para muitos, por diversos motivos, e isso foi excelente (risos).
 
P.Z: O que você pensa sobre a evolução da banda, sobretudo com relação a parte instrumental, desde o lançamento do primeiro single, Look What The GoatDragged In (2008), passando pelo EP Automatic Fire (2010) até o debut?
 
Roger: Bom, quando gravamos o Look What The GoatDragged In, era apenas eu e o Rodrigo Toledo, que gravou todos os instrumentos. Eu mostrei as músicas e fomos trabalhando em dupla. Já no Automatic Fire, a espinha da banda já estava formada, principalmente pela entrada do Marco Nunes, que passou a trabalhar comigo os arranjos e cuidou de toda a parte de gravação e produção. Quando chegamos à etapa de gravar o disco, já existia uma banda, estávamos ensaiando as músicas e sabíamos bem como tirar o melhor das composições, assim como o Marco já sabia como iria gravar e produzir.Portanto, foi uma evolução natural de um projeto para uma banda de fato.
 
P.Z: Quando eu ouço músicas do EP Look What The Goat Dragged In como Blade of love e St. Pity, eu penso que elas têm uma rusticidade que ficou mais cristalina nas versões do debut, e na realidade, prefiro as versões do referido EP. Particularmente, o que você pode nos dizer sobre isso?
 
Roger: O Look What The Goat Dragged In foi gravado em dois dias. Aliás, não só isso, como o Rodrigo só conheceu as músicas quando fomos gravar. Nós trabalhamos os arranjos na hora e ele foi sensacional em captar a essência da coisa toda em tão pouco tempo. Então o EP ficou mesmo com uma cara mais de “vamos fazer agora”. Já com o disco, tivemos mais tempo para trabalhar. Além disso, é algo natural às vezes termos uma preferência pela versão que ouvimos primeiro e já estamos acostumados. Eu acho que as duas versões são bacanas justamente por essas diferenças, o que faz com que seja legal escutar ambas (risos).
 
P.Z: Músicas como Brand New Horse, Beatiful Bomb e Ultramarine Dogem sentido amplo devem agitar a galera onde quer que toquem, ao passo que músicas como Here She Comes e Desperate Passion dão aquela pausa para a nostalgia entrar em cena. Quais as musicas que mais têm tido participação do público?
 
Roger: As músicas que o pessoal já conhecia dos primeiros EPs possuem uma receptividade muito bacana, como a Blade of Love e a própria Ultramarine Dog. Geralmente as mais porradas funcionam muito bem ao vivo, não é? (risos). Mas a galera também tem curtido bastante os momentos menos ‘porradaria’ e músicas como Here She Comes e Desperate Passion têm feito a galera dançar, mesmo sem perceber (risos).
 
P.Z: Como são elaborados os conceitos das músicas? Há participação de todos os membros da banda ou alguém chega com as ideias e aí o restante vai sendo delineado em cima disso?
 
Roger: Bom, já tinha composto bastante coisa antes mesmo de gravar o Look What The Goat Dragged In. Por isso estamos trabalhando nessas músicas. Há bastante material e acho que o esquema tem funcionado bem. Nos ensaios e nas gravações todo mundo acaba contribuindo com ideias para os arranjos.
 
P.Z: No press realese da banda disponibilizado em seu myspace e para assessórias de imprensa, uma frase chama a atenção e instiga o amante da contracultura a buscar pelo Goatlove: “Uma banda sem segredos em busca do hedonismo puro”. Como vocês enxergam essa questão do prazer ser o bem supremo da vida, segundo prega a corrente filosófica hedonista?
 
Roger: Naturalmente é algo que serve apenas para representar a banda, seu conceito e ideias, sejam musicais ou líricas. Obviamente o hedonismo como conceito é muito sedutor, já que todo mundo busca prazer na vida, seja de uma forma ou de outra, mas é uma teoria. Levar o conceito a ferro e fogo para a vida real é mais complicado, mas continuamos tentando (risos). O release é só mais uma peça que tenta representar a banda e fugir daquele esquema de “o grupo fulano de tal foi formado na cidade de …”. No fundo, é só mais uma forma de passar entretenimento, apenas isso.
 
P.Z: O que representou para a banda as participações especiais de Anita Cecilia Pacheco (Morpheus Dreams), Alexandre Bischof (Der Bischof), Jackson Jofre Rodrigues e Roberta Fiusa em The Goats Are NotWhatTheySeem?
 
Roger: São talentos que agregaram muito para o disco ficar do jeito que queríamos. Ficamos muito orgulhosos em podermos contar com eles no álbum e todas as participações foram essenciais para passar os sentimentos que pretendíamos com as músicas em questão. Ou seja, não foram participações por acaso ou aquele esquema de “ah, chega aí, grava alguma coisa” (risos). Ainda bem que pudemos contar com eles.
 
P.Z: Tem tido ampla divulgação do Goatlove fora do Brasil?
 
Roger: Fora do Brasil ainda estamos começando a trabalhar. A internet ajuda, pessoas de outros países entram em contato e você acaba tendo acesso a algumas coisas. Mas ainda estamos trabalhando nisso, nada amplo.
 
P.Z:Quais são as principais influencias dos músicos na banda?
 
Roger: As mais distintas possíveis (risos). O Goatlove é apenas o que temos em comum. Eu adoro Nick Cave, por exemplo e sei que o Marco é muito fã de Björk. O Alexandre escuta bastante Kreator e Possessed, o Frank é chegado em Black Metal e o Fábio curte um Dub (risos). Mas isso é uma fagulha apenas do que gostamos. Não dá pra sintetizar e, no fundo, tudo acaba influenciando, em menor ou maior escala.
 
P.Z: Em 2010 Roger, você teve uma participação especial no álbum The Clandos seus conterrâneos do Genocídio, na música Settimia. Como ocorreu essa parceria?
 
Roger: O Perna (baixista da Genocidio) tinha entrado em contato comigo, pois pirou nas músicas do Look What The Goat Dragged In(risos). Eu nem tinha lançado ainda. Tanto que ele até fez a arte da capa e encarte pra mim. E, porra, sempre fui fã de Genocídio. Pra mim, foi muito legal ter ele fazendo a arte do EP. Depois o Murillo também pirou nas músicas e fomos mantendo contato. Só de saber que eles tinham curtido a banda já foi sensacional. E o Marco estava produzindo o The Clan. Aí o Murillo me ligou e falou: “olha, tem uma música assim, assado, e a gente acha que vai ficar foda com você fazendo as vozes comigo”. E a música era a Settimia. Quando ele me passou, fiquei de cara. Até hoje ainda faço ao vivo com eles de vez em quando. Pra mim, é puta orgulho saber que estou em um disco do Genocídio. Muito foda.
 
P.Z: Se precisassem rotular a sonoridade de vocês, como o fariam?
 
Roger: Rótulo é complicado. Muita gente nos associa ao Gothic Rock, outros ao Gothic Metal. Acho que sempre vai ter Gothic, não importa o que façamos (risos). Mas, na verdade, não acho que nenhum desses represente bem o que fazemos. Não somos puro-sangue de nada (risos). Aí, pra simplificar, cunhamos o Goat ‘n’ Roll e cada um interpreta como quiser. (risos).
 
P.Z: Atualmente, como vocês enxergam que tem sido a prática da sonoridade que traz novamente àtona aqueles elementos vanguardistas propostos por bandas como Bauhaus, The Cure e Sisters of Mercy?
 
Roger: Recriar eu acho impossível. Dá pra pegar essas influências e tentar fazer algo diferente. É o que a gente tenta fazer. Mas também não é reinventar a roda, não. É fazer o que gostamos sem muitas preocupações. Acho que é a melhor forma. Muita gente às vezes se perde em tentar fazer algo que está no topo no momento. Depois fica 5 mil bandas exatamente iguais. Fazer o que tem vontade, sem pensar se está “pegando” ou não, parece ser vanguarda suficiente hoje em dia (risos). Mas tem muita coisa bacana por aí.
 
P.Z: Recentemente, vocês lançaram uma promoção para que as pessoas gravem o vocal ou solo de guitarra da música Blade of Love, que foi disponibilizada separadamente somente com vocal e em instrumental, e a banda escolheria a versão favorita e premiaria o autor com CD autografado da banda autografado. Este tipo de marketing foi no mínimo inusitado, e muito criativo. O que as pessoas têm comentado sobre isso?
 
Roger: Obrigado. Essa ideia foi do Marco e ele preparou as versões sem voz e solo para o pessoal gravar em cima. A galera adorou. Tem até quem já tem o CD e quer participar mesmo assim (risos). É o tipo de coisa que cria uma aproximação com a galera, uma afinidade e, ao mesmo tempo, foge do usual.
 
P.Z: Para finalizar, além de divulgar o debut álbum, quais são os outros planos da banda por hora?
 
Roger: Agora queremos fazer o máximo de shows possíveis. Além disso, estamos preparando um videoclipe e também já estamos trabalhando nas músicas do segundo álbum. Quem ainda não tem o The Goats Are Not What They Seem, pode entrar em contato pelo e-mail press@goatloveweb.com ou no facebook.com/goatloveweb. Let’s Goat!

 

Old Throne e Anti-life: Originalidade e força no Black metal!

Por Écio Souza Diniz
O Black metal, além de ser um dos estilos mais pesados do Metal Extremo, é também um dos que mais explora elementos diversificados em sua música, muitas vezes esbanjando criatividade. Esta face pode ser vista em muitas bandas mundo afora, como a clássica Bathory, regida por um único homem (Quorton) e que muito contribui para o estilo. Assim, buscando seu espaço e reconhecimento no underground meio a bandas já consagradas na cena nacional (exemplo de Amen Corner, Ocultan…), as bandas Old Throne e Anti Life, ambas incorporadas por Fernando Count Old, que fica a cargo de produzir e gravar todos os instrumentos, vem divulgando seu material de qualidade Brasil afora. Fernando veio ao Pólvora Zine, nos falar melhor sobre suas bandas; os objetivos, a divulgação, recepção do público e planos para o futuro.
Pólvora Zine: Saudações Fernando. Para começar, gostaríamos de saber, de onde e porque surgiu a idéia de trabalhar em uma “One man band”?
Fernando Count Old: Toco bateria desde meus 14 e 15 anos e desde então sempre tive a idéia de formar uma banda, mas as dificuldades e falta de interesse de outras pessoas em formar uma banda comigo era muito grande, mas nunca desanimei e no fim de 2006 surgiu a idéia de formar uma banda sozinho. Claro que no começo tive muitas dificuldades, uma delas era que nem guitarra eu tinha para começar a compor minhas músicas, mas nunca desanimei e logo comecei a pegar um violão e compor minhas músicas. Oficialmente Eu fundei o Old Throne “minha primeira one man band” em Março de 2007, mas a idéia já existia desde o fim de 2006.
P.Z: Agora falando sobre sua banda mais antiga, o OLD THRONE, que teve seu primeiro registro, a demo “O ódio é só o que resta” de 2007, como surgiu o conceito abordado neste trabalho, que moldaria um estilo próprio nos lançamentos seguintes? E qual o propósito por trás de fazer Black metal cantado em português?
Fernando: Essa demo na verdade foi um teste que depois de ser muito editada acabou saindo apenas para download. Claro que, a sonoridade não era nada boa “apesar de alguns gostarem dela”, mas foi o começo de tudo e mesmo hoje eu já estar fazendo um som mais trabalhado eu não tenho problemas em falar sobre esse primeiro trabalho. As músicas foram feitas de um modo improvisado e com poucos recursos sem falar que eu tocava guitarra a meros 3 meses e por isso a sonoridade é tão baixa. O que eu posso dizer que sobrou da sonoridade dessa minha demo nos trabalhos mais atuais foi a vontade de fazer um Black Metal simples, cantado sempre em meu idioma oficial “português” e sempre valorizando as guitarras com uma melodia própria pois, sempre foi algo que me agradou.
P.Z: O segundo trabalho do OLD THRONE, o EP “O Black metal jamais morrerá” mostra uma força dinâmica e persistente, compondo um espírito de luta e veracidade do estilo, firmado no fato de que enquanto existir o caos, dogmas, ódio e morte no mundo, existirão pra contestar tudo isso. Qual importância teve este disco pra abrir caminhos pra banda? Qual importância ele teve pra você em âmbito pessoal?
Fernando: Esse trabalho deu uma levantada na moral do Old Throne entre as pessoas que esperavam algo melhor da banda, porém, ele também não me agradou em muitos pontos, pois, a maior parte das músicas não saiu como eu queria.
As temáticas desse trabalho são meio que misturadas, pois, nesse trabalho eu abordo desde: depressão, ódio, homenagem ao Black Metal e conto um pouco da velha história do assassinato do Euronymous pelas mãos do Varg Vikernes.
P.Z: Finalmente em 2010, sai o primeiro Full-length do OLD THRONE, “Eu me arrasto para o meu próprio abismo”, que conta com ótimas composições. Como foi o processo de produção deste trabalho? Você contou com auxílio de outras pessoas durante a gravação e estúdio próprio? Como tem sido a divulgação e recepção do álbum?
Fernando: As gravações desse novo álbum do Old Throne começaram em Março de 2009 e terminaram poucos meses depois.
Uma das coisas que eu sempre gosto de deixar bem claro é que o Old Throne é algo muito pessoal então eu mesmo que precisasse eu não deixaria ninguém trabalhar comigo nas composições dessa banda, pois, o Old Throne não seria o mesmo tendo duas mentes registradas em suas letras e sonoridade. Esse álbum conta com 8 faixas em 50 minutos de músicas que abordam desde ódio, depressão e algo que possamos chamar de um certo reinado dos fortes sobre os fracos pois, eu tenho meus sonhos e quis por essa vontade de vê um mundo menos injusto na música “Na minha montanha”. Nesse trabalho eu conto com o apoio de vários amigos e o álbum mesmo ainda não tendo saído aqui no Brasil, já esta sendo bem comentado em sites e liberei algumas músicas para rolarem em webrádios de São Paulo, Pará, Paraná e também em uma rádio no Peru e Portugal.
P.Z: O álbum referido na pergunta anterior foi lançado por um selo da Costa Rica, a Viceral Vomit Records. Como foi o trabalho com eles? Esta parceria tem proporcionado uma média boa de divulgação na região circundante e na América Latina? E o que você acha da cena extrema de lá?
Fernando: A parceria com esse selo veio em uma boa hora, pois, eu já estava me perguntando se tinha algo de errado com esse trabalho para tantos selos que eu entrei em contato não mostrar nenhum interesse, mas ainda estou esperando a minha pequena parte das cópias chegarem para eu vende-las aqui no Brasil. Pelo o que a distro que esta trabalhando com esse álbum do Old Throne na Costa Rica me falou, o pessoal da Costa Rica parece ter gostado muito desse trabalho do Old Throne. Eu não sou nenhum grande conhecedor da cena da Costa Rica, mas, pelo o que eu vejo o povo da Costa Rica parece gostar muito da cena Brasileira e se depender de mim sempre terá essa amizade entre a cena do Brasil e a cena da Costa Rica.
P.Z: Basicamente como você aborda o processo de composição seguido da gravação de um disco? Em quais elementos, você se foca primeiramente pra gerar um molde pras composições?
Fernando: A maior parte de minhas letras eu compus nos cemitérios onde eu trabalhava, pois eu não fazia nada o dia todo e o local era muito inspirador para abordar temáticas voltadas para depressão e ódio.
P.Z: Falando agora sobre a ANTI LIFE, esta banda surgiu agora em 2010 e tem uma abordagem mais crua em sua sonoridade, tratando de temas voltados ao anti-cristianismo e todos os tipos de violência, enquanto que o OLD THRONE aborda mais o lado humano, tratando de ódio e depressão. O ANTI LIFE, foi formado pra servir justamente ao propósito de mostrar um lado diferente do OLD THRONE?
Fernando: Sim, o Anti Life é o meu lado irracional de ver o mundo. O Old Throne também aborda Anti-cristianismo e ódio igual o Anti Life aborda, mas, tudo que sai do Anti Life é com um ar de loucura já o Old Throne eu sempre tento mostrar as letras com um ar mais poético.
P.Z: No trabalho de estréia do ANTI LIFE, “Guerra entre aberrações”, há composições ásperas e cruas, mas ao mesmo tempo mantêm um padrão técnico e bem elaborado. Como você procurou trabalhar este equilíbrio? Foi intencional ou natural no processo?
Fernando: O Anti Life é um derivado do Old Throne com influências de bandas com uma sonoridade mais rápida tais como: Krieg, Inquisition, Tsjuder, Sargeist e Uruk- Hai (Espanha). A idéia de fazer um som mais rápido e cru foi intencional com certeza.
Pólvora Zine: Mudando novamente o contexto, fale-nos um pouco sobre seu outro projeto de Black metal, o COUNT OLD?
Fernando: Count Old é um trabalho mais voltado para músicas ambientes ao estilo do antigo Burzum. Não tenho planos de vender CDs, camisas ou comentar muito sobre esse projeto pois, ele já mostra basicamente um lado mais oculto da minha forma de fazer Black Metal e acho que ele é algo muito simples para ser comentado.
P.Z: Fale ao público como podem adquirir os CD’s de suas bandas?
Fernando: No momento estou esperando os CDs do novo álbum “Eu me arrasto para o
meu próprio abismo” do Old Throne chegarem da Costa Rica. O Anti Life no momento está procurando um selo para lançar o debut “Guerra entre aberrações” quem se interessar em trabalhar com esse debut do Anti Life é só entrar em contato comigo pelo myspace da banda ou pode me procurar no Orkut. Count Old é um trabalho que não tem fins lucrativos e a sua primeira demo “O cristianismo é um câncer cultural” esta disponível para download em um monte de blogs. Quem quiser pode baixar à vontade.
No momento que os CDs estiverem à venda eu anuncio no myspace das bandas e em outros sites.
Myspace Old Throne: www.myspace.com/countold
Myspace Anti Life: www.myspace.com/antilifeblackmetal
P.Z: Finalizando, quais são os planos para este ano? Podemos esperar por mais lançamentos?
Fernando: No momento estou iniciando as gravações de uma nova banda com um amigo do Paraná. O nome da banda é Volac e tem uma sonoridade mais técnica e em breve o pessoal vai poder escutar o Volac no myspace.
P.Z: Bem Fernando, obrigado pela entrevista ao nosso fanzine. Sucesso pra você e seus projetos.
Fernando: Muito obrigado pela oportunidade dessa entrevista e agradeço o apoio aos meus trabalhos e o seu apoio a cena Brasileira.

Anhaguama – Culto à destruição!

Por Écio Souza Diniz
O metal extremo em todos os estilos que o compõe, sobretudo o Death metal brutal, tem por objetivo desenvolver uma avalanche de peso, entoando um verdadeiro fim do mundo tanto nas letras como, principalmente na sonoridade. Com esta mesma proposta como princípio fundamental de sua identidade, a banda paulista Anhaguama, formada em 2007, tem batalhado no meio underground, divulgando seu som pesado, cru e ao mesmo técnico e bem trabalhado através do Ep “In Alliance with the Fallen Angels”. O vocalista e guitarrista Gaius Cassius Longinus, vem ao Pólvora zine para nos falar mais sobre a banda e como vem sendo sua divulgação e reconhecimento.
 
Pólvora Zine: E aí Gaius, como vai? O Anhaguama é uma banda relativamente nova na cena ao que consta, por ter sido formada ao fim de 2007. Como ela surgiu? Os músicos que a compõe já tiveram passagens por outras bandas do mesmo estilo ou parecido?
Gaius Cassius Longinus: Ela Surgiu com o intuito meu e do baixista Cerberus de fazer um metal extremo, sem seguir as tendências contemporâneas do estilo, e sim se basear nos primórdios, tanto em termos de ideologia, postura, musicalidade, produção musical e visual. Todos nós passamos por outras bandas antes dessa, mas nenhum de nós tem algo gravado com as bandas anteriores, então eu conto como primeira banda a partir desta.
 
P.Z: O que impressiona é o fato de já no início de 2008, vocês terem realizado a gravação do Ep “In Alliance with the Fallen Angels”, que contém composições bem elaboradas, com peso e técnica na medida certa. Como foi que vocês conseguiram atingir estas características em tão pouco tempo? Essas composições e seus respectivos conceitos já existiam antes da banda ser formada?
 
Gaius: Na verdade eu tenho algumas composições dessas na minha mente desde 2004, quando comecei a idealizar o projeto, até 2006. Eu tinha o intuito de fazer a Anhaguama como uma “One Man Band”, mas vi que poderia montar uma banda, que poderia atingir horizontes mais distantes em termos de amplitude musical com novos integrantes. Nisso juntamos eu o baixista Cerberus, e o primeiro baterista Sammhael, que saiu da banda no início de 2008, por motivos pessoais. Logo após chamei Necromanscius Apocalipticus para o posto de baterista, e assim iniciamos as gravações do Ep no estudio Z7, na Vila Madalena, o pessoal do Ocultan grava lá a bastante tempo e me indicaram esse estúdio, que por sinal ficamos muito satisfeitos com o resultado final da produção, e agradeço pelas suas palavras referente ao nosso trabalho.
 
P.Z: Por nada. Como foi pra vocês lidar com a saída do primeiro baterista (Sammhael) logo no início das gravações de “In Alliance with the Fallen Angels”? Ele representou uma perda muito grande para a banda, musicalmente falando?
 
Gaius: Pra falar a verdade na época, eu já tinha em mente outra pessoa caso ele saísse, coisa que eu já suspeitava em Novembro de 2007, devido a sua falta de dedicação a banda e Necromanscius é um músico muito melhor, mais completo, um excelente baterista pra nossa pra proposta musical.
 
P.Z: Vocês têm disponibilizado o Ep para ser adquirido em shows e também em propaganda no myspace. Diante dos shows que vocês realizam como tem sido a receptividade e o interesse do público pela banda em adquirir o material?

Gaius: Nós temos passado mais de 80% de nossas cópias pela internet, já passam de 7.000 cópias em todo o mundo, o pessoal tem sempre nos parabenizado após nossos shows, é uma receptividade muito grande por parte dos apreciadores da música extrema.
 
P.Z: Falando em shows, vocês tocam covers? De quais bandas? Essas são pra você as mais influentes e importantes no metal extremo? Quais características elas possuem, que podem ser julgadas como inspiradoras e influentes nos rumos tomados pelo Anhaguama?
 
Gaius: Nós não temos tocados nenhum cover nos nossos shows, não que não gostamos ou não queremos, simplesmente ficamos focados em novas composições. Já temos músicas para o nosso primeiro album, músicas que já tocamos a mais de 1 ano nos nossos shows. Pretendemos tocar covers das bandas que nos influenciaram com Sarcófago, Venom, Slayer, Bathory, Hellhammer/Celtic Frost, Megadeth, Destruction, Sodom, Kreator, Exodus, Vulcano entre outras.
 
P.Z: Compreendo o ponto de vista. Recentemente vocês saíram no programa Live in (vídeo que está disponibilizado no youtube), o quanto esta exposição da banda a tem ajudado a conseguir shows e na divulgação? A propósito, como anda a agenda de shows de vocês?
 
Gaius: Recebemos muitos elogios por parte das pessoas na internet devido a essa apresentação, recebemos também convites diários para shows. No entanto estamos parados de shows desde essa apresentação em fevereiro de 2009, voltaremos a tocar apenas no segundo semestre desse ano, estamos focados na composição de novos materiais.
 
P.Z: E como estão indo essas composições?
 
Gaius: Estão saindo mais técnicas, coesas e mais pesadas e ríspidas, os solos estão mais caóticos, mórbidos do que os anteriores, mais aqueles que gostaram do EP, com certeza gostaram das novas composições, manteremos essa essência.
 
P.Z: Vocês têm conhecimento com bandas da cena mineira do metal? Já tocaram com alguma em festival? O que acha da cena daqui?
 
Gaius: Já tocamos em Araguari, no Day of Profanation, admiro muito a cena mineira, já toquei na horda Choronzonic de Patos de Minas, mais como te disse anteriormente, não cheguei a gravar nenhum material com eles. Além das bandas clássicas mineiras como: Sarcófago, Holocausto, Mutilator, Sextrash, Witchammer, Chakal, The Mist, Sepultura (antigo), Cirrhosis, tenho ouvido muito as mais novas como: Escaravelho do Diabo, Hammerthrash, Dunkel Reiter, Lord Satanael, entre outras, que nem são tão novas assim, pra mim qualquer banda com menos de 20 anos é nova rsrs. Poderia citar muitas outras, mais essas são as principais, além da Choronzonic, que é uma das melhores bandas de black metal do mundo na minha opinião.
 
P.Z: Já com este Ep lançado, vocês tem pretensão pra gravar um full lenght ainda este ano? Que outros projetos vocês tem para banda tanto em questões de lançamento quanto em aspectos gerais?
 
Gaius: Sim, temos total pretensão de lançar esse debut ainda esse ano, temos a intenção de voltarmos a tocar ao vivo, quem sabe iniciarmos uma pequena turnê nacional, lançar nossas camisetas oficiais, colocar um site no ar, que ainda não temos. Também temos planos de reforçar a divulgação, tanto a nível nacional, quanto internacional, e temos a intenção de lançar o Ep em outros formatos como K7, e estamos analisando algumas propostas pra lançar nosso Ep na Europa/Eua e na Ásia e futuramente pro nosso primeiro álbum também.
 
P.Z: Legal a meta de vocês. Bem Gaius, obrigado pela entrevista. Sucesso pra vocês e esperamos ver vocês tocando aqui no sul de minas.

Gaius: Eu que agradeço pelo espaço cedido para divulgação do nosso trabalho, será com certeza uma honra tocar no sul de minas, e agradecemos a todos que têm nos apoiado nos nossos ideais.
 
Contato pelo e-mail: anhaguama@hotmail.com
 
Confira as músicas da banda em seu myspace:
 
Comunidade da banda no Orkut:

MR.SPEED: ” Fazer rock no Brasil é para quem gosta mesmo”.


O Hard/Heavy é um estilo que ainda é difícil de ser difundido facilmente no Brasil, quando praticado por bandas daqui. E tal fato acaba algumas vezes por tornar injustiçado o trabalho de ótimas bandas que tem surgido nos últimos anos. Os paulistas do MR. SPEED é um exemplo desses bons nomes da cena nacional, mas que ainda carece de uma maior atenção. Com uma sonoridade calcada no Hard e mesclada a estilos como o Heavy e pitadas do Stoner, o MR. SPEED faz um trabalho empolgante e convincente. E para levar mais a qualidade do trabalho desses caras ao conhecimento do público, nós tivemos uma conversa com Everton Coroça, um dos fundadores da MR.SPEED, que nos falou  sobre tudo o que a rodeia.

Por Gisela Cardoso: gisagrind@gmail.com


Pólvora Zine: Como a banda surgiu e qual foi a ideia inicial para formá-la?

Everton – Surgiu uns dois anos depois de minha banda (Hard Attack) e da banda de Fernando (Anonimato) acabarem(2008). Sempre fomos amigos, então mostrei umas ideias e demos que já tinha a ele e ele mostrou algumas músicas que havia feito mas não tinha conseguido gravar com sua antiga banda. Então gravamos o “Rock and Roll Solution” (debut álbum do MR.SPEED de 2008) em um mês, mesmo sem ensaiar, pois não tínhamos um baterista no momento, restando a Fernando ter que gravar a bateria do CD também. Um ano depois Rafael Coradi entraria para o MR. SPEED e finalmente nos tornaríamos uma banda.

P.Z: Até o momento, vocês lançaram dois álbuns (“Rock and roll solution”: 2008; “The snake ass”: 2012) e três videoclipes. Como é o processo de composição na banda?

Everton: Geralmente alguém traz algumas partes da músicas e trabalhamos os riffs, solos, e incorporamos novas partes para elas durante os ensaios. Não nos fixamos em um estilo.  Existem até vocais gruturais, solos de baixo, sendo que os três cantam  e todo o material é gravado no próprio equipamento da banda com mesas de som Wattsom, nada muito avançado e sem pressão de terminarmos logo qualquer trabalho. A edição do som é feita pelo Fernando e os vídeoclipes editados por mim. São filmados por nossas namoradas com câmeras de foto ou com a força de alguns amigos que tem um equipamento melhor e nos emprestam quando é possível. Os clipes ficaram bem sinceros e o pessoal tem gostado. Atualmente liberamos um comemorativo de cinco anos (Mr. Speed) com imagens de shows. Em breve sairá o segundo, só que em HD e produzido por um profissional, Fábio Zangelmi, que fez toda a produção filmagem e está fazendo a edição do I’ve Had Enough’, música do primeiro álbum regravada e que conta agora com o Rafael Coradi na bateria. Inclusive o Fábio é amigo nosso, e mora há algumas ruas da minha casa.
                                    
P.Z: O segundo disco, “The Snake Ass”, recebeu uma boa aceitação do público. O que vocês acham disso?

Everton  É maravilhoso não só ter seu trabalho reconhecido, mas saber que existem pessoas de bom coração que apoiam a arte de alguma forma. Algumas delas nem mesmo gostavam de rock, mas apoiavam a nossa luta em divulgar uma alternativa fora dos padrões da mídia. Compraram camisetas e CD’s e não foram poucos. Só do “The Snake Ass” vendemos uma média de quase 400 CDs e mais de 100 camisetas na divulgação. Pode parecer pouco, mas para uma banda que toca um estilo que não tem espaço nas rádios e em um cenário abarrotado de covers específicos que abafam ainda mais a divulgação de música autoral, esses números são muito gratificantes e inspiradores. A galera do rock daqui comprou em peso este CD, e dá aquele orgulho quando alguém passa ouvindo algum som nosso no carro. Ainda hoje é algo que nos deixa muito felizes, uma sensação nova que parece não passar, mesmo depois de um ano do lançamento. Outra coisa surpreendente que aconteceu, foi vendermos CD’s para ouvintes de música sertaneja de raiz. Isso parece fora dos padrões e é. Até o momento nunca tinha visto um alguém que ouvia sertanejo elogiar um CD de Heavy Metal que não tem exatamente nada de música caipira.  Alguns amigos nossos a quem oferecemos, criticaram as novas músicas sertanejas que tocam nas rádios pela falta de qualidade de arranjos e composições (creio que o rockeiro deve sentir o mesmo ao ouvir coisas como o Restart e Cine) e começaram a ouvir nossos CD’s. Ficamos felizes e percebemos ainda mais o fundo do poço em que enfiaram a música neste país. O ouvinte de boa música não ouve o que a mídia de massa transmite, tivemos a prova empírica disso.

P.Z: Vocês percebem alguma evolução do MR. SPEED entre seus dois trabalhos?

Everton – Sim. O primeiro CD(“Rock and Roll Solution”) era um “projeto” de dois amigos. O “The Snake Ass” tornou-se o CD de uma “banda” de 3 amigos. Tudo foi feito completamente diferente do 1º CD. Variando entre o Heavy/Thrash e até uns lances meio ASIA. Por não vivermos disso, não sofremos pressão em compor um álbum que tenha que parecer com  “a nova moda do verão” ou seguir exatamente um estilo fixo. O processo de composição é confuso e divertido, além de gostarmos de fazer músicas uma bem diferente da outra. Nem sempre 
conseguimos, mas estamos sempre tentando.

P.Z: Ao ouvir o trabalho de vocês, percebe-se que há uma gama de influências, principalmente do Hard Rock e Heavy Metal. Quais são as suas principais influências, e como vocês determinam o gênero da MR. SPEED hoje?

Everton – Ouvimos muito Metal(Heavy e Thrash), Hard Rock, Hardcore, Punk Rock e Dream Theater. Além dos classicos(KISS, Maiden, Metallica, ACDC, Purple, Creedence, Slayer, Testament, Antrhax, SODOM, Aerosmith, Motorhead, Sepultura, Titãs, Bon Jovi e Guns antigo, além de bandas nacionais) gostamos de coisas novas e diferentes no rock como: Stone Sour, Suicidal Tendencies, Foo Fighters, Korzus, Harppia, Dr. SIN, The Hellacopters, Paul Gilbert, Black Label, IZIA(França), Gotthard, Crucified Barbara, Hardline, Airbourne, Killswith Engage, Ignite, Pennywise, As Lay Dying, Danger Danger, Chicken Foot, entre outros. Um fica mostrando som para o outro. Às vezes gostamos, às vezes não. Esse sincretismo resulta naquilo citado na pergunta anterior.

P.Z: Em 2011, o MR. SPEED ganhou o 1º Festival de Bandas de Rock de Itapira (SP). E mais tarde, vocês conquistaram o 3º lugar na segunda edição do mesmo concurso. Como foram estas disputas?

Everton – A disputa era feita entre bandas do país todo, com juízes contratados de fora da cidade. Algumas bandas de Itapira disputaram. Em 2011 havíamos parado de ensaiar e tocar em shows devido às composições em andamento, porém voltamos e ganhamos com a música ‘I’ve Had Enough’. O festival teve disputas acirradas com ótimas bandas e dos mais variados estilos dentro do gênero. No ano seguinte já havíamos lançado o 2º CD e disputamos com ‘On This Time’, ficando com o 3º lugar. As emoções de ambas as vitórias trazem imagens que lembramos com frequência. A torcida de nossos amigos de bandas anteriores (ou mesmo de outras bandas que não se classificaram) era muito forte. Todo aquele suspense e os olhares fixos de nossas famílias, namoradas e amigos no final tiveram o sabor de dever cumprido e reconhecimento de todos os anos em função do tal “Rock and Roll”. A grana do festival serviu para financiar a impressão do 2 º CD, e não fosse por ela seria muito mais complicado tirar do bolso e investir em tal, pois o retorno lucrativo de vendas é baixo. Vale ressaltar o ótimo exemplo dado pela Secretaria de Cultura de nosso município em promover estes 2 anos de festival, antes todas seguissem este exemplo.
P.Z: No cenário brasileiro, atualmente, as bandas de gêneros mais extremos, como o Thrash e Death Metal, vêm conquistando espaço cada vez mais. Vocês sentem alguma dificuldade em difundir o som da MR. SPEED quanto a este fato?

Everton – Fazer rock no Brasil é para quem gosta mesmo. Não há números expressivos em relação a festivais de rock de estilos underground que consigam se comparar ( em público ou financeiramente) à música de massa, infelizmente a realidade é essa, até por uma questão de percepção e assimilação de estilos diferentes. O Hard Rock tem um ótimo público no Brasil, percebe-se pela quantidade de covers específicos que surgem aos montes todos os dias. O grande desafio é fazer com que o rockeiro saia deste padrão de covers e apoie bandas novas do próprio país. O preconceito que se tem hoje no rock é parecido com o que se tinha com o cinema nacional na década de 80/90. Todo mundo conhecia o Glauber Rocha e o Mazzaropi e pronto, de resto nada salvava, era tudo pornochanchada. Atualmente sabemos que não era bem assim, e que muita coisa boa foi produzida mesmo com a ditadura correndo solta, porém não foi valorizada e acabou. Nossa referência de metal até hoje ainda é ANGRA e SEPULTURA, e mais nada. Nem mesmo bandas que cantam em português, como o Titãs e o Ratos, conseguem maior expressão devido ao radicalismo de pessoas que se apegam muito mais à estilos do que a entender a proposta de cada autor/banda, e não estou apenas me referindo só as limitações de percepção, e sim a algo que era muito rotineiro na década de 80, principalmente rinchas entre bangers, punks e darks, ou seja, implicância com outros estilos mesmo, e que não se aplicam hoje em um mundo com maior liberdade de expressão e respeito ao indivíduo. Porém há pessoas que insistem em viver no anacronismo, vendo apenas o seu lado da moeda e não são poucas. É legal saber que tem gente que curte Bon Jovi e Slayer com o mesmo amor, e que contribui tanto para as bandas pesadas quanto para as que não fazem um som tão pesado assim. Cada um que tire o que é de bom proveito para si, caso contrário o rock acaba por tornar-se um sinônimo de autoritarismo e não de liberdade, aí sim acaba ficando estranho. KING BIRD, CARR BOMBA, DR. SIN e EXXOTICA são exemplos de ótimas bandas, neste caso de Hard/Heavy, que deveriam ter um público de lotar estádios, devido ao tempo de estrada e a quantidade e qualidade de CD’s lançados. O mesmo ocorre no Hardcore, no Trash Metal e em outros estilos que não conseguiram criar uma estrutura de subsistência. Me refiro a palco, som, divulgação e produção de shows  em um nível de grandes eventos como ocorre nos estilos Gospel, Psy, Sertanejo e Axé, que um dia já foram undergrounds ou restritamente regionais, e hoje tem o apoio parcial da “máquina da mídia”, o que é prejudicial devido à limitação de composição, porém sustenta e cria novos sub-estilos menos populares dentro do contexto. É necessário entender que trata-se de um público(rock) mais crítico e restrito, muito parecido com o público que gosta de música clássica, ópera, bossa nova, jazz e o sertanejo de raiz, o que dificilmente ocorre na cultura de massa que ouve música descartável apenas por diversão e sem a intensão de qualquer análise, aplicação de uma atitude política ou avaliação da obra com paradigmas realmente musicais e poéticos em um constante desafio evolutivo. Se falarmos em Europa é claro que a História muda, mas no Brasil não vejo nem mesmo os integrantes do ANGRA e do SEPULTURA viverem unicamente de shows da banda ou só de venda de CD’s. Eles sempre fizeram outras funções como dar aulas, workshops, produção de eventos e bandas, tem lojas de instrumentos, etc. Mesmo por que CD hoje tornou-se uma mídia de colecionador e não mais um item físico necessário para ouvir o som da banda como era o LP, a fita ou mesmo o próprio CD. É uma nova geração, com novas necessidades. A maioria dos sites que entramos em contato, pedem para enviarmos os MP3 por e-mail e não mais a mídia física. É uma era de dinamismo e praticidade e para muita gente a ficha ainda não caiu. Hoje vendemos nossos CD’s a R$ 5,00, um preço simbólico para que não pese no bolso de ninguém e possamos arcar com os custos de produção. O interessante para nós é tornar acessível, pois as coisas mudaram e pouquíssimas pessoas tem coragem de comprar um CD importado por R$ 80,00 ou um independente por mais de R$ 15,00 e o salário do brasileiro ainda é baixo até para sua subsistência, quanto mais para gastar em shows e CD’s. Mesmo com o país indo de vento em polpa nos negócios, quase nada, ou nada foi melhorado no bem estar da população. O assunto é longo, restando o que foi dito acima como algo muito resumido e pessoal, apenas uma opinião e não uma verdade absoluta, pois varia de região para região e de evento para evento. Porém com organização e boa vontade é possível driblar alguns problemas e tornar o cenário melhor aos poucos. Disse que é possível e não que seja fácil.

P.Z: Há alguns desafios para vocês por não serem uma banda oriunda da capital (São Paulo)?

Everton – Com certeza. As oportunidades são mais limitadas devido não só ao número reduzido de casas de shows e eventos no interior em relação às capitais do país, mas também pelo acréscimo do custo do transporte da banda, que muitas vezes torna-se inviável ao organizador do show dependendo da distância. Algo normal e compreensível. Porém quando o pessoal pede eles contratam e nós caímos na estrada, não importa a distância.

P.Z: Sobre os seus três videoclipes, como foram as escolhas das músicas para os vídeos? Elas também foram lançadas em “singles” anteriormente?

Everton – Não, lançamos apenas os dois CD’s mesmo. Nosso primeiro CD teve uma edição especial que era dado junto a um ingresso para um show que a banda fez só  com a participação de bandas autorais. No lançamento do segundo CD, todo mundo que comprou um ingresso também ganhou o CD (“The Snake Ass”). Com R$ 10,00 a pessoa via o show e curtia o CD, e isso deu muito certo, pois já tinha um pessoal que sabia nossas músicas. Quanto aos vídeos, as músicas foram decididas no momento das gravações, algo como: – Vai ser tal música? – todos concordavam, se não escolhia-se uma outra e o clipe era gravado.

P.Z: E quanto às performances ao vivo, vocês priorizam o fato de inovar o repertório da MR. SPEED? Como é a seleção das músicas para a execução?

Everton – Sim, tentamos inovar e nos adaptar. Temos um repertório de 20 composições próprias e mais de 30 covers variados. Tocamos de acordo com o que o público quer ouvir.  Geralmente um show nosso tem 13 a 17 músicas, então dá para mesclar e fazer um show dinâmico intercalando nossas músicas e de outras bandas. Todo o repertório está disponível no site para quem quiser conferir ou pedir novas músicas.

P.Z: Quais são os planos futuros da banda?

Everton – Neste ano é fazer shows e compor músicas para tentar lançar um CD ano que vem. Temos trabalhado mais a divulgação da banda e estamos tendo ótimos resultados e vendo o quanto importante é a mídia alternativa neste país, relacionada principalmente na questão cultural.

P.Z: Muito obrigado pela atenção, e agora deixo o espaço para vocês.

Everton – Nós agradecemos o espaço e ficamos esperançosos em ver que pessoas interessadas em divulgar a cultura ainda existam e estão aumentando em número e qualidade a cada momento. Em um país onde a educação é fragmentada e um sistema bolsista é implantado para que haja uma inclusão forçada, ao invés de investimentos de no ensino para que o aluno possa ter uma educação escolar contínua e de qualidade; em um país onde a maioria dos sindicatos são simples aparelhos para lucros de seus administradores restringindo o trabalhador a salários miseráveis e negociando seus direitos em troca de posições políticas; em um país onde a mídia orgulha-se de uma programação medíocre para focar-se unicamente no lucro de consumo, tentando a cada segundo alienar e extinguir qualquer resquício de ponto de vista crítico de seu povo para que a elite continue sempre em sua posição dominante e a evolução do bem estar seja substituída pela exploração e a vida à qualquer custo sem se preocupar com as futuras gerações; o trabalho da mídia alternativa é essencial para tentarmos reverter esse quadro, mesmo que de forma muito pequena, mas com boas intenções, mostrando um lado humanista, seja na música, ou em qualquer outro tipo de arte, mas que pelo menos as pessoas tenham acesso a tal informação e tirem suas próprias conclusões. Que possam escolher e se libertarem de modelos pré-estabelecidos, seja pela mídia, mercado ou mesmo tradicionalismo. É isso aí, e mais uma vez obrigado a todos pelo apoio.



DEVON: forte para além do nome!

Por Écio Souza Diniz
Formada na cidade de Campo Belo em 2008, no sul de Minas Gerais, a DEVON é mais uma talentosa banda que surgi na safra mais recente do Heavy Metal mineiro. Com músicas bem compostas e músicos capacitados, a DEVON vem desbravando o país para mostrar o seu som e tem conseguido saldos bem positivos, tanto perante público quanto a crítica especializada. Para saber mais sobre a trajetória da banda e o atual momento por ela vivido, nós conversamos com o baixista Rafael DM para falar a respeito destes tópicos.
 
Para iniciar, digam-nos como surgiu a banda?
 
Rafael DM: Tudo começou após tocarmos em uma banda de covers de classic rock. Naquela época, eu e o Breno Viana já tínhamos o desejo de criar material próprio, de lançar um nome que fosse forte desde o início de sua carreira. Convidamos o Rafael Greco para a banda, e junto com outros integrantes que já não são mais da banda, passamos a tocar e compor. No decorrer deste processo nos mudamos para São Paulo, no processo de gravação do “Unreal”, onde o vocal Alex Gardini e o batera Heinz Wendland completaram  o time.
 
Como foi o processo de composição para chegar ao debut álbum, “Unreal” (2012)?
 
Rafael DM: A banda sempre foi muito democrática nesse processo de composição, desde que a criação entre dentro do que nos propusemos a fazer. Para o “Unreal”, eu quem assinei a maioria das letras, embora todas as músicas tenham sido compostas pela banda como um todo.

 

Pelas notícias que tenho visto sobre a DEVON por aí, vocês tem recebido boa aceitação, tanto por parte do público quanto de mídia especializada em sites, revistas, entre outros, como por exemplo, uma boa resenha na edição 10 da revista Hell Divine. O que vocês acham disso?
 
Rafael DM: É maravilhoso. O “Unreal” é certamente um divisor de águas tanto na minha vida quanto na do restante da banda. O fato de que algo que nós viemos elaborando já há uns quatro anos ser hoje digno de nota, ser reconhecido e respeitado como uma grande aposta da cena musical nacional é gratificante. Trabalhamos muito duro para conquistar isso, mas posso afirmar com toda certeza que valeu muito a pena.
 
Durante a gravação de “Unreal” vocês contaram com a participação de Thiago Bianchi (SHAMAN) no processo, desde a engenharia de som à mixagem. Como foi trabalhar com ele?
 
Rafael DM: Foi uma experiência e tanto. O Thiago é um cara genial, que pensa muito rápido e teve ótimas ideias especialmente na pré-produção do álbum. Ele realmente “entra” para a banda nesse processo, participando das composições, letras, arranjos, técnicas, equipamento, etc. Ele nos ajudou a amadurecer muito em muito pouco tempo.
 
“Unreal” é um álbum bem coeso, com bons momentos, alternados pela maioria de músicas mais pesadas com bons riffs e solos e um ótimo trabalho do vocal de Alex Gardini. Portanto, eu imagino que músicas como ‘Streets ain’t the same’, ‘Turning’ e ‘The sentence’ devem agitar bastante o público nos shows, correto?
 
Rafael DM: Acho que somos grandes entusiastas de ótimas performances. Desde o começo, acreditamos que a presença de palco, a energia e a emoção dos shows são tão importantes quanto o material que é gravado no CD. As músicas que você mencionou, bem como outras do álbum também, tem um forte apelo na execução ao vivo, e é muito bom poder ver essa energia acontecendo também com o público.

 

Ainda sobre as músicas de “Unreal”, a linda ‘Innocence degrees’, como ela tem sido recebida? Eu vejo que ela tem até um grande potencial para tocar em rádios.

 
Rafael DM: De fato, tanto a ‘Forgetting You’ quanto a ‘Innocence Degrees’ têm esse potencial, e embora diversas músicas do álbum estejam tocando nas rádios de Metal do Brasil e do mundo, estas duas já estão direcionadas para rádios mais populares, e em algumas delas alcança uma grande audiência. Nós temos bastante vontade de sermos a primeira banda de Metal que os jovens escutam, gosto da ideia de poder introduzir a pessoa ao nosso mundo, e acredito que músicas como essa cumprem esse papel muito bem.
 
A banda tem tido divulgação fora do país também? Como tem sido?
 
Rafael DM: Sim. No lançamento, eu fiquei um pouco atordoado com a quantidade de pedidos recebidos de diversos países, especial na Europa e nos EUA. Aos poucos conseguimos enviá-los, e como temos poucas cópias do “Unreal” ainda disponíveis, estamos planejando, em parceria com empresas especializadas, um lançamento que possa incluir estes mercados no roteiro.
 
E quanto aos shows, como anda a agenda?
 
Rafael DM: Temos já alguns festivais marcados para o início de 2013, no estado de São Paulo e Minas Gerais. Em paralelo, estamos tentando viabilizar uma turnê da DEVON no Nordeste, onde o a banda teve uma ótima aceitação e fizemos grandes amigos. Para mais informações a respeito das datas, é só ficar ligado no www.devonunreal.com
 
Para finalizar, gostaria que nos falassem sobre os planos da DEVON para um futuro próximo e deixassem uma mensagem aos fãs de Heavy Metal.
 
Rafael DM: O nosso grande objetivo é sermos ouvidos. Queremos o nosso CD espalhado pelo Brasil e pelo mundo, mas mais que isso, queremos que as pessoas possam nos ouvir ao vivo. Estamos trabalhando na produção do nosso primeiro videoclipe, que espero que saia no 1º semestre de 2013, e podem esperar um puta clipe, na qualidade de tudo que viemos produzindo até o momento! Aos fãs de Heavy Metal, tenho apenas a agradecer imensamente pela receptividade que recebemos. Continuem apoiando o Metal nacional, frequentando shows, especialmente o nosso!

SLIPPERY: A energia do Hard/Heavy 80’s sem nem um pouco de saudosismo.

Por Écio Souza Diniz

Aqueles que ficam chorando que o bom Hard/Heavy dos anos 80 é hojeapenas mais um saudosismo, o fazem porque ainda precisam ampliar seus horizontes e ouvirem o que anda rolando atualmente no cenário mundial, sobretudo, o nacional. Os paulistas da SLIPPERY vieram mostrar que ainda é possível fazer um som criativo e energético calcado nesta grande  época do Rock/Metal. As músicas com refrãos fortes e grudentos, riffs marcantes, vocal rasgado, visual típico e letras sobre romances, perdas, velocidade e Rock and Roll, tudo isto faz parte do pacote que a SLIPPERYoferece. Para quem gosta de bandas clássicas como WHITESNAKE, ACCEPT, DEF LEPPARD, EUROPE, SCORPIONS, DOKKEN, entre outras, o som desses paulistas é um prato cheio. O Pólvora Zine bateu um papo com o guitarrista Kiko Shred e o baterista Rod Rodriguez para falar sobre o mundo que a cerca a banda.
 
Como surgiu a SLIPPERY?
 
Rod Rodriguez: A banda foi formada no final de 2003 com o intuito de tocar o Hard rock e o Heavy metal praticado nos anos 80. Começamos a tocar em bares de Campinas (SP) e região até lançarmos o nosso primeiro registro, o EP “Follow Your Dreams”, que nos abriu espaços para shows em outros estados e que nos deu a chance de abrir para nomes do calibre de JEFF SCOTT SOTO, JIMI JAMISON e L.A GUNS.
 
Em 2007 vocês lançaram o EP “Follow your dreams” (cuja música título também está presente no debut álbum, “First Blow” (2012). Como foi a recepção do público a ele?
 
Kiko Shred – Foi ótima! Se há uma coisa da qual não podemos reclamar é de falta de apoio de nossos fãs! As cópias que fizemos do EP “Follow your dreams” foram vendidas rapidamente, fizemos vários shows e todos com um público bem legal.
 
Agora em 2012 finalmente vocês lançaram o primeiro álbum, “First blow”, que é um trabalho que contém os melhores elementos do Hard rock/Heavy oitentista. Falem-nos sobre o processo de composição do álbum e como tem sido arecepção a ele tanto pelo público quanto a crítica especializada?

Kiko Shred –
Os cinco integrantes da SLIPPERY são fãs das bandas oitentistas tanto de Heavy Metal quantode Hard Rock,sendo assim essa fusão dos dois estilos transpareceram naturalmente nas nossas composições. A recepção do público e da mídia especializada tem sido muito positiva! Estamos sempre recebendo convites para festivais, shows, entrevistas, vinhetas de programas de radio e TV, etc. Em menos de um ano as cópias da primeira prensagem já estão se esgotando, tamanha a quantidade de fãs que conquistamos no Brasil e noexterior, principalmente Alemanha e Japão. Quem está no meio musical sabe como é complicado vender CDs hoje em dia, por isso nosso número de vendas é realmente expressivo. 
 
Como é a colaboração de cada membro na criação das músicas?
 
Kiko Shred – Geralmente o “esqueleto” da composição é mostrado por um integrante aos outros da banda, um integrante vem com a pedra bruta que vai sendo lapidada durante o processo de arranjos. Mas tem outras músicas que são compostas durante uma Jam, por exemplo, o que também fica muito legal! Principalmente para músicas que necessitam de uma energia a mais “ao vivo”, digamos assim.
 
Quais são as influências musicais que mais predominam na banda?
 
Rod Rodriguez – Não tem como eu citar uma ou duas bandas que nos influenciaram. São tantas que precisaria de um dia todo paracitá-las. Prefiro dizer que tanto o Hard rock quanto o Heavy metal feito na década de 80 são as principais referências para o som da SLIPPERY. Tentamos colocar elementos de cada estilo em cada som que compomos, isso sem contar as pitadas de AOR que é outro estilo que curtimos muito, mas claro que tudo isso com a pegada e a cara da SLIPPERY.
 
Vocês fizeram um ótimo show na quinta edição do Triumph of metal (Pouso Alegre-MG, 10/11/2012). O que vocês acharam daquele show? E como anda a agenda da banda?
 
Rod Rodriguez – Gostamos muito de ter participado do festival. Tivemos alguns contratempos, porém tudo foi superado pela energia do público que foi sensacional
Voltaremos aos shows de divulgação do álbum “First Blow somente em janeiro de 2013, pois o nosso baixista passou por um pequeno procedimento cirúrgico e estará liberado somente em janeiro.
 
O que vocês esperam para um futuro próximo?
 
Rod Rodriguez – Esperamos crescer cada vez mais como banda e angariar ainda mais fãs que são carentes desse estilo de som
 
A SLIPPERYtambém tem sido divulgada fora do país?
 
Rod Rodriguez – Sim, quem faz esse trabalho para a banda é o Eliton Tomasi da Som do Darma. Com essa parceria a banda vem crescendo no cenário internacional. Prova disso é que 70% dos CDs vendidos foram para a Europa e Japão.
 
Além da ótima ‘Follow your dreams’, “First blow” também apresenta outras músicas marcantes como ‘Slippery’, ‘Run for reaction’ e a balada ‘Two Young hearts’. Em um primeiro momento qual a reação que vocês visualizam nas pessoas perante essas músicas? Qual música vocês poderiam definir como uma música que caracteriza a banda?
 
Rod Rodriguez – Primeiramente o espanto de escutar algo do tipo nos dias de hoje e aextrema alegria de quem é fã do estilo em poder apreciar algo feito aqui no Brasil. Na minha opinião a ‘Follow your dreams’ seria essa música.
 
De onde surgiu a ideia de incluir um cover para a clássica ‘Night of the demon’ do DEMON?
 
Rod Rodriguez – É uma música que costumávamos tocar por diversão nos ensaios que acabou ficando muito legal na roupagem que fizemos, ai então entramos em contatocom o manager do DEMON, o Mike Stone, que nos autorizou a gravar e a lançar a música.
 
Para finalizar, deixem uma mensagem aos fãs do bom e velho Hard/Heavy.
 
Rod Rodriguez – Galera que não conhece a SLIPPERY procure conhecer! Vai te fazer viajar pelos anos 80 nos dias de hoje. Muito refrão, muita pegada e muito feeling! Vale muito a pena conhecer!

Mais Informações:

DORSAL ATLÂNTICA: Depois do fim…revive a lenda.

Foto: Sergio Filho
 
Por Écio Souza Diniz
Uma notícia há pouco publicada nas redes sociais da internet fez não somente a mim, mas vários headbangers Brasil afora estufarem os olhos. Esse anúncio tratava-se da provável volta aos palcos e ao estúdio de uma das pioneiras bandas e lendárias do Metal nacional, a DORSAL ATLÂNTICA. É evidente que o brilho deste retorno refletiu muito em fãs da banda, que não tiveram a oportunidade de vê-la ao vivo. Ao mesmo tempo despertou o nariz empinado e torcida de cara de várias pessoas. Para nos falar sobre todos esses aspectos, bati um papo com o sempre carismático, e ao mesmo tempo enigmático, Carlos Lopes (Carlos Vândalo).
 

Pólvora Zine: Carlos, comece nos contando o que levou a decisão desta reunião
 
Carlos Lopes: O amor dos fãs.

P.Z: Explique melhor como funciona a campanha que vem sendo feita para colaboração coletiva para o lançamento de um novo disco da Dorsal.
 

Carlos: Crowdfunding é um sistema de realização de projetos, financiado pelas pessoas, sem intermediários. O apoiador investe um valor no projeto e recebe em troca a realização de ver o sonho se tornar realidade e de forma coletiva.  Um novo disco da DORSAL ATLÂNTICA com formação original pode se tornar realidade em 2012, através desse mesmo financiamento coletivo. A data limite é 10 de JUNHO de 2012. Se até essa data, se o valor total de 40 mil reais não for arrecadado, o CD não será produzido. Desse valor 27,5 % são do imposto de renda e 12% do site CATARSE. O restante está subfaturado e cobre os gastos com ensaios, gravação, mixagem, masterização, prensagem, arte, pagamento dos técnicos e entrega dos digipacks pelo correio com os demais brindes. Por exemplo, a nova edição do livro GUERRILHA! com capa dura e letras prateadas, custa, a unidade, quase 100 reais e não colocamos um centavo em cima. Esse é o valor de um livro de luxo feito em quantidade limitada.
O APOIADOR receberá em primeira mão o novo CD da DORSAL ATLÂNTICA, em formato digipack, gravado pela formação original, separada há 22 anos. Os valores de contribuição cobrem todas as despesas relativas à gravação e prensagem do novo CD da DORSAL ATLÂNTICA. As diversas opções de investimento estão disponíveis no site CATARSE.ME.
 
 
P.Z: Como é pra você retornar com a formação clássica da banda (que gravou os álbuns “Antes do fim”, “Dividir e conquistar” e “Searching for the light”), que conta com seu irmão, Cláudio Lopes, e o batera Hardcore?
 
Carlos:Emocionante, apenas isso. É parte do meu DNA. 

P.Z: Por um tempo, notava-se digamos que uma resistência quanto você falar sobre a Dorsal, e seu envolvimento estava bem integralmente com o MUSTANG (banda de Rock and roll que Carlos fundou após o fim da DORSAL ATLÂNTICA). Quais os motivos o faziam ter tal posição?
 
Carlos:Estou fazendo o que os fãs me pediram, o que os fãs me pedem há 12 anos. Mas tudo é negociado, shows por enquanto não, então optei por um disco de inéditas, um disco feroz calcado no passado e mirando o futuro da música pesada no Brasil. Apenas cedi ao encanto dos fãs, ao pensar primeiro neles e não mais em mim, mas também pedi uma contrapartida: o investimento. Se a DORSAL faz tanta diferença na vida de milhares, esses mesmos milhares devem se erguer, trabalhar conjuntamente para ver esse sonho se realizar. 

P.Z: O livro Guerrilha que conta a história não somente da Dorsal, mas do início da cena Metal e underground brasileira, foi um marco em termos de lançamento do gênero. O livro dá uma visão clara de como é difícil viver firme e com dignidade na cena. O que você acha do livro e qual a importância dele?
 
Carlos:Provavelmente o livro se transformará em um longa metragem, já estou conversando sobre isso com um produtor desde o ano passado. O relançamento do livro virá junto à campanha do CD da DORSAL. Se o CD não for lançado, o livro também não será. E essa nova versão do GUERRILHA! é muito especial: capa dura recoberta por simulação de couro negro, papel interno couchê 150 gramas e título impresso em letras prateadas em hot stamping. O livro só será lançado se a campanha do CD da Dorsal for vitoriosa.
 
P.Z: Outro bom presente dado aos fãs da banda, sobretudo, os mais novos, foi o relançamento do “Antes do fim” em CD (intitulado “Antes do fim depois do fim”) e também do “Ultimatum”, que inclusive, recentemente está tendo relançamento em vinil, que ficou a cargo do Leon (Manssur “Necromaniac”, vocalista e líder da banda carioca APOKALYPTIC RAIDS). Deve ter sido um trabalho árduo estes relançamentos (sobretudo o “Antes do fim”, que você regravou as músicas), mas recompensador?
 
Carlos:O Antes do Fim de 2005 acabou de ser relançado em digipack e o Ultimatum em LP através do Leon Manssur. Trabalhoso, eu não diria, mas caprichado. Todos os meus trabalhos, sejam musicais ou literários, são extensões da minha criatividade, da minha alma e também por causa disso, não podem ser leiloados. Ou fazemos o melhor , o mais criativo, ou de nada valerá tanto esforço, tanto amor. Em 2005, eu e o baterista do MUSTANG, Américo Mortágua, regravamos o Antes do Fim para que o disco voltasse ao mercado. O disco foi feito com a mesma sonoridade rústica, e com todo o comprometimento para fazer o melhor e assim foi feito. Gosto mais da versão de 2005 do que a de 1986, apesar de compreender que são incomparáveis.
 
P.Z: Vou aproveitar para pegar o gancho da pergunta anterior, e gostaria de saber se você pretende relançar o “Alea Jacta Est” e “Straight”, que hoje são muito difíceis de encontrar para comprar.
 
Carlos:É um acordo entre gravadora e autor. Se nos procurarem, a gente conversa.
 
P.Z: Ao retornar com a DORSAL ATLÂNTICA, provavelmente você terá uma agenda bem cheia. Não fica difícil para você conciliar isso com as atividades do MUSTANG?
 
Carlos:Difícil é conciliar tudo, não só as bandas. Minha vida não é só música, ela é uma parte importante de mim, de quem sou, mas não é a única coisa. Posso fazer tudo o que puder, seja com música ou literatura, desde que haja cabeça, tempo e verba.
Sobre a volta: A DORSAL não voltou, ela deve gravar um CD, caso o apoio dos fãs seja maciço. Show é uma outra história, depende dos promotores. Para corroborar cito o caso do Maranhão: fomos convidados para sermos os headliners de uma noite do ‘Metal Open Air’, tendo como abertura para a Dorsal Atlântica, as bandas Exodus e Anthrax. Muitos diriam sim, eu disse não porque não havia cachê. Muitas bandas pagam para abrir shows internacionais, pagam para tocar, eu nunca fiz isso. Mas essa verdade é minha, é nossa, é única e não pode ser provada, pois caráter não se prova.
 
P.Z: A quantas está a composição das músicas para o novo disco? O que poderemos esperar dele?
 
Carlos:Não gosto de prometer, porque antes de tudo promessa pode vir a ser fato, mas ainda não é. A inspiração para o novo trabalho vem dos nossos primeiros trabalhos entre 1986 e 1990, ou seja, a fase da banda com o trio que pode vir a gravar o novo CD. As músicas estão sendo escritas há dois meses, desde que o projeto foi pensado.
 
Meu Filho me Vingará (sobre Euclides da Cunha),Stalingrado (sobre a vitória dos russos contra os nazistas), Operação Brother Sam (sobre o golpe de 1964 e a reação americana contra a esquerda brasileira), Jango Goulart, Eu Minto, Tu Mentes, Todos Mentem, O Retrato De Dorian Gray, Corrupto Corruptor, Colonizado / Entreguista, A Invasão Do Brasil, 168 Bpm, Imortais.

P.Z: Diga-nos como você tem encarado as críticas raivosas e negativas de alguns que torcem a cara para a volta da banda?
 
Carlos:Só me preocupo com os nossos fãs, com quem nos apoia, com quem nos ama.P.Z: Você disse na entrevista a Roadie Crew, que não pretendia fazer shows com este retorno. Mas você não acha que seria um bom presente para os fãs fiéis da banda, sobretudo, a geração mais nova e os apoiadores?

 
Carlos:A campanha foi criada para um CD que está sendo financiado pelos fãs. Este é o novo disco da banda que o público pediu insistentemente durante 12 anos que voltasse. O CD não deixa de ser uma volta, mas marca algo maior: o retorno da maior banda de heavy metal do país. Eu farei a minha parte que é criar um disco inesquecível que renovará e relembrará quais são as reais fundações do metal brasileiro. O público que nos der a mão será recompensado de muitas formas, uma delas, e a mais recente é que a última faixa do disco é um hino escrito em homenagem aos fãs da DORSAL, as pessoas mais especiais de todo o planeta.
 
P.Z: Carlos, boa sorte e sucesso com seus planos. É evidente que será uma revitalização para o Metal brasileiro o retorno da DORSAL ATLÂNTICA. O espaço está livre para você deixar uma mensagem aos fãs e todos que apoiam e apoiaram a banda.
 
Carlos: Nada é mais importante do que ver esse CD pronto neste momento. Se o valor não for arrecadado até 10 de JUNHO e não julho, não há plano B para nós, nem para a DORSAL. Dependerá do público ver essa página virada ou não, dependerá do público nos mostrar que o socialismo, a grande ferramenta da internet, é real e não a “violência”.
 
 
 
 

 

PERVENCER: Dedicação aos guerreiros do underground!

Por Écio Souza Diniz

Realmente nosso país tem cena metálica de qualidade, o que é provado por bandas que fazem um trabalho de alta qualidade. No que diz respeito, por exemplo, à cena extrema, nós temos bandas que carregam com garra essa bandeira. A banda PERVENCER, oriunda de Sorocaba (SP), é um das bandas recentes no cenário extremo paulista, que merece atenção por seu Death metal brutal bem feito e promissor. Chamamos o vocalista Tiago Sammael para um papo sobre tudo o que a diz respeito, como também falar sobre suas opiniões sobre o metal atualmente.

Pólvora Zine: Para começar, falem-nos como surgiu o PERVENCER.
 
Tiago Sammael: Saudações extremas! Antes de qualquer coisa, quero ressaltar é uma extrema honra para nós podermos estar aqui nesse espaço cedido por você Écio e pelo Pólvora Zine. Cara, a PERVENCER surgiu como banda de garagem por volta de 2006, com nosso batera Fábio Amaro tocando covers junto com alguns camaradas. O repertório variava bastante, incluindo sons que iam desde DREAM THEATER até DECAPITATED, mas basicamente os caras estavam sempre escolhendo coisas bastante complexas de se tocar. Depois veio a vontade de escrever som próprio, seguida das mudanças naturais no processo de formação e amadurecimento de uma banda, até chegarmos aonde chegamos hoje, com o lançamento da demo “Labyrinth of Death” e, finalmente, do EP “Extermination Is Right”.
 
P.Z: O Estado de São Paulo, sobretudo a capital, sempre teve uma cena fortemente destacada no Heavy metal, mas também teve muita importância no som extremo, a exemplo de bandas como VULCANO. Para vocês como é a cena paulista atualmente? Há muita oportunidade de shows aí na região de vocês?
 
Tiago: Com certeza, temos muita coisa boa rolando na capital atualmente! Temos o Fofinho Rock Bar e o Blackmore, por exemplo, que ainda dão um excelente espaço para bandas novas, mas o que realmente tem arrastado o público por lá têm sido os shows internacionais que acontecem, por exemplo, no Carioca Club. E convenhamos, é muito melhor do que a época em que só havia espaço para covers e mais covers. Pelo menos estamos tendo a oportunidade de ver os originais e não as falsificações. Mas o que eu tenho notado é que a verdadeira resistência underground, que realmente ainda apóia o som próprio de bandas novas, está mesmo é no interior. Talvez seja por não estarem no circuito dos grandes shows, talvez pela escassez de eventos extremos. Mas a verdade é que a participação do público tem sido maior em shows realizados em lugares mais afastados da capital, como por exemplo, o Havana Rock Bar em Cotia, o Live To Rock Fest em Sorocaba ou mesmo o Carroção Rock Bar em Votorantim, só pra citar alguns dos mais recentes.
 
P.Z: Ainda relacionada à pergunta anterior, como vocês enxergam o underground hoje em dia?
 
Tiago: A cena underground é formada por pessoas que são tão apaixonados por aquilo que fazem, que chegam ao ponto de investir tempo e dinheiro que não têm, mesmo correndo o risco de quebrar a cara, tudo isso para fazer as coisas acontecerem. Isso inclui todas as bandas, produtores, casas de eventos, rádios, selos, zines, blogs, sites e – principalmente – bangers, que estão sempre lutando para manter a cena viva. Esses são os verdadeiros guerreiros da resistência underground, pra quem nós dedicamos especialmente nosso som. Nem sempre o equipamento é legal, nem sempre a casa está lotada, nem sempre a banda ganha o suficiente pra pagar a gasosa da viagem ou mesmo a água que vai beber no palco, mas o que realmente importa é poder estar lá trocando idéia com a galera, mostrando nosso trabalho e honrando o nome do som extremo brasileiro!
 
P.Z: Vocês lançaram recentemente o EP “Extermination is Right”, que é um trabalho bem feito, um Death técnico e brutal, que remete a bandas como MORBID ANGEL, DEICIDE, entre outras. Como tem sido a recepção do público a este disco?
 
Tiago: Valeu pelas palavras de apoio! É uma honra ter o nosso nome citado juntamente com o nome desses monstros do Death metal! De uma forma geral, temos recebido resenhas bastante elogiosas em sites e revistas conceituados e o retorno da galera nos shows também tem sido bastante positivo, superando bastante nossas expectativas. Muito obrigado a cada um de vocês pelo extremo apoio dado ao som da PERVENCER! Quem ainda não ouviu o EP “Extermination Is Right” pode baixar o CD na íntegra aqui:http://bit.ly/nAnesH
 
P.Z: Quais são as principais influências de vocês?
 
Tiago: As influências individuais dos integrantes variam bastante e é exatamente isso que deixa as coisas mais interessantes. Além de CANNIBAL CORPSE e DEATH, que são unanimidades absolutas, o resto varia desde DREAM THEATER até PROSTITUTE DISFIGUREMENT, passando por SLAYER, DECAPITATED, KATAKLYSM, KRISIUN, MORBID ANGEL, NECROPHAGIST, DEICIDE, dentre outros.
 
P.Z: Como é a divulgação da PERVENCER fora do Brasil?
 
Tiago: Nós Temos alguns contatos na Europa, por exemplo, o pessoal da Radio Revolta, que divulga nosso material na Polônia e em outros países de lá, além do pessoal do site da Hard-Blast, sem falar da equipe da A10TBTV, que faz nossa assessoria de imprensa atualmente. No momento nossa divulgação continua um pouco mais voltada à cena nacional mesmo, mas temos planos de futuramente fechar novas alianças para expandir essas fronteiras.
 
P.Z: Como anda a agenda da PERVENCER ultimamente? Algum plano para tocar em outros países?
 
Tiago: No momento estamos dando um tempo no agendamento de shows para podermos nos concentrar na preparação do nosso novo guitarrista. Dia 07 de janeiro vai rolar nosso primeiro ensaio com a nova formação e desde já estamos impressionados com o cara, que já está tocando todos os sons do EP “Extermination Is Right” em apenas duas semanas! Vamos ver como os ensaios fluem pra gente poder voltar à ativa o quanto antes e começar a correr atrás desses contatos internacionais!
 
P.Z: Dentre as músicas que compõe “Extermination is Right”, “Destruction of Your Body” e “Disease”, são para mim as mais brutais e rápidas. Para vocês, qual é o ponto alto do disco?
 
Tiago: Todos os sons foram criados com o mesmo empenho, então fica realmente complicado dizer! Eu particularmente gosto bastante da “Destruction Of Your Body“ porque em minha opinião ela mostra bem as principais facetas do nosso som. A “Hypocrisy” também tem uma levada cativante e um refrão que funciona muito bem ao vivo. Já “The Real Nightmare” dá uma quebrada no ritmo, trazendo um tempo mais cadenciado, preparando o clima para a patada de elefante que é a “Disease”. Realmente difícil dizer qual o ponto alto.
 
P.Z: Além da divulgação do EP, quais são os planos para este ano de 2012 que se inicia?
 
Tiago: Bom, assim que estivermos tocando ao vivo os sons da demo “Labyrinth Of Death” e do EP “Extermination Is Right”, nós vamos continuar compondo material para nosso próximo CD. Nosso plano é que até o final de 2012 a gente lance um álbum completo apresentando nossa mais nova formação, com uma dose ainda mais extrema de brutalidade e destruição musical. De resto, agradecemos a você, Écio e ao PÓLVORA ZINE, e a todos os guerreiros e guerreiras do underground nacional. Para quem ainda não nos conhece, dêem uma olhada no vídeo do som “Destruction of Your Body” disponível em http://bit.ly/vFDq7W  e apoiem nossa fanpage no Facebook: http://on.fb.me/qaifpD. Mantenham contato, pois em breve teremos notícias!

SODAMNED: Brutalidade aliada à melodia.

Por Écio Souza Diniz
 
Fazer um Death metal que tenha diferencial é uma tarefa um tanto árdua, ainda mais hoje em dia. No entanto, temos sorte que há pessoas que desejam propor algo um pouco incomum, e essa característica o Brasil tem de sobra, o que nos dá motivo de orgulho de nossa cena, que tem bandas de ótima qualidade. Oriunda de Santa Catarina, a SODAMNED, nos mostra um Death metal brutal, técnico e coeso, com elementos diferenciais do convencional, e é para falar exatamente sobre isso que nós os chamamos o guitarrista/vocalista Juliano e o baterista Gilson para bater um papo e falar sobre a banda, sua proposta e trajetória.
Pólvora Zine: Primeiramente, como surgiu a SODAMNED?
 
Juliano: Foi em 1999, conheci o Gilson em 97 e montamos o Sodamned em 1999. A gente era bem inexperiente, ninguém nunca tinha tido banda, mas mesmo assim não começamos tocando cover, eu já levei pro Gilson duas músicas que eu havia composto e começamos a trabalhar nelas desde o primeiro ensaio. Um ano depois subimos em um festival de três dias, só com bandas de Death e Black Metal que havia aqui no estado naquela época.
 
Gilson: Já havíamos experimentado tocar juntos um ano antes, num projeto mais voltado ao Thrash/Death, mas não deu certo, inclusive esse projeto nem chegou a ter nome. No início do ano seguinte o Juliano nos mostrou umas musicas novas que ele havia composto, aí o resto é uma história que já tem durado 12 anos.
 
P.Z: Qual a proposta da banda vocês desejam passar musicalmente?
 
Juliano: Brutalidade e melodia. Sempre curti bandas que misturassem elementos como peso e velocidade, mas com melodia, e é isso que eu tento fazer. Nós temos músicas mais cadenciadas também, e passeia por mais estilos dentro do Metal, mas o que nos caracteriza é a brutalidade aliada à melodia.
 
Gilson: Isso mesmo. Fora isso aí, não temos maiores planejamentos em relação ao som da banda, tudo acaba sendo muito natural em relação aos arranjos e tal. Simplesmente se soa bem a nossos ouvidos a música é aprovada por todos.
 
P.Z: Vocês lançaram recentemente o debut álbum “The Loneliest Loneliness”, pela Face the Abyss e Metal Army. Este é um trabalho que achei excepcional em termos gerais de Death metal. Como se deu a concepção do álbum? E os processos de produção?
 
Juliano: Cara, eu acho que nem dá pra falar de um processo de composição deste álbum, pois tem música aí que foi composta há mais de sete ou oito anos, e só agora a gente acabou lançando. Quando a gente gravou a nossa primeira demo em 2003, nós já tinhamos material suficiente pra gravar um álbum, mas como era uma demo, escolhemos quatro músicas. Depois foi a vez do EP, no qual constam mais quatro músicas, e mesmo assim ainda tinha material sobrando, a composição se deu ao longo desses 12 anos de banda mesmo.
 
Gilson: Só corrigindo uma coisa: o lançamento é independente mesmo. A Face the Abyss está distribuindo as copias apenas, e iríamos trabalhar com a Metal Army, por isso do logo ali no CD, mas isso não foi adiante. Quanto à concepção do CD, chegamos num ponto que ou lançávamos um CD ou acabávamos com a banda, pois já haviam passado 10 anos desde o início de nossas atividades. Sem contar que nunca desejamos ter esse status de banda pequena, cult, desconhecida, pelo contrário queremos nos divulgar bastante, só que infelizmente sempre tinha alguma coisa atrapalhando. A produção do CD foi bem trabalhosa: a bateria foi gravada em Joinville no Vortex Studio e o restante no Nitro Sound do Rio Grande do Sul, tudo isso pelo produtor Roger Fingle que além de ter sido o engenheiro de som, ajudou em todas as fases de gravação, timbragem etc. Tivemos que viajar algumas vezes pra gravar e depois no processo de mixagem e masterização o Roger mandava amostras do som pela internet, até que chegou no ponto que está no CD.
 
P.Z: As duas características que mais se destacam para mim no trabalho da SODAMNED são: primeiramente o Death metal com uma técnica apurada que é contraposta ao mesmo tempo por uma face rústica, que é bem vista nos vocais bem crus, que ficaram muito bem aliados ao restante do instrumental. Segundo, o contexto do trabalho, que fala sobre o desespero de uma pessoa que tenta achar um caminho próprio, diante de muitas desilusões que sofre com as morais religiosas. Ou seja, há todo um conceito em cima de uma filosofia Nietzschiana. Tanto que até a arte gráfica é em cima da definição do eterno retorno das coisas, que Nietzsche pregava em suas obras. De quem partiu a ideia de usar essa roupagem nas letras? A intenção foi compor um álbum conceitual?
 
Gilson: Não, nunca intencionamos fazer uma obra conceitual. Na verdade me interesso mais em escrever nessa linha mais emocional, filosófica, assuntos mais individuais mesmo. Isso acaba conectando uma letra à outra, além da estética também, pois todas elas seguem uma linha mais metafórica. Claro, Nietzsche tem me influenciado muito e isso acaba refletindo nas letras, algumas mais explicitamente que outras. O resto do pessoal da banda gosta disso também, e o Juliano desde o início da banda me deu uma força nesse sentido, pois ambos gostamos desse tipo de tema. E, bem notado, a capa do CD e o título são frutos dessa experiência nietzschiana também.
 
P.Z: Além das características que citei anteriormente, outros pontos de destaque são, por exemplo, a inserção de backing vocals mais limpos em algumas partes alternados com os guturais e gritados, isto deu um ar diferenciado às músicas. O que vocês acham desses elementos no som de vocês?
 
Juliano: Então, o lance de mesclar vocais guturais e gritados é algo que vem desde o começo da banda, a gente sempre achou bacana isso. Eu sempre ouvi bastante MOONSPELL, MY DYING BRIDE, ROTTING CHRIST, e sempre achei bacana trabalhar em cima de mais tipos de vozes, apenas como elemento para agregar algo a mais nas músicas, mas como não sou o cara mais indicado para isso, a coisa tinha ficado só na ideia mesmo. Quando começamos a planejar a gravação do “The Loneliest Loneliness” eu já pensei em chamar o Éder do A SORROWFUL DREAM pra trabalhar em umas músicas com a gente, pois o cara é extremamente competente e trabalha sua voz de várias maneiras. Resumindo, não é algo que predomina, mas é um bom diferencial que soma muito às músicas.
 
P.Z: Como tem sido a recepção do público por aqui à “The Loneliest Loneliness”?
 
Juliano: Sei que é meio clichê dizer isso, mas tá acima do esperado, realmente algo que a gente não esperava. Nós recebemos este CD da fábrica apenas uns seis dias antes de embarcar pra Europa, e desde que chegamos de lá, ainda não fizemos nenhum show. Mas estamos trabalhando duro na divulgação desse material. Muita gente já ouviu e tem elogiado bastante esse trabalho. Os primeiros shows que temos marcados para 2012 são em Abril, aí em Minas Gerais, e não vejo a hora de ver a resposta do público ao vivo para as músicas desse álbum.
 
Gilson: É, depois de tantos anos de underground você acaba esperando pouco retorno do público e crítica, ainda mais que nosso som sempre foi um tanto incompreendido. Mas sinto que com esse CD as coisas parecem ter mudado e bastante!
 
P.Z: O que vocês acham do cenário metálico aí em Santa Catarina?  Europa, tocando em países como Bulgária, Croácia, Romênia, entre outros. Como foi esta turnê e a recepção dos europeus à SODAMNED?
 
Juliano: A recepção do público europeu ao nosso trabalho foi excelente, de forma geral. A maior parte dos shows que tocamos lá foram marcados com bem pouca antecedência, basicamente menos de um mês antes dos shows, então tivemos shows com bem pouco público, e outros, marcados há mais tempo, já tinham um público um pouco maior. O fato é que por onde passamos, fomos bastante elogiados, questionados sobre a cena Metal no Brasil, e fomos impressionantemente bem tratados.
 
Gilson: Sobre a cena aqui em Santa Catarina, digamos que está em declínio. Ainda possuímos um grande número de excelentes bandas, mas o público não tem dado o suporte necessário. Até poucos anos atrás tínhamos uma dúzia de ótimos festivais open air por aqui. Mas o público foi minguando nesses eventos, e por consequência os promotores desanimaram, inclusive eventos pequenos estão acontecendo com bem menos frequência. Temos agora somente um grande festival que é o Zoombie Ritual que tem atraído gente de fora e deve com certeza se tornar um dos maiores do Brasil, se já não é.
 
P.Z: Quais são as principais influências de vocês e os álbuns que mais marcaram suas vidas no Metal?
 
Juliano: Me sinto influenciado por absolutamente tudo que ouço, que vai desde OF THE WAND AND THE MOON até BEHEMOTH e IMMORTAL. Vou citar cinco albuns que de fato me marcaram: o “The End Complete” do OBITUARY e o “Screams of Anguis” do BRUTALITY, os dois primeiros albuns de Death Metal que eu ouvi e que me fizeram pensar pela primeira vez em ter uma banda. “Tales from the Thousand Lake” do AMORPHIS e o “The Angel and the Dark River” do MY DYING BRIDE, os primeiros albuns de Doom que eu ouvi e que me tornaram fã do estilo. Por último, mas não menos importante, “Non Servian” do ROTTING CHRIST, virei fã da banda assim que ouvi aquilo, era meio que aquela coisa que você quer ouvir, mas não sabe direito onde encontrar. Quase ia esquecendo o fantástico “Oimai Algaion” dos suecos do ALGAION. Foram estes álbuns que me fizeram compor as primeiras músicas para a SODAMNED.
 
Gilson: Posso dizer que em comum em todos nós no SODAMNED é que ouvimos realmente de tudo, principalmente falando em Metal. Discordamos entre um estilo e outro ou entre uma banda e outra, mas somos todos bem ecléticos. Além de Metal extremo eu ouço muito Metal tradicional, Thrash e até algo de Hard Rock. Só não sou muito chegado em Funeral Doom e Metal melódico, de resto em todos os outros estilos existe pelo menos uma banda que curto bastante. Quanto a bandas que me influenciaram a tocar, sou o tipo de cara bem comum: METALLICA, SEPULTURA e BLACK SABBATH que me botaram nesse caminho, e seus bateristas me fizeram ter interesse pelo instrumento que toco.
 
P.Z: Aqui no Brasil, vocês têm feito muitos shows também? Como está a agenda?
 
Juliano: Como a gente passou um bom período concentrado no lançamento do CD e na preparação da tour europeia, nós ficamos sem tempo de trabalhar em shows por aqui, mas agora estamos cuidando disso. Por hora a gente tem quatro shows marcados aí em Minas Gerais para Abril, e estamos acumulando contatos e planejando uma mini tour no Norte/Nordeste do país, que possui uma cena foda demais para Metal extremo.
Gilson: Além de estarmos estabelecendo contatos para alguns shows em outros países da América do Sul.
 
P.Z: O que vocês julgam como o mais complicado para se sobreviver no underground? E o que vocês acham positivo neste tipo de cenário?
 
Juliano: Acho que o mais complicado no underground é o amadorismo com que as coisas são tratadas muitas vezes. Tem gente que confunde ‘ser underground’ com ‘ser tosco’, o que acaba tornando difícil até de conseguir apoio por partes de órgãos ou empresas, como patrocínio para um evento ou endorsement para um instrumentista. Pra mim a coisa mais fantástica do underground é que você não tem barreiras entre o artista e o público, você vai lá, bebe sua cerveja com a galera, sobe no palco, toca e volta pro meio da galera pra festar com todo mundo o resto da noite, isso é algo realmente legal e que é difícil de acontecer num círculo mais mainstream.
 
Gilson: O mais complicado acaba aparecendo com o tempo: você acaba ficando mais velho e tem que conciliar o resto de sua vida, suas responsabilidades, com o fato de ter uma banda e ser uma pessoa ativa no underground. Quando você é novo tudo isso é fácil e divertido, por isso que com o tempo muitas pessoas acabam “sumindo”: o tempo vai pesando sobre você e você tem que gostar realmente desta vida pra continuar.
 
P.Z: Vocês farão shows com a banda DIVA SATÂNICA. Como está sendo essa parceria?
 
Juliano: A agência que cuida do agendamento de shows pra eles entrou em contato conosco, propondo uma parceria entre SODAMNED e DIVA SATÂNICA para o agendamento de alguns shows. Isso aconteceu bem quando eu estava acertando as quatro datas aí em Minas Gerais, então conversei com o produtor, que na mesma hora aceitou incluir a DIVA SATÂNICA no cast desses eventos, sendo que assim a agência da banda vai nos incluir em quatro eventos na Argentina.
 
P.Z: Como será essa programação para a Argetina. Falem-nos melhor sobre isso.
 
Juliano: Os shows acontecerão em outubro de 2012 e provavelmente acontecerão em três cidades diferentes: Buenos Aires, Rosário e Santa Fe, e também contará com a DIVA SATÂNICA no cast.
 
P.Z: Dentre as ótimas músicas que compõe “The Loneliest Loneliness” como ‘Tortures and Nightmares’ e ‘Ewige Wiederkunft’, a que mais se destaca para mim é ‘Fear’, com seu peso e técnica bem harmonizados. Qual é a música que vocês acham que melhor reflete a imagem da banda?
 
Juliano: Pra mim a ‘Tortures…’ é uma música que reflete bem o que eu sempre quis alcançar com a banda: peso, velocidade e melodia. Eu gosto muito dela.
 
Gilson: Essas músicas que você falou e talvez também a “The Mountain” condensam bem o que queremos passar.
 
P.Z: Além da divulgação de “The loneliest loneliness”, quais são os planos para este novo ano?
 
Juliano: Por hora a gente tá trabalhando bem pesado mesmo na divulgação do CD e no agendamento do maior número de shows possível. Nós temos plano pra produzir um vídeo para alguma das músicas do CD, e para gravar três ou quatro músicas para lançar um EP em 2013, mas por hora são apenas planos, pois nós temos realmente muito trabalho pela frente para o ano de 2012.
 
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OMFALOS: A arte inovadora da transcedência!

Por Écio Souza Diniz

Oriunda da região de Brasília, a banda OMFALOS tem se destacado nos últimos meses na cena do Metal Extremo, com o lançamento de seu debut álbum “Idiots savants”, que nos apresenta uma proposta diferente do que normalmente é oferecido na área do Black metal. E o que a princípio pode parecer somente uma empolgação momentânea, ledo engano, realmente realizaram um trabalho excepcional neste lançamento. Os idealizadores da OMFALOS Thormianak (MIASTHENIA) e Zé Misantrope (CABRUNCO, ex-RED OLD SNAKE) vieram ao Pólvora Zine para nos falar melhor a respeito de tudo isso.

 
Pólvora Zine: Primeiramente, digam-nos como se deu a concepção de “Idiots savants
 
Thormianak: Eu já tinha algumas músicas que não cabiam na MIASTHENIA e estava buscando um projeto para poder utilizá-las. No final de 2008 conheci o Misanthrope, e começamos a conversar a respeito de montar um projeto, no qual fosse possível explorar um som diferente do que praticávamos em nossas bandas. Neste processo de arranjo das músicas acabamos acrescentando muitas coisas, e elas foram tomando elementos da personalidade dele que levaram as músicas para um rumo bem distinto. As letras foram escritas em um momento bem tumultuado de nossas vidas e acabam por refletir nossas personalidades à época.
 
P.Z: Na região de vocês há bandas de Metal Extremo de grande importância no cenário nacional como a LUXÚRIA DE LILLITH, VULTOS VOCÍFEROS, MIASTHENIA, FLORESTAS NEGRAS, CORAL DE ESPÍRITOS (que na verdade foi formada por sul-mineiros), entre outras. Como tem sido a recepção do público ao OMFALOS por aí? E em âmbito nacional?
 
Thromianak: Está sendo bem aceito, apesar de não ser exatamente o mesmo público destas bandas supracitadas. O nosso som acabou por atingir pessoas que não são bem fãs apenas de Black Metal, mas pessoas que curtem Hardcore, Grindcore, Industrial, Gótico e outras. Acho que até um certo ponto, nós ousamos e tentamos fazer música que transitasse por estes estilos sem necessariamente se apegar a nenhum deles. Acho que essa bastardização do nosso som nos permitiu, por exemplo, estar em diversos catálogos de distros de hardcore, o que até pouco tempo era impensável no Brasil.
 
P.Z: Quem teve a ideia da arte gráfica e como ela surgiu? Achei a ideia ótima. Foi com objetivo de propor algo meio abstrato mesmo?
 
Misanthrope: O conceito da OMFALOS é uma coisa bem ampla. Além da música somos influenciados por diversas formas de arte como a pintura, performances, filmes, literatura. Por todo nosso trabalho não é difícil encontrar referências a estas mídias, e a capa não poderia ser diferente. Somos bastante influenciados por este conceito de arte mais vanguardista de pintores como Pollock, Mondrian, Basquiat, Matisse, Kadinsky, Airkan Marasky e outros, que são capazes de evocar sentimentos muito fortes em suas obras. Como eu também sou artista gráfico, tentei fazer uma pintura que se assemelhasse à intensidade de nosso disco, mas sem nos prender a nenhum clichê pertinente ao Black Metal. A pintura, por ser abstrata, permite que cada um transfira suas vivências e referenciais pra interpretá-la a seu modo. Ficamos muito satisfeitos com essa capa e acredito que nossos próximos lançamentos terão uma parte gráfica ainda melhor elaborada.
 
P.Z: A introdução com ‘Que bonito és un entierro’ (baseada na música do filme Fando y Lis, produzido por Alejandro Jodorowsky, que é uma obra prima do cinema surrealista) foi algo diferente e inusitado para o estilo, mas se encaixou perfeitamente ao contexto da OMFALOS. O que levou-os a optar por este tema de abertura?
 
Misanthrope: Como disse antes, nós temos influências bem diversas. Tentamos pintar imagens com nossos sons, e certamente essas imagens que tentamos criar são muito influenciadas pelo trabalho do Jodorowsky. O filme Fando Y Lis é algo que mudou a minha vida, tem muita sensibilidade e ainda assim é uma obra brutalmente intensa, assim como tudo que tencionamos fazer com nossas músicas. Considerando isso, era inevitável ter uma homenagem a este grande mestre que me influencia tanto. É um filme bem abstrato (surpresa!) e que eu recomendo muito que todos os leitores do Pólvora Zine corram atrás para assistir.
 
P.Z: Quem ouve “Idiots savants”, percebe que a proposta central é o Black metal, mas há presença de elementos do Death, Industrial e até do Gótico. Quais são as principais influências de vocês?
 
Thormianak – Minhas influências são: VOIVOD, MAYHEM, ALIEN SEX FIEND, CELTIC FROST, SISTERS OF MERCY, ROOT, YOUNG GODS, RAMONES…
Misanthrope: FAITH NO MORE, DIAMANDA GALÁS, EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN, ULVER, BAUHAUS, KING DIAMOND, entre outros.
 
Thormianak – De maneira geral somos influenciados por muita gente inovadora, mas não buscamos imitá-los e sim tentar fazer um trabalho que seja tão revolucionário quanto os deles.
 
P.Z: Algo que quero entender vindo de vocês é o seguinte: o álbum tem um diferencial porque ao mesmo tempo que é altamente experimental, ou seja, tem vários elementos no seu todo, tem uma consistência muito forte, que procura mostrar os conflitos mais intensos na mente humana como depressão, insônia, síndrome claustrofóbica e do pânico, entre outras. Tudo isso é mostrado em músicas acessíveis, curtas, e mais fáceis de assimilação (exemplo da progressiva ‘Bipolar affective disorder’, e o clima sombrio e melancólico de ‘A failed experiment in fitting into this world’), fazendo com que nisto vocês tenham traçado um caminho contrário ao de muitos trabalhos de Black metal. A intenção de vocês foi justamente promover essa acessibilidade, essa assimilação para o ouvinte, ou foi algo desproposital, que ocorreu naturalmente?
 
Thormianak – Tudo isso foi cuidadosamente planejado. Acho que fomos muito sensíveis nessa parte de timbres e captação de instrumentos. As músicas em si são brutais e tem muitos elementos, mas este cuidado com os arranjos faz com que as partes mais complexas e intensas soem bem naturais, sem que nada fique fora de seu lugar. Além disso, o disco possui um fluxo bem definido: começa bem rápido e intenso e vai progressivamente ficando mais lento e dramático. Não podemos deixar de mencionar o magnífico trabalho de Caio Duarte na mixagem e masterização de nosso álbum.
 
P.Z: Vocês concordariam se “Idiots savants” fosse denominado como uma “Ópera Extrema”, pela sua diversidade sonora, artística, mas que trata basicamente de um assunto central: o sofrimento humano?
 
Misanthrope – Tem suas similaridades, mas nosso som não tem uma rigidez conceitual de álbuns como “Operation Mindcrime” (Nota P.Z: um álbum clássico da banda de Hard/Heavy QÜEENSRYCHE) ou o “Abigail” (Nota P.Z: Um dos grandes clássicos do Heavy metal lançados pela banda KING DIAMOND). As músicas não são interdependentes e apesar de termos esse aspecto mais teatral, eu não acredito que esse termo seja lá muito propício para nós.
 
P.Z: Quais são os álbuns que mais ouviram e foram fundamentais no desenvolvimento de vocês como compositores?
 
Misanthrope: Essas listas são muito complicadas. Neste disco em específico eu estava tentando não ouvir nada de Black Metal pra não acabar plagiando algo inconscientemente. Na época eu estava ouvindo muito estes aqui:
EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN – Tabula Rasa
THROBBING GRISTLE – 20 Jazz Funk Greats
BJÖRK – Post
GODFLESH – Streetcleaner
NICK CAVE AND THE BAD SEEDS – From Her to Eternity
SWANS – Children Of God
KILLING JOKE – Absolute Dissent
KING DIAMOND – The Graveyard
MELVINS – Bullhead
PETER GABRIEL – I
São todos trabalhos bem diferenciados e mesmo não ficando lá tão explícito na minha performance, essas bandas me influenciaram bastante na hora de gravar meus vocais. Mas todo mundo que eu citei ali na pergunta anterior sobre as influências, também fez um estrago enorme na minha vida enquanto compositor.
 
Thormianak: Minha lista na época era:
KILLING JOKE – Absolute Dissent
MAYHEM – De Mysteriis Dom Sathanas
ALICE IN CHAINS – Dirt
Dentre essas eu destaco o ALICE IN CHAINS e O KILLING JOKE que me influenciaram muito na composição dos climas de “Idiots Savants”.
 
P.Z: Há divulgação da banda no exterior? Como tem sido a resposta lá fora?
 
Thormianak – Nosso selo tem trabalhado muito em divulgação no exterior. Já temos distribuição na Europa, EUA e Japão e estamos trabalhando muito nessa parte. Enviamos o CD pra diversas revistas no exterior e até agora a resposta tem sido bastante positiva.
 
P.Z: O que vocês acham da atual cena Extrema mundial e do Metal de forma geral?
 
Misanthrope – Existem muitas bandas boas se propondo a fazer um som diferenciado, seja no Brasil ou no exterior. Claro que existe muita banda estagnada vivendo do passado. Mas estas novas realmente valem a pena ouvir. Destaco bandas como o FACADA, TEST, NOALA, D.E.R., MYTHOLOGICAL COLD TOWERS, DYNAHEAD, THE BLACK COFFINS, DEFY. Pena que estas bandas não recebem o reconhecimento devido da parte dos fãs e da imprensa em geral.
 
P.Z: Nas suas opiniões, o que torna um álbum de Metal Extremo um diferencial? Quais elementos vocês acham cruciais para um trabalho bem feito?
 
Thormianak – Acho que o que mais faz diferença é o sentimento. Muitas bandas se focam mais na agressão pura e simples, e esquecem do lado de intensidade emocional. Os discos que mais me cativaram sempre tiveram essa aura em seu som.
 
P.Z: Segundo consta a bateria ficou a cargo de Dale Nixon. De qual país ele veio? Como surgiu esta participação e quem cuida desta parte aqui no Brasil?
 
Misanthrope: Dale Nixon é um pseudônimo usado por diversos músicos da cena Hardcore da Califórnia para ocultar os nomes reais de session members. Muita gente já usou esse pseudônimo antes como Greg Ginn do BLACK FLAG, DAVE GROHL do Nirvana quando gravou a batera do disco solo do BUZZ OSBORNE e o Brian Baker do MINOR THREAT quando gravou as guitarras do disco “Four On The Floor” do DOG NASTY. A situação toda é que tivemos um baterista contratado pra gravar o disco. Ele o fez muito bem, mas ele prefiriu não tocar conosco ao vivo. Perguntamos a ele se podiamos fazer essa brincadeira e ele topou sem problemas, aproveitamos a deixa pra fazer uma referência interna a esta verdadeira “lenda” do Hardcore. Quem toca conosco ao vivo é o Victor Lucano, baterista do DEVICE.
 
P.Z: Realmente, vivendo e aprendendo. Por mais anos de conhecimento e afeição que tenho com a cena do punk/hardcore, crust, etc., não lembrava deste lance.
P.Z: Além da consistente divulgação do álbum que vem sendo feita, quais são os planos para este novo ano que se inicia?
 
Thormianak – Estamos gravando um videoclipe para ‘Funeral Dirge For My Sanity’ e ainda estamos planejando nosso show de estreia. Ao vivo contamos com a ajuda de membros de bandas como MIASTHENIA, VULTOS VOCÍFEROS e FINAL TRÁGICO. Nosso segundo disco já está praticamente pronto e com certeza sairá no segundo semestre de 2012.
 

SECURITATE: Entre a força e a atitude!

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Por Écio Souza Diniz
A SECURITÄTE, formada em Machado-MG nos início de 1998, é uma das ótimas e fieis bandas do H.C Crust nacional. Assim, mandando um som simples e direto, através de músicas que são uma porrada no ouvido, eles se mantêm na ativa até hoje, nos proporcionando bons shows e mostrando uma postura honrada e crítica com o underground musical e social. O guitarrista/vocalista Gambá, veio nos falar mais sobre a banda e suas atividades. Real underground!!!
Pólvora Zine: A banda tá aí na ativa já a mais de uma década. Como foi o início das atividades e a luta pela sobrevivência na cena?
Gambá: Saudações a todos primeiramente. Sim, a banda está na ativa há 13 anos, o início foi em meados de março de 98, e o Rômulo fazia parte do CORPSE GRINDER, eu e o Cristhian tivemos a idéia de rolar um som juntos e foi muito tosco. Desde então, ocorreram muitas mudanças e dificuldades nas várias formações até chegar a formação atual que na minha opinião  é a que mais se identifica com a cara da SECURITÄTE.
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P.Z: As demos “Visão caótica do mundo” e “Basta”, são dois grandes registros da banda, bastante cultuadas na cena pelas músicas toscas e agressivas que constam em ambas. Como foi a composição das músicas destas demos nas suas respectivas épocas? E como era a interação das formações que as gravaram?
Gambá: Cara, a demo “Visão caótica do mundo” foi o primeiro registro da banda e eu praticamente não participei tanto das composições, pois a maioria dos sons vinham da SNAIL BRAIN, extinta banda do Christian e outros sons vinham de uma banda também extinta que o Rômulo fazia parte que se chamava ORGIA. Assim, os sons foram reformulados com a cara da SECURITÄTE. Já a demo “Basta” foi uma regravação de quatro sons que já existiam na primeira demo. A primeira demo foi gravada só com um microfone no teto do local de ensaio, bem tosco mesmo, e a formação da demo “Basta” já contava com Etola no baixo e Tiago na bateria e eu assumi os vocais juntamente com a guitarra e a interação entre a gente era bem massa nas duas demos. A diferença foi que na primeira eu estava iniciando na cena do hardcore e o Rômulo e o Christian já eram veios de guerra. Por outro lado, na segunda os caras eram novos tanto na cena quanto em relação ao som. Gostaria só de comentar aqui que antes da mudança de formação a SECURITÄTE gravou uma demo ao vivo durante um fest que rolou em Passos, no sul de Minas. Essa gravação na minha opinião é melhor e mais agressiva que a “Visão caótica do Mundo”, pois mostrava na época a energia da banda ao vivo e de certa forma deixou com que nos estivéssemos certos do que fazer na gravação do debut álbum.
P.Z: O que representou para o SECURITÄTE ter sua participação na disputada coletânea “36 ensaios anti-imperialistas”, lançado pelo selo Pecúlio Discos?
Gambá: Então essa participação ocorreu por força dada pelo Junior do CORPSE GRINDER, que enviou um material nosso para o Boca da Pecúlio Discos e o cara curtiu e abriu espaço pra gente. Foi muito legal por ter a honra de dividir espaço com bandas que admiramos e respeitamos muito e que fazem parte da nossa historia e nos influenciaram e continuam nos influenciando muito!
P.Z: Através do selo No Fashion Records, vocês lançaram o debut álbum, o ótimo “Estado decadente…violência gratuita”. Este disco é uma explosão de energia e criação de moshs. A abertura com ‘S.O.S El Salvador’, ‘Mal da religião’ (uma porrada na cara da hipocrisia), ‘Real underground’ (candidata à melhor do álbum, puro veneno) e ‘Massacre dos Carajás (O retrato da impunidade)’, que é mais cadenciada e mostra uma ótima abordagem a respeito de violência social e abuso de poder, mostram a qualidade das músicas. Como foi a recepção deste álbum na cena? E o quanto vocês acham que evoluíram como compositores/instrumentistas nele?
Gambá: A recepção deste trabalho foi muito massa, pois foi onde a banda começou a ter uma identidade mais definida e madura na cena, nessa época a formação era bem recente pois eu era o único da formação inicial,  todos estavam tocando e gravando em um estúdio profissional pela primeira vez,  mas o entrosamento e a energia falavam mais alto do que nossa evolução como músicos (Risos). Eu acredito que não evoluímos muito a não ser de tocar mais rápido e perder a noção da altura do volume dos amplificadores nos ensaios.
P.Z: Como vem sendo a parceria com a No Fashion Records?
Gambá: Cara já faz um bom tempo em relação ao lançamento do disco, e de certa forma temos pouco contato hoje em dia com o Sergião e a No fashion records devido às correrias de trampo, familia, casa, filho, etc. No início nossa parceria foi muito massa, pois a experiência do Sergião e a força que ele nos deu foi muito importante e somos muito gratos a ele.
P.Z: Há uma grande cena punk/H.C. em outros países Latino-Americanos, como o Perú, por exemplo. Vocês têm grande divulgação ou até mesmo já tiveram propostas para tocar nestes países?
Gambá: Cara o Sergião da No Fashion fez uma divulgação legal pra fora por conta da distro e também muitos contatos. Já quanto a propostas para tocar no exterior ainda não rolaram, estamos  ae aguardando  um convite firme e forte, di cum força!
P.Z: O que você acha da atual cena do H.C. em geral, diante das grandes transformações do século 21?
Gambá: Acho que tem muita banda nova na cena, mas com pouco conteúdo a respeito da situação atual, muitas bandas fazendo muito barulho sem foco nenhum, tipo dando tiro pra todo lado, vejo muito bandas que só se preocupam em se auto-promover sem ideal algum.
P.Z: É de conhecimento de alguns, que as influências de vocês trancedem o punk/H.C., englobando o Metal. Como você enxerga a fusão destes estilos que antigamente eram muito separados?
Gambá: Acho que a fusão é extremamente importante pra nós, cada vez mais usamos influência de metal em nosso som, pois o que realmente acreditamos é que a cena não precisa de rótulos nem divisões.
P.Z: O SECURITATE veio de Machado, uma cidade mineira onde surgiram ótimas bandas, como por exemplo, vocês e os veteranos do CORPSE GRINDER, este último com seu Death metal de grande qualidade. Na cidade e arredores, ainda há esta grande explosão de bandas e festivais?
Gambá: Pra ser síncero as gigs e as bandas andam um pouco devagar, eu mesmo fiz por algum tempo parte da organização de vários festivais e comecei a perceber que o pessoal não tava nem aí pro seu esforço. O quanto estávamos gastando pra tentar fazer algo legal e organizado não tinha respaldo, então resolvi dar um tempo e aconteceu o mesmo em muitas cidades da região e hoje em dia o que mais rola são fests, com muita banda tocando muito mal sons de bandas grandes, “Os Covers”, e poucas bandas com algo realmente próprio que é o que eu e os reais amantes da música extrema underground valorizam.
P.Z: Como foi a concepção do EP “Entre o poder e a força”? Ele foi gravado de forma independente, correto? Por que?
Gambá: Cara, a concepção desse EP foi muito massa, a banda estava em uma fase muito boa, todos fizeram parte das composições e estávamos bem entrosados, tanto que resultou em uma gravação ao vivo e foram feitas aproximadamente 200 copias totalmente independentes do tipo silca, grava, imprime e passa pra frente, optamos por fazer assim mais pra divulgar melhor a banda e com um custo mais baixo, e também por não ter condições de fazer um disco prensado.

P.Z: O que você acha de “Entre o poder e a força” em relação ao “Estado decadente…”, visto que ele é um trabalho mais denso e agressivo, como já pode ser visto na abertura com a paulada e força de expressão da música ‘Respeite minha natureza’?

Gambá:
Acho que a maturidade do som e das letras fizeram com que “Entre o Poder e a Força” fosse um disco mais expressivo e direto.

P.Z: Qual o motivo para o enfoque no abuso de poder e atos selvagens da polícia, tão explicito em músicas como “P.M”, “Sinfonia do medo” e “Polícia falida”?

Gambá: Primeiro, porque acredito, que como quase todos na cena já sofreram,  eu já sofri agressões e abusos por parte de policiais e não consigo aceitar que uma instituição que era para  servir e proteger seja tão escrota e banalizada, pois dizem, há policias bons e ruins, claro acredito e até conheço bons policiais dignos e íntegros. A pena é que os bons nunca vão pra rua ficam sempre dentro dos quartéis, enquanto os ruins mal remunerados e de mal com a vida saem pra rua, distribuindo violência e protegendo a elite.
P.Z: Você é o único remanescente da formação original da banda atualmente. Como é a interação com os integrantes atuais?
Gambá: É muito massa, o Deninho já está na banda há uns nove anos e é praticamente um irmão pra mim, ele está sempre agarrado em todas as nossas empreitadas e a entrada do Alexandre, que já tem uns dois anos foi uma contribuição muito grande pra evolução do som e é claro pra nossa amizade acima de tudo.
P.Z: Já faz um bom tempo desde o lançamento de “Estado decadente…”. Há planos em andamento para um novo full lengh? O que poderíamos esperar de um novo trabalho de vocês?
Gambá: Estamos trabalhando legal em sons novos para um material que devemos gravar no segundo semestre, o que podem esperar é um som mais brutal, agressivo e pesado com bastante influência de Metal, sem perder nossas raízes é claro, serão mais ou menos uns 20 sons.
P.Z: Tem rolado muitos shows ultimamente? Quais os planos para 2011?
Gambá: Os shows vão meio devagar, quanto aos planos pra esse ano, primeiramente concretizar a produção de um novo disco e retomar as atividades em relação a gigs e festivais que organizávamos e pretendemos voltar a realizar.
P.Z: Gambá, Valeu pela entrevista. Sorte e persistência para vocês!
Gambá: A Securitäte agradece pelo espaço e apoio, persistência e resistência sempre!
 
www.myspace.com/securitate

 

APOKALYPTIC RAIDS: O quarto capítulo da invasão apolíptica!

Por Écio Souza Diniz
 
Os cariocas do APOKALYPTIC RAIDS vêm subindo cada vez mais degraus neste morro íngreme chamado underground. Agora com seu quarto álbum lançado no segundo semestre de 2010, “Vol. 4-Phonocopia”, a banda vêm realizando shows bem sucedidos, além da sua recente participação em um tributo ao DISCHARGE. Leon “Necromaniac” Mansur veio até o Pólvora Zine, objetivando nos falar mais sobre este ótimo momento vivido pela banda.
 
Pólvora Zine: Leon, o APOKALYPTIC RAIDS lançou o seu quarto álbum no segundo semestre de 2010, o ótimo “.Vol.4-Phonocopia”. Como foi a composição deste disco? E a reação dos fãs?
 
Leon Mansur: Já tínhamos algumas músicas prontas desde antes do álbum anterior ao “Vol.4”, quando em 2007 tivemos uma mudança de baterista. Daí, o processo foi terminar a composição da outra metade do álbum, e a produção se estendeu entre 2009 e 2010, pois tivemos um bocado de shows e o disco foi produzido nos intervalos desses shows. O pessoal tem curtido muito o álbum. Acho que atingimos um equilíbrio, o álbum é um pouco mais direto, e ainda assim tem algumas partes mais obscuras.
 
P.Z: “Vol.4” pode ser considerado como o melhor trabalho da banda até o momento. Ele conseguiu ter diversidade de influências e estilos, ser técnico, agressivo e, sobretudo, com a marca registrada do APOKALYPTIC RAIDS. O que você acha deste álbum?
 
Leon: É, eu concordo. A estréia do Márcio Cativeiro na bateria também é um grande destaque neste álbum, ele deu o toque de agressividade. Espero que seja apenas o começo!
 
P.Z: O referido trabalho teve apoio de vários selos para sua distribuição como Hell Headbangers, Moribundo Records, Urubuz Records e Paranoid. Como tem sido a parceria com cada um deles?
 
Leon: Foi uma decisão acertada fazer essa parceria. Por um lado o álbum foi auto-produzido como de costume, mas com a ajuda dos selos que você citou pudemos nos focar nos shows e terceirizar um pouco a distribuição. Fizemos 2.000 cópias do CD, num momento em que as pessoas têm medo de prensar 500, e elas estão indo bem. Assim, creio que foi um tiro que acertou o alvo.
 
P.Z: No “Vol.4” todos tiveram um grande e primoroso desempenho como músicos, mas algo que achei interessante foi o trabalho da bateria. Acho que o Marcio Cativeiro, não só atendeu aos padrões da banda como conseguiu soar bem autêntico em relação aos outros. Você concorda com esta afirmação?
 
Leon: O Márcio tinha pouca experiência e talvez por isso mesmo resolveu provar que poderia superar nossos outros bateristas. No disco, você pode ouvi-lo fazendo várias “marcas registradas” dos anteriores, e ao mesmo tempo, colocando a marca dele, como você mesmo disse. O resultado foi ótimo! O Márcio é um cara que cobra muito de si mesmo, e isso é fundamental no APOKALYPTIC RAIDS.
 
P.Z: Após o lançamento do novo álbum, você realizaram uma bem sucedida Tour sul-americana ao lado do DOMINUS PRAELI. Conte-nos como foram esses shows. E como foi a recepção em cada país? Algum marcou mais que os outros?
 
Leon: Nós precisávamos, depois de tudo que aconteceu nos últimos anos, botar a banda na estrada. E foi exatamente isso que aconteceu. Claro que foi um aprendizado, muitas vezes traumático. Tem sempre fatores de atrito no palco e fora dele. Mas o que faz uma banda é como você resolve isso, supera e faz os melhores shows. Foi isso que nós fizemos, os melhores shows. Tocamos por todo o Brasil, depois fomos para Bolívia, Peru, Equador e Colômbia, e olhando pra trás, apesar de todas as noites mal dormidas na estrada, apesar de todos os imprevistos que possam acontecer, nos superamos e estamos mais fortes do que nunca.  A Colômbia foi particularmente interessante, pois passamos mais tempo lá e fizemos mais shows lá, foram cinco datas ao todo. Talvez seja, dos países que visitamos, o mais parecido com o Brasil. Os bangers sul-americanos em geral conhecem mais bandas brasileiras do que a média dos brasileiros, chega a impressionar. Claro que a recepção no Nordeste do Brasil foi bastante calorosa, foi a nossa segunda vez, e foi excelente apesar da correria. Não vemos a hora de ir pra estrada de novo.
 
P.Z: De alguma forma, esta bem sucedida Tour tem facilitado a possibilidade de uma excursão pela Europa?
 
Leon: Claro. Eu quis primeiro por à prova a formação nova no Brasil, depois América do Sul e agora o caminho natural é a Europa. Em breve, teremos boas notícias.
 
P.Z: Uma estratégia legal no novo álbum, foi a inclusão secreta de um cover visceral para ‘Crucifiction’, do HELLHAMMER. Como surgiu esta idéia?
 
Leon: Bom, em 1984 eu estava…Ei, fazer covers do Hellhammer é meu feijão com arroz !!! Nunca me canso! (Risos).
 
P.Z: Eu sei disso, essa pergunta foi proposital mesmo. (Risos).
 
P.Z: Já iniciando 2011 com o pé direito, vocês também estão participando com a música ‘Decontrol’, de um tributo nacional ao DISCHARGE que também conta grandes nomes da cena punk/H.C como AÇÃO DIRETA, LOBOTOMIA, ARMAGEDON, TERROR REVOLUCIONÁRIO, entre outras. O que representou para vocês participarem deste tributo? E o que as pessoas têm achado da boa atuação de Marcio Cativeiro no vocal em ‘Decontrol’?
 
Leon: Eu sempre tive uma ligação com o Punk/HC. Entre nossas influências sempre cito CRUDE SS e ANTI CIMEX. Então foi tudo muito natural. Talvez pelo fato do Márcio também ter um background de HC/Grind/Death, rolou um encontro dessas influências que agora as pessoas estão notando, mas que estavam lá o tempo todo. Gostei dos vocais dele nesta música. Agora que temos três vocalistas na banda, quem sabe o que poderemos fazer? (Risos).
 
P.Z: Como será a distribuição deste tributo?
 
Márcio Cativeiro: O CD será distribuído pelos seguintes selos: Moribundo Records (RJ), Marcio Cativeiro, da banda APOKALYPTIC RAIDS; Ultraviolence Records (SP), Índio, integrante da banda RESTO DE FEIRA ; Discórdia Records (DF), Fofão, da banda BESTHOVEN; banda MASSIVE ATACK, Glauco, da banda DEATH FOM ABOVE; banda TWO BEER OR NOT TO BEE (GO); Segundo, da banda CORJA; banda TERROTTEN, Renan, Bombardeio records (SP) e Gepeto da banda AÇÃO DIRETA.
 
P.Z: Dá a impressão que “Vol.4” deu um prenúncio da participação de vocês neste tributo, pois no mesmo, a música ‘The unquiet grave’, tem uma ótima pegada Punk. Houve alguma premeditação neste sentido?
 
Leon: Não, foi tudo de forma natural, como eu disse, e inclusive eu compus ‘The Unquiet Grave’ em 2003. A idéia era um lance meio VENOM. Ela começou a ser ensaiada ainda pela formação do segundo álbum. O fato foi que só a gravamos agora.
 
P.Z: Fora tudo que está rolando, e o ótimo momento pelo o qual a banda está passando, quais os demais planos para 2011?
 
Leon: Agora vamos fazer algumas datas por São Paulo em maio, estamos agendando. No segundo semestre, talvez continuemos pela outra metade da América do Sul e agendando Europa também. Além de tudo isso, estamos relançando nosso material em vinil também. Esses são nossos projetos para os próximos anos, até o álbum seguinte.
 
 
 
 
 

ÁGONA: Evolução essencial!

Por Écio Souza Diniz
 
Nos anos 80, nosso país foi a cede de uma explosão de bandas inovadoras no Heavy metal, sobretudo nas vertentes mais extremas do estilo. Não restrito a isto, ainda somos contemplados com bandas de qualidade e com aspectos diferenciais. A carioca ÁGONA é uma forma de situar-nos no que estou dizendo, pois calcado em um som extremo, com elementos diferenciais, forte pegada e até mesmo face inovadora, ela vêm difundindo seu som e recebendo boa aceitação do público. Deste modo, para nos falar sobre a proposta musical da banda e muito mais, convidamos o baixista Rafael Ferraz e o vocalista Alan Muniz para bater um papo conosco. Acompanhem!
Pólvora Zine: Primeiramente, gostaria que nos falassem como surgiu a banda?
Rafael Ferraz: A banda começou no ano de 2005, formada por Alan Muniz (vocal) e Vinicius Bhering (b), logo no ano seguinte eles convidaram o Leonardo Milli (g) e a mim para entrar na banda.
P.Z: Pouco tempo após a sua formação, a banda se estabilizou com uma formação que se mantêm até hoje. Como é a interação entre vocês para tornar o convívio duradouro. Todos colaboram nas composições?
Alan Muniz: Quase sempre na medida certa entre responsabilidade e diversão (risos). Acho que uma das coisas que nos mantêm bastante unidos é o fato de antes de ser o ÁGONA, já éramos todos amigos de colégio, e isso faz um longo tempo. Eu diria que somos quatro pessoas de personalidades bem distintas e fortes, mas o convívio e a amizade nos mantêm firmes. A maioria das músicas são feitas diretamente em conjunto, trabalhando no estúdio. As letras é que em sua maioria são feitas individualmente e discutidas depois.
P.Z: Após apresentar a banda à cena por meio da demo “Semente”, vocês lançaram um Web single, intitulado “Karma”, um trabalho agressivo, um tanto cru, porém bem estruturado. Como foi a recepção das pessoas à “Karma”?
Rafael: Foi sensacional lançar o “Karma”, as pessoas ainda não tinham uma idéia de como era o ÁGONA lançando um material maior que um Single. A recepção foi muito boa, até hoje o público pede as músicas nos shows.
P.Z: Atualmente, vocês estão divulgando o EP “Essencial putrefação”, que vejo como o melhor trabalho da banda até o momento, além de algo novo em termos de Metal. Nele vocês atingiram tanto um bom nível tanto em composição quanto na parte lírica, pois é um trabalho pesado, com bons timbres vocais, técnica na medida correta, e adição até de partes mais progressivas/atmosféricas e elementos sinfônicos. Tudo isto é algo que muitas bandas fazem, mas vocês conseguiram fazer soar bem autêntico. Como foi o processo de composição deste disco?
Rafael: Assim que lançamos o “Karma” marcamos uma pequena tour de divulgação durante todo o ano, e com isso conciliamos os shows com os ensaios e as sessões de gravação do nosso EP. Ficamos o segundo semestre todo nesse circuito, sem parar nem um dia.
Sobre a composição, apresentamos nossos riffs e assim vamos montando as músicas. O fato do nosso som ser autêntico é um processo natural, 95% do que levamos ao estúdio de gravação não sofre mudança nenhuma.
P.Z: A arte gráfica também é algo que chama a atenção, e foi algo bem elaborado em “Essencial putrefação”, desde a capa ao encarte com as letras. Quem é o responsável por esta parte na banda? O que essas artes representam pra vocês?
Alan: O processo artístico é do nosso irmão Raphael Gabrio, baixista do FORCEPS. Mas a idéia atrás da ilustração foi feita em parceria, onde tentamos de uma forma bem simples mostrar o que é nosso conceito de “Essencial Putrefação”, a decadência do ser humano e seu apodrecimento, afetando toda vida existente. E se vocês repararem, a capa do “Karma” faz parte do “Essencial”.
P.Z: Bem lembrado. A propósito foi uma sacada bem feita essa.
P.Z: A temática das letras também são diferenciais, pois atingem um nível filosófico emocional profundo, abordando a regressão da mente humana, sobretudo no os pensamentos se traduzem em ações e as conseqüências disso na vida de todos nós. Qual a reação das pessoas a essa postura ideológica da banda?
Alan: Eu diria que com o reconhecimento que já temos e o interesse das pessoas nas nossas letras, a reação é a melhor possível. Escrevemos para que as pessoas tenham seus tempos de reflexão e meditação, há um propósito em cada sílaba, e para nós é maravilhoso quando alguém quer se aprofundar na nossa ideologia ou questioná-la.
P.Z: Em “Essencial putrefação”, o andamento do set list é bem interessante, pois se inicia com a pedrada de ‘Caminhos fechados’, segue para um lado mais cadenciado em ‘Floresta de cadáveres’, atinge um nível rápido em ‘Destino de sangue’, migrando para uma atmosfera mais progressiva e sinfônica em ‘Frio’, que dá a vez a um ar atmosférico e misterioso de ‘Karma’, que é uma introdução para o fechamento com a poderosa ‘Ianuarius’. O que acham desta cronologia? Foi algo que ocorreu proposital ou naturalmente?
Rafael: Como eu disse antes, tudo ocorre de forma muito natural dentro do Ágona. Achamos legal abrir o disco com a ‘Caminhos Fechados’ por que como dizem, ela é um “tapa na cara” (risos). A ‘Floresta de Cadáveres’ e a ‘Destino de Sangue’ inicialmente era pra ser uma música só, mas resolvemos separar e por isso estão juntas no EP, e podem ver que tem uma junção entre elas. A ‘Frio’ como você falou, transmite mais o nosso lado progressivo, resolvemos colocar antes da ‘Karma’ até pelo clima das 2 músicas. E resolvemos colocar um single para fechar o EP, então escolhemos a ‘Ianuarius’ que foi a música que liberamos na internet antes do lançamento.
P.Z: No geral, como tem sido o saldo deste disco para vocês?
Rafael: Melhor impossível, é um disco que abriu muitas portas para o ÁGONA e nos ensinou muitas coisas. No momento colocamos ele para download, quem quiser baixar basta acessar: www.mediafire.com/?i527oamb20c9ohu
P.Z: Vocês têm recebido alguma proposta para tocar aqui em Minas?
Alan Muniz: Por enquanto só chamados não oficiais, sem confirmação. Mas eu gostaria de ressaltar que já tocamos em Belo Horizonte duas vezes e foi surpreendente a reação do público, esperamos voltar logo e mostrar toda brutalidade do ÁGONA!
P.Z: Quais são os demais planos por agora, fora a divulgação de “Essencial putrefação”?
Alan: Estamos em pré-produção do nosso primeiro CD e agendando mais shows. Em breve, todos vão poder acompanhar os passos dessa pré-produção e quanto ao material que vai nascer só posso adiantar uma coisa: espero que todos estejam preparados.
P.Z: Valeu pela entrevista. Boa sorte pra vocês nesta jornada!!!
Alan: Muito obrigado pelo espaço! Abraços fraternos!
Rafael: Nós que agradecemos! Quem quiser entrar em contato conosco é só mandar um email para agonaofficial@gmail.com e para ouvir o nosso WebSingle e nosso EP basta entrar nos seguintes links: www.facebook.com/agonaoficial  ou www.myspace.com/agonaoficial. Abraços e nos vemos por ai!

MUQUETA NA OREIA: Lobisomens, monstros e Rock and roll!

Por Écio Souza Diniz
Ataques de lobisomem em noites de lua cheia, cemitérios, monstros, mortos-vivos e uma postura bastante Rock and roll para falar de uma forma descolada sobre tudo isso. Estas são as características da banda MUQUETA NA OREIA, oriunda de Embu das Artes (SP), que têm ido de encontro ao gosto dos bangers em shows cheios de energia e com bom humor. Para nos falar mais sobre esta curiosa banda, convidamos os seus membros para virem ao Pólvora Zine. Tomara que a lua não esteja cheia!!!
Pólvora Zine: Como surgiu a idéia de montar uma banda neste estilo?
Todos temos como principal influência o Metal e sempre buscamos fazer alguma coisa diferente. Então quando nos juntamos, vimos que estávamos criando coisas interessantes, e com o tempo isto foi deixando de ser somente hobby e se tornou um trabalho sério.
P.Z: A abordagem sobre monstros e mortos-vivos é uma temática que não circulava com muita freqüência no mundo Metal/Rock já a algum tempo. Os caras do MISFITS ficaram conhecidos como uma grande banda de punk horror, por abordar este estilo também atrelado a roupas de couro, spikes e corpse paint. Visto o fato que vocês além do estilo tem uma levada meio punk nas músicas, há alguma influência desta banda para os membros da MUQUETA?
Tudo que ouvimos de certa maneira influencia quando vamos nos expressar, com certeza gostamos do MISFITS, mas não é uma das principais influências. Talvez METALLICA, PANTERA e SEPULTURA sejam as bandas que mais nos inspiraram a compor nossas músicas. Porém as letras saem de forma natural, de acordo com o que a gente vê, lê e vive no dia-a-dia.
P.Z: Logo em 2008, vocês lançaram um videoclipe para a música ‘Lobisomem em lua cheia’, que viria a compor o debut álbum auto-intitulado. Como foi a recepção do público de Metal e Rock and roll à proposta da banda?
Insana ! Não só os bangers, mas o público do rock em geral tem nos apoiado muito em nossa caminhada. Quando lançamos o videoclipe a coisa cresceu de tal forma que fomos até surpreendidos, foi aí que nós vimos que estávamos no caminho certo.
P.Z: Vocês concordam que as letras em português ajudaram a dar um ar especial e mais empolgante para as músicas?
Com certeza. Nós valorizamos nosso povo, nossa cultura, a arte feita com sangue e suor. Acho que a galera acaba sentindo isso e se identificando com a pegada da MUQUETA NA OREIA.
P.Z: Foi lançado outro videoclipe em 2009, desta vez para a música ‘O rosto’, com bons efeitos de computação gráfica. Alguém na banda trabalha com isto? Qual foi o respaldo deste clipe na mídia e perante as pessoas?
Temos a sorte de ter ao seu lado amigos e familiares muito competentes em suas profissões, artistas plásticos, desenhistas, designers, cantores, fotógrafos. Enfim, essas pessoas fazem parte da família MUQUETA, e devemos muito a elas.
O clipe “O Rosto” foi produzido pela banda em parceria com o estúdio de animação gráfica Infinity 3D. Este clipe abriu muitas portas pra gente! Até quando fomos entrevistados na EXPOMUSIC 2010 no estande da Revista 77, o Derrick Green (SEPULTURA, MÚSICA DIABLO) e o Ricardo Brigas (MÚSICA DIABLO) pararam pra assistir o vídeo e depois elogiaram muito nosso trabalho. Ficamos muito honrados.
P.Z: Além de boas músicas e clipes, vocês têm um site próprio, bem completo. Isto deve ter chamado mais a atenção das pessoas, mostrando o empenho de vocês como banda, correto?
Procuramos fazer tudo com muito profissionalismo. Ser independente não é ser amador. Pelo contrário, para seu trabalho ser reconhecido de forma independente requer muito mais determinação e atitude.
P.Z: O debut álbum da MUQUETA NA OREIA, “Lobisomem em lua cheia”, saiu em 2010, e vem tendo boas críticas pelo que vejo. Como foi a concepção deste trabalho? E as lutas para fazer acontecer? Este álbum foi lançado de forma independente, certo? Por que exatamente lançá-lo assim?
Temos recebido muitas críticas positivas do CD, isso é muito gratificante, porque fomos nós mesmos que produzimos. Foram meses de estudos e testes, sem contar os investimentos. Mas valeu muito a pena. E com certeza iremos fazer isto novamente. Lançamos o CD de forma independente por falta de opção.
P.Z: A arte da capa e encarte também são bem feitos. Quem foi o responsável por esta parte?
Foram os irmãos do Cris (baixo), o Glaúcio Santos é desenhista profissional e criou o Lobisomem, e o França é designer gráfico e elaborou nosso site e o encarte do CD. Como dissemos, temos sorte de estar cercados de excelentes profissionais.
P.Z: Vocês saíram duas vezes na Revista 77 (que consta com Paulo Xisto do SEPULTURA como parte do corpo editorial). Como se deu esta participação e o que isto representou para vocês, tanto musical quanto pessoalmente?
A Cassiana e o Renatão, que são os outros editores da revista, viram nosso videoclipe na internet e entraram em contato conosco. Quando recebemos o email achamos que era alguma brincadeira, mas era verdade. Foi sensacional participar do CD coletânea ao lado do MOTORHEAD, HELLOWEEN, ANTHRAX, INOCENTES e depois com o SEPULTURA E MÚSICA DIABLO. A proposta da revista é inovadora, unir o underground e o mainstream na mesma publicação.
P.Z: Eu vejo que vocês investem mais em riffs marcantes do que solos virtuosos. Por que exatamente fazem desta maneira?
É a música que pede. Às vezes ela quer um solo mais técnico, às vezes mais sujo, ou mais melódico e às vezes ela não quer. Sempre respeitamos a música.
P.Z: Diante do som que vocês mandam, como o público reage quando tocam músicas mais pesadas de outras bandas, como ‘Territory’ do SEPULTURA?
Da mesma forma. Muitas vezes somos surpreendidos com o público pedindo pra tocar nossas músicas ao invés de cover. Acho que é pelo fato de fazermos um som pesado em português.
P.Z: Além da promoção do álbum, quais são os demais planos por hora? Há convites para tocarem aqui em Minas?
Nossa meta até o fim do ano é continuar a fazer shows pelo Brasil e compor material novo para o próximo CD.
P.Z: Valeu aí entrevista, sucesso para vocês!!!
Nós é que agradecemos o espaço e pelo apoio, não só ao MUQUETA NA OREIA como ao Metal brasileiro. Valeu !  
 
 
 
 

HOLOCAUSTO: No front do Metal de Guerra!

Por Écio Souza Diniz

Considerada uma das bandas mais polêmicas na época áurea do Metal Extremo em Belo Horizonte, o HOLOCAUSTO ainda se mantém na ativa, sendo criador do estilo War Metal, que tem um diferencial de todas as bandas da atualidade de estilo semelhante. A história desta banda é mais um dos bons exemplos de movimento vanguardista em nosso país. Temos aqui, para nos falar mais sobre as atividades da banda, como também fatos marcados no campo de batalha do underground durante o tempo, os integrantes atuais da banda: Rodrigo Führer (Bateria/vocal), Anderson Guerilheiro (Baixo/vocal) e Valério Exterminator (Guitarra/vocal). Sigam-nos ao front!

Pólvora Zine: Olá, como vão? O HOLCAUSTO já está com mais de 25 anos de história, sendo um dos bons exemplos de pioneirismo no Metal nacional. Como tem sido estes longos anos de estrada? O que lhes passa pela cabeça quando olham para trás, e pensam sobre o momento atual da banda?
Valério Exterminator: é uma honra pra mim ter fundado a banda, e mesmo tendo saído dela por desentendimentos, poder voltar e recuperar a amizade dos integrantes originais, reencontrar antigos fãs e fazer novas amizades é algo gratificante. Então o que realmente tem importância, é que o Holocausto apesar de ter em minha sincera opinião cometido equívocos ao lançar certos álbuns (“Tozago As Deismo” é um exemplo), retornou às suas origens: a agressividade do Hardcore aliada aos riffs do Thrash, temática de Guerra e cantando em português.
P.Z:  De fato, o que mais motivou o retorno das atividades? E o que vocês acham do retorno de importantes bandas de Metal do Brasil, formadas na mesma época o HOLOCAUSTO?
Valério Exterminator: o que motivou foi a certeza de que os integrantes originais unidos, poderiam voltar às origens do Holocausto. Quanto ao retorno de importantes bandas, vejo como um resgate daquilo que de melhor rolou nos anos 80. Com certeza todos os integrantes das bandas retornaram porque continuam acreditando que a união consciente faz a diferença.
P.Z: Voltando no tempo, o “Campo de extermínio” foi um trabalho que casou um forte impacto na época em que foi lançado. Vocês tinham noção que a abordagem sobre guerra e nazismo que o constituem, faria com que ele tivesse a repercussão que tem até hoje?
Valério Exterminator: Sempre tivemos muita personalidade, escrevíamos letras sobre guerra enquanto o mundo Metal escrevia sobre demônios. Também fazíamos letras em português, enquanto outros acreditavam que somente conseguiriam repercussão com letras em inglês.
A repercussão que tivemos, creio eu, é devido à realidade de uma guerra, as conseqüências deixadas na humanidade etc. Eu não estou certo da existência do Demônio, eu estou certo da existência do mal nos seres humanos.
P.Z: Se pararmos para pensar até mesmo hoje em dia, por mais difuso e diverso que o Metal seja, o HOLOCAUSTO ainda é singular no estilo de tocar em relação as outras bandas. Vocês concordam com isso?
Valério Exterminator: TOTALMENTE. Minha explicação é essa: eu não sou um guitarrista de qualidade, eu sou o guitarrista do Holocausto. Nunca houve e nem haverá um guitarrista que componha exatamente para o som que o Holocausto nasceu para tocar. Eu não consigo tocar música de nenhuma outra banda, por 2 motivos: incapacidade técnica e meu tempo é destinado ao Holocausto. Meus riffs que desde o ano de 1985 foram criados com simplicidade, agressividade e muita originalidade, e se mantém até hoje como uma prova, de que a personalidade é marca presente na história do Holocausto. Isto, desde que os integrantes originais estejam no front de guerra.
P.Z: Na época do “Campo de extermínio” há uma história, inclusive relatada no documentário “Ruído das Minas – A história do Heavy Metal em Belo Horizonte”, de que integrantes de uma facção fascista, se não me engano do Rio, teria contactado vocês para aderirem a causa deles. Como se deu realmente este fato? Vocês devem ter tido uma grande surpresa com isso, não?
Valério Exterminator: naquela época, recebíamos muitas, muitas cartas todas as semanas. Entre essas cartas havia uma escrita no remetente: “Frente Nazi Facista”. Abrimos e então tomamos consciência do que se tratava. Eles elogiavam nossa postura (obviamente devido às suásticas nazistas e etc.) e nos convidavam para entrar na FNF. Então respondemos que não estávamos fazendo apologia ao nazismo, mas sim usando os fatos acontecidos na humanidade como temática, e com o propósito de mostrar à humanidade como cada um tem de responsabilidade por tudo que acontece seja no oriente ou no ocidente.
P.Z: Em 1988, no álbum “Blocked minds”, já com a formação modificada com Anderson (Vocal), Rodrigo (bateria) e Rodrigo da Costa (Guitarra), a banda mostrou uma grande mudança na sonoridade, deixando de lado o aspecto cru e extremamente agressivo, e executando um som mais técnico numa linha Heavy metal, com vocal limpo. Por que exatamente, vocês decidiram conduzir este redirecionamento? E como foi lidar com a situação de muitos dos fãs mais ardorosos, torcerem o nariz para esta mudança?
Valério Exterminator: eu jamais participaria de algo parecido.
Anderson Guirrilheiro: eu participei desse projeto. Com a mudança de guitarrista com certeza também mudaria o estilo, pois cada guitarrista tem o seu próprio jeito de tocar. Assim, resolvemos tentar, limpamos o vocal, o que trouxe muita repercussão na época, mas com o tempo algumas bandas fizeram o mesmo, inclusive o VOIVOD que também mudou seu estilo e vocais. Eu particularmente gosto muito desse álbum, hoje poderia colocá-lo um pouco mais agressivo.
P.Z: Eu acredito que a capa de “Blocked minds” foi adotada, pensando em representar o trauma psicológico causado em pessoas que estão condenadas a morrer por uma causa em vão. Foi isto mesmo que vocês quiseram passar?
Anderson Guerrilheiro: um pouco disso e ainda mentes bloqueadas pela visão geral do sistema, assim como hoje em dia, o sistema corrupto nos comanda em todos os setores, e grande parte da mídia faz com que as pessoas enxerguem o que eles querem na verdade, ou seja, a sua verdade.
P.Z: A mesma linha musical adotada em “Blocked minds”, se repetiu no seu sucessor, “Negatives” (1990), já contando somente com Rodrigo como membro original. Pelo fato, de o público esperar um retorno ao estilo inicial da banda, houve maiores dificuldades dentro da cena?
Anderson Guerrilheiro: Nessa fase não tinha mais na banda nem eu e nem o Valério, aí não da pra responder o que se passou.
P.Z: O álbum “Trozago As Deismo” (1993), é o mais diferente de todos os discos do HOLOCAUSTO, composto por elementos mais progressivos. O que vocês acham deste trabalho? Vocês o gravaram com objetivo de experimentação musical propriamente dita?
Valério Exterminator: eu jamais participaria de algo parecido.
Anderson Guerrilheiro: acredito que realmente foi uma experimentação, e talvez até uma maneira de cortar o cordão umbilical com o Metal na banda, através dos seus integrantes.
P.Z: O que vocês acharam da iniciativa na criação do documentário “Ruído das Minas”?
Valério Exterminator: Sartoreto e sua tropa foram de uma felicidade extrema na escolha do tema para conclusão do curso. Todos que falam sobre o documentário, fazem elogios e agora espero que ele possa ser legendado, para que o público de fora tenha este belíssimo documentário. Também tenho certeza de que isso fortalece o Metal de BH.
P.Z: Falando agora da nova fase da banda, vocês retornaram à ativa em 2005, lançando o ótimo “De volta ao front”, que remonta o estilo agressivo de tocar, letras em português e vocal urrado/gutural/rasgado, além de uma perfeita combinação de H.C. e Thrash metal, mais evidente até do que no “Campo de extermínio”.  A abertura com a porrada de ‘Miséria humana’, a inspiradora ‘Resista’ e a furiosa ‘Ilusão armada’, são só alguns exemplos, da qualidade do trabalho e a evolução de vocês como compositores. Qual o saldo deste trabalho para vocês? E como foi a reação dos fãs, sobretudo os antigos, com este lançamento?
Valério Exterminator: priorizamos o Hardcore nesse CD, ou melhor o “Warcore”. Eu dei este nome ao estilo da banda neste CD. Nos vocais, uma diferença foi que passei a cantar fazendo uma voz mais Hardcore, e o Guerrilheiro também usou um estilo mais Hardcore de cantar. As bases foram mais voltadas para o estilo Hardcore, e isso tem uma explicação simples: fiquei 16 anos sem pegar em uma guitarra, não conseguiria tocar os riffs do estilo WAR METAL, pela velocidade e mudança nos tempos musicais, tanto é que somente depois de muitos meses ensaiando é que começamos a tirar as músicas do “Campo de extermínio”. O saldo foi muito bom para os integrantes. A reação dos fãs trouxe de um lado a certeza que a agressividade da banda estava resgatada, e de outro alguns achando muito Hardcore e menos WAR METAL, o que eu concordo 100%. Os antigos fãs e os novos tiveram a mesma percepção.
Anderson Guerrilheiro: eu particularmente também gosto deste álbum, não tocávamos a muitos anos e foi feito bem no estilo brasileiro de gravar, tudo em apenas uma semana.
P.Z: Como é e como anda a divulgação da banda no exterior? Há possibilidade de uma Tour fora daqui?
Valério Exterminator: o HOLOCAUSTO não é uma banda de bastidores. O nosso direcionamento está voltado para a criação das músicas e shows. Ainda nos falta um compromisso profissional com a banda, nos sentimos amadores fazendo aquilo que mais amamos. Mas acredito que em 2011, daremos uma atenção à divulgação da banda. Temos recebido e-mails nos convidando para shows pela Europa e América do Sul, mas o objetivo é nos estruturar, gravar um novo trabalho, fazer um novo site, refazer o myspace, fazer muitos shows no Brasil. Assim, estaremos preparados para uma Tour fora do país.
P.Z: O HOLOCAUSTO retornou mesmo com força total, participando de entrevistas, documentário e também com o site da banda (em Português e Inglês) no ar. Há planos em andamento para um novo álbum? E os planos para 2011?
Valério Exterminator: na realidade, eu estou gravando no estúdio, já a alguns meses, as guitarras guias das músicas do “Diário de guerra” (totalmente War Metal). Paramos um pouco porque tivemos dois shows, mas no final de janeiro retornaremos ao estúdio e espero que o CD possa sair ainda no 1º semestre. Estamos aguardando a Cogumelo lançar uma edição especial limitada do “Campo de extermínio” em CD e com o DVD do show de 1987 em Santos, com a formação que gravou este álbum.
P.Z: Obrigado pela entrevista. Vitória para vocês nessas novas batalhas.
Valério Exterminator: agradeço ao espaço, é sempre prazeroso falar daquilo que mais amamos.
Anderson Guerrilheiro: agradecemos a todos e força ao metal!Mais informações:

http://www.holocaustowarmetal.kit.net/

HARPPIA: Em altos voos!

Por Écio Souza Diniz
Um dos nomes pioneiros no Heavy Metal brasileiro, a banda HARPPIA teve um papel de suma importância nos explosivos anos 80. Agora no século 21, a HARPPIA se mantem na ativa, alçando ainda grandes voos e dando continuidade ao seu legado. Temos aqui conosco o baterista Tibério Luthier, que nos fala por meio desta, fatos marcantes na história da banda. Voem conosco rumo ao Metal!
Pólvora Zine: Olá Tibério, vamos começar voltando ao início de tudo. Como surgiu a HARPPIA?
Tibério Luthier: A HAPPIA, foi formada por Jack Santiago e Hélcio Aguirra, juntos chamaram Marcos Patriota, que chamou seu primo Ricardo Ravache, que tinham acabado de sair da banda AEROPLANO, da qual eu também fazia parte. Na época (1982), eu resolvi parar de tocar, me sentia velho e cansado, afinal comecei muito cedo: com meus 16 anos. Assim, não deu muito tempo, Ricardo veio a minha casa e disse que eu precisava conhecer a banda em que ele e o primo tinham entrado, pois era a minha cara, e não estavam satisfeitos com o batera da época. Eu fui na Praça do Rock , que estava começando a vingar. Quando assisti a banda já me vi dentro, pois eles sabiam o quanto eu gostava de BLACK SABBATH e eu não conhecia JUDAS, mas adorei quando me mostraram. Na semana seguinte, eles foram em minha casa e gravaram separado (cada um em um canal) em uma mesa de quatro canais que eu tinha, e me pediram para colocar a bateria. Nós chegamos a ensaiar sem o baterista saber, pois ainda tinham dois shows para serem feitos. Bem, para encurtar: 15 dias depois, chega o Hélcio com a proposta da Baratos a Fins de gravarmos duas faixas na coletânea que iria lançar, a “SP METAL”. Falei para ele conversar melhor com o Luiz Calanga,  pois o mesmo dizia que a HARPPIA era sua banda favorita, e deste modo, por que não gravarmos um LP inteiro? Ele gostou da idéia e assim gravamos o EP “A Ferro e Fogo”.     
P.Z: A HARPPIA é uma das pioneiras do Heavy Metal nacional. Fale-nos melhor como era a cena naquela época. Vocês faziam ideia da importância que estavam tendo e do legado que estavam construindo?
Tibério: Pra falar a verdade, eu e os primos Ravache e Patriota, vínhamos de uma banda de Rock tradicional, e não sabíamos do movimento até irmos a Praça do Rock, que como já disse estava começando. Depois que entrei na banda, é que pude ver a importância que tinhamos dentro do movimento, pois era uma porrada de garotos batendo cabeça, os famosos “Metaleiros” na época.
P.Z: Atualmente, há diversos companheiros de vocês que retornaram como SALÁRIO MINÍMO e METALMORPHOSE. Eu acho que tais retornos são de uma grande importância, para resgatar e fortalecer sempre mais a essência do Metal brasileiro. O que você nos diz a este respeito?
Bem como todos sabem (os fãs da HAPPIA), desde que entrei para a banda vesti a camisa mesmo e estou à 25 anos batalhando Por causa das bandas cheguei até mesmo a acabar com um de meus casamentos. Mas, tem gente que acha que paramos algumas vezes, o que não é verdade, a verdade é que a HARPPIA, sempre teve o cuidado não tocar em qualquer lugar, e sim em lugares que pudéssemos dar um grande show para os fãs jamais não esquecerem.
P.Z: O lançamento do primeiro EP da banda, “A ferro e fogo”, teve uma enorme repercussão por todo o país. O set list impecável composto pelas instrumentais inspiradas ‘Harpago’ e ‘Incitatus’, as clássicas e marcantes ‘Salém’ e ‘A ferro e fogo’, e as enérgicas ‘Náufrago’ e ‘Asas cortadas’, fala por si próprio. Você concorda que a banda toda estava em um momento de grande interação, quando lançaram este trabalho?
Tibério: Como já disse antes, na hora que escutei a banda, cai duro, pois era a melhor que eu tinha visto na época, tanto que entrei de cabeça para colocar a bateria em cada música (Algumas pessoas não conhecem como eram as batidas de bateria antes de mim, e acham que entrei de sopa. Há gravações anteriores à minha entrada, basta ouvirem e irão ver a diferença). 
P.Z: No segundo trabalho, “7”, notamos a HARPPIA já com uma evolução em termos de composição, explicita na maior acessibilidade do trabalho a públicos maiores. Esta acessibilidade se deve a algumas pequenas mudanças, como um flerte maior com o Hard rock, visto em ‘AIDS’, ‘Balada’ e ‘Voz da consciência’, além do vocal mais melódico de Percy Weiss. Isto tudo foi algo intencional ou natural?
Tibério: Nesta época eu já estava à frente da banda, pois logo após gravarmos o disco, aconteceram coisas bobas ao ponto de cada um sair para outros trabalhos, deixando a HAPPIA. Foi aí que eu disse que eu não sairia e continuaria, e o único que ainda ficou foi o Hélcio. Mas ele também logo saiu, pois, estava curtindo mais a outra banda na qual estava, que viria a ser o GOLPE DE ESTADO. Sendo assim, fui buscar outro ex-AEROPLANO, Flávio Gutock (um bom guitarrista), e chamei também, Fillippo Lippo (guitarra, ex-MAD BRASIL), Percy Weiss (Vocal, que na época estava em um projeto solo) e Claudio Cruz (baixo, ex-dono do Rainbow  Bar, que só veio a sair por causa de doença, 22 anos depois). As músicas foram compostas por pessoas que vinham do  Hard roc, então era natural que os temas soassem diferentes.
P.Z: Ao comparar “A ferro e fogo” e “7”, qual você apontaria como o melhor e por quê?
Tibério: O primeiro vai ficar na história, mas o segundo teve problemas que poucas pessoas sabem: no dia das fotos da capa, Flávio sofreu um acidente de carro e estava em coma na hora das fotos ( por isso a dedicatória do disco pra ele, e a sua guitarra à frente nas fotos). Graças ao bom Deus  ele se recuperou, mas teve que ficar de cama por mais um ano, e por amizade resolvemos não tocar enquanto ele não se recuperasse, e assim foi; a Rock Brigade, que contratamos para a distribuição, não fez o trabalho que deveria ter feito, então muito poucas pessoas tiveram acesso ao LP, pois o mesmo só foi lançado fora do país  em CD, com três bônus  ao vivo.   
P.Z: Qual foi o maior motivo para a banda ter cessado as atividades após o “7”, voltando em 1995?
Como expliquei antes, não cessamos as atividades, só esperamos o Flávio poder tocar novamente.
P.Z: Em 1997, vocês lançaram o álbum “Harppia’s flight”, o maior sucesso da banda até então, muito conhecido na Asia e Europa, por meio de grandes e viscerais músicas como ‘Army of the strangers’, ‘Hidden wisdom’ e ‘Last chance’. Como foi o processo de composição dele? Você acha que hoje ele atinge o status de clássico tanto no Brasil como fora dele?
Tibério: Neste CD também aconteceu o que não esperávamos, pois após a recuperação do Flávio, fizemos vários shows, e fomos convidados pela Rede Globo para sermos os “Menudos do Heavy Metal”, pois pretendiam investir no Metal nacional e o lançamento seria no Rock in Rio. É só ver que naquele ano, no primeiro dia faltou uma banda, que seria a nossa; para isso tivemos que ensaiar por mais de seis meses com a supervisão de uma equipe deles, e na época iríamos ser os apresentadores de um programa chamado Babilônia, que acabou sendo só piloto e não foi em frente; chegou até a ser transmitido um com a RITA LEE e outro com INIMIGOS DO REI, do Rio de Janeiro. Bem, a historia é muito longa e nem gosto muito de lembrar, mas sei que acabamos cada um indo para um lado, sem ao menos acabar a banda. Com o tempo, resolvemos nos reunir para gravar o disco da banda LINX, que na verdade era eu, Flavio, Juary e outros amigos. Após um tempo, Cláudio (baixo), eu e o Marquinhos (guitarra), que estávamos só brincando de tocar, acabamos fazendo as músicas desde disco, mas era só instrumental, ai veio o Bonzo e perguntou se estávamos precisando de vocal. Deste modo, demos a fita k7 pra ele e dissemos que teria uma semana pra colocar as letras e gravar as vozes. Assim foi feito, e um amigo em comum ouviu e me pediu uma cópia Dias depois veio com uma proposta de gravar, só que teria que ser em inglês, pois a gravadora queria investir no mercado externo Como para nós foi uma brincadeira topamos.
Por incrível que possa parecer, o álbum “Harppia s Flinght”  é mais conceituado lá fora do que o “A Ferro e Fogo”.  
P.Z: Algo interessante em “Harppia’s flight”, é o fato de as músicas que compõe o set list terem versões playback instrumental. De onde partiu esta ideia e qual é a sua finalidade?
Tibério: Partiu de estar de saco cheio de vocalistas que se acham deuses. No entanto, do playback  não foi tirada somente a voz, foi remasterizado e se ouvirem com atenção, notarão que é bem diferente do que as músicas com a voz. E no caso de trocarmos de vocal, não temos que ficar horas passando as bases feito bobos para eles, eles que treinem com o CD (Risos).
 P.Z: Falando em trabalhos da banda, há um projeto para lançar um novo álbum que será chamado “Harppia’s flight 2”. O que podemos esperar dele musicalmente? Há previsão de quando ele deve sair?
Tibério: Eu não sei quem soltou essa de ser esse o nome, mas posso afirmar que este ano sairá um disco novo e com muito peso, e também com uma novidade a nível mundial: ter duas guitarristas mulheres na linha de frente de uma banda masculina, e tocando muito mais do que alguns marmanjos que estão por aí.
P.Z: Há um CD pirata de músicas inéditas, intitulado “Harppia ao vivo: músicas inéditas”, que é uma compilação de shows e ensaios da banda após o lançamento de “7”. O que você acha deste “álbum” circulando por aí? Aliás, visto que a banda disponibiliza suas músicas, capas de discos e letras para download, qual sua postura quanto a grande difusão de informação propagada pela internet?
Tibério: Na verdade, fui eu quem deu essa copia para a Camelot Record (apelido carinhoso que dei para os camelos que estão vendendo por aí). Acho que é um ótimo meio de divulgação da banda, assim como a internet.
P.Z: Como anda a agenda da banda ultimamente? Há possibilidade de tocarem no Sul de Minas?
Tibério: O ano que se passou foi muito bom para nós. Nós até tocamos em duas cidades do Sul de Minas, Pouso Alegre e Cachoeira de Minas, e fomos muito bem recebidos. Estamos à disposição para tocar em qualquer lugar aonde nos queiram.
P.Z: Quais são os voos almejados para a HARPPIA este ano?
Tibério: Somente o disco novo e se possível, muitas viagens pelo Brasil, principalmente. Talvez viagens internacionais também.
P.Z: Tibério, obrigado pela entrevista. Sucesso para vocês, e que a HARPPIA ainda empreenda muitos voos.
Tibério: O mesmo desejo à você e seu trabalho, pois foi uma honra responder a suas perguntas,  que foram diferentes das que estou  acostumado a ouvir.
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SPECTRUM: Nova safra do Heavy Metal em Português!

Por Écio Souza Diniz

A Banda SPECTRUM, formada no ano de 2006 em Cataguases-MG, é um dos exemplos de fieis adeptos das bandas clássicas dos anos 70/80. Além disso, tem como destaque a valorização do Metal cantado em português, e para nos falar mais sobre sua história, os membros da banda vieram ao Pólvora Zine, dispostos a nos dar uma visão própria do Heavy Metal.

Pólvora Zine: Como surgiu e por quem foi formada a banda?
Spectrum: A banda surgiu a partir da iniciativa dos guitarristas João Paulo e Rafael Nascimento que, dispostos a trabalhar em composições autorais, começaram a arriscar os primeiros riffs. Nesta época, também estavam decididos a desenterrar os clássicos do Metal.
P.Z: Falem-nos como é a cena Metal na Zona da Mata Mineira (Região do Estado onde se localiza Cataguases)?
Spectrum: Vivemos em uma região em que o apoio ao nosso gênero musical é restrito, e contamos com o apoio de poucos. Tudo que fizemos até o momento foi de maneira independente, mas contando sempre com a ajuda de alguns amigos. Com relação à atividade musical em nossa região, contamos com diversas bandas de muito talento e um público fiel e sedento por moches.
P.Z: Por que da escolha de cantar em português?
Spectrum: Queremos quebrar o paradigma de que não é possível fazer Heavy Metal de qualidade em português. Queremos que nossa mensagem chegue diretamente às pessoas que nos escutam. Chega de pensar que Rock é coisa de gringo.
P.Z: Vocês têm uma sonoridade bem própria, mas que ao mesmo tempo, lembra a forma como bandas como DORSAL ATLÂNTICA, METALMORPHOSE, SALÁRIO MÍNIMO, HARPPIA, CENTURIAS, AZUL LIMÃO, entre outras tocavam com ritmos cheios de energia e vocais alternados com gritos agudos. Como vocês trabalham o conceito das músicas? Cada membro contribui igualmente para o processo criativo, ou há algum que aparece com as idéias e repasse aos demais, para que completem?
Spectrum: Cada um dos membros da banda desenvolve suas próprias idéias e estas são apresentadas aos demais para serem desenvolvidas de fato. Todos participam do processo de criação contribuindo com arranjos, letras e melodias.
P.Z: Até o momento, vocês possuem uma demo intitulada “O corvo”, composta por músicas bem originais. Como os headbangers têm respondido a proposta musical do SPECTRUM?
Spectrum: Têm reagido muito positivamente, a saída das demos tem sido muito boa e por todas as cidades em que tocamos nossas músicas já têm um grande reconhecimento. A Spectrum tem chacoalhado algumas cabeças (risos).
P.Z: Outra coisa interessante na banda, sãos as abordagens das letras, como em ‘Libertas quae sera tamen’ (inscrição presente na bandeira de Minas Gerais), ‘O irolevo’
e a faixa-título (que presumo ser inspirada no clássico poema de Edgar Alan Poe. Risos
Spectrum: Temos a concepção de que não tá com nada falar de uma realidade que não conhecemos.  Valorizamos a (boa) cultura de nosso estado e de nosso país, sem desprezar é claro valorosas influências como é o caso de Poe. A arte é universal, mas também temos muito que mostrar. Para que falar de guerreiros medievais se nós temos os inconfidentes, isso explica Libertas Quae Sera Tamen.
P.Z: Este ano vocês tocaram ao lado do DROWNED em Viçosa-MG. Qual foi o saldo deste show?
Spectrum: Foi ótimo tocar ao lado de um dos grandes representantes do Metal mineiro. O público de Viçosa é do caralho e nos recebeu muito bem. No geral, a galera foi assistir ao Drowned, mas descobriu a Spectrum. Nossa relação com as grandes bandas vem sendo cada vez mais comum. Dia 15 de janeiro estaremos dividindo o palco com a Witchhammer em nosso retorno à Conselheiro Lafaiete.
P.Z: Já há músicas novas sendo produzidas? O que podemos esperar delas em relação ao que já conhecemos do SPECTRUM?
Spectrum: Sim, estamos trabalhando em novas composições. O público pode esperar o peso encontrado em nossa primeira demo, aprimorado por melodias mais elaboradas e envoltas por nossa já conhecida e particular identidade.
P.Z: No geral, quais são os planos para 2011?
Spectrum: Continuar com nossa maratona de shows por Minas Gerais visando expandi-la por todo Brasil. Também pretendemos lançar nosso primeiro disco oficial.
P.Z: Obrigado pela entrevista, sucesso e eterna originalidade pra vocês!
Spectrum: Obrigado à P.Z pela oportunidade de divulgar o nosso trabalho. Quem quiser mais informações sobre a banda www.myspace.com/spectrumbrasil e emailspectrum@gmail.com .

ATACKE NUCLEAR: Força e resistência!

Por Écio Souza Diniz

Há mais de duas décadas estava começando uma fusão musical no mínimo inusitada, que era a do Punk com o Metal, dando origem ao estilo denominado como Crossover, consagrado por bandas como D.R.I, CORROSION OF CONFORMITY, SUICIDAL TENDENCES, entre outras. Atualmente, este estilo muitas vezes tem a desatenção e descaso dos posers. Entretanto muitas bandas vêm surgindo com espírito de continuar carregando a bandeira do fiel som Oldschool, e entre estas, está a sul mineira ATACKE NUCLEAR, que com garra e ousadia, ajuda a manter a importante cena brasileira, que teve, tem, e ainda terá muitos nomes fieis ao som e atitude. Para nos falar sobre tudo que envolve o ATACKE, chamamos o guitarrista Iuri Gregori, que sempre se mostra um indivíduo de argumento e ideais, como os demais membros da banda. Acompanhem. “Thrash till death”.
Pólvora Zine: O ATACKE NUCLEAR teve seu início em Três Corações, tendo você como fundador da banda. Você já havia participado de outras bandas do estilo antes disso?

Iuri Gregori: Sim, tive outra banda de Heavy metal 80’s, que se chamava WILD WOLF, mas tocava apenas covers, daí decidi montar o ATACKE NUCLEAR para composições próprias

P.Z: Acredito que o maior destaque da banda é seu som, voltado para o estilo Crossover, e a valorização do Metal brasileiro através de letras em português. O que você desse ideal de tocar um estilo, que mescla a face direta do punk/hardcore com a rapidez e peso do Thrash metal? E quanto ao fato de cantar as músicas em português, qual importância você atribui a isto?

Iuri: Decidimos unir as tribos de protesto, por isso fazemos o crossover sem modinha etc… Cantamos em português para que os brasileiros possam sentir melhor a música e refletir sobre a situação na qual se encontra nosso país, para que sejam menos alienados e lutem.

P.Z: A banda tem uma postura e imagem do tipo “seja fiel ao som, com força e resistência”, o que se nota sobretudo nos temas das letras, que falam sobre guerra, desigualdade social, alienação, etc. Você acha que falta um pouco mais de atitude das bandas de Metal neste sentido?

Iuri: Hoje em dia, é uma situação difícil, muitas bandas tocam por tocar, muita modinha, falta de criatividade, mas existem também muitas bandas de atitude e guerreiras.

P.Z: Em 2008, você gravaram seu primeiro álbum, “Massacre infernal”, de forma independente, contando com a produção de André Cabelo (CHAKAL) na produção e gravação no Estúdio Engenho em Belo Horizonte. Como foi este processo, vocês já tinham as músicas prontas a algum tempo? Qual a colaboração de cada membro da banda na criação das músicas? E qual foi a importância em ter alguém já experiente na cena como André na produção?

Iuri: Sim, contribuições em lances de letra etc… e participação nos ensaios. O André é um excelente profissional antes de tudo, já está na área a anos, com estúdio, e sabe o que realmente uma banda underground precisa. Um grande amigo.

P.Z: “Massacre infernal”, é um bom cartão de apresentação da banda, sendo um trabalho direto, porém com muito feeling nas músicas, e algumas mais Thrash do que Crossover como a faixa intitulada ‘Atacke nuclear’, com riffs marcantes e refrão grudento. Como você visualiza este primeiro trabalho como um todo? Qual foi a recepção da galera punk e Thrashbanger ao som de vocês?

Iuri: Não como um todo, mas sim como um disco bom e com feeling, recepção boa, tanto é, que o selo que está distribuindo nossos trabalhos na Argentina é raw punk. Estamos sendo bem aceitos nas cenas.

P.Z: Vocês tocaram já com nomes importantes da cena nacional, como por exemplo, a banda HUMAN HATE, que voltou a ativa em 2009, e muitas outras. Como tem sido pra vocês ter essa relação e interação com bangers da geração oldschool? O que você acha do retorno de grandes bandas que ajudaram a escrever a história do Metal em nosso país?

Iuri: Excelente pois nos passa muita bagagem musical e experiência de vida. Quanto ao retorno das grandes bandas, acho muito legal, pois é sinal que há vida ainda no Metal oldschool brasileiro.

P.Z: Agora em 2010 vocês estão prestes a lançar o segundo álbum, “Caos Mundial”, novamente gravado no Estúdio Engenho e com a produção de André Cabelo. O que você acha deste novo trabalho em relação ao primeiro? Foi mais fácil a composição deste disco?

Iuri: Já lançamos o segundo disco intitulado “Caos Mundial”, esse novo trabalho é sinal nosso de amadurecimento, é um álbum bem mais produzido e maduro do que “Massacre infernal”, contém 12 faixas, e a composição foi um pouco difícil, mas conseguimos fazer com que desse certo.

P.Z: As músicas de “Caos mundial” têm basicamente aspectos comuns que se nota no “Massacre infernal”, porém mostra que vocês evoluíram na hora de compor de lá pra cá. A entrada lenta, seguida de uma puxada riffada rápida e um refrão marcante na faixa-título, e a bem elaborada pegada hardcore de ‘Cidade do desespero’ são bons exemplos do que estou dizendo. Como tem sido a reação dos bangers a estas músicas, disponíveis para audição no myspace de vocês?

Iuri: Ainda não estamos por dentro disso, mas há bastante pessoas que têm aceitado bem o nosso som.

P.Z: O que você acha do atual Line-up do ATACKE (completado por Luiz Otávio, baixo/backing vocal; Sérgio Morais, Vocal; Eduardo Lemos, bateria)?

Iuri: Melhor formação que o ATACKE teve até hoje. Completa!

P.Z: “Caos mundial” será distribuído em outros países latino-americanos como na Argentina (em Buenos Aires) pelo selo Auto-Defensa Distro, no Peru (em Abancay), pela Al-Nomads Productions e no Brasil, será distribuído pela Die Fight Records, de São Paulo. Diante desta divulgação relativamente ampla para uma banda que ainda está em seu primeiro disco, o ATACKE concerteza tem conseguido o respeito do público, e mostrado um exemplo de garra pra expandir a audição de seu som. Como você analisa este fato?

Iuri: Queremos tomar terreno, ou seja, divulgar som ao máximo, não pelo dinheiro nem pela fama, queremos apenas conseguir mais guerreiros para lutar por um país e mundo melhores.

P.Z: Você acha que estes selos da Argentina e do Peru, poderão fazer um grande trabalho de divulgação do nome da banda nos países vizinhos? E quanto a demais localidades como Europa e Estados Unidos, vocês tem algo em mente para divulgar nestes lugares também, e você acha que o Crossover tem tido espaço suficiente neles?

Iuri: Sim, pois é a divulgação em terras diferentes, o Crossover tem bastante espaço, mas as vezes visto com maus olhos por alguns posers. No mais, o estilo é bem aceito.

P.Z: Já há datas marcadas para uma Tour na América-Latina

Iuri: Não, pois não temos condições de fazer turnê, tudo que tinhamos de nosso trabalho e esforço, investimos no disco novo.

P.Z; Além do segundo disco, vocês tem participado de coletâneas também como “Nuestro ruido e nuestra arma. Vol. 2″, lançada pela Auto-Defensa Distro (Argentina). Uma das 2 músicas do ATACKE que consta no set list, é a “Cidade do desespero”, alusiva a Três Corações. Como tem sido o contato com as outras bandas que participam desta coletânea? E como você vê sua própria cidade, e a transmissão de sua imagem através da música?

Iuri: Três Corações é uma cidade sofrida, com muita droga pesada e influências ruins de fora, mas já foi uma grande cidade em termos de cena underground do final de 80 até final de 99. Depois disso só restaram os verdadeiros, tudo foi se acabando…

P.Z: Valeu aí Iuri pela entrevista, garra e resistência pra vocês!
Mais informações:
www.myspace.com/atackenuclear