PAR’UZHA: No fronte do Trash!

Por Écio Souza Diniz

Formada em Campos Gerais-MG, a banda PAR’UZHA é mais uma promessa do Thrash Metal mineiro. Com músicas densas e agressivas, eles têm moldado sua identidade, crescendo em técnica e dinamicidade em sua sonoridade. Os quatro integrantes vieram por meio desta entrevista nos falar mais sobre a banda, os planos em andamento e o lançamento do primeiro álbum, “In state of vigilance”.

Pólvora Zine: A banda iniciou suas atividades em 2006, como um projeto para tocar em um festival de colégio. Quem teve a ideia inicial para montar a banda e quando tudo começou a tomar forma?

Eduardo O.: A ideia surgiu em meu último ano de colégio para uma apresentação num Festival de Música Inglesa. Até então, nunca ninguém “ousara” interpretar algo fora da “Pop Music” ali. Foi quando juntamos os velhos grandes amigos de infância para tocar “Violent Revolution” do KREATOR e, para nossa surpresa, ficamos em 3º lugar. Infelizmente naquele momento estavamos nos distanciando geograficamente por motivos de estudo, porém, nossos corações, ansiosos, permaneciam unidos a espera de nos encontrarmos novamente. Isto ocorreu em dezembro de 2009, quando passamos a nos assumir como banda.

P.Z: Mesmo enfrentando a distância entre os componentes da banda por questões profissionais, com muita persistência vocês lançaram agora em 2010, o primeiro trabalho da banda, o EP “In state of vigilance”, de forma independente. Como foi o processo de composição, gravação, as novidades e as dificuldades?

Clayton: O EP é fruto de nossa grande amizade aliada ao reencontro nas férias de verão de 2009/2010. No período de 2007 a 2009 estivemos separados, mas, cada um a seu modo, trabalhou na composição das músicas: eu escrevi alguns trechos de guitarra, Eduardo O. compôs algumas harmonias e as letras, César e Eduardo R. trabalharam em levadas de bateria e baixo, e assim, quando nos reunimos, rapidamente tudo tomou forma e decidimos gravar. Mesmo com limitações financeiras e pouco tempo de ensaio, passando a “macarrão e água” numa “casa espremida” (risos), produzimos nosso EP em 5 dias num estúdio em Alfenas-MG e saímos em turnê.

P.Z: Há alguma concentração de ideias e contribuições para as músicas, sob um membro da banda, ou todos contribuem igualmente?

Eduardo O.: Como o Clayton mesmo já disse, musicalmente cada um contribui a sua maneira, dentro de sua função. A temática, o enredo e as letras são atribuídas a minha pessoa.

P.Z: Fale-nos melhor sobre o significado e alusões por trás do nome “Par’uzha”.

Eduardo O.: PAR’UZHA é um neologismo, por mim criado, alusivo a “parúsia”, que se remete ao fim dos tempos, ao destino de “fogo do inferno ou reino dos céus”. Uma nova palavra permite um novo significado, que assim como ocorre com a escrita e pronúncia, se assemelha a original, não sendo, no entanto, idêntica. Isso nos permite ampliar o tema e a dicotomia dialética salvação- aniquilação, extrapolando a imaginação e abordando temas tradicionais com perspectivas diversas, inclusive com introspecções e conflitos psicológicas, colocando de frente, a submissão e subversão, castigo e culpa, além de trafegar por problemas sociais, guerras e intolerância etnocêntrica – tudo com alta dose de ficção.

P.Z: O EP “In state of vigilance”, é um trabalho denso, com um clima tenso e agressivo, além de partes harmoniosas. A abertura melancólica com ‘Eternal day’, seguida da velocidade e agressividade de ‘Par’uzha’, uma atmosfera meio gótica, a lá PARADISE LOST, em algumas partes de ‘Born dead’, são bons exemplos do que estou falando. Foi algo intencional dar esta atmosfera ao trabalho? E além, da evidente influência de KREATOR, há alguma influência fora do Thrash metal?

César / Eduardo R.: Pela temática proposta, tentamos criar essa atmosfera ora tensa, ora agressiva e explosiva, usando principalmente os recursos de dinâmica, harmonia e andamento. Quanto às influências, elas estão principalmente dentro do “Thrash Metal” alemão, porém, quando se trata de estudar música, sempre estamos abertos a diversos estilos, principalmente aqueles dentro do Metal/Rock. Daí, “um quê” de Doom Metal, levadas progressivas, alguma influência de Death Metal são encontrados no transcorrer das composições.

P.Z: Algo curioso no EP é a faixa ‘Esta noite encarnarei em teu cadáver’, baseada na obra homônima de José Mojica Marins (Zé do Caixão). De onde partiu o interesse em fazer esta homenagem? Vocês tiveram algum contato com o cineasta, divulgando este trabalho?

Eduardo O.: Como ocorre em todos os segmentos artísticos, correntes excêntricas são marginalizadas, não havendo espaço para estas na grande mídia. Com Mojica e seu cinema não foi diferente. Poucos conhecem, porém, a vastidão de suas premiações internacionais e a profundidade de sua genialidade. Resolvi, por isso, homenageá-lo com uma música que conta a história de um de seus filmes. Escrevi-a em português numa tentativa de aproximação à obra referida. No momento estamos estabelecendo contato com o cineasta e estudando a hipótese de um videoclipe da música com o “mestre” na direção. Esperamos que tudo se realize, porque partimos do pressuposto que “underground” apoia “underground” (risos).

P.Z: No geral, como vem sendo a recepção dos bangers ao som e imagem da banda?

César: Tanto a musicalidade quanto a imagem e temática por nós proposta estão sintonizadas ao “headbanger lifestyle”. Por isso mesmo, a aceitação das músicas e propostas de palco por parte do público têm sido empolgantes, deixando-nos estimulados a prosseguir no “longo caminho” (risos).

P.Z: Ainda em 2010, vocês já estão lançando o “In state of vigilance’ como “full length”. O que quem ouviu o EP pode esperar das outras músicas?

Eduardo O.: Será lançado em fevereiro de 2011 pelo selo “Coletivo de Criação” nosso primeiro full: “In State Of Vigilance: The Empire Of The Fear”. O álbum trará a regravação das 6 faixas do EP, mais 7 inéditas. Quem ouviu o EP pode esperar a mesma linha com maior complexidade em relação a composições e temas, além de qualidade infinitamente superior em relação a gravação. Em suma: peso e agressividade aliados à tensão e drama.

P.Z: Quais os planos para 2011?

Eduardo R.: Estamos ansiosos por 2011, pois além do lançamento do primeiro álbum oficial de carreira da banda, produziremos um videoclipe e sairemos em turnê nacional promovida pelo selo. Estamos montando um show com algumas inovações, como recursos oriundos do teatro e o guitarrista/vocalista Eduardo Oliveira lançará um conto homônimo ao CD. As expectativas são as melhores. Quem ainda não conhece nosso trabalho, acesse: www.myspace.com/paruzha. Quem já conhece, continue nos ouvindo e aguarde, pois estamos trabalhando com muita dedicação para conseguirmos proporcionar um trabalho de grande qualidade ao público.

P.Z: Pessoal, valeu pela entrevista, sucesso para a PAR’UZHA nesta jornada no Metal.

Banda: Obrigado pelo espaço concedido. Gostaríamos de parabenizar pela iniciativa do fanzine. Só assim, com apoio mútuo dentro da cena headbanger, será possível o crescimento de todos. Para aqueles que vêm nos apoiando, nossos sinceros agradecimentos e votos de continuidade nessa caminhada.

Mais informações:
www.myspace.com/paruzha

DIATORT: Retorno com força total!

Por Écio Souza Diniz

Fundada em 1993, na cidade mineira de Passos, a banda DIATORT é um dos nomes do alavancado movimento Death/Thrash de Minas Gerais do princípio da década passada e hoje estão na ativa novamente, prometendo lançamentos, shows e um som cru e direto, calcado nas grandes bandas oitentistas do estilo. O guitarrista e vocalista André veio até nós para nos contar tudo sobre esses longos anos de estrada.

Pólvora Zine: A banda foi formada há quase 20 anos por você e Alexandre Destructor (bateria). Conte-nos como foi o princípio da banda. Você já havia tocado na banda NECRÓFAGO. Como foi esta experiência? Você já esteve em outras bandas antes?

André: Foi muito pouco tempo, não sei se pela época ou porque passou muito rápido mesmo, mas para mim foi muito importante, pois até então eu não sabia tocar direito. Aprendi a tocar guitarra com Arnald Death Vomit e o NECRÓFAGO foi minha primeira banda.

P.Z: Era você quem compunha as músicas? Elas já existiam ou eram ideias que você iria usar em outra banda?

André: No NECRÓFAGO não, no DIATORT sim, sempre gostei de compor mais do que tocar covers, tenho muitas idéias que posso usar em outros projetos também.

P.Z: Como era e é atualmente a cena do Metal na sua região?

André: A cena antigamente sem sombra de dúvidas já foi melhor, mesmo porque a tecnologia tem seus dois lados, antigamente correspondíamos com quase todas as bandas da cena mineira, SEPULTURA, MUTILATOR, MASTURBATOR, INFRATICIDE, GOD, CORPSE GRINDER. Isto ocorria por carta mesmo, hoje isso se perdeu um pouco por causa da tecnologia, hoje muitos meninos tem acesso a kilos de MP3 e não dão tanto valor em amizades como antes no meio underground.

Flávio: A cena tem estado mais ou menos, muitos largam, outros começam, moramos em cidade de música sertaneja, então sempre é mais difícil manter a cena Metal ativa. Mas tá legal.

Edinho: Antes tinha um movimento forte, hoje já não tem mais, é cada um pro seu canto!!!

P.Z: Através dos anos, o DIATORT ficou parado e retornou a pouco para continuar sua história e gravar suas músicas. Qual foi o principal motivo para o término e atual retorno das atividades?

André: O término foi natural mesmo, trabalho e mudança de cidade, o retorno foi com conversas com Flávio que queria montar uma banda e eu disse que já tinha algumas idéias, daí então ele me falou do Edinho que eu já conhecia, daí conversamos e retomamos o DIATORT.

P.Z: Atualmente a banda é composta por você (guitarra/vocal), Flávio (baixo) e Edinho (bateria). O que houve com Alexandre? Quais contribuições Flávio e Edinho trouxeram para a banda?

André: Alexandre está morando atualmente em SP capital, trabalhando um bocado, tenho tido contatos com ele sempre que posso, mas em relação à banda ficou inviável pela distancia. O Flávio trouxe para banda a energia de sempre, em querer fazer algo para o Metal da cidade e ele faz (ele organiza os festivais aqui) e o Edinho com todo seu talento e vitalidade para tocar o Metal cru e direto.

Flavio: Minha contribuição com a DIATORT é tocar, devido ao fato de que as composições são feitas pelo André ! Ele é o cara!

Edinho: Confiança!!! Trabalho sério.

P.Z: Quais são as suas principais influências no Metal?

André: De guitarristas, JIMI HENDRIX, VAN HALEN, STEVIE RAY VAUGHAN, TREY, CHUCK. De bandas, SIMDROME, MORBID ANGEL, DEATH, MOTORHEAD, RAMONES, DARK ANGEL, MASTER, DESTRUCTION, EXUMER, KREATOR, MASSACRE, PESTILENCE, BOLT THROWER, etc. Gosto muito das bandas dos anos 80! Old School!

Flavio: Minhas influências, Megadeth, Slayer (antigo, novo Slayer não está tão legal), MORBID ANGEL, CANNIBAL CORPSE, DEATH, NAPALM DEATH, OVERKILL, DIO, OZZY, BLACK SABBATH, etc.

Edinho: PANTERA, SLAYER, SEPULTURA (antigo), etc.

P.Z: Vocês tem disponível no myspace do DIATORT uma faixa ao vivo intitulada ‘Distribuitor of pain’, que é um Death/Trash metal bem moldado e agressivo. Originalmente, onde foi gravada esta faixa?

André: Foi gravada aqui em Passos mesmo com outros caras (Apocalipse Vision). Como na época não era tão fácil gravar, acabamos por não gravar outras músicas, mas as idéias delas não morreram.

P.Z: Pelo que sei, vocês estão preparando uma demo com 5 músicas. Para quando ela deve sair? O que podemos esperar ouvir nestas músicas?

André: Sim, estamos com algumas músicas para constituir uma demo, ainda sem previsão de lançamento, mas esperamos nos divertir muito tocando, quando for a hora de lançar, com certeza vamos distribuir para muitos bangers que vão gostar, pois é um som agressivo com a contribuição do melhor de cada um da banda para que o DIATORT possa fazer o seu melhor.

Edinho: Só o ano que vem, estamos terminando o estúdio que montamos, aí é só esperar muita brutalidade!!!

P.Z: Há mais algum registro gravado do DIATORT, fora a música citada anteriormente?

André: Até tínhamos ensaios gravados em fitas k7, mas que se perderam e ficaram somente na memória mesmo.

P.Z: Quais os planos para 2011?

André: Ensaiar bastante para poder participar de alguns festivais e assim que tiver tudo ok, lançarmos a nossa demo.

Edinho: Tocar!!!!

P.Z: Valeu pela entrevista, sucesso pra vocês neste promissor retorno!

André: Nós que agradecemos muito a oportunidade de trocarmos idéia com todos, o pessoal do underground e dizer que é muito importante que esse meio de comunicação se mantenha sempre, pois creio que para quem edita, nós que respondemos e quem acaba lendo é muito importante, é uma cadeia que sempre nos une a um só movimento. Death Thrash Metal!

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KRIG: Além dos rótulos!

 

 

Por Écio Souza Diniz

A banda KRIG, integrante da grande cena extrema de Belo Horizonte, é atualmente um bom expoente do Death metal mineiro. Com músicas brutais e presença de palco marcante, eles já possuem um grande reconhecimento da cena underground, fazendo muitos shows, com muitos bangers agitando até o fim, e boas críticas da mídia especializada. Para nos falar mais sobre tudo que circunda a banda, o guitarrista Isaque Soares veio a nós e com bons argumentos.

Pólvora Zine: A banda surgiu em Belo Horizonte em 2007 e, de lá pra cá, tem produzido muito, fazendo shows, lançando discos, etc. Você imaginava que um simples projeto poderia tomar a proporção que é hoje?

Isaque Soares: Na verdade não. Quando eu e o Daniel iniciamos o projeto, a ideia era fazermos um tipo de som sem ficar preso a nada, sem rótulos, sem ritmos pré-criados, e sem o compromisso de fazer algum tipo de som que as pessoas já estejam esperando. Então, o mais legal foi isso, de algo que não esperávamos nada surgiu o KRIG que você conhece hoje.

P.Z: No mesmo ano, vocês lançaram seu primeiro álbum, “Feed me”, um disco brutal e orgânico, composto por porradas como: ‘Bastard boss’, ‘777’ e ‘Global warming’. Você já tinha o esboço ou as composições prontas, visto que era apenas um projeto com você e Daniel Corpse no vocal (SMASH THE SYSTEM, FOF, UNNAMED, MERCY e ex-SABBATARIAM), como únicos integrantes? Como foi gravar o restante dos instrumentos?

Isaque Soares: No “Feed Me”, eu fiz as baterias, guitarras e baixo, e eu e o Daniel trabalhamos nos vocais. Todo o material foi gravado em nosso home estúdio, e não tinha nenhum equipamento dos que temos hoje. Então foi gravado totalmente na raça e com a total falta de recursos.

P.Z: “Feed me” inicialmente seria distribuído pelo selo mexicano Alcance Subterrâneo, mas foi lançado de forma independente. O que foi limitante para ele não ser lançado pelo selo?

Isaque Soares: O lance do Alcance Subterrâneo foi uma total falta de palavra do idealizador do selo. O Mexicano Miguel nos prometeu coisas que não foi capaz de cumprir, então decidimos lançar por conta própria, o que depois descobrimos no futuro que foi muito melhor. Hoje, graças a Deus, não dependemos de selo nenhum, já temos toda nossa distribuição espalhada ao redor do globo.

P.Z: Falando de rótulos agora, o KRIG é considerada uma banda de Death metal, mas eu vejo que tem uma postura ao mesmo tempo bem Grindcore, devido a temática de suas letras, que tratam de várias coisas como religião, filosofia, alienação, manipulação dos meios de comunicação, anti-fascismo, etc. Qual sua postura e opinião quanto a isso? Você acha que esse seria um paradigma para a banda?

Isaque Soares: O KRIG nunca esteve atrelado ou anexado a um movimento em específico. Não temos nenhuma instituição por traz de nós dizendo como devemos fazer. Escrevemos coisas que pensamos no dia a dia, coisas reais. E claro, nossa banda tem um forte cunho político-social e base em nossos princípios, cujo principal é o da fé. Então as pessoas que nos conhecem saberão que estamos aí sempre para criticar, seja o sistema, seja a mídia, ou mesmo a própria igreja. Não estamos acomodados esperando que nos manipulem e digam o que devemos fazer ou não, queremos saber o verdadeiro fundamento de tudo.

P.Z: Em 2008, foi lançado o segundo álbum, “Stop the manipulation”, um trabalho já notável em termos de evolução nas composições, e uma temática voltada para alienação e manipulação da televisão sobre o indivíduo. A faixa ‘Globo’ é o melhor exemplo dessa abordagem, além de ser a melhor música do álbum. Já contando com July no baixo para gravação, qual foi a mudança significativa em termos de composição, visto que o primeiro trabalho não tinha o line up completo? E como você enxerga o tema abordado no disco?

Isaque Soares: Esse álbum, realmente, foi muito especial para nós. Primeiro por ter a participação do Luke Renno, vocalista da banda Norte Americana de Death Metal CRIMSON THORN, e também foi especial, pois nele decidimos levar uma linha mais Brutal Death metal. Esse CD é o mais rápido do KRIG e acredito também que tem elementos muito técnicos, alcançamos um nível de velocidade que digamos que foi o ápice do KRIG em velocidade. Esse álbum é muito especial também, pois ele é todo homogêneo no que se trata de temática: todas as músicas são exclusivamente centradas na manipulação da mídia. Acreditamos que a mídia é o 4º poder: grupos de massa são criados, o governo é colocado no poder, torcidas de times são montadas, uma religião execrada, as roupas e a comida que você come. Esses são alguns exemplos de o quanto a mídia está no seu dia a dia, e se você não estiver de olho aberto, você será mais um debaixo das cordas da marionete.

P.Z: No 3° álbum, “Target: human, mission: Destroy”, há uma atmosfera mais densa e pesada que nos antecessores. Eu creio que talvez seja devido às abordagens líricas do disco em músicas, como ‘Chaos in the air’, ‘Fast food’ e ‘You will be hatred’. O que exatamente você quis dar enfoque nesse disco?

Isaque Soares: Sim, o ‘THMD” é realmente o álbum mais pesado do KRIG. Ele tem a presença muito forte do Grindcore, o que deixou ele totalmente podre. No tema central do álbum queremos dizer que existe um mecanismo que tende a destruição, tudo hoje leva a destruição e estamos no meio desse alvo a ser destruído. Somos automaticamente odiados por nossas escolhas e as pessoas querem literalmente nos destruir, então a mensagem é essa.

P.Z: Como foi a divulgação e distribuição de “Target…” no exterior, visto que foi lançado com apoio do selo americano Nhmetal?

Isaque Soares: Sim, desde o “STM” já temos uma parceria firmada com o Jason da NH Metal. Ele sempre tem nos dado um apoio incondicional em distribuição, colocando os nossos materiais em lugares que jamais pensaríamos que estariam presentes.

P.Z: Após uma pausa, dada em 2009, vocês voltaram agora em 2010, já lançando o 4° trabalho de estúdio, “Narssistic mechanism”. Quem ouve os discos anteriores nota que ele tem uma mescla de todos os outros em suas músicas. No entanto, ao mesmo tempo, ele soa diferente, e talvez seja o melhor e mais maduro trabalho da banda até o momento. Como vocês buscaram por esse, digamos equilíbrio, em soar semelhante e ser diferente ao mesmo tempo?

Isaque Soares: Isso é exatamente o que buscamos, evoluir a cada CD. O dia que sentirmos que estamos gravando algo que já fizemos ou que estamos regredindo, essa será a hora de darmos uma pausa e refletirmos sobre o que estamos fazendo. Nossa meta é sempre estar crescendo a cada álbum, e por isso que estamos investindo pesado em equipamento e estudos para que o álbum sucessor ao “NM” seja o melhor álbum lançado pelo KRIG. Mas o lance de soar igual e diferente é mais nessa linha que lhe falei, sempre procuramos evoluir, mas qualquer música que você escutar, seja do “NM” ou “Feed me”, você vai dizer, essa banda é a KRIG. O segredo é mantermos a essência, porém evoluindo.

P.Z: Atualmente, vocês terminaram os shows da Narcissistic Brazilian Tour, que abrangeu várias localidades do país. Qual foi o saldo dessa tour?

Isaque Soares: Na verdade terminamos a tour agora no começo do ano, percorrendo alguns estados que não passamos. A tour foi totalmente positiva, agradecemos a todos que compareceram aos shows do KRIG neste ano de 2010. Foram 14 shows, passando por 7 estados e viajando quase 10 mil quilômetros. O ano de 2010 foi, sem dúvida, o melhor ano de nossas carreiras e podemos dizer que o público terá grandes novidades em 2011.

P.Z: A KRIG é oriunda de Belo Horizonte, o berço da cena extrema brasileira. O que você acha do cenário metálico da cidade atualmente?

Isaque Soares: Cena de BH já foi alguma coisa na década de 80, hoje não é nada, senão meia dúzia de bandas cismadas a True, com meia dúzia de fãs. Mas a KRIG, graças a Deus, quando toca aqui, pega um bom público. Estamos tentando tocar o mínimo possível em BH para a galera não enjoar da gente. No último show deu uma galera boa, então, resumindo, para nós tem sido legal, mas, no geral, tá muito fraco, o que ficou mesmo foi a fama, porque na prática….

P.Z: Concordo com você de certa forma, mas felizmente tem o outro lado: retorno de bandas clássicas de BH, dos anos 80, e o surgimento de novas bandas, que fazem um som autêntico como vocês, HAMMURABI, entre outras. Vocês possuem planos para uma tour no exterior?

Isaque Soares: Sim, se tudo der certo vamos anunciar datas logo, só aguardarem as notícias.

P.Z: Segundo consta as últimas notícias, vocês pretendem lançar um álbum duplo de tributo à diversas bandas de Metal cristão. De onde surgiu a ideia e o porquê de realizar esse lançamento?

Isaque Soares: Temos muito material trabalhado de covers, mas não existe uma data para o lançamento desse CD. Vimos que um material de covers pode ser muito perigoso para a banda, levando em consideração que as pessoas possam ter você como referência por um cover que você fez e não pela música que a banda faz. Então decidimos, por enquanto, dar um passo para trás nesse material, mas, quem sabe mais pra frente, quando tivermos o nome bem sólido, possamos pensar em retomar as atividades desse projeto.

P.Z: Realmente um álbum de covers é algo que pode ser pecaminoso para mascarar a imagem da banda. Fora a bem sucedida tour e o tributo às bandas cristãs, quais são os planos para 2011?

Isaque Soares: Para 2011, vamos terminar algumas datas da tour “NM” e, possivelmente, vamos lançar a coletânea de cinco anos e, também, um CD ao vivo com ótima qualidade de gravação. Possivelmente, todo esse material será lançado em um CD só e também virá com algumas surpresas, talvez uma faixa inédita.

P.Z: Valeu pela entrevista, sucesso e longevidade pra vocês!

Isaque Soares: Agradecemos pela oportunidade da entrevista e agradecemos também a você, por sempre estar nos dando força na nossa caminhada. Estejam nos apoiando e adquirindo nossos materiais. Fiquem na paz e fé sempre!
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IMPERFECT SOULS: Fiel ao Underground!

 

Por Écio Souza Diniz

A horda IMPERFECT SOULS, oriunda de Muzambinho-MG, é um dos nomes que vem crescendo no Metal extremo, sobretudo devido a fidelidade ao seu próprio som e a ideologia oldschool de ser.
Em meio aos festivais com nomes lendários da cena sul mineira, como CORPSE GRINDER, entre outros, eles tem recebido a atenção e respeito dos bangers, e seguem firme, lançando e divulgando seus trabalhos. O guitarrista e fundador Lucas, veio até nós para falar melhor sobre tudo isso, revelando-se um cara de postura firme.

Pólvora Zine: O IMPERFECT SOULS, foi formado por você, destinado a fazer um som extremo e sem frescuras. Como foi a princípio encontrar os outros membros, compor, etc?

Lucas: Hail Écio e todos que estão a ler esta matéria!! Então, desde que eu comecei a aprender a tocar guitarra sempre tive intenção de fazer som próprio e sem frescuras, e o Michel que é o batera já era meu amigo desde esta época. Assim, sempre que estava em casa e eu ia mostrando os riffs que compunha a ele, e então já planejávamos montar uma banda, só faltava aperfeiçoar os sons. Depois, conheci o Gustavo e ele estava bem empolgado com o lance de tocar,então resolvemos começar a criar as composições, que já estavam praticamente prontas quando tudo se firmou, depois foi somente aperfeiçoar e trabalhar em novas.

P.Z: Em 2006 já uma formação estabilizada, vocês lançaram a demo ensaio “Imperfect songs”, com músicas cruas e agressivas. Como foi a recepção a este lançamento? E como você trabalhou o conceito das músicas?

Lucas: A recepção foi até melhor que esperávamos, pois de início tínhamos a intenção de divulgar esta demo somente para recrutar um baixista e acabou nos abrindo várias portas. O conceito foi simples: agressividade e letras que expressam nossa ideologia e loucuras de nossas mentes insanas!

P.Z: Quem foi o idealizador e produtor da parte gráfica de vocês?

Lucas: Eu idealizo toda a arte das capas, e o Luciano Fox, um amigo meu que desenha muito, fica à cargo de passar para o papel minhas ideias, ele tem feito desde nosso logo e todas nossas capas até hoje, e pretendo que continue, pois gostei muito de capas desenhadas a mão e ele pega bem o espírito de minhas ideias.

P.Z: No youtube, está disponível a música ‘Hate, blasphemy and blood’, um verdadeiro tormento, com pegada rápida e arrastada, remetendo a uma mescla de Black e Death metal do fim dos anos 80, mas com uma aparência bem particular. O que as pessoas em geral acham desta música? Você poderia dizer que está entre os grandes hinos do IMPERFECT SOULS?

Lucas: Até o momento não tive críticas negativas desta faixa, o que pra mim é motivo de muita honra. No geral a faixa esta sendo muito bem recebida, particularmente gosto bastante dela e com certeza já é uma faixa clássica em nossas apresentações. No entanto, todas as faixas que fizemos até hoje, creio que estão num mesmo patamar, até mesmo as das demos anteriores, com o aperfeiçoamento ao longo do tempo e nossa evolução própria, tem mais impacto ao vivo que tinham há tempos atrás.

P.Z: Todos na banda são adeptos do Metal oldschool, com bases simples, porém cativantes?

Lucas: Sim, mas curiosamente cada um a um estilo, eu mesmo gosto muito de Black metal, apesar de ouvir muito Death metal também, o Michel gosta muito de Death e o Léo de Trash, apesar de que todos nós ouvimos desde Rock ‘n’ roll até os estilos mais extremos, pois há muitas bandas fodidas em vários estilos, que merecem nosso respeito e admiração!

P.Z: Logo após o lançamento da demo citada anteriormente, o guitarrista Leonardo (também batera da banda BREACKNECK), entrou para o IMPERFECT SOULS. O que isto representou musicalmente para vocês?

Lucas: Nós já estávamos trabalhando com duas guitarras e sem baixo, por isso quando ele entrou só demos continuação ao que estávamos fazendo. Hoje como Power trio e com ele como baixista acrescentou muito pra nós, pois ele é realmente o único músico da banda, o único que realmente entende da parte teórica. Já eu e o Michel aprendemos sozinhos e tudo o que sabemos é de ouvido mesmo, então facilita bastante na hora de compor, pois nem precisa falar que ele já sabe o que tem que fazer para o baixo soar bem.

P.Z: Já em 2007, ao passo que Leonardo deixou a banda, vocês lançaram seu segundo registro, a demo ao vivo “Sabbat”. O que você acha deste trabalho? Ele teve melhor repercussão que o primeiro?

Lucas: Teve melhor repercussão, até mesmo por que teve mais cópias que a anterior, e creio que pelo fato de ser uma demo 100% ao vivo, sem nada de adicional ao que foi o show. Eu gosto da demo no geral e as faixas ‘Sabbat’ e ‘Dick in the ass of Christ’, temos intenção de regravá-las para ter melhor qualidade, pois são faixas que muito dizem a nosso respeito, e marcaram bastante a época que as compusemos!

P.Z: O que você pensa da cena atual do metal nacional?

Lucas: Fodida!! As bandas estão com um nível muito alto, tem muita banda foda hoje em dia, o que falta é mais respeito e força de vontade tanto por parte das bandas quanto dos bangers. Às vezes, tu vai em um festival com muitas bandas boas mas não tem público, algumas bandas tocam e vão embora, como se as outras a se apresentar em nada acrescentassem. Isto é um fator muito negativo, além de que muita banda hoje só lança material on line e esquecem daquelas que realmente fazem mover a cena!

P.Z: O IMPERFECT SOULS, tem já um espaço no underground, tendo como prova disso, a participação com a música ‘Dick in the ass of christ’, na compilação “Hell compilation”, realizada pelo selo Music Reunion. O que esta compilação representou em termos de propagação do nome de sua banda?

Lucas: Olha, as compilações são sempre positivas para as bandas, pois cada uma que participa ajuda a divulgar a todos que ali estão. Devido a compilação ter sido distribuída em vários países, com certeza ajudou bastante a divulgar o nome da banda, mas em termos de novos contatos confesso que o retorno foi pouco. Mas também creio que nós fomos a única banda a entrar com uma gravação ao vivo e sem muita qualidade, então no geral foi o que esperávamos mesmo.

P.Z: Você é mentor do fanzine Under the eternal flames, que divulga bandas da nossa cena, e também contém críticas sobre livros, cinema, etc. Como surgiu o interesse em fazer este zine? Qual a proporção de conhecimento do mesmo no meio do Metal?

Lucas: Eu escrevo cartas e pego zines desde 94, e fui me interessando cada vez mais pela ideia de fazer um. E depois de lançar a primeira edição, percebi que tinha obtido um resultado até acima da média do que esperava. Hoje as pessoas me escrevem interessadas em adquirir, oriundas de lugares que antes nem imaginava que o zine poderia chegar, com Cuba, Espanha, México, e até já me fizeram propostas para fazer uma edição em inglês e português para ter distribuição a nível mundial. Entretanto não é esta minha intenção e sim de seguir conforme posso, pois como você mesmo sabe, fazer um zine exige tempo e grana, coisas estas das quais não disponho, e também sou brasileiro, então logicamente o zine sempre será em nossa língua mãe! Mas só tenho a agradecer a todos que me apoiam nesta jornada, tanto pessoas que adquirem o meu material quanto aos que se interessam em divulgar seus materiais no mesmo, e as bandas que cedem seu tempo a este humilde artefato!

P.Z: Agora em 2010, vocês lançaram o 3° registro da banda, “Blasphemy aliance”, com músicas gravadas ao vivo em estúdio e em forma de split com a banda BREACKNECK. Nota-se neste trabalho que o som de vocês continua direto, mas que amadureceram em termos de composição. O que você pode nos dizer sobre isto?

Lucas: Creio que seja natural o amadurecimento, pois com o tempo vamos nos tornando melhores instrumentistas e as ideias para composições vão se tornando mais fáceis. Antes imaginava um riff mas não sabia como executar, hoje vem a ideia e já sei onde está aquele som no instrumento. Mas pra mim, o que realmente importa é manter a ideia intacta, continuar sempre fazendo músicas diretas e sem frescuras, músicas de banger para banger.

P.Z: Vocês tem planos para outros splits com bandas nacionais? E um full lengh?

Lucas: No momento pensamos em gravar músicas novas que já temos prontas, mas ainda não sei como lançar. Split é muito bom, pois ajuda as duas hordas ao mesmo tempo, e se tivermos oportunidade com certeza lançaremos outro. Já temos quantidade de faixas suficientes para um full lengh, só não sei quando conseguiremos lançar tal material. A questão financeira sempre é muito difícil para as bandas, e os custos com estúdios geralmente são caros e hoje em dia creio, ser raro um selo que banque uma banda neste aspecto.

P.Z: O IMPERFECT SOULS, é um exemplo de raça na luta por espaço no underground, pois os únicos veículos de divulgação da banda são a distribuição de demos, matérias em fanzines e o tradicional boca a boca. O que você pensa sobre a divulgação pela internet, tão comum hoje em dia?

Lucas: Olha, não sou contra a divulgação na internet, só acho que uma banda tem que ter história, não importa se demorar 10 anos para lançar um álbum, mas que tenha passado, que tenha vivido as fases necessárias tanto para evolução como músicos quanto para se adquirir o respeito entre os bangers! E o Metal não nasceu na internet, portanto acho um erro os que acham que só devem divulgar na internet. Usada com inteligência a internet ajuda muito, mas não se deve depender somente dela!

P.Z: Qual sua posição quanto a banda não ter um myspace, visto que esta é uma opinião acerca da qual sei que você é bem firme?

Lucas: Justamente pelo que disse anteriormente. Eu não ouço som no myspace, gosto de ter o material em mãos ou nada Você faz um myspace na intenção de divulgar, mas daí tem que disponibilizar tudo lá. Assim, quando lança um material, as pessoas acabam tendo muitas vezes menos interesse, por que a maioria das pessoas vão baixar e deixam de lado o lance de ter o material completo em mãos. Deixo claro que não é um ponto de vista pelo consumismo, somente o velho espírito de ter os materiais pelo simples gosto de pegar, ver os detalhes das capas, encartes e tudo o mais. Quase todos hoje tem um myspace, e no fim das contas tem tanta coisa lá que fica praticamente impossível de digerir tudo. Além de que tem de ter tempo pra ficar atualizando e fazendo com que as pessoas tenham interesse no que está disponível. Gosto da maneira simples da divulgação, e para o que temos intenção tem dado certo, por isso não tenho intenção de mudar, e no mais, quem realmente se interessa pelo som procura ir atrás, independente de como ele esteja sendo divulgado. Não sou contra as bandas terem myspace, só não é este o meio que o IMPERFECT SOULS procura para manter a luta pelo espaço no underground.

P.Z: Quais são os planos para 2011, que já está batendo a porta?

Lucas: Pretendo gravar nossa próxima apresentação e lançar mais um material ao vivo agora em 2011, e no mais continuaremos em nosso ritmo de ensaios e composições, e levar o caos sonoro ao vivo em nossas apresentações sempre que possível. Se tudo correr como planejamos, até o fim de 2011 retornaremos ao estúdio para gravar as novas faixas, só não sei se as lançaremos neste ano e o formato de material que será lançado.

P.Z: Lucas, valeu pela entrevista, fidelidade ao som e reconhecimento pra vocês?

Lucas: Écio, eu é que só tenho à agradecer pelo apoio e oportunidade cedidas a nós. E também a todos os bangers que tem nos apoiado ao longo dos anos, sempre nos dando força e incentivo para continuar nossa batalha, sempre com a máxima fidelidade e honra a nossos princípios! Aos que se interessarem em conhecer a horda basta entrar em contato. Trocas de material são sempre bem vindas! ETERNAMENTE UNDERGROUND!!!!!!!!

Contato:
lucas_imperfect_souls@yahoo.com.br

REVOGAR: Inovação no Metal Extremo!

Por Écio Souza Diniz

Uma das confirmações da intensa cena extrema que há no sul do nosso país, é a banda REVOGAR, portadora de um som que mescla Death e Black Metal em boas proporções, e ainda tem diferenciais nas músicas, em relação as coisas que ouvimos atualmente em termos de Extremo. Para nos falar mais sobre a banda, chamamos o fundador, guitarrista e vocalista, Wagner Santos.

Pólvora Zine: Quando foi formada oficialmente a banda? Fale-nos de seu objetivo em fundá-la.
Wagner Santos: Após o termino da gravação do CD em 11 de setembro de 2010, eu convidei o guitarrista Diego Araujo (PUREFATOS) e o Baterista Jeferson Oliveira (SKY IN FLAMES) para a audição do material, seguido do convite para ingressarem à REVOGAR. O objetivo em ter fundado a banda está relacionado a uma experiência em ter gravado a musica ‘Berço da Revolução’, em português, para ver como iria soar. Assim, convidei alguns amigos músicos para que escutassem o material, e os mesmos acharam que era possível que essa proposta de Death-Black Metal em português pudesse dar certo, até mesmo por que neste estilo não temos nenhuma banda com esta proposta no nosso cenário!
P.Z: Inicialmente foi você quem compôs as músicas? A propósito, como funciona o processo criativo da banda?
Wagner: Logo após ter recebido boas críticas de meus amigos sobre a música ‘Berço Da Revolução’, o segundo passo foi começar a composição das letras das outras 7 músicas, e os arranjos instrumentais das mesmas. Este processo levou em torno de um mês, pois tive de compor todos os instrumentos sozinho e mais três meses para gravação e finalização do material. Hoje, o processo de composição das músicas já esta modificado, pois eu componho as letras e os arranjos da guitarra principal, deixando a segunda guitarra aos cuidados de Diego Araujo e apenas determino o andamento da música ao Jeferson Oliveira, que cria seus próprio arranjos.
P.Z: Liricamente, há algum padrão que você pretenda seguir na REVOGAR?
Wagner: Prefiro não colocar uma linha reta na parte lírica da banda, pois essa é a parte que merece maior atenção na hora de compor uma musica, no CD “Vale Dos Suicidas” eu falo sobre a hipocrisia das religiões no dia a dia do mundo, relacionada às guerras doutrinárias da política e às crenças, que prendem o ser humano e os tornam cada vez mais bitolados aos dogmas!
P.Z: Suas influências são de Metal 80’s. Diante disso, o que você acha do cenário atual do Metal? Quais foram suas maiores inspirações?
Wagner: O cenário atual ligado as bandas antigas está fazendo bom uso das tecnologias de sonoplastias, que antes só eram usadas em filmes americanos, que por sinal essas mesmas bandas esqueceram da parte lírica das músicas e acabaram se preocupando apenas com os efeitos sonoros dos seus materiais. Isto é o contrário das bandas que estão surgindo agora aqui no Brasil, que se preocupam muito mais com o que vão falar e defender em tese. Isso é o que era os anos 80, hoje apenas as bandas Brasileiras se preocupam no como vai ser interpretado o seu material e isso é muito bom, pois de certa forma torna o nosso cenário muito mais profissional do que o dos gringos, que se preocupam apenas com as firulas que irão introduzir em seus materiais. Já inspiração é difícil eu falar, pois eu escuto desde o Heavy Metal Tradicional até o Brutal Death Metal, assim como posso estar escutando um DIO ou UDO, posso estar escutando um KRISIUN ou um NILE, e isso também me ajuda, pois me traz mais conhecimento rítmico para as composições.
P.Z: Algo interessante que noto nas músicas de vocês, como ‘Casa do diabo’ e ‘Solo maldito’, é que além de uma forma mais Oldschool de tocar, com som mais direto e ríspido, é o timbre do vocal, que permite um fácil entendimento das letras e dá um aspecto diferenciado à REVOGAR. O uso de vocal “mais limpo” foi algo intencional? O que você acha disso?
Wagner: Tive de tornar o vocal mais limpo para que ficasse mais fácil de se interpretar a letra, sem um encarte fica difícil as vezes de se entender o que esta sendo dito pelo vocalista, e isso também torna a banda mais forte pois expõem muito mais as letras, dando mais peso ao conteúdo do material.
P.Z: Outro aspecto interessante são o clima e as introduções com clima melancólico, que fazem um bom jus ao primeiro trabalho da REVOGAR, que está sendo lançado, intitulado “Vale dos suicidas”. Conte-nos como foi o processo de composição deste material.
Wagner: Quando componho uma música, eu começo primeiro pela letra para que possa ser feita a linha de voz sem instrumentos, desta forma é muito mais difícil uma música se parecer com a outra. Os climas melancólicos são criados logo em seguida em cima dos temas das letras, procuro fazer as músicas soarem com uma certa ironia em cima do conteúdo das letras, até mesmo por que nesse CD falamos muito sobre a hipocrisia cristã e outros dogmas.
P.Z: Como está sendo distribuído o “Vale dos suicidas”? De forma independente? E a repercussão e aceitação diante do público underground?
Wagner: Teremos uma reunião da banda na primeira semana de janeiro, para decidir como será distribuído o material da Revogar logo após comunicaremos a Metal Army, que é o nosso selo de assessoria de imprensa. Eu não esperava que fosse soar tão bem ao ouvido dos headbangers o nosso material, estamos tendo uma resposta muito positiva das pessoas que acessam o nosso Myspace e escutam nossas músicas, embora não esteja liberado para download elas sempre voltam para escutar as músicas e saber notícias sobre o material de marketing da banda.
P.Z: Há músicas já sendo produzidas para um posterior lançamento?
Wagner: Sim, temos mais oito músicas prontas que já começaram a ser ensaiadas, e nesta reunião na primeira semana de janeiro, iremos discutir também quando vamos começar as gravações do segundo CD.
P.Z: Como anda a tour para divulgação do trabalho de vocês? Tiveram alguma proposta para tocar aqui em Minas?
Wagner: Vamos começar a acertar a ordem dos shows a partir de fevereiro de 2011, momento em que abriremos o show da banda BESATT (Polônia) aqui no sul. Após isto, temos convites do Paraguai, Uruguai e Argentina para março de 2011, não surgiu a oportunidade de tocarmos em Minas ainda, mas em Agosto de 2011 tocaremos no Rio de Janeiro no Areal Metal Fest. Talvez esteja aí a oportunidade de tocarmos em Minas, já que estaremos mais perto e o custo para organizadores de eventos se torna menos pesado!
P.Z: Quais são os planos da REVOGAR para 2011?
Wagner: Priorizaremos a divulgação do CD “Vale Dos Suicidas” em shows, e daremos início em janeiro  a gravação do clipe da faixa-título do CD.
P.Z: Wagner, valeu pela entrevista, que este ano que se aproxima seja prolífero para vocês.
Wagner: Desde já agradeço a oportunidade e o espaço cedido pelo Pólvora Zine, para divulgar o nosso  lançamento, e aos leitores desejo um 2011 com força e honra para todos!
Mais informações:

 

HERESIS: Direto e honesto!

Por Écio Souza Diniz
Formada no final de 2001, pelo músico e compositor, Luciano Andrade, a banda HERESIS, carrega a bandeira do Metal Extremo com garra e perseverança. Praticando um Death metal cru, agressivo e bem elaborado, eles estão na ativa, divulgando seu primeiro trabalho, “Septical”. Assim, para nos falar sobre tudo que envolve a banda, o guitarrista/vocalista Luciano, veio ao Pólvora Zine, munido de argumentos e uma postura singular perante sua música.
Pólvora Zine: A banda teve seu início no final de 2001 em Lavras-MG, onde contou com vários integrantes, sobretudo pessoas oriundas de bandas fortes tanto na cena Lavrense como no resto do Estado. Quais foram as grandes contribuições deixadas por esses ex-integrantes para moldar a identidade da HERESIS?
Luciano Andrade: Sem dúvidas a grande contribuição foi o resultado de todo um esforço e dedicação, proporcionando portanto a continuidade de nossas atividades, sem eles certamente não chegaríamos a este trabalho.
P.Z: No início, você somente tocava guitarra, o que o levou a assumir também as cordas vocais?
Luciano: Apenas um retorno, no início até cheguei a assumir os vocais mas por instantes achamos melhor termos um vocalista (Guilherme Cristelli) e assim foi por um tempo, portanto quando o mesmo não pôde mais continuar na banda ficou uma lacuna, chegamos a fazer testes com outros vocalistas e alguns convites, porém no final optamos por eu retornar aos vocais.
P.Z: Em contraste a questão anterior, pouco tempo após sua formação a banda se transferiu para São João Del Rei, onde se mantêm até hoje. Como foi o processo de procura de novos integrantes? O que esta mudança significou para a banda, musicalmente falando?
Luciano: Esta transição foi mais fácil que esperávamos, pois, como eu, em virtude de meu trabalho, passava mais tempo em São João Del Rei do que em Lavras. Os ensaios começaram a ficar cada vez mais difíceis, às vezes aconteciam ensaios em um lugar e outro mas não deu certo, a situação começava a se desgastar, por outro lado, São João Del Rei também possuía muitas bandas, o cenário underground era forte, com isso muitos bons músicos, o resultado dessa mudança não poderia ser melhore: o fortalecimento de nossa identidade.
P.Z: Na época, você foi trabalhar no conservatório de São João, onde hoje é vice-diretor, correto? Assim, é evidente que além do Metal, você tem influências eruditas. Como você usa este conhecimento técnico da música na sonaridade da banda?
 

Luciano: Correto, porém o Conservatório veio anos antes, também sou Bacharel em Violão Clássico e tenho Licenciatura Plena em Música, assim é natural que o erudito também faça parte de minha vida, mas noto que a principal influência é no processo de composição, me preocupo com a dinâmica da música, junto ao efeito sonoro e técnico. Já levando-se em conta que este é nosso primeiro trabalho, é certo que as coisas tendem a mudar, pelo novo material que estamos compondo, novos elementos poderão ser agregados.

P.Z: Na realidade Heresis, além de ser uma palavra latina (originalmente Haeresis), é também um trabalho literário seu não publicado. Poderia nos falar mais sobre esta obra e o porque da criação da banda calcada nela?
Luciano: O significado da palavra Haeresis é bem interessante e propício ao que eu estava querendo dizer com as letras e nossa postura, significa, “crença ou doutrina nascida de uma escolha pessoal, em oposição a um sistema geralmente aceito e acatado”, e o conto que escrevi, por sua vez também se utiliza destes preceitos para expressar em três pequenas histórias toda a trama que se passa.
P.Z: “Septical”, é um trabalho interessante e envolvente no seu todo. Com um início já estrondoso com ‘The unstandable existence of god’, seguida de ‘To everybody’ (com partes mais cadenciadas bem encaixadas), passando por um lado mais Trash e técnico em ‘Sex, corpses, desires’ e ‘Any sorrow’. O maior destaque pra mim, está em ‘Little prisoner soul’ (que inclusive rendeu um video-clip), por sua alternação de vocais guturais e rasgados em ótima sincronia, associados a densidade do instrumental. O fechamento do set list, dá retorno às músicas mais cruas, caso de ‘Decadence’ e ‘Endogenous hostility’. De onde surgiu o conceito do disco? Você já possuia algumas partes instrumentais prontas, ou que iriam ser usadas em outrora?
Luciano: o conceito girou em torno do contexto de nosso símbolo (nota: Insígnia Cética) além de temas diversos como mediocridade; (‘Decadence’, ‘To Everybody’), necrofilia; (‘Sex, Corpses,Desires’), valores éticos (‘Endogenous Hostility’, que trata de racismo e também possui vídeo-clip), existencial (Any Sorrow) e Ceticismo; (The Unstandable Existence of God e ‘Little Prisioner Soul’). O instrumental portanto é oriundo um pouco de antigos fragmentos e material novo composto no decorrer do tempo.
P.Z: Voltando a falar do passado, como foi tocar com o EXPULSER, uma banda renomada na cena underground mineira, e até fora do país?
 

Luciano: Foi uma boa época, levando-se em consideração que sempre fui um grande admirador do som deles, pessoalmente foi uma realização.

P.Z: É impossível, não dizer que noto uma semelhança em algumas poucas partes de “Septical” com “Haeresis”, do EXPULSER. Você tem alguma influência do som deles? Como foi sua contribuição quando ainda era membro da referida banda?
Luciano: Do material antigo do EXPULSER é inegável, porém do álbum “Haeresis”, se assim parecer é mera coincidência, a tirar por umas poucas músicas que cheguei a tocar ao vivo, o restante foi produzido quase que simultaneamente ao “Heresis”, quando eu já estava fora da banda, não tive portanto acesso ou participação a este material, mesmo na época quando estava na banda o meu papel era desempenhado apenas em shows e divulgação.
P.Z: O HERESIS, teve um tempo inativo, devido a saída do baterista Felipe Lopes, mas está aí novamente na estrada, contando agora com Kiko Ciocciola (Ex-EXPULSER, INOCENTES) nas baquetas. Como tem sido o trabalho dele com vocês?
Luciano: Simplesmente tem fluído, o Kiko só tem acrescentado ao grupo, é ótimo hoje poder contar com sua experiência e amizade.
P.Z: Falando da temática da banda, qual a postura do HERESIS diante de questões político-sociais-religiosas?
Luciano: O nosso principal conceito é o Ceticismo, sempre na busca de um livre pensamento, isento de crenças, dogmas e hipocrisia. .
P.Z: Você é o detentor do símbolo da estrela céptica (presença na capa do disco). Fale-nos o seu significado e porque resolveu criá-la e registrá-la?
L.A: Criei a Insígnia Cética com o propósito de que apenas uma figura pudesse simbolizar o pensamento Cético do qual o HERESIS permeia como postura, possui a insígnia, portanto os símbolos religiosos das três maiores religiões fundamentalistas: o cristianismo, judaísmo e islamismo de forma fragmentada ou invertida, por ser a religião um forte traço em qualquer sociedade, sendo detentora de muitos elementos como história, arte, comportamento, política, filosofia, espiritualidade além é claro de valores éticos e morais.
P.Z: A música ‘Little prisoner soul’, é um pensamento Nitzschiano profundo se formos analisar. Nietzsche representa a maior ou uma de suas maiores inspirações para a parte lírica das músicas?
Luciano: Certamente uma das maiores influências, sem descartar, porém o filósofo Spinosa além dos contemporâneos Daniel Dennett, Richard Dawkins e Sam Harris.
P.Z: Quais suas maiores influências musicais?
Luciano: Slayer, Morbid Angel, Deicide, Napalm Death, Terrorrizer, Krisiun, dentre outros.
P.Z: Visto a agilidade e crueza de “Septical”, o que podemos esperar do próximo disco do HERESIS? Aliás, estão sendo trabalhadas músicas novas?
Luciano: Certamente o mesmo de sempre, som extremo e letras contestadoras!!! (risos) Sem contar com as novas músicas, serão um ato insano de violência sem precedentes.
P.Z: Para encerrar, quais os planos mais breves da banda?
Luciano: Nosso principal objetivo no momento é tocar no maior número de shows possível, para que possamos
divulgar nosso trabalho, sem perder o foco de trabalharmos em nosso novo material.
P.Z: Valeu pela entrevista, sucesso para vocês. O espaço está aberto para você falar a todos que acompanham o HERESIS.
 

Luciano: Obrigado, foi um prazer falar a vocês e a todo este público fiel que é o Metal, agradecemos também àqueles que durante todos estes anos tem nos apoiado e comparecido aos nossos shows. Para aqueles que quiserem conhecer nosso trabalho acessem nosso site: http://www.heresis.com/, lá poderão conhecer melhor nosso trabalho, baixar músicas e acessar mais links relacionados. Espero vê-los em futuros shows!!!! Um abraço e vida longa ao Metal!!!!!!!

KAMALA: Equilíbrio x Peso!

Por Écio Souza Diniz
Oriunda de Campinas, a banda KAMALA, vem se destacando na cena Thrash metal nacional, com músicas intrincadas, furiosas e shows enérgicos. Neste imenso cenário do estilo, coisa difícil é soar original, visto o enorme número de cópias que surgem por aí. Assim, como uma proposta de um som agressivo, porém bem elaborado, eles dividem palcos com grandes nomes do Metal brazuca e têm arrastado para si número crescente de fãs. Para nos falar sobre sua trajetória, o guitarrista/vocalista Raphael Olmos e o baterista Nicolas Andrade, vieram repletos de entusiasmo em falar do trabalho que fazem.
 
Pólvora Zine: A banda foi formada em 2003 e lançou seu primeiro registro, a demo “Corrosive” em 2005. Como foi o início das atividades, o caminho percorrido até este lançamento? E como foi a recepção dos amantes do Thrash metal e headbangers no geral?
 
Raphael: Queria formar uma banda para fazer musicas pesadas e com muita energia, mas assim como a maioria das bandas, muitos testes foram feitos até fixar a primeira formação. A formação da demo “Corrosive” era um trio, comigo no vocal/guitarra, Nicolas na bateria e Adriano no baixo. Para a gravação do debut, auto intitulado “Kamala”, produzido e gravado pelo Ricardo Piccoli, foi adicionado uma segunda guitarra na banda, pois com os shows da demo, percebemos que na hora dos solos, a música perdia um pouco o peso. Algumas portas se abriram, o álbum de estréia foi bem recebido pelo público e crítica. Pouco antes de finalizar as músicas do segundo álbum “Fractal” o outro guitarrista resolveu sair por motivos pessoais, e é aí que o Andreas entrou na banda e se encaixou perfeitamente, colaborando logo de cara para muitos arranjos do “Fractal”. Novamente gravado e produzido no Piccoli Studio, este álbum realmente está abrindo portas importantes e mostrando que o Kamala veio para ficar!
 
P.Z: Como foi o trabalho com Ricardo Piccoli na gravação do álbum de estreia, auto-intitulado “Kamala”? O quanto e como você acha que a participação dele no processo, colaborou para que a banda, obtivesse o bom resultado mostrado no disco?
 
Raphael: Falamos que o Ricardo Piccoli é o quinto membro da banda, ele desde o início entendeu a proposta da banda e desenvolveu um trabalho fantástico! Sem dúvida nenhuma com outro produtor o resultado, tanto da qualidade do áudio, quanto das idéias das músicas, o álbum de estréia não seria o mesmo. Principalmente para os vocais, ele me mostrou que poderia experimentar e alcançar estilos que nem mesmo eu sabia antes de entrar em estúdio, crescemos muito com a gravação do primeiro álbum e nos orgulhamos de ter feito a estréia com este álbum.
 
P.Z: “Kamala”, tem composições que esbanjam vitalidade. Como foi o processo criativo para o álbum, já havia retenção das ideias por parte de algum membro da banda? Aliás como vocês dividem o trabalho na hora de compor?
 
Raphael: Na banda todo mundo tem carta branca para compor e fazer os arranjos. Geralmente alguém compõe algo em casa e mostra uma prévia por email ou mostrando nos ensaios, se a idéia não for aprovada logo de cara, dificilmente continuaremos o trabalho em cima, tem que ser algo que todos sintam potencial. As letras a maioria são minhas e o Nicolas também contribui nesse processo, letras não podem ser “forçadas”, as vezes surgem varias, as vezes demora muito tempo para se surgir algo interessante, então deixamos isso fluir e na maioria das vezes na banda, a letra é a ultima parte a ser trabalhada.
 
P.Z: Houve algum motivo em especial para inclusão das cinco músicas de “Corrosive” no álbum?
 
Raphael: Simplesmente incluímos as cinco musicas da demo, pois sentíamos uma força nelas e que elas poderiam ter uma nova cara, com novos arranjos, uma gravação de qualidade muito superior e ter uma execussão melhor também.
 
P.Z: Atualmente vocês estão divulgando o segundo álbum, “Fractal” (2009), e contam com a participação do guitarrista Andreas Dehn. O que ele mais acrescentou à banda e sua sonoridade? Como vem sendo a resposta do público a este disco em detrimento do anterior?
 

Raphael: O Andreas foi o guitarrista perfeito para se juntar ao Kamala. O primeiro álbum, quase todas as músicas foram feitas para uma guitarra, então todo o trabalho da segunda guitarra é acrescentar peso unicamente, para o segundo, já estava trabalhando “dobras”, arranjos, camadas e tudo mais, e a visão e técnica que o Andreas tem para arranjos, melodias e harmonias é espetacular!

Trabalhamos muito nas estruturas das músicas e sentimos que as músicas do “Fractal” são um próximo nível, comparado com as músicas do álbum de estréia. A resposta do público vem sendo muito positiva, e o pessoal que já acompanhava a banda também comenta da evolução da banda. E ao mesmo tempo, esse segundo trabalho nos trouxe muitos fãs.
Com o “Fractal”, simultaneamente, lançamos nosso primeiro vídeo clipe, da faixa “Consequences”, feito por uma produtora nova, mas que vem se destacando e crescendo cada vez mais no mercado, devido a qualidade de equipamento e edição diferenciada, feita por profissionais com ótimas idéias, a Studio Kaiowas. E para continuar a divulgação do “Fractal” lançamos recentemente pela Studio Kaiowas o segundo clipe, agora da faixa “Stand On My Manger”, que contem cenas da banda ao vivo. E para o final do ano, já estamos conversando sobre a filmagem do terceiro clipe deste álbum.
 
P.Z: O “Fractal” tem momentos densos e arrasadores como em ‘Consequences’, ‘Push’ e ‘Purify’ e ‘Determination’. Nota-se um grande evolução da banda desde o primeiro disco e o clima do álbum no geral é excelente. O que você diria de ambos, comparativamente falando?
 

Raphael: O primeiro álbum foi feito para uma guitarra, apenas no final do processo que decidimos colocar outra guitarra para não perder o peso nos shows e tinha aquela vontade de dar as caras, um primeiro lançamento full é uma grande dificulade e ao mesmo tempo uma grande conquista, por isso o debut é mais direto. Para o “Fractal” estávamos muito mais maduros e a entrada do Andreas trouxe um novo gás para a banda, pois ele é um excelente guitarrista e principalmente tem visões para melodias incríveis! O álbum inteiro caminha junto e ao mesmo tempo cada música tem a sua individualidade/força. E para finalizar, a produção, que ficou a cargo novamente do Ricardo Piccoli, ficou fantástica! Juntamente com toda a arte gráfica feita pelo Newasko Design e o vídeo clipe da faixa “Consequences” produzido pela produtura Studio Kaiowas e lançado como faixa multimídia em HD no CD. Sem duvida está sendo um trabalho que está abrindo muitas portas.

 
P.Z: A crítica recebeu muito bem “Fractal”, o que possibilitou grande exposição da banda, maior número de shows. Mas algo interessante no quisito divulgação, foi a idéia de transmitirem o ensaio pela internet. De onde surgiu a idéia e qual foi o resultado?
 
Nicolas: A ideia de transmitir o ensaio ao vivo na verdade fez parte de todo um trabalho de divulgação para o show do Roça ‘N’ Roll, e também havia o intuito de mostrar aos fãs como funciona a banda fora do palco, e isso com certeza foi muito bem recebido por todo o pessoal que acompanha a banda através das mídias sociais. O pessoal elogiou a iniciativa e esteve presente durante toda transmissão. Com certeza estaremos preparando algo do tipo para daqui algum tempo! Fiquem ligados!
 
P.Z: Outra coisa que chama a atenção na banda, é a capa, que trata de temas hindus. Qual o motivo específico para esse tipo de abordagem? E as letras fazem muitos questionamentos ao ser humano, isto é meio que um padrão que a banda deseja seguir liricamente?
 
Nicolas: Bom, muita coisa é trabalhada com essa temática justamente por conta do nome da banda e para dar um clima ao material, no caso do “Fractal” a idéia era retratar os dois lados da moeda de cada um de nós. Nós carregamos energias positivas e negativas dentro de um mesmo corpo e isso chega a tona de diversas maneiras, então muito do que acontece no mundo está no desequilíbrio dessas forças, por isso tentamos trabalhar essa idéia de transtorno ao qual somos expostos a todo momento.
Sobre as letras, eu acredito que sim, este seja uma tipo de padrão, pois não existe uma solução sem um problema, então nós questionamos para que cada um busque as respostas dentro de si mesmo, para que se enxerguem e tentem entender o porque do mundo estar como está, o porque dos rumos que a vida toma. Não adianta apenas ficar culpando uns aos outros, buscando soluções milagrosas ou guerreando por causas sem sentido, temos que nos auto-interpretar antes de sair agindo de forma impensada.
 
P.Z: O que você acha da cena do Thrash metal atualmente, sobretudo do retorno e persistência de muitas bandas clássicas do gênero?
 
Raphael: Atualmente o Thrash metal voltou a se fortalecer. Quando digo fortalecer, falo perante a valorização, novas bandas surgindo com essa influencia, mídia fazendo matérias das bandas do estilo e etc… pois é um estilo que tem um público muito apaixonado e fiel, nunca vai morrer. O retorno de algumas bandas, traz o sentimento de nostalgia, acho totalmente valido bandas retornando, celebrando uma era extremamente importante para a música pesada em geral, o que apenas não sou a favor, são o surgimento de novas bandas, onde estas, acham que vivem em plenos anos 80, cada época é uma época. O que as pessoas na década de 80 viviam, políticamente, socialmente, tecnologicamente e tudo mais, eram muito diferente dos tempos de hoje, então não sou a favor de bandas que acham que estão na Bay Area em qualquer canto do planeta, aquilo foi algo único e acho que o pessoal tem que respeitar, admirar, se inspirar…mas não fazer um cópia, o que você vai escutar, o que é real ou o que é copiado? Nossa escola é o Thrash metal, mas olhamos para frente.
 
P.Z: Como foi comentado, vocês tocaram aqui em Minas, na 12° expedição do Roça and Roll, em Varginha, ao lado de bandas como CORPSE GRINDER e TORTURE SQUAD. Como foi este show para vocês?
 

Raphael: O Roça ´n´Roll vem se tornando maior a cada ano que passa. O público presente é simplesmente insano e agitaram do começo ao fim! Registramos esse show e muitas imagens estão no nosso próximo vídeo clipe a ser lançado, novamente pela produtora Studio Kaiowas (que trabalhou no clipe da “Consequences”). Esperamos voltar nas próximas edições e tocar para esse público fantástico e nesse evento que vem sendo muito importante para a valorização do Metal nacional.

 
P.Z: Há planos para o 3° álbum em andamento? O que pode-se esperar de um novo trabalho da KAMALA?
 

Raphael: Em paralelo ao trabalho de divulgação do “Fractal”, estamos trabalhando o terceiro álbum, com previsão de lançamento no final de 2011/início de 2012. Já temos mais de 30 idéias e até iniciar a gravação, continuarão surgindo novas idéias. Todas essas idéias estão na fase do “esqueleto”, sabemos que as músicas vão tomar formas, vão crescer, mas o que podem esperar é que nós sempre vamos procurar elevar o nível com relação ao trabalho anterior e fazer músicas que somos apaixonados. E sinto que teremos um álbum forte por vir, tudo está muito no início, mas já sinto músicas com potencial de ficarem poderosas no estúdio e ao vivo para o nossos fãs.

 
P.Z: E os shows atualmente, há possibilidade de uma tour no exterior? Tem havido propostas interessantes?
 

Raphael: Sinceramente não surgiu nenhuma proposta interessante para uma tour no exterior. Tudo vai acontecer na hora certa, para quando sair, fazermos um bom trabalho de divulgação lá fora, com uma estrutura legal e uma boa agenda de shows por lá. Vai acontecer sem dúvida, pois desejamos isso desde o início da banda, mas apenas ainda não surgiu uma proposta realmente interessante por enquanto.

P.Z: Obrigado pela entrevista, sucesso e garra para vocês. O espaço está aberto para falar os Thrashbangers.
 

Nicolas: Primeiramente nós que agradecemos a oportunidade, e gostaria de agradecer a todos que vêm nos acompanhando nessa jornada. O apoio de cada um é muito importante! Fiquem ligados nas novidades da banda, pois estamos preparando muitas coisas boas, então acompanhem nosso site (www.kamala1.net), lá tem uma grande quantidade de material bacana que separamos pra vocês e em todos os demais meios veículos de divulgação da banda!

Para saber mais sobre a banda acesse:

http://www.myspace.com/kmlthrash

www.kamala1.net

CHAKAL: Na ativa e com vigor!

Por Écio Souza Diniz

A grande cena do metal extremo brasileiro, composta por grandes expoentes sobretudo do Death/Black e Trash metal, teve sua centralização em Belo Horizonte, formando todo um movimento que atraí seguidores até os dias atuais. Em meio a um número considerável de bandas que surgiam na segunda metade da década de 80 na capital mineira, o CHAKAL, foi e ainda é um grande destaque daquela época. Com seu Trash/Death, rápido, agressivo e muito bem interpretado, eles partiram do simples status de mais um nome surgindo na explosão daquela época, para uma referência no mundo do Metal. Agora, eles estão fazendo vários shows pelo país e levando seu som as novas gerações de Headbangers. Para nos falar melhor sobre tudo isto e muito mais, o Pólvora Zine, conta com a presença do baterista, Wiz. Acompanhem a devastação Trash!!!

 
Pólvora Zine: O CHAKAL, surgiu em uma época em que ocorria uma grande explosão do Metal em Belo Horizonte, ajudando a consolidar uma cena que ficaria marcada em nosso país. Fale-nos como foi desde o surgimento da banda até ela se firmar, tendo a primeira grande exposição na coletânea “Warfare noise” (1986), lançada pela Cogumelo Records.
 

Wiz: Acho que no princípio nós começamos como qualquer banda, nos juntamos apenas para divertir e nunca nem pensamos que iríamos fazer um show e muito menos gravar alguma coisa.

Com algumas mudanças de formação acabamos nos estabilizando com o line up que gravou a “Warfare noise”, e depois disso gravar os outros trabalhos foi apenas uma coisa natural.
 
P.Z:Como ocorreu o processo criativo de “Abominable Anno Domini” (1987), principalmente a concepção de clássicos como ‘May not the mankind suffer’ e ‘Jason live’? O quanto vocês excursionaram para promover este álbum?
 
Wiz: Uma banda quando está no início geralmente tem uma facilidade grande em compor, você vai só pensando e fazendo sem muita autocrítica ou autocensura, depois você mesmo descarta o que acha que não está legal. Basicamente foi o que aconteceu com o CHAKAL. Nós tinhamos tinhamos muitas músicas ou pedaços que foram se juntando e se tornando o “Abominable anno domini”. Na época, nós estávamos apenas preocupados em ver a reação do público com as músicas novas, então era só nos chamar que iamos, e foi bem legal, fizemos muitos shows.
 
P.Z: No segundo álbum, “The man is his own Jackal” (1990), se pode ouvir um CHAKAL mais evoluído, não abandonando a rapidez e selvageria de outrora. Isto pode ser claramente notado em composições como a rápida e muito bem riffada ‘Feel no pain’, ‘Silence and peace’ e a densa e ríspida ‘Santa Claus has got skin cancer’. Como foi para vocês explorarem mais o som da banda, calcando mais no Trash metal. Foi algo mais natural ou premeditado?
 

Wiz: Eu acho que foi uma evolução técnica natural, o que mudou mesmo a cara da banda foi uma mudança no estilo de vocal. As parte instrumentais das músicas de “The man is own jackal”, seriam as mesmas, independente de quem fosse o vocalista. Tanto, que considero o “Demon king” uma grande mistura dos trabalhos anteriores do CHAKAL.

 
P.Z: Nessa mesma época, Vladmir (Korg), deixou a banda para se juntar ao THE MIST, em algum momento esta saída chegou a preocupar você quanto a continuação da banda? Para você Vladmir, qual foi a maior necessidade que culminou em sua ida para o THE MIST?
 

Wiz: Na época eu nunca pensei no fim do CHAKAL, apenas pensava que teríamos que encontrar outro vocalista, e isso não é uma coisa fácil, tanto que testamos inúmeros deles: alguns bons, outros não, e acabamos por optar pelo Laranja.

 
P.Z: O que você acha das pegadas mais groove de “Death is a lonely business” (1991, terceiro álbum)? Assim como a crítica especializada, você o considera como o mais bem produzido e moldado álbum do CHAKAL? Quais opções você vê que puderam ser bem exploradas com o vocal de Sérgio nas músicas?
 

Wiz: Eu particularmente não curto a produção do “Death is a lonely business”. Para época foi muito bem gravado, mas eu acho a gravação muito fria e reta, as mesmas músicas tocadas ao vivo eram um grande soco na boca do estomago e acho que não conseguimos passar isto para o LP .

Eu acho que o principal prejudicado neste álbum foi exatamente o Serjão. O pobre nunca tinha entrado em um estúdio e nós o jogamos na fogueira no ultimo período de gravação, tendo que fazer todas às músicas em poucas horas.
 
P.Z:Após “Death is a lonely business”, o que exatamente levou a banda a cessar suas atividades por alguns anos?
 
Wiz: Uma série de fatores: alguns internos, outros externos, mas o principal deles, foi o direcionamento que o Metal em geral estava tomando.
 
P.Z: O retorno de vocês em 2002, culminou com o lançamento do inédito e experimental “Deadland”, que veio somado a “Abominable Anno Domini” e o EP “Living with the pigs” (de 1988). O que vocês acharam de ser lançado este pacote inédito-clássico.
 

Wiz: Se tem uma coisa que eu sempre lutei, foi para haver o lançamento de todo o catálogo do CHAKAL em cd, não descansei enquanto não saíram todos.

 
P.Z: De onde surgiu o conceito de “Deadland”, todas aquelas passagens, vinhetas de gritos e tiros?
 

Wiz: Eu acho um exagero quando as pessoas falam demais dos tiros etc. , na Jason o korg fala com um radio comunicador tipo de policia, o “Living whith the pigs”, começa com uma musiquinha dos três porquinhos, no “The man is…”, há coisas parecidas e no “Death is a lonely…”, tem tiros, vacas mugindo, passarinhos cantando etc. Não entendo o porque de só se comentar isso no “Deadland”.

 
P.Z: Eu creio que talvez, seja um clima diferenciado que o álbum provoque no ouvinte, que o faz reparar nestes detalhes dele, e não reparar nos demais álbuns.
Wiz: Isso eu até concordo, o “Deadland” realmente é um trabalho diferente, mas as críticas geralmente são pontuadas exatamente em coisas que a gente já tinha usado antes ou em outras coisas.
Por exemplo, alguns dizem que o disco não é cru, na verdade é o trabalho mais cru e mais básico que já fizemos principálmente em matéria de sonoridade e gravação.
Outras pessoas falam que é meio New metal, isso eu já acho mais absurdo ainda, afinal nos buscamos principalmente na parte instrumental nossas principais influencias da decada de 70.
Agora, o que o pessoal menos fala e que eu acho que poderia ser uma critica, é que definitivamente o “Deadland” não é um CD de Thrash/Death metal. Itso com certeza é verdade.
P.Z: Já em 2004, vocês socaram o pé novamente no Trash metal, trazendo o excelente “Demon King”, com composições fortes e ácidas como ‘Demon king’, ‘War drums’, ‘Psycho’ e um cover formidável de ‘Evil dead’, do DEATH. Para mim este é o registro, onde vocês mais se aperfeiçoaram como músicos e compositores, além de também achar que é mais produzido que “Death is a lonely business”. O que vocês acham desta perspectiva? Vocês também vêem as coisas desta maneira?
 
Wiz: Como todos os nossos trabalhos, eu acho que tem erros e acertos, mas com certeza acertamos bem mais que erramos. O “Demon king” criou vários clássicos, tanto que é difícil uma banda com mais de 20 anos de estrada tocar tantas músicas do disco mais novo e ser recompensada pelo público por isso.
 
P.Z: Visto o tempo que vocês estão na estrada, o que acham da cena atual do Metal Extremo, tanto em Minas como no resto do país? Vocês crêem que tá havendo uma volta ao valor do Metal oitentista?
 
Wiz: Eu não rotulo o CHAKAL como extremo. Na verdade, acredito que somos extremistas, pois temos influencias de Death , Black, Thrash, Prog, e Metal tradicional, e conseguimos misturar isso tudo sem deixar de ser o CHAKAL e não nos deixando levar por modinhas. Hoje em dia, é tudo mais fácil tecnicamente falando, por isso acho que é fácil recriar o clima dos anos 80, além disso eu acho que a geração atual sempre tem uma tendência a gostar de coisas da geração anterior, isso acontecia com a gente na década de 80 , nós queríamos soar como BLACK SABBATH, MOTORHEAD, JUDAS PRIEST, e dessa mistura criávamos um som novo, que na época não sabíamos que seria reverenciado até os dias de hoje.
 
P.Z: O CHAKAL, está aí com força total, fazendo shows pelo Brasil afora. Recentemente tocaram no 4° Triumph of metal em Pouso Alegre (27/08/2010). Como vem sendo a agenda e os shows ultimamente e o que acharam do referido evento?
 

Wiz: Este ano a gente tinha dado um tempo com shows para podermos resolver algumas coisas do nosso novo trabalho, depois decidimos testar algumas músicas novas ao vivo, como foi feito antes de gravarmos o “Abominable…”. Assim, resolvemos fazer alguns shows no segundo semestre, só que começaram a pintar muitas oportunidades e isto está muito bom. O Triumph of metal foi excelente. Boas bandas, bom público e fizemos boas amizades.

P.Z: Para finalizar, os Bangers podem esperar um novo álbum do CHAKAL em breve?
 

Wiz: Nós já temos músicas suficientes para lançar um cd novo , mas não decidimos ainda quando entrar em estúdio para gravar, por enquanto vamos continuar testando as músicas ao vivo , pois tem sido uma grata surpresa fazer desta maneira. Mas, como tem tanto tempo que lançamos o “Demon King”, isso significa que não demoraremos tanto tempo mais para lançar algo novo .

 
P.Z: Obrigado a vocês pela entrevista, sucesso e muito chão ainda para a banda, que as raízes do Metal vivam eternamente. O espaço fica aberto para falarem aos fãs.
Wiz: Obrigado a vocês por nos darem a oportunidade. Quanto aos fãs, o que posso dizer é que o CHAKAL espera que vocês agitem como se fosse a última coisa que fossem fazer em suas vidas.
 
Para mais informações sobre a banda acesse:

HAMMURABI: Nova fúria do Death Metal mineiro!

Por Écio Souza Diniz

A cena Metálica de Belo Horizonte sempre revelou bandas excepcionais, constituindo-se no berço do metal extremo nacional. Hoje, isto não é diferente, a cidade continua sendo um lugar frutífero na produção de boa música e a banda HAMMURABI, atualmente composta por Daniel Lucas (baixo/vocal), Críslei Rodrigo (bateria) e Danilo Henrique (guitarra) é um bom exemplo disso. Com a proposta de fazer um Death/thrash agressivo e bem moldado, eles estão cada vez mais caindo no gosto dos fãs deste estilo. O baterista Críslei Rodrigo, veio ao Pólvora Zine para nos falar sobre a banda, sua trajetória, os lançamentos e planos. Acompanhem e vejam que eles não estão pra brincadeira.
Pólvora Zine: O HAMMURABI surgiu em 2006 da dissolução da banda GESTALT, formado por você e Daniel Lucas (Baixo/vocal), com Wagner Oliveira completando o lineup. Neste mesmo ano vocês lançaram a demo “Submersos”, composta pela faixa homônima e ‘USA terrorista’, que rendeu boas críticas para a banda. Como fora o início de tudo, as batalhas, etc. E o processo de composição, já havia composições prontas e elas foram aproveitadas?
Críslei Rodrigo: Primeiramente gostaria de agradecer em nome da banda ao pessoal do Pólvora Zine pelo convite. Então, como todo início de carreira, as coisas são muito difíceis, é necessário ter muito foco e saber realmente o que quer, senão acaba-se logo desistindo. Durante todos esses anos sempre esbarramos em várias dificuldades e cada uma que superamos nos dá mais força para enfrentarmos as próximas e assim por diante. No underground nada é fácil, o resultado só vem com muita garra e suor. Quanto às composições, quando decidimos por mudar o nome da banda, acabamos por mudar todas as músicas, pois na época tocávamos com duas guitarras, inclusive o Daniel era um dos guitarristas da banda, então resolvemos criar novos arranjos em função desse novo projeto.

P.Z: Com a popularidade da banda crescendo através da divulgação de “Submersos”, vocês tiveram oportunidade de tocar em vários Estados. Fora de Minas, em qual deles a banda teve maior destaque? E como foi a receptividade dos headbangers nos shows?

Críslei: Cara, durante esse período tivemos a oportunidade de tocar em diversas cidades e Estados, e em cada um foi diferente, porém não menos especial. É difícil falar de um único lugar, a cada show que fazemos somos bem recepcionados e acaba sendo uma relação recíproca, pois a gente se diverte e por conseqüência a galera também.

P.Z: Em 2007, vocês tiveram a oportunidade de tocar ao lado do KRISIUN em Belo Horizonte, e no mesmo ano o Wagner deixou a banda. O quanto este show contribuiu para uma maior projeção da banda na cena? Como foi lidar com a baixa de um guitarrista em um momento em que a banda estava encaminhando de forma progressiva?

Críslei: Tocar com o KRISIUN foi um marco em nossas carreiras, pois naquele momento sabíamos que a banda encarava a maior oportunidade até então, e estávamos muito ansiosos, pois foi a primeira vez que tocamos ao lado de uma banda de maior projeção, e ainda por cima em nossa terra natal, berço de várias lendas do Metal nacional e mundial. Acho que foi muito importante para nós, aprendemos bastante com os caras. Por outro lado, logo em seguida tivemos que conviver com a saída de um companheiro de banda, foi um momento muito difícil, pois já estávamos em processo de gravação de “Shelter of Blames” e tivemos de interromper o projeto para buscar um substituto a altura. Nesse momento, eu e o Daniel decidimos que a banda a partir de então contaria com dois guitarristas, uma vez que estávamos em busca de um som mais trabalhado. Foi então que encontramos o Danilo que faz parte da banda até hoje e o Josias que saiu já há algum tempo.

P.Z: No ano seguinte, vocês lançaram o primeiro release, “Shelter of blames”, já com a banda atuando como quarteto, tendo Danilo Henrique e Josias Martins nas guitarras, e foi muito bem recebido pelo público. Qual foi a maior influência que você acha que a presença de duas guitarras ter exercido no resultado final?

Críslei: Acredito que a banda melhorou muito com os dois guitarristas, ambos tinham influências pessoais distintas, e isso foi muito bom para as gravações. A sensação que tínhamos é que eles se completavam enquanto músicos e eu e o Daniel tivemos a possibilidade de trabalhar mais a cozinha e deixar com que as guitarras soassem mais independentes, uma vez que queríamos um som mais agressivo e direto, porém definido.

P.Z: Como foi o show ao lado do SODOM, onde oficialmente lançaram “Shelter of blames”?

Críslei: Tocar com o SODOM pra gente foi uma conquista muito prazerosa, fruto de um trabalho árduo, é muito gratificante poder dividir o palco com uma banda que se é fã, eu especificamente gosto muito do som da banda. Acredito que o lançamento de “Shelter of blames” não poderia ter sido em melhor ocasião, grandes bandas e casa cheia, combinação que só podia culminar em um grande espetáculo.

P.Z: “Shelter of blames” é composto de músicas densas e agressivas, técnicas e cruas ao mesmo tempo. É notável que as faixas crescem em complexidade no decorrer do disco. Pedradas como ‘The end is near’ e ‘Shelter of blames’, são um perfeito exemplo do que estou dizendo. Como vocês trabalharam o conceito geral das composições?

Críslei: Bom, o nosso processo de composição em “Shelter of Blames” basicamente aconteceu da seguinte forma. O Daniel chegou com algumas idéias em um violão e nos apresentou, daí pegamos aquilo e arranjamos de forma que funcionasse com todos os instrumentos juntos, em seguida o Daniel trouxe as letras e eu tive a oportunidade de compor em conjunto com ele a música ‘The end is near’.

P.Z: Vocês lançaram um vídeo clip para a música ‘Shelter of blames’, que vem sendo divulgado no Youtube, e que por sinal teve uma produção excelente e dá pra notar toda energia da banda nele. A veiculação deste vídeo tem atraído muita atenção dos bangers e interesse de promotores de eventos?

Críslei: De certa forma sim, um vídeo clip é sempre bom para se ter uma idéia da energia, postura visual da banda, até mesmo para as pessoas que ainda não conhecem a banda tenham uma maior identificação com os membros, haja vista que um vídeo clip não é simplesmente a música, e sim, a representação de como os músicos interpretam aquilo que compuseram.

P.Z: Recentemente, vocês participaram da 12° edição do festival Sul-mineiro Roça and roll, em Varginha, e deram um grande show. Eu pude assisti-lo e a reação do público para com a banda segundo minha opinião, fora excelente. O que vocês acharam daquele show e o que ele teve de mais marcante?

Críslei: O que posso dizer é que estava frio pra cacete (risos). Mas falando sério, apesar do frio a galera respondeu a altura. Eu particularmente nunca tinha presenciado uma edição do Roça, no entanto sempre ouvia a galera falar que era um festival foda, então, quando chegamos lá, fiquei surpreso com a estrutura do evento. Jamais imaginei que um evento literalmente no meio do mato tivesse tamanha proporção. Foi uma experiência incrível, pudemos dividir o palco com bandas que estão entre as maiores do Brasil no respectivo estilo, sem falar no público que mesmo com o frio intenso e o cansaço pela duração do evento, se manteve presente e atuante em quase todas as apresentações.

P.Z: Está disponível no myspace da banda, um novo e ótimo release, intitulado “Blessed by hate”, composto por duas músicas, ‘Despair and anguish’ e a faixa auto-intitulada. Neste registro, percebemos que a banda alcançou uma considerável evolução técnica e criativa desde o lançamento de “Shelter of blames”. O que efetivamente permitiu que vocês alcançassem este “Up” tão rápido?

Críslei: Acredito que esse foi um processo natural e se deve ao fato da evolução musical de cada um mesmo. Ao compor essas novas canções estávamos muito mais conscientes e sabíamos exatamente como a banda deveria soar. Então buscamos um amplo referencial de bandas e músicos que pudesse nos ajudar nesse trabalho. Sem falar no processo de criação mesmo que mudou, pois dessa vez o Danilo em conjunto com o Daniel gravavam os riffs de guitarras e me mandavam para que eu pudesse compor as baterias. Foi meio loco, pois praticamente não tocamos as músicas juntos antes de gravar, cada um tinha uma guia de guitarra e criávamos em cima do que ouvíamos gravado. Acredito que essa talvez seja a nossa maior evolução no processo criativo, o resto foi feeling.

P.Z: Agora vocês estão trabalhando no debut álbum, “The extinction root”, poderia nos dizer, o que podemos esperar deste lançamento? “Blessed by hate” seria uma premissa do que está por vir?

Críslei: Sim, “Blessed by hate” é uma prévia do que vem por ai. Inclusive ambas as faixas estarão presentes em “The extinction root”. E o que posso dizer é que quem ouviu “Shelter of blames” e gostou pode ter certeza que irá gostar ainda mais desse novo trabalho, e quem teve a oportunidade de ouvir “Shelter of blames” e ainda sim não gostou da banda, acredito que ao ouvir “The extinction root” essas pessoas provavelmente mudarão seus conceitos. Esse novo trabalho contou com a co-produção do André Cabelo (CHAKAL), que nos ajudou muito no momento das gravações, logo o resultado não poderia ser diferente: 10 músicas que vão do Thrash ao Death, e que vão fazer você bater cabeça do início ao fim. É como dizem: mãe não acha o filho feio! (risos)

P.Z: Fora, o primeiro álbum, quais são os planos da banda para o restante de 2010 e como anda a agenda de shows?

Críslei: Estamos trabalhando na produção de um vídeo clipe que deve ser lançado junto ao álbum e preparando uma tour ainda mais abrangente, que passará por cidades nas quais ainda não nos apresentamos, além de retornar nas que já temos o costume de nos apresentar. Também estamos preparando algumas promoções para os fãs da banda, portanto, fiquem ligados!

P.Z: Valeu pela entrevista Críslei, sucesso para vocês nesta jornada que está começando e que a criatividade e chama que vocês têm pra tocar e compor, esteja sempre em alta. Pode ficar a vontade para mandar uma mensagem aos bangers que acompanham o HAMMURABI.

Críslei: Gostaria de mais uma vez agradecer a você pela oportunidade, e agradecer a todos aqueles que têm acompanhado o nosso trabalho, seja pelo Myspace, Twitter ou Orkut. Só chegamos até aqui, porque vocês têm nos apoiado e prestigiado indo aos shows e comprando nossos produtos. O Hammurabi não é nada sem vocês!
Continuem nos acompanhado pois em breve haverá novidades.
Metal Forever!!!
Para mais informações sobre a banda acessem:
 

Torture Squad: Caos, Horror e tortura no Metal!!!

Por Écio Souza Diniz
O Brasil, é um país extremamente frutífero quando se fala de Metal e muitas bandas daqui alcançam a projeção mundial sem se esforçar para fazer o gosto da mídia, apenas por sua música ser boa por si própria. O TORTURE SQUAD, merecidamente é um desses nomes da cena Trash/Death brasileira, que cada vez mais conquista o mundo, principalmente a Europa, com seus shows destruidores e presença de palco de primeira. Isto faz com que sejamos gratos por ter bandas que tem esse reconhecimento. Para nos falar melhor sobre a atual tour européia, uma viagem na linha do tempo e o novo disco previsto para este ano, o baterista Amilcar Christófaro, veio ao Pólvora Zine, se mostrando solicito e aberto, além de um cara de idéias conscientes.
 
 
Pólvora Zine: A banda teve seu início em 1990, formada pelos irmãos Cristiano Fusco (guitarra) e Marcelo Fusco (bateria) e Marcelo Dirceu (baixo/vocal), até que em 1993 Cristiano recrutou você, Castor (baixo), Vitor Rodrigues Vocal e Fúlvio Pelli (guitarra) para gravar a primeira Demo, “A sou in hell”. Naquela época a banda trabalhava com dois guitarristas, mas logo optou pela preferência por manter somente uma guitarra. Apesar do som tocado atualmente pela banda ser bem mais evoluído, quais as diferenças você acha que poderiam haver tanto em termos de composição quanto técnica e sonoridade, se vocês tivessem dois guitarristas?
 
Amilcar Christófaro: Olha…Essa é uma pergunta muito legal e que poucas vezes é feita para nós… Eu penso que as coisas sempre acontecem naturalmente, e em relação a isso não foi diferente. O Fúlvio saiu da banda, continuamos, mas o principal foi que, dali em diante, optamos por ter apenas uma guitarra na banda. Isto fez com que nós não pensassemos somente em peso a agressividade, o que na maioria das vezes é o papel da guitarra, e sim em trabalhar mais o baixo e a bateria, como muitas das bandas que temos influência fazem. Então notamos que teríamos espaço para trabalhar os instrumentos sem perder o peso e a agressividade. Com certeza se tivéssemos outra guitarra, inspiração pra compor não iria faltar, aliás, pelo contrário, guitarra já é um instrumento que te dá milhões de opções, com duas ainda… Mas sempre fomos felizes assim e tudo indica que vamos continuar dessa forma.
 
P.Z: Em 1995, vocês gravaram o debut “Shivering”, que só chegou a público em 1998. O que de fato mais impossibilitou o álbum de ser lançado no ano em que foi concluído? Quais eram as maiores dificuldades enfrentadas naquela época?
 
A.C: Um monte de dificuldades. Se realmente fossemos uns “paga pau”, o metal não estive no nosso sangue, além da pura paixão pelo que fazemos , pararíamos ali mesmo. Primeiro, um Italiano doido que morava no Brasil, disse que iria lançar o disco e só nos enrolou. Depois, entramos em contato com uma empresa que prestava esse serviço de prensar CDs, principalmente para as bandas independentes, cada um separou a grana do seu salário pra pagar em três vezes a prensagem, pagamos e nada do CD. Chegou ao ponto de resolvermos a questão na delegacia. E nisso, foram se passando os anos, até que em 1998 chegou a nossa prensagem independente e lançamos. No mesmo ano a Destroyer Recs, nossa gravadora na época, gostou e relançou.
 
P.Z: Felizmente, vocês encontraram uma boa parceria com a Destroyer Records, que relançou o primeiro álbum e lançou os seguintes. Como é o trabalho e a credibilidade com este selo?
 
AC: Foi bom até onde rolou , tanto que a Destroyer não existe mais.
 
P.Z: O álbum “Asylum of shadows” (1999), com ótimas composições como ‘Murder of a god’ e ‘Convulsion’ (solicitada nos shows até hoje) atraiu mais ainda a atenção do público, rendendo uma turnê alemã, mas foi com “ The unholy spell” (2001), que a banda abriu seu caminho para a consolidação na cena metálica. Este último, é composto de composições bem estruturadas, rápidas e instigantes como ‘The Unholy Spell’, ‘Warmonger’, ‘Spiritual cancer’ e ‘Wecolme home’, podendo ser dito como clássico. Que pontos distintos você considera diferencias e cruciais entre ambos aos álbuns que permitiram este resultado?
 
A.C: O “Asylum of Shadows” pra mim foi o que começou a mostrar como seria o som do TS dali pra frente. O “The Unholy Spell” eu acredito que mantém a proposta da banda, que é de “compor o que sente.” Não que os álbuns sejam iguais musicalmente, não é isso que quero dizer, existe uma diferença sim, mas a diferença significativa pra mim são as gravações. Isso realmente determinou o clima de um ser mais Death metal ou ser mais Thrash metal. Esta percepção depende de quem está escutando. E isso que é o legal, pois essa é a grande magia: cada um tem a sua visão e o seu sentimento próprio sobre cada coisa.
 
P.Z: Após a saída de Cristiano Fusco, dando lugar ao guitarrista Maurício Nogueira (IN HELL e KRISIUN) ), vocês se estabilizaram e lançaram o furioso “Pandemonium”, repleto de momentos devastadores, mostrados em ‘Horror and torture’, ‘Towers on fire’, a faíxa-título (realmente faz jus a um pandemônio sonoro) e ‘Out of control’. Como foi o processo de composição do referido álbum com este novo membro, e quais as principais contribuições ele trouxe para o processo criativo da banda? Quais elementos você mais gosta em “Pandemonium”?
 
A.C: Como sempre, quando lançamos um álbum, fatalmente já temos mais músicas para um próximo. Por exemplo agora, daqui um tempo vamos lançar nosso álbum novo “Aequilibrium” e já temos cinco músicas para um próximo. Isso rola porque naturalmente nunca paramos de compor, e nessa época não foi diferente. Quando lançamos o “The Unholy Spell”, já tínhamos 80% do disco composto e os outros 20% foi sendo composto com o Mauricio na tour do “The Unholy Spell” e depois no estúdio. No “Pandemonium”, eu gosto do Thash agressivo que acabou virando uma parte predominante dele, tanto que em algumas resenhas gringas, eles o associam a vários discos que pra mim são clássicos absolutos como “Beneath The Remains” do SEPULTURA e “Agent Orange” do SODOM. O que deixa a gente super honrados.
 
P.Z: Prosseguindo de forma fecunda, em 2004 a banda lança o ao vivo CD/DVD “Death, chaos and torture alive”, mostrando toda fúria dos shows do TORTURE SQUAD, seguido do lançamento do EP “Chaos corporation” (2006), muito cultuado entre os Headbangers, dando a premissa do que seria o próximo álbum, “Hellbound” (2008). De onde e por que surgiu a idéia de lançar um disco ao vivo e um EP, para cinco anos após lançar um full lengh? Quais os saldos positivos esta estratégia trouxe para a banda?
 
A.C: O DVD e cd ao vivo não estavam nos planos da banda naquele momento, mas o Tulula da Mutilation Records nos fez a proposta, gravamos, e hoje penso que foi muito legal ter aproveitado essa chance de marcar a época do “Pandemonium” com um CD e DVD ao vivo. O “Hellbound” também foi uma novela para sair, e no momento em que iríamos optar por lançar, eis que surge a possibilidade de tocar no Metal Battle, sendo assim, não poderíamos assinar com ninguém de fora do Brasil. Como não tínhamos nada a perder e já estávamos esperando mesmo, achamos melhor esperar um pouco mais pra ver se rolaria aquilo que, para a nossa sorte, acabou rolando. E nesse meio tempo achamos legal a idéia de lançar um single para trabalhar, aproveitando a oportunidade para colocar alguma coisa legal para o fan da banda, como as músicas da nossa primeira demo “A Soul in Hell”, e claro, divulgar duas músicas novas. Tanto que fizemos uma tour brasileira, uma sul-americana e uma européia com o single antes do “Hellbound” sair. O single deu uma grande ajuda na divulgação de “Hellbound” sem sombra de dúvidas.
 
P.Z: O “Hellbound” é composto de composições mais complexas (como em ‘The fall of man’), com melodias bem encaixadas, partes mais cadenciadas (caso da faixa homônima), sem fugir ao peso e agressividade (destaque ‘Living for the kill’ e ‘Chaos corporation’). Isto tudo revelou uma banda ainda mais técnica, mas capaz de ser versátil ao mesmo tempo, criando músicas fáceis de se assimilar. Como ocorreu este processo? O quanto ele fluiu naturalmente?
 
A.C: Tanto nas composições quanto na gravação do “Hellbound” foi uma época bem legal, pois pela convivência, o Mauricio estava começando a se sentir confortável para compor junto a nós, trazer idéias de melodias e riffs e ir juntando isto com o nosso crescimento como compositores também. Eu acredito que o disco demonstra isso.
 
P.Z: Em uma banda, na hora de compor há duas possibilidades na maioria dos casos: um membro tem as idéias e os demias a usam como diretriz ou, a banda toda participa do processo. Como é a colaboração de cada membro da banda neste sentido?
 
AC: É bem diversificado. A música pode sair de várias maneiras. As vezes eu chego com uma música inteira na cabeça e passo para os demais, outras vezes o Castor chega com vários pedaços de riffs e eu trabalho o que ele me passou até montar a estrutura da música. Na maioria das vezes trabalhamos isso com o Vitor, dando sugestões que se tornam algo essencial na música. Agora o Augusto (Lopes) tem trazido várias idéias e temos composto juntos, tanto que na tour euroéia de 2008, ficamos 5 meses na Alemanha, especificamente em Aschaffenburg, Sul do país, e em alguns “days off” (dias de folga), arrumamos um estúdio para ensaiar, e de lá saíram duas músicas que estarão em “Aequilibrium”).
 
P.Z: Vocês chegaram a tocar no Wacken Open Air em 2007, o maior festival de Metal do mundo realizado na Alemanha, após terem vencido a seletiva brasileira para tocar lá . O que foi mais marcante para vocês neste show, além da consagração no Metal Battle do festival? Como foi a receptividade para a banda diante de um público tão grande e diverso ao mesmo tempo?
 
A.C: Na verdade foi como um sonho, você ganhar uma coisa e finalmente ter o que sempre almejou, o contrato com uma gravadora estrangeira, pois era isso que sempre esteve em nossas mentes. A receptividade foi muito legal, todos participaram bastante e vimos que eles realmente sentiram o que queremos passar no nosso som, e isso foi muito gratificante. Com certeza isso foi o mais marcante de tudo.
 
P.Z: Falando agora nas atualidades da banda, como tem sido o saldo da atual turnê pela Europa, visto o considerável número de países visitados e shows realizados e em quais deles vocês estão tendo mais projeção?
 
A.C: As tours que temos feito através dos anos têm melhorado a cada ano. Sem sombra de dúvidas que a tour com o Overkill e o Exodus foi o auge da nossa carreira, em relação a tudo: suporte, casas de shows, alcance de público, divulgação da banda, etc. Mesmo assim, nunca paramos, sempre estamos fazendo contatos com agências de shows para nas próximas tours, tentarmos marcar o máximo de datas, no máximo de lugares possível , sempre tentando trabalhar juntos a qualidade e quantidade de forma simultânea. Acho que hoje temos uma projeção maior na Alemanha, até mesmo, por todo contato que sempre tivemos com o país. A nossa primeira tour fora do Brasil foi lá, o manager é de lá, Wacken. E por aí vai.
 
P.Z: Vocês têm pensado em uma possível tour norte-americana? Como são as propostas e espaço para se tocar lá?
 
A.C: Sempre pensamos nisso!! (risos) Aliás será um sonho quando rolar. Só que aí vem o velho ditado; “Quere não é poder”, então até agora não foi possível, mesmo com a Wacken Records tendo escritório, distribuição e ter lançado o “Hellbound” lá no ano passado. Plano para 2011 é claro que temos, agora é trabalhar para que role… O que eu conheço de lá é o que vejo nos vídeos e histórias das bandas, nada muito incomum em comparação a Europa eu imagino, lugares pequenos, médios e grandes, com um suporte bacana e onde pode se tocar todos os dias. Sonho não? (risos)
 
P.Z: No dia 12 de junho vocês fizeram um grande show no Sul de Minas, em Varginha na 12° Edição do festival Roça and Roll. Apesar do frio que assombrava o local, foi uma apresentação impecável, que teve ótimos momentos e deixou os bangers fulminantes, ainda mais tocando uma música do novo álbum, “Aequelibrium”, a ser lançado este ano . O que vocês acharam do festival e do público Sul-mineiro? O que mais marcou esse show?

A.C: Antes de mais nada o Bruno deve ser parabenizado (organizador e idealizador) por fazer a isto ser possível. O mais legal é você ver um grande festival, com um uma estrutura bacana, lotado de gente, e só composto por bandas nacionais no cardápio. Absolutamente nada contra as bandas estrangeiras, mas é isto realmente é um motivo de orgulho para nós e deve ser falado. Com certeza, isso foi o que mais me marcou no festival. Pra gente o show foi tão bom quanto o frio que estava, ou seja, pra detonar tudo! (risos) Foi muito bom, e pelos comentários, demos uma aquecida na galera, isso quer dizer que eles também gostaram, e isso pra gente é muito bom.
 
P.Z: Para a gravação de “Aequilibrium”, vocês contam com o guitarrista Augusto Lopes (ETERNAL MALEDICTION), que ingressou no lugar de Maurício Nogueira no princípio de 2008. Como tem sido a atuação dele e que contribuições você acha que pode dar ao som da banda?
 
A.C: O Augusto é um bom guitarrista, versátil, e ele entrou entendendo o fundamental. Sabendo que está entrando numa banda que já tem o seu som, mas que também dá liberdade para testar coisas novas, sem sair de suas raízes. A contribuição dele é a sua mais nova bagagem, ele traz idéias diferentes das do Cristiano e do Mauricio por terem estilos diferentes, e a isto junto com nosso conhecimento de como encaixar suas idéias na música, só tem a acrescentar.
 
P.Z: “Pandemonium” e “Hellbound”, tem grande maestria nas músicas que os compõe, sendo o ponto alto da banda até o momento. O que podemos esperar de “Aequelibrium” em termos de composição?
 
A.C: Podem esperar o ponto alto da banda (risos). Na verdade, eu amo todos os nossos discos, música por música, por isso é sempre difícil falar de um disco novo, mas para definir o “Aequilibrium” vou citar uma expressão que muitos fãs da banda nos falam quando lançamos um álbum; “Tá diferente mas ta igual!” (risos). Eu creio que o próprio nome (“Aequilibrium”), já entrega totalmente o que sentimos musicalmente dele.
 
P.Z: Fora o lançamento do novo álbum, há algum outro plano para a banda este ano?
 
A.C: Bem, finalizamos a tour de “Hellbound” em junho. A Agencia de shows Open the Road está trabalhando no agendamento da nossa tour brasileira e Sulamericana do “Aequilibrium”, que irá começar em outubro e vai até o fim do ano (promotores interessados entrem em contato pelo opentheroadtour@gmail.com, falar com Silvio). Agora é ensaiar até vomitar (risos).
 
P.Z: Amilcar, obrigado pela entrevista. Sucesso pra vocês e que a tortura continue! O espaço está livre para você falar aos fãs da banda.
A.C: Obrigado você pela oportunidade e pelas perguntas legais. Sua batalha é tão árdua quanto a nossa, portanto parabéns pelo Pólvora Zine, sucesso pra você também. Em breve nosso site oficial estará no ar, portanto, para quem quiser acompanhar a banda, myspace na veia. www.myspace.com/torturesquadband . Valeu! 

SCELERATA: Criatividade e força no Power Metal!!

Por Écio Souza Diniz

A banda gaúcha SCELERATA, hoje figura entre os grandes nomes do Metal brasileiro. Com dois álbuns, “Darkness and light” e “Skeletons domination”, bem recebidos pela crítica e pelos headbangers no currículo, agora, eles estão prosseguindo, fazendo inúmeros shows Brasil afora e estão prestes a iniciar mais uma turnê nacional ao lado de Paul Di’Anno (ex-Iron Maiden). O baterista Francis Cassol veio até o Pólvora Zine com empolgação, para nos falar mais sobre tudo isso, os planos da banda e muito mais.
 
Pólvora Zine: Olá Francis, tudo bem? O SCELERATA teve seu início em 2002, na cidade de Porto Alegre (RS), com objetivo de fazer um Power metal vigoroso e original. De quem partiu a iniciativa de montar a banda e como foi até ela se consolidar?
 
Francis Cassol: Oi amigos do Pólvora Zine, é um prazer estar aqui divulgando o trabalho do SCELERATA. A banda surgiu comigo, o Bruno Sandri (ex-guitarrista) e o Gustavo Strapazon (baixo). Começamos a tocar como trio ainda em 2000, mas somente consolidamos a formação no início de 2002. Logo gravamos nossa primeira música que tocou muito nas rádios e programas de metal aqui no sul, e assim, passamos a nos apresentar bastante. Fizemos algumas aberturas e tocamos em diversos festivais até gravar o primeiro disco, Darkness & Light, em 2005, que foi lançado mundialmente em 2006.
 
P.Z: O debut álbum, “Darkness and light”, saiu em 2006 e foi muito bem recebido pela crítica e fãs de Metal. Como se deu o processo criativo para este álbum? Há uma divisão na banda na hora de compor e cada um contribuir com suas ideias?
 
Francis: Na composição do “Darkness and Light” houve um envolvimento da banda toda, mas quem tem mais talento para compor são o Magnus Wichmann (Guitarra), Gustavo e Renato Osorio (Guitarra). Eu participo mais nas letras e nas estruturas das canções. Para a composição do 3º disco, que vamos gravar ainda em 2010, o envolvimento está sendo bem maior, estamos compondo várias músicas em grupo, no estúdio, o que enriquece ainda mais o trabalho.
 
P.Z: Visto a técnica e melodia variada que constituem o referido álbum, em músicas como ‘Eminence’, ‘Wings to fly’ e a faixa título, qual é ponto alto dele pra você e o maior diferencial que ele apresenta em se falando de Power metal?
 
Francis: Bom, é difícil falar do meu próprio disco, mas no meu ponto de vista o diferencial é justamente o bom gosto das composições. As músicas do “D&L” são muito boas, com melodias fortes e que foram amadurecendo com o tempo, a medida que as gravávamos nas demos.
 
P.Z: A consolidação de vocês na cena nacional, permitiu que tocassem ao lado de bandas como Masterplan, Angra, Gamma Ray, entre outras. Devido a isto, como é a popularidade da banda hoje, dentro e fora do país?
 
Francis: É verdade, também tocamos com DEEP PURPLE, ROY Z., e fomos a banda convidada do EDGUY nos shows da tour do “Rocket Ride!”. Acho importante para uma banda, quando no início da carreira, ter a oportunidade de mostrar o seu trabalho para o público de bandas já consagradas. Devido a esses shows, nossos discos e o apoio de uma série de pessoas, é que nos consolidamos na cena nacional. Fora do país temos os dois discos lançados mundialmente, na América do Norte, Europa, Oceania, Japão, Coréia, etc.
 
P.Z: Depois de uma extensa turnê e subsequente divulgação do single “Enemy within”, em 2008 chegou ao mercado o segundo full legh, “Skeletons domination”, mostrando que a banda se aperfeiçoara mais ainda desde o álbum anterior. Qual a diferença crucial ele tem pra você em relação ao seu antecessor?
 
Francis: O Skeletons Domination é um grande disco por ter composições muito variadas, e mesmo assim conseguir manter uma homogeneidade entre elas, o que é muito difícil de ser obtido.
 
P.Z: Para a gravação de “S.D”, vocês contaram com a produção de Charlie Bauerfiend (Angra, Helloween, Saxon, Blind Guardian, Halford, ect.). O quão influente ele foi no resultado final do disco?
 
Francis: Exatamente, o Charlie fez um excelente trabalho conosco. Ele escutou nosso material e gostou muito, inclusive mostrou o disco para o pessoal do HELLOWEEN, e elogiou muito as composições, em especial o épico “Forever & Ever”, canção que fecha o disco. O principal upgrade que tivemos no Skeletons em relação ao Darkness foi justamente na sonoridade que o Charlie atingiu, nos timbres das guitarras, da bateria, enfim, na mixagem como um todo.
 
P.Z: No mesmo ano, a SCELERATA firmou uma parceria com Paul Di’Anno (ex-Iron Maiden), tornando-a sua banda oficial no Brasil, presente na abertura de seus shows e turnês. Como é pra vocês esta oportunidade de trabalhar ao lado de um ícone do Heavy Metal? O quanto esta ampla exposição os tem auxiliado a crescer perante a mídia?
 
Francis: Para nós é um prazer imensurável tocar com Paul DiAnno como sua banda brasileira oficial. Todos na banda são muito fãs de Iron Maiden e crescemos escutando seus discos. Ter a oportunidade de estar no palco com ele, tocando aquelas músicas que muito ouvimos e curtimos é algo incrível! Tem ajudado muito na divulgação da banda também, porque a expõe na mídia e temos a chance de mostrar nosso trabalho para o público do Paul.
 
P.Z: Voltando a falar da parte musical, vocês tem abordagens interessantes no contexto dos álbuns, apresentando temas como a mudança do mundo após o surgimento da humanidade e o poder destrutivo que o ser humano vem exercendo sobre nosso planeta. Esta similaridade é uma espécie de “padrão” lirico que vocês desejam estabelecer para a banda? Qual a importância você dá a transmissão de uma mensagem de conscientização através do Metal?
 
Francis: Esse é um assunto que particularmente me preocupa bastante, mas na verdade os temas das letras são muito variados. Falamos sobre vícios em drogas, relacionamentos em geral, relação do homem com o dinheiro, guerras, problemas sociais, etc. No entanto, é fato que todos temos culpa e responsabilidades sobre o lixo que nosso planeta está se tornando.
Gostaria de aproveitar para um esclarecimento. Tenho acompanhado na internet que há pessoas nos taxando de White Metal. Apesar de respeitarmos bastante o Metal cristão, não somos uma banda White. Como falei, nossas letras são muito variadas, e quando abordamos o assunto religião, é de uma forma generalizada, nunca tendendo para o lado cristão.
 
P.Z: Atualmente, vocês estão novamente a procura de um novo vocal, após a saída de Dan Rubin (Magician), que fora apontado por Paul Di’Anno como melhor vocalista do Brasil. Como está sendo a procura por alguém que ocupe este posto ? Entre Carl Casagrande e Dan, de qual deles vocês obtiveram maior contribuição à qualidade musical da banda?
 
Francis: Na verdade a banda recentemente encontrou e divulgou no site oficial o novo vocal. Trata-se de Fábio Juan, um cantor paulista que nos surpreendeu muito com seu timbre, afinação, musicalidade, além de ser uma grande pessoa! Nos conhecemos pela internet, quando ele mandou material para nós. Em seguida ele gravou um material da banda, tocamos juntos e tudo se encaixou perfeitamente. Estamos numa grande expectativa para fazer os shows da Brazilian SkeleTour 2010 e gravar o 3º disco da banda ainda em 2010!
Em relação ao Carl e o Dan, são dois grandes cantores, ambos contribuíram às suas maneiras. Mas acredito que, como o Carl permaneceu na banda por mais tempo e gravou dois discos, ele teve mais participação.
 
P.Z:Além da turnê com Paul, que se inicia dia 5 de agosto, quais são os outros planos no momento? Vocês já estão trabalhando ou possuem algumas composições para um novo disco e o que os fãs podem esperar dele em relação aos anteriores?Francis: Posso adiantar que as músicas estão com uma roupagem mais pesada, no clima da “Enemy Within”. Estamos muito empolgados e prontos para fazer o melhor disco da banda até o momento.
 
P.Z: Francis, obrigado pela entrevista. Sucesso e prosperidade nesta jornada da banda que está apenas começando. Deixo a palavra final com você, para que fale aos fãs da banda.
 
Francis: Eu agradeço pela oportunidade! Esperamos encontrar todos nos shows, lembrando que o Paul é uma pessoa muito acessível e recebe todos no backstage ao final dos shows! Um grande abraço, e não esqueçam de visitar o perfil da banda em: www.myspace.com/scelerataband
Scelerata e Paul Di’Anno

Calvary Death: Death metal arrasador e com honestidade!!

Por Écio Souza Diniz
O Death Metal mineiro tem características que mostram que banda que está tocando é brasileira: rápido, agressivo, blasfemo e autêntico é o melhor termo que o define. Em meio às bandas do gênero que colocaram o nome de nosso país na lista de berço do Metal extremo, está a Sul-mineira CALVARY DEATH, que prima por um som de ótima qualidade e originalidade, sendo que fora uma das pioneiras do estilo por aqui. Hoje, eles estão de volta aos palcos com seu novo álbum, “Serpent”, realizando shows furiosos e para nos falar melhor sobre este novo momento vivido pela banda, o baixista/vocalista Rudy de Souza veio ao Pólvora Zine, se mostrando um cara humilde e de postura consciente no Underground.
 
Pólvora Zine: Fala Rudy, como vai? O Calvary Death, que no início se chamava Túmulo de Ferro, começou em uma época em que a cena extrema, assim como o movimento do Metal no Brasil, estava se formando e juntamente com Sarcófago, Vulcano, entre outros, firmaram este cenário nacional. Como foi este princípio de tudo, os shows, o fato de ser uma banda pioneira? Quem teve inicialmente a idéia de montar a banda e qual o motivo levou a adotar um nome em português?
Ruddy de Souza: Quando vinha de minha cidade natal.., passei a morar em Itaúna-MG, próximo a BH e Juntamente com Roberto Vinicíos e César, concluímos o TÚMULO DE FERRO. Logo gravamos uma demo, pois já tínhamos bagagens das bandas anteriores e tudo era novo, contatos do que rolava no momento como Vulcano, Sepultura Sarcófago, Dorsal . O nome em português foi uma ideia que agradou a todos quando vi em um muro de funerária escrito Tumulo ..dai Túmulo de Ferro.
 
P.Z: Vocês foram também a primeira banda do estilo a alcançar projeção nacional, e com isso foram abrindo os caminhos para a banda. Fale-nos como ocorreu está conquista de espaço no Underground.
 
Ruddy: Confesso que no inicio eu era mais louco na forma de trabalhar com a banda, e sempre que podia eu ia a BH e mostrava algo ao João que é empresário e dono do selo Cogumelo. Queríamos estar na maioria dos shows que rolavam em BH e interior, daí não dávamos chance de alguém ficar sem falar algo de nossa banda na época. Sempre havia algo para mostrar. Assim, chegou a hora de “vinilizar” e a cogumelo fechou conosco nosso primeiro contrato .
 
P.Z: Quando vocês saíram de sua terra natal (Itauna-MG) e foram para São Paulo, como foi a recepção do público paulistano e quais foram as maiores dificuldades encontradas?
 
Ruddy: São Paulo era o ponto de partida, porém, tinha que ter força para permanecer presente em um lugar de competitividade como era lá. Entretanto, eu não estava com a banda em formada e devido a isto, foi mais difícil e acabei voltando para Itaúna, onde consegui fazer o que queríamos em Minas .
 
P.Z: Depois de muita luta, em 1994 vocês lançaram o debut “Jesus, intense weeping”. Quais foram as maiores batalhas até lançá-lo e como foi a recepção inicialmente?
 
Ruddy: Muito bom ter feito o disco , melhor ainda foi ter o “Jesus intense Weeping” relançado na mesma época pela Osmose França em CD, com bônus e mostrar uma obra animalesca à nação metálica Brasileira e estrangeira.
 
P.Z: “Jesus, intense weeping” também teve destaque no mercado externo, sobretudo o Europeu. Fale-nos um pouco sobre isto e como era este tipo de mercado naquela época, as dificuldades que bandas daqui enfrentavam para conseguir alcançar este público em específico. O que representou para vocês esta conquista?
 
Ruddy: como disse: realizar um disco é na verdade o começo de uma nova jornada. A idéia sempre é manter todos cientes de que sempre estamos fazendo algo, de que estamos com CD novo ou uma nova demo. Sempre procuramos expor o nosso trabalho a lugares onde falam a respeito da banda , ou a lugares onde ela é pouco conhecida.
 
P.Z: As composições de “Jesus, intense weeping” são bem estruturadas, tendo como bons destaques o vocal, um gutural voscíferado, e a bateria, que se apresenta como um tanque de guerra. Deste modo, o Calvary Death não perde em nada para bandas que à época já tinham uma grande legião de seguidores, como Deicide, Morbid Angel, Impaled Nazarene, entre outras. Quais foram os caminhos seguidos musicalmente que permitiram estreiar com um disco bem gravado, consistente e rígido no que diz respeito à Death metal?
 
Ruddy: No “Jesus intense weeping”, queríamos soar como uma banda com maior poder de fogo literalmente, pois na época quem tinha banda, acredito que a maioria tinha fome de ter de que fosse devastadora. Afinal, o Black e Death Metal, eram os estilos mais expressivos e não ficamos para traz. Um álbum tosco literalmente, cruel. Já no “Serpent” estávamos com toda ira para fazê-lo, que por isso demorou tanto. Eu tive um grande satisfação, pois pude trazer músicas de 87/90 que havíamos deixado fora do primeiro álbum e daí tem estilo Oldschool e também algo mais moderno e bem diversificado.
 
P.Z: O set list de Jesus é inpecável, tendo como exemplos a pegada certeira de ‘Sacred with blessed’ que abre o disco já dando premissa do que virá em seguida, “Scum” (mais técnica, não menos brutal), ‘I’m spiring’ (com riffs cortantes e ácidos), ‘Spiritual suffocation’ (com suas partes mais cadenciadas), ‘Jesus, intense weeping’ (com notável destaque para o baixo). Tudo isso fez com que o disco fosse homogêneo e diverso ao mesmo tempo. Este resultado ocorreu naturalmente ou já era um padrão pretendido para as composições?
 
Ruddy: Sim, foi uma pretensão, pois tivemos inspiração do “Altar of Medness” do MORBID ANGEL. Ouça lá a seqüenciadas músicas, como dá prazer em escutar o disco todo. Algumas vezes, temos que dar um fôlego após umas porradas para que o indivíduo possa a ouvir a próxima ….hehehehe.
 
P.Z: Após o lançamento e divulgação do primeiro disco, a banda gravou uma demo, que foi chegar a público somente em 2002 e após isto cessou as atividades. Quais fatores foram cruciais para que isso ocorresse?
 
Ruddy: Na verdade não são todos membros que falam a mesma linguagem “do querer seguir a atitude é primordial”, e quando isto começou a acontecer, acabou saindo o batera e logo sai o guitarrista também. Acertar é algo que leva tempo e aqui é o Brasil, rola de tudo. Esta espera é um pouco lenta, mas tem que ter paciência, pois o tempo não nos para!!!
 
P.Z: Finalmente, após um hiato de 15 anos desde o lançamento do primeiro disco, a banda retornou de forma triunfal com o lançamento de seu segundo disco, “Serpent” (2009), lançado pela Cogumelo Records. Conte-nos como se deu este retorno e como está sendo estar novamente na ativa?
 
Ruddy: Há muito já estávamos fazendo o CD, o contato estava ativo com a gravadora, visto que havíamos feito o DVD 25 anos da cogumelo e aí, foi só questão de tempo.
 
P.Z: O “Serpent” mostra que o CALVARY DEATH retornou fazendo jus a sua história, através de composições fortes e mais complexas e diversas. Como ocorreu o processo de criação do disco?
Ruddy: Como falei tem musicas de quando surgiu o Túmulo de ferro, outras mais recentes, por isso ele é diversificado. Sempre tivemos e damos tempo para elaborar e gravar um bom disco, pois é para ficar na historia .
 
P.Z: Como foi dito anteriormente, há grandes e diferenciadas composições em “Serpent” como “ ‘Hell’ (uma intro perfeita para o estilo que tocam e uma das melhoras que já ouvi), ‘Serpent’ (que já chega arrasando quarteirão), ‘Antichrist’ (música densa e com aparência de Death metal brasileiro), “The funeral” (com um começo soturno e arrastado), ‘Betrayer’, ‘Crucial moment’, entre outras. Visto esta diversidade do disco, qual é ponto alto dele pra você?
 
Ruddy: O ponto alto é mesmo a realização pessoal. Tudo que esta ali foi feito com dedicação, frase por frase que compõe o álbum é dedicada a um amigo que se foi, a respeito do que passei, do período em que estive por mais de um ano e meio no Hospital e pelo que o metal representa para mim.
 
P.Z: Se compararmos “Serpent” com “Jesus, intense weeping”, vemos claramente uma evolução na sonoridade da banda, por exemplo, explicita no vocal, que hoje alterna mais o gutural com rasgado, e na qualidade técnica das músicas. Embora, sejam épocas distintas, qual a maior e mais importante evolução alcançada pra você? Comparando os dois discos, qual deles você apontaria como o melhor e o que o faz ter essa percepção? O que os bangers poderiam esperar de um novo disco sucessor dos citados?
 
Ruddy: Bem, o diferencial é causado pelo tempo, novos membros, atitude de um pais reformulado que nos dá novas idéias, a atitude da nova geração, que na verdade não me interessa tanto, sou mais preso ao metal 80’ e inicio de 90. Pra mim ambos os álbuns, são uma grande expressão no metal .
 
P.Z: Analisando pelo ângulo de que muitas bandas das antigas retornaram e ainda estão retornando a ativa, e o anseio do público por uma cena regada a metal mais oldschool, como andam os shows ultimamente? O que você acha da cena atual em detrimento da época em que a banda se firmou?
Ruddy: Bandas que estão retornando como BENEDICTION, SADUS, NUCLEAR ASSALT, entre outras, estão aí por amor ao metal e dinheiro apenas como conseguência. Acredito que tais bandas estão tendo mais valor hoje do que antigamente. Afinal, elas nem vinham ao Brasil e agora elas são bem mais remuneradas e se divertem mais. A cena atual é legal, pois há muitos moleques, escutando de tudo no Rock, falam e sabem bem das bandas de Black metal e tudo do gênero, mas são um pouco preguiçosos quando o metal extremo pede para comparecer a eventos, devido a abraçarem mais bandas de fora. Até parece que são carentes de ídolos.
 
P.Z: Vocês estão divulgando seu segundo disco, também estão construindo o site oficial da banda, quais são os planos para a banda agora? Podemos esperar um vídeo/DVD, possíveis shows aqui no Sul de Minas?
 
Ruddy: Fizemos o “Serpent” e estamos divulgando o DVD que fizemos nos 25 anos da Cogumelo, mas ainda não saiu , tocamos com Marduk agora em abril e fizemos uma gravação disponível na internet pelo youtube e myspace da banda. O plano agora é divulgar o CD e o próximo será Metal furioso, inclusive já tenho algumas musicas prontas .
 
P.Z: Rudy, valeu aí pela entrevista e toda sorte possível pra vocês. O espaço fica aberto se pra você mandar uma mensagem aos Deathbangers.
 
Um abraço vida longa e honestidade ao metal. É Bom para Alma !!!!
 
Ruddy Souza Calvary Death Death Metal Rules!

Márcio Cativeiro (Apokalyptic Raids, Internal bleed…): Versatilidade no Metal Extremo!

Por Écio Souza Diniz
Versatilidade e técnica para se tocar estilos diferentes dentro do metal, são duas coisas que muitas vezes não encontram o equilíbrio necessário pra tantod. Vindo de uma banda de Brutal Death metal (INTERNAL BLEED) e uma de Grindcore (CADAVERIC IMPREGNATION), e entrando em uma banda de Death metal oitentista (APOKALYPTIC RAIDS), o baterista Márcio Cativeiro mostra a cada dia que é possível tocar algo “incomum” ao seu estilo musical com garra e feeling. O Pólvora Zine o convidou a falar ao público detalhes de sua carreira musical, as bandas que toca e muito mais.
 
Pólvora Zine: Fala Márcio, beleza brother? Vamos falando de quanto tempo você já está na ativa. Conte-nos um pouco sobre seu trajeto até as bandas em que toca atualmente?
 
Márcio Cativeiro: Eu comecei tocando baixo com 13 anos. Ficava tirando covers como: Iron Maiden, Black Sabbath …, tive banda com amigos pra ficar tocando os covers, mais não durou muito, e assim surgiu o meu primeiro contato com a bateria. Num ensaio qualquer, quando estávamos apenas conversando sobre quais mùsicas iríamos tirar para tocar, sentei na bateria para brincar e foi amor na hora! Com 15 anos ganhei minha primeira bateria, uma BNB horrorosa, você batia na caixa, tom e surdo era tudo igual (Risos). Tive aulas de bateria com André Marques, baterista que tocou em bandas como : DKV e com Ronaldo Alvarenga, ex- Chico Buarque. Toquei em muitas bandas e passei por diversos estilos musicais. Toquei nas bandas OBSIN (heavy Metal Tradicional), MORBID DEFORMATION (Gore Grind), RAW RAZE (Heavy Metal) e KABARAH (Black Metal). Hoje em dia toco com o APOKALYPTIC RAIDS (Death Metal Old), BESTIAL CURSE (Black metal), INTERNAL BLEED (Brutal Death Splatter) e CADAVERIC IMPREGNATION (Grind Core).
 
P.Z: Dentre todas as bandas que você compõe e os projetos que participa, as bandas INTERNAL BLEED e CADAVERIC IMPREGNATION, merecem considerável destaque. A primeira com seu Brutal Death Splatter, mostrando influências evidentes de Deicide, Cannibal Corpse, Napalm death, entre outras. Já a segunda constituí-se em uma sonoridade ainda mais crua, com músicas pesadas, curtas e grotescas no melhor estilo Grindcore, com muita influência de NAPALM DEATH e ABSOLUT DISGRACE. Como vem sendo o destaque de ambas as bandas?
 
Márcio: Cada uma se destaca em sua proposta. Com o INTERNAL BLEED conseguimos fazer bastante shows, tanto dentro quanto fora de nosso estado e tocamos com banda importantes do nosso cenário como MYSTIFIER, FARSCAPE, VIOLATOR, UNEARTLHY, entre outras. O CADAVERIC IMPREGNATION era para ser uma banda, mas no final ficou só como um projeto mesmo, no qual eu gravo e vejo algum selo para lançar. Temos bastante material lançado fora do Brasil.
 
P.Z: As suas bandas citadas na pergunta anterior, estão para lançar um Split no meio do ano, intitulado “QUARTERED”. A quantas está a produção deste trabalho? O que podemos esperar dele?
 
Márcio: As duas bandas foram criadas juntas. Conversando no ensaio veio a idéia de fazer um split. Como começamos juntos, por que não do primeiro material em cd não serem juntos! Estamos em estúdio gravando o mais novo artefato. Podem esperar bastante barulho e agressividade.
 
TOQUE RÁPIDO OU MORRA!!!
 
P.Z: No Cadaveric Impregnation você deixou as baquetas para assumir as seis cordas da guitarra. Como foi essa experiência e porque você ocupou este posto? Você também toca guitarra a muito tempo?
 
Márcio: O CADAVERIC IMPREGNATION surgiu comigo e o Renato Marginal baterista da banda Gore (Grind Core/RJ). Mostrei para ele algumas idéias que tinha, idéias que não se encaixam na INTERNAL BLEED. Ele também tinha algumas musicas. Chamei Ronaldo Padula um grande amigo meu para gravar com agente a voz. Fomos para o estúdio ensaiar e acabou q no mesmo dia gravamos alguns “barulhos”. Barulhos que foram muito bem aceitos, saímos em algumas coletâneas e splits dentro e fora de nosso país.
 
P.Z: Além dessas bandas você toca na banda de Death/Black metal, BESTIAL CURSE que lançará split com o LIFE LOCK do Espírito Santo e também gravará com a banda EVIL SLAUGHTER de Trash metal e DRUNKILLER de Grindcore (na qual você toca baixo), ambas do Rio. Conte ao público qual a proposta musical dessas bandas? Qual a maior recompensa em se trabalhar com todas elas, tocando também instrumentos diferentes? E cara, como você consegue conciliar tudo isso de uma vez só (Risos)?
 
Márcio: Realmente é complicado (Risos), mas vamos por parte. O BESTIAL CURSE, eu tocava com o Armando Exekutor guitarra/vocal do Flageladör no Kabara (RIP), assim que a banda terminou tínhamos algumas musicas não gravadas. Como tinha acabado o KABARAH entramos em estúdio para gravar uma demo , 4 musicas. Nisso com a boa aceitação do material lançado recebemos a proposta do selo Dark Sun (RJ/Macaé) para gravar um álbum. EVIL SLAUGHTER (Thrash metal) e DRUNKILLER (Grind Core) , todos nós somos amigos de longas datas. O caso deles são bem parecidos, ambos ficaram sem baterista e me chamaram para gravar, como não gosto nem um pouco de ter mil bandas a resposta vc já sabe né rsrs. Só que com o DRUNKILLER gravei o baixo também, exeperiêcia nova, porém muito boa, além de adorar o som deles.
 
P.Z: O Internal Bleed, relançou ano passado no formato tape a demo “DOUBLE CARNAGE”, intitulado “LIVING DOUBLE CARNAGE”, que conta com as duas músicas já gravadas anteriormente na demo, além de outras 6 faixas gravadas no evento The Apocalipse is Here (Juiz de Fora – MG) em 2008. Este relançamento conta ainda com a participação do seu companheiro de banda, Leon Manssur (Apokalyptic Raids) na homenagem prestada ao VULCANO no clássico Witches Sabbath e também no processo de produção da tape. Qual foi a importância e contribuição do Mansur na produção deste trabalho?
 
Márcio: O Leon é fundamental para qualquer banda que eu toque, apesar dele não gostar dos barulhos que eu amo rsrsrs ele é um dos poucos que estuda e estende qualquer proposta dada a ele. Toco com ele tem 3 anos já. Aconteceu que um dia aqui em casa mostrei o show de Juiz de fora e o som da demo do INTERNAL BLEED, após um dos milhares de ensaios do APOKALYPTIC RAIDS. Nisso ele começou a mexer nos sons, masterizou tudo em alguns horas aqui em casa e me mostrou para ver o q achava. Achei sensacional. Entrei em contato com alguns selos e logo saiu a tape.
 
P.Z: Como foi o show de vocês aqui em Minas no The Apocalipse is here? A receptividade do público, organização, aspectos gerais, o que você achou do festival?
 
Márcio: O show foi muito bom, sou suspeito em falar de MG, pois amo o lugar e tocar então, pra mim se torna perfeito. Quem organizou o show foi o Fernando Extremo, meu amigo de longa data. Ele sempre consegue superar todas as nossas expectativas, nunca tive o q reclamar dele. Valeu muito apena e estamos esperando o próximo convite!
 
P.Z: Falando agora do APOKALYPTIC RAIDS, como você chegou a integrar a banda? E como foi trabalhar um estilo “contrário” aos tipos de metal que você é mais acostumado a tocar. Visto que Grind e Brutal Death possuem uma bateria bastante pesada e o Death primordial dos anos 80, tocado pelo APOKALYPTIC RAIDS é uma bateria mais técnica e rápida?
 
Márcio: O convite do Leon Manssur veio após a ultimo apresentação do KABARAH em Juiz de fora/MG. Ele assistiu o show e algumas semanas depois me chamou para tocar com ele. Sempre toquei e gosto de tocar coisas rápidas, death metal, grindcore, crust. O APOKALYPTIC RAIDS esta sendo muito bom, apesar de ter que segurar a minha onda as vezes. Cada uma tem a sua técnica e velocidade dentro do seu estilo. Porém nenhum perde o seu peso e qualidade. Tocar no APOKALYPTIC RAIDS é muito bom. Não tenho o que reclamar de nada, como músicos ou como pessoas.
 
P.Z: A banda (Apokalyptic raids) está em processo de lançamento de seu quarto álbum (Vol. 4 – Phonocopia). Como está sendo o trabalho que você está fazendo neste álbum? Aliás, como é tocar com eles? Trabalhar com o Mansur, que já tem uma longa estrada percorrida no metal?
 
Márcio: Ta sendo maravilhoso! Trabalhar com o Leon é muito bom. Pessoa bem sincera e dedicada em sua proposta. Dei algumas idéias, ele outras. Fizemos algums pré-demo do que vai ser o 4º álbum. Espero que gostem.
 
P.Z: O APOKALYPTIC RAIDS tocou no festival Roça and roll, em Varginha – MG em 2008 e pude assistir um puta show que vocês fizeram, com direito a participação de Angel (Vulcano) em cover do HELLHAMMER (do clássico álbum Apokalyptic Raids). Apesar de o público ser bastante misturado, devido as diversas vertentes de metal que tocam lá, quais os maiores e saldos e boas lembranças você tem daquele dia?
 
Márcio: VULCANOOOOOOOOOOO . Po tocar HELLHAMMER é muito bom, com o Angel no vocal então foi perfeito. Era algo que não tínhamos em mente, ele perguntou qual cover do HELLHAMMER que íamos tocar, falamos para ele e convidamos na hora . O evento foi muito bom oferece uma ótima estrutura. Além de bandas muito boas que tocaram no mesmo dia. Valeu para ver os amigos distantes, por o papo em dia. Valeu do começo ao fim.
 
P.Z: Sua carreira no metal, tem se mostrado bastante promissora, dando aulas de bateria, tocando instrumentos diferentes e gravando a todo vapor. Você pensa em se focar algum dia, efetiva ou paralelamente no ramo da produção musical?
 
Márcio: Olha, mais foi o que aconteceu. Montei um estúdio de ensaio e gravação com um amigo meu. Cativeiro Estúdio. Já dava aula em casa de bateria, aos poucos ia comprando equipamento para ensaiarmos aqui em casa, recebi a proposta do Renan Carriço (Soulifer) para montarmos um estúdio. Montamos ele aqui no RJ. Trav. Maria Elmira, 20. Santa Rosa – Niteroi. Alguns projetos e bandas vão ser gravados la. Aguarde e confira!
 
P.Z: Pra ir finalizando, há algo mais que podemos esperar para este ano, além de todos os trabalhos já sendo feitos e a serem lançados? Há também alguma previsão ou proposta de alguma de suas bandas tocarem por aqui?
 
Márcio: Todos os matérias serao lançados esse ano. Pretendo finalizar a gravação de tudo até agosto. No momentoso aóa tour do APOKALYPTIC RAIDS q vai rolar, passando por vários estados do Brasil. Convites recebemos, mais nada certo ainda. Prioridade no momento é de terminar as gravações, para marcar novos show com as outras bandas. Estamos abertos a convites!
 
 
P.Z: Obrigado pela entrevista Márcio, sucesso em todos os seus projetos, estamos aí pra divulgar.
 
Márcio: Eu é que agradeço a você por ter me dado espaço para divulgação o meu trabalho. Continue assim. Força ao metal Nacional
 
Abração
Apokalyptic Raids
Acesse o myspace oficial:
 
 
Myspace da banda Internal bleed:
 
 
Cadaveric Impregnation:
 
Bestial Curse:
 
Apokalyptic Raids:
 
Vídeos:
 
Cadaveric Impregnation – The dilacerated Rotten Skull
 
 
Cadaveric Impregnation – Cadaveric Impregnation
 
 
Internal Bleed – Hammer Smashed Face – Cannibal Corpse COVER (05.09.2009 Cordeiro Massacre)
 
 
Internal bleed “Raped And Decapitated”
 
 
Flageladör – Cavaleiro Nuclear (18.04.2010 Duque de Caxias/RJ)
 
 
Flageladör – ULTIMATUM (intro) + PERSEGUIR e EXTERMINAR
 
 
Marcio Cativeiro (INTERNAL BLEED – SCULPTOR OF CADAVERS)
 
 
 
 
 
 

Metalmorphose – Nas raízes do Metal Brasileiro!

Por Écio Souza Diniz
Muitas bandas fizeram a história do metal em nosso país, mas há aquelas pioneiras que são além de uma lenda, precursoras do estilo por aqui. Dentre um time de respeito, como Dorsal Atlântica, Harppia, Azul Limão, Salário Mínimo, Centúrias, entre outros, a banda Metalmorphose, uma das primeiras a lançar um álbum de Metal no Brasil, está de volta pra continuar levando seu legado aos fiéis seguidores do Metal Brazuca. Nos privilegiando em falar mais a respeito da banda, o retorno e muito mais, o Pólvora Zine entrevistou o baixista André Bighinzoli e também contou com a presença do mais novo componente da banda, Leon Manssur, vocalista da grande banda carioca, Apokalyptic Raids. Acompanhem essa entrevista, que ascenderá o fogo de todos os fãs.
Pólvora Zine: Olá André, como vai? Pra começar, fale-nos como é estar de volta, fazendo shows, relembrando os bons tempos e vivendo isso de novo, além claro, de fazer a graça e alegria de muitos fãs dessa época importantíssima do Metal Brasileiro?
André Bighinzoli: Gratificante. Nos anos 80, estávamos no meio de um movimento em construção, literalmente carregando a bandeira do Metal. Hoje, é muito bom tocar para um público consolidado, que reconhece o nosso trabalho. Principalmente estando à frente de uma das melhores bandas, com os melhores músicos que eu já toquei. É muito bom poder emocionar tanto a galera das antigas, quanto ver gente que nem era nascida nos anos 80 cantando as músicas de cor. É uma satisfação.
P.Z: Quando vocês começaram, eram juntamente com Harppia e Dorsal Atlântica, pioneiras do Heavy Metal e se tornariam referência pra muito do que viria a seguir em termos de Metal. Como era fazer esse tipo de música naquela época? Quais as maiores dificuldades e maiores satisfações?
André: Estávamos construindo a cena do Metal. Não existia nem local nem público definido. Nos anos 80, a informação chegava devagar, os jovens não tinham internet para baixar músicas. Quem tinha condições comprava revistas importadas, mas nas lojas de discos só se achava discos das bandas maiores como Iron Maiden. Quem quisesse ir mais a fundo e saber o que era Manowar, Metallica ou Slayer tinha que arrumar uma copia da cópia da cópia da fita de alguém. Tudo também era muito caro. Não existiam estúdios caseiros e nem computadores. Entrar num estúdio pra gravar uma demo custava uma fortuna. A grande satisfação era ver aquele moleque mais novo do colégio indo aos shows do Metalmorphose com a camisa do Ozzy e deixando o cabelo crescer. Não pensávamos que íamos influenciar e incentivar uma geração inteira.
P.Z: Juntamente com quem você iniciou a banda e de onde surgiu a idéia de também cantar em português?
André: O Celso Suckow e o Marcelo Ferreira chamaram o André Delacroix e o Tavinho Godoy para formar uma banda. Eu entrei logo em seguida. Nós batizamos a banda “Pena de Morte” (ideia minha, por influência Sabbática) e depois, felizmente, o Celso veio com o nome Metalmorphose. O grupo já nasceu sendo original porque desde o primeiro ensaio, nós só tocamos músicas próprias. Tínhamos umas trinta músicas antes de surgir o Ultimatum. Todas em português é lógico. Lembre-se que estávamos nos anos 80, jamais passaria pela nossa cabeça cantar em inglês. Não fazia sentido. Os únicos artistas brasileiros que cantavam em inglês eram aqueles bregas dos anos 70 que adotaram nomes artísticos como: Michael Sullivan, Morris Albert (Maurício Alberto) e Mark Anthony (que depois fez muito sucesso com o nome de Fabio Junior) e acima de tudo, vivíamos uma ditadura militar e queríamos muito resgatar a honra do nosso país e da nossa língua. Além do mais, é muito legal ver a galera cantando junto e entendendo (de fato) o sentido das letras. Nossas letras têm papel importante no nosso trabalho. Já vi muita gente que canta em inglês assumir publicamente que enche lingüiça. Sou um dos grandes defensores do Metal em português. Acho que porque fui um dos primeiros a carregar a bandeira do Metal, quero continuar expandindo, atingir mais gente. Tomara que cada vez mais bandas voltem a cantar em português. Nossos CDs vendem na Europa e Japão, sem problemas.
P.Z: No início dos anos 80, estava havendo a consolidação do Heavy Metal com uma onda gigante de bandas surgindo. Vocês acompanharam esta explosão e foram parte da explosão do estilo em nosso país. O que você acha e como analisa o movimento Metal daquela época em detrimento do atual?
André: Gosto do cenário atual. Tenho muito orgulho de ver como foi a evolução da coisa. A diferença básica entre hoje e os anos 80 é que quando a coisa surgiu, a expansão foi naturalmente mais espontânea. Acho que as bandas antigamente eram mais genuínas.
P.Z: Em meio a muita luta, juntamente com o Dorsal Atlântica, vocês finalmente lançaram o EP/Split “Ultimatum”, que se tornou um clássico, sendo o primeiro LP de metal do Rio de Janeiro e também um dos primeiros do Brasil. Neste disco vocês fizeram composições históricas como “Cavaleiro Negro” (considerado por muitos como o carro forte da banda), “Hárpya” (intensa e envolvente), as sarcásticas “Nosso futuro” e “Complexo Urbano” (com forte crítica social) e “Desejo imortal” (outro clássico). Como foi a recepção do público naquela época? Os shows?
André: Fizemos o Ultimatum para o público. Formamos um público cativo que ia aos nossos shows e a galera merecia. A recepção foi excelente. O disco saiu durante o Rock In Rio (janeiro de 85) e eu fui ao Copacabana Palace e dei um na mão do Ozzy (onde será que ele estará?).
P.Z: O que representa hoje pra você ter lançado o primeiro registro com a “Dorsal Atlântica”? O que você pensa sobre eles terem cessado atividade e novo rumo tomado por Carlos Lopes?
André: Foi legal termos feito o disco com a Dorsal, mas também podíamos ter feito o disco sem eles. Na época, as bandas tinham a mesma estatura. A Dorsal cresceu porque era uma grande banda e foi adiante. O Carlos tem um enorme talento, entendo que ele queira dar outros voos. O fato de ele negar a Dorsal agora, instiga mais os fãs. Inteligente como ele é, quem sabe já não estaria arquitetando um retorno?
P.Z: Isto seria realmente muito bom, mas o que podemos e devemos fazer, é respeitar as escolhas dele e não desmerecê-lo por isso. Em 2009, o “Ultimatum” foi lançado em CD, como ocorreu o processo para esse lançamento e como você se sente, vendo que agora muitos puderam ter esse material que é uma relíquia em vinil, que nem todos possuem?
André: Fui eu que tive a iniciativa de lançar o Ultimatum em CD. Achei que era uma injustiça histórica esse disco pioneiro não ter uma versão oficial em CD. O Carlos concordou e preparou com muito carinho a parte gráfica do CD, com o encarte original recriado e mais fotografias da época e depoimentos.
P.Z: Também em 2009, foi lançado o CD “Maldição”, que conta com músicas inéditas da banda de 1986 e gravações ao vivo entre 84 e 85. Conte-nos porque este material não pôde ser lançado na época e quais fatores fizeram a banda cessar as atividades?
André: Na verdade, quando o Metalmorphose se reuniu em 2008, a grande motivação da galera era lançar finalmente a nossa famigerada “demo” de 86. Em 86, o Metalmorphose estava no auge e gravou uma demo incrível. A banda, que estava com a autoestima lá no teto, resolveu apostar num contrato com uma “major”. A gente pensava “Porra, não é possível que a EMI contratou a merda de uma “Legião Urbana” e não contrata a gente que toca muito mais que esses caras!” rsrs. Pois é. Então, taí o divisor de águas: Enquanto a Dorsal mergulhou no underground, a gente queria aparecer no “Chacrinha” e um contrato com uma gravadora que nem o do “RPM”. O final da história todo mundo conhece: a Dorsal galgou a sua história enquanto o Metalmorphose, apesar de sua qualidade, definhou e morreu na praia (literalmente) em 88 depois que o EP “Correntes” foi abortado pela gravadora. Pois bem, como em 2008 o Metalmorphose estava há muitos anos no ostracismo, resolvemos lançar antes o “Ultimatum” para desenferrujar a nossa imagem e posteriormente, em 2009, foi lançado o “Maldição”, que se consiste na nossa “demo” de 86 (a menina dos olhos) e mais algumas coisas ao vivo do período do Ultimatum.
P.Z: O que você acha do lançamento do “Maldição”, depois de tanto tempo, visto também a excelente qualidade das composições como “Rebeldia”, “Minha droga é o Metal” e “Esperança nunca morre”, calcadas em um Heavy Metal mais pesado, mostrando mais qualidade e técnica dos músicos? Você acha o “Maldição” melhor que o “Ultimatum”? Como os headbangers têm respondido a essas músicas?
André: O Maldição é uma evolução natural do Ultimatum. Nossas composições evoluíram e nós também evoluimos tecnicamente. Ambos os discos são muito honestos e genuínos. No Ultimatum, por exemplo, colocamos uma flauta em Harpya e em seguida atacamos de “Complexo Urbano” (meio-Motörhead-meio-punk-rock) num disco que tinha “Império de Satã” (música da Dorsal Atlântica) do outro lado… Sempre fomos aplaudidos em todos os lugares que tocamos. Lembro também que tínhamos muito mais músicas que foram descartadas de ambos os discos por falta de espaço. Não dá pra dizer qual dos dois discos eu prefiro.
P.Z: O que você pensa sobre a fase Hard/glam adotada pela banda há anos atrás? E os seus ex-membros que foram tocar pop Rock?
André: Não condeno nada. Quando a tua referência que era assim
 e do dia pra noite ficou assim,
 você há de convir que é foda. O Metalmorphose sempre quis a fama em nível nacional. Isso é pra quem pode. Depois que eu saí do Metalmorphose voltei às raízes do Metal, toquei muito Rock and Roll e Blues. Isso também é pra quem pode.
P.Z: Gostaria que nos dissesse, o que você acha da formação atual da banda? Como é estar trabalhando com caras como Leon Manssur (Apokalyptic Raids) e Felippão, que além de serem ótimos músicos, são fãs da banda e cresceram a ouvindo?
André: São excelentes músicos e bons amigos. Eles conhecem e respeitam muito o Metalmorphose. Está sendo um prazer tocar com eles.
P.Z: Apesar de ser um estilo diferente, o que você acha do Apokalyptic Raids?
André: Uma merda. BRINCADEIRA!!!! O “Apokalyptic Raids” é uma banda que tem um trabalho sério e consistente. O Leon está há anos na estrada e é muito competente em tudo que faz. Considero que o “Apokaliptic Raids” está no rol das bandas mais importantes deste país.
P.Z: Vocês fizeram um show histórico com a formação original da banda no Teatro Odisséia (RJ) em 2009. Como foi este show? A quantas está o processo pra lançá-lo em CD até o fim deste ano?
André: O show foi uma catarse! Lavou a nossa alma. O CD está em processo de fabricação e vai chegar ao mercado em junho de 2010. Quando você ouvir o CD, vai perceber a energia do que foi aquilo lá. Foi a primeira vez que o Metalmorphose se apresentou com a formação original desde 1985! Posteriormente, será lançado o DVD desse show antológico.
P.Z: O que você acha da participação de vocês no documentário e CD “Brasil Heavy Metal”, coordenado pelo guitarrista “Micka” Michaelis, que conta a história do Metal no Brasil? E qual a importância você vê no retorno de bandas daquela época como “Harppia”, “Centúrias”, “Salário Mínimo” e “Viper”? Você acha que pode ajudar a consolidar uma nova e produtiva fase de Heavy Metal feito com honestidade?
André: Estamos dando toda força pro Micka. Tocamos no ano passado em São Paulo com o “Salário Mínimo” e “Volkana”. Espero que as bandas voltem com força total, como está acontecendo com o “Metalmorphose”.
P.Z: Falando em bandas das antigas, o “Harppia” se apresentou recentemente em Pouso Alegre, Sul de Minas e o “Salário Mínimo” se apresentará na 12° edição do “Roça and roll” em Varginha, dia 12/06. Vocês têm algum plano de nos presentear com um show por esses lados?
André: Já fechei com o Bruno pro “Roça and Roll” 2011. Estamos loucos pra tocar pelo interior. Alguém se habilita pra fechar uns showzinhos?
P.Z: Realmente será muito bom poder assistir um show de vocês por aqui. Dou todo incentivo ao promotores de evento a convidá-los para tocar. André, obrigado pela entrevista. Sucesso e prosperidade pra vocês. Encerrando, fale-nos um pouco sobre os planos futuros pra banda e pode deixar uma mensagem aos fãs.
André: Eu que agradeço, Écio. Nosso plano é lançar um CD com músicas novas para 2011. Mando um abraço para a galera do Pólvora Zine, a todos(as) fãs e a gente se vê na estrada!
Leon Mansur é um grande fã da Metalmorphose e nada mais interessante, que ouvir um fã que realiza seu sonho tocando com a banda que ouve a tanto tempo.

P.Z: Mansur, conte-nos como ocorreu a sua entrada na banda.
O André Delacroix (batera) me conhecia do “Apokalyptic Raids”, e eu acomepanhei o trabalho dele no “Dust From Misery” e “Imago Mortis”, ele se liga em sons mais extremos. Até cheguei a testá-lo para as baquetas do “A.R” em 2001, mas acabou não funcionando. Naquela ocasião, ele tinha me mostrado a demo “Maldição”, que eu passei para CD. Isto ficou guardado até 2008, quando o Metalmorphose voltou à ativa com outra formação. Encontrei o Bighinzoli (André) e entre um uísque e outro, acabamos conversando sobre eu masterizar os relançamentos em CD, o que já me deixou muito feliz pois eu curto bastante o som deles. Continuei em contato e ajudando na distribuição dos CDs. O Metalmorphose sempre foi uma banda de 2 guitarras, as músicas foram compostas e arranjadas para 2 guitarras. Então agora no início de 2010, quando precisaram de um guitarrista, eles me chamaram, mas eu não me achava à altura. Depois de uma certa insistência deles (ainda bem!) e sabendo que teria o Felippe para segurar nos solos, fizemos um teste, e, pelo visto, agradei! Agora, acabo de mixar também o álbum ao vivo, gravado em 2009, para lançamento em breve!
P.Z: O que representa pra você estar tocando com uma banda pioneira no Metal brasileiro?
É um sonho, eu nem poderia imaginar. O “Ultimatum” foi um dos discos que mais teve impacto na minha formação. Eu me lembro de ter em 1985 uma fita com “At With Satan” do “Venom” de um lado e o “Ultimatum” do outro. O disco já era raro na época, só um cara no meu colégio tinha, mas acabei arrumando uma cópia depois. Aquilo era a prova, muitos anos antes, de que era possível fazer som pesado no Brasil. E o aspecto de feito à mão, conferia ainda mais o aspecto de um seleto grupo que tinha acesso. Curiosamente, eu só fui ter contato com o som do “Stress” depois de muito ouvir o “Ultimatum”.
P.Z: Como tem sido a reação dos fãs, tanto do “Apokalyptic Raids” quanto do “Metalmorphose”?
Ainda está recente, como eu disse, alguns meses, mas o pessoal fã do “A.R” em geral curte também o “Metalmorphose”, assim é Metal em dobro!
P.Z: Você tem planos elaborados pra sua atuação ao lado do André (Bighinzoli)?
Sim! Claro que a gente sempre imprime nossa marca. Mas em vez de impor meu estilo e sonoridade característicos do “A.R”, meu objetivo é tocar no “Metalmorphose” como a banda era na época. Tenho feito um grande esforço do ponto de vista técnico e estilístico para me adequar ao “Metalmorphose”, eu que nunca toquei com 2 guitarras. Não existe um manual de instruções para essas coisas! Por outro lado, eu sempre fui um grande fã de “Manowar”, “Accept”, “Purple” e principalmente da pegada do Tony Iommi, mas nunca tive muita oportunidade de dar vazão. Até fiz algumas músicas no limite do Heavy Épico/Doom no “A.R”, e no que couber continuarei fazendo, mas o “Metalmorphose” é certamente uma nova dimensão pra mim. Os ensaios tem sido intensos para fazer cada detalhe dos arranjos soarem como devem. Quanto aos palcos, eu pretendo usar um visual não muito diferente do que eu uso no “A.R”, só que menos carregado.
P.Z: Eu presumo que você deva estar bem inspirado pra colaborar com suas idéias em futuras composições. Qual contribuição musical você acha que pode acrescentar a banda?
Primeiro, estou estudando o repertório existente, incluindo músicas inéditas como “Luta” e “Rock’n Roll no Inferno”. São muitas fases, e estou absorvendo o estilo “Metalmorphose” de compor. Na verdade, o estou devorando! Creio que em breve vão surgir contribuições minhas. Os planos são para um disco de inéditas em breve…
P.Z: Qual disco e fase do “Metalmorphose” você mais gosta? O que te chama mais atenção na banda?
O “Ultimatum” tem composições fáceis, é espontâneo, o “Maldição” mostra mais peso e composições mais bem pensadas, e é o maior desafio para mim agora do lado de cá das 6 cordas… Fico no meio dos 2 em preferência. Mas tenho curtido muito tocar “Correntes” também. Quando você desconta o histórico de roupas a lá “glam californiano”, o que sobra é uma ótima música com riffs matadores, como todo o repertório do “Metalmorphose”. É isso que mais me chama atenção, a qualidade das composições e dos músicos.
P.Z: Você sairá junto com a banda no documentário “Brasil Heavy Metal”?
Acredito que o material já estava gravado quando eu entrei.
P.Z: Valeu aí Mansur. Sucesso nessa jornada. Deixe uma mensagem pra todos que acompanham seu trabalho.
Obrigado pelo espaço! Fiquem ligados no trabalho do “Metalmorphose”, o disco ao vivo está matador !!! E vamos pra estrada em breve!!!
Acessem o myspace da banda, confiram músicas, vídeos, novidades e contato:
     Metalmorphose no Calabouço (2010)
Época do “Ultimatum”

 

Corpse Grinder: A luta do verdadeiro Death metal!!

Por Écio Souza Diniz
O Death metal em Minas, sempre foi um estilo bastante difundido, apresentando bandas de grande importância para o estilo, que executam esse tipo de som de forma autêntica e muitas vezes com características bem singulares. Algumas encerraram suas atividades, outras retornaram e outras estão aí desde o início, no final dos anos 80, quando o estilo ganhava mais força e passava por mudanças, sobretudo no peso. Aqui no Sul de Minas, uma das bandas que podem disfrutar do reconhecimento de estarem a mais de 20 anos na ativa, como perseverantes do Underground brasileiro, são os caras do Corpse Grinder, de Machado-MG. Para nos falar a respeito da carreira da banda, os lançamentos mais recentes, entre outras coisas, chamamos o guitarrista/vocalista Junior, que nos fala tudo de forma aberta e limpa.
 
Pólvora Zine: E aí Junior, como vai? Vamos começar falando sobre o último álbum de estúdio da banda, “Hail to death metal legion” (2007), sendo uma verdadeira saudação à legião do Death metal e teve também boas críticas em revistas especializadas em metal, como a Roadie Crew. Como tem sido o saldo deste trabalho: a recepção dos bangers, shows, divulgação?
 
Junior: Tem sido excelente em todos zines, revistas e websites e grande parte dos headbangers que compraram o “Hail to Death Metal Legion” pelo correio ou em nossos shows, escrevem dizendo que gostaram, qual foi a música que mais gostou e isto é muito gratificante, ver nosso trabalho, que é uma humilde homenagem de uma banda underground as legiões Death Metal de todo o mundo, que são os fãs, as bandas, selos e zines, ser reconhecido entre seguidores do Old School Death Metal de todo Brasil e até do exterior.
 
P.Z: “Hail to the death metal legion” mostra a banda em uma de suas melhores formas, com elementos que remete a banda em seus dois primeiros discos, com uma notável evolução nas composições, que são muito bem elaboradas, podendo compará-lo a clássicos como, “Persistence (2001)”. Este foi um processo natural alcançado ao longo de todos esses anos ou foi algo intencional mesmo?
 
Junior: Com certeza a evolução nas composições foi algo alcançado naturalmente, com muita luta e dedicação ao longo de nossa carreira. A nossa intenção é sempre melhorar as composições, sempre evoluir, mas sempre tocando o verdadeiro Death Metal. Eu digo evoluir em termos de técnica, produção, mas sem deixar de ser pesado e sempre tocar Death Metal puro e simples como nos anos 80. Isto é ser uma verdadeira banda de Old School Death Metal, que nunca se importa com qual estilo esta sendo mais divulgado na mídia especializada e nunca absorve essas modas que surgem na mídia, que alguns críticos dizem que é o futuro ou a evolução do metal. Eu acho que para o Metal verdadeiro não existe evolução, porque já é uma coisa perfeita e o Metal verdadeiro para mim é um só, Metal é “Old” não é “new”!!!
 
P.Z: Algo interessante que vejo e interpreto quando ouço o Hail… é que ele segue cru até quase que a metade do set list e vai crescendo em técnica e densidade dali para frente, com composições até meio cadenciadas. Isto pode ser visto ao comparar-se músicas como I despise the human hate (que abre o disco) e Sinister winged minstrel com a faixa-título e Deceivers of the faith. Qual foi o propósito de se fazer um álbum com esses dois contrastes? Vocês quiseram mostrar o estilo em sua forma mais primitiva contraposto com a mais elaborada?
 
Junior: Não teve propósito nenhum, nós simplesmente escolhemos a ordem das músicas sem escolher qual é mais elaborada ou mais primitiva. Você fez uma observação interessante, mas foi simples coincidência as músicas mais cruas e diretas ficarem no início do álbum e as mais elaboradas mais para o final.
 
 
PZ: Agora falando do lançamento mais recente, o “DVD 20 years grinding corpses”, além ter comemorado os 20 anos da banda e ser um importante registro, foi também um bom presente aos seus fãs. Fale mais aos Headbangers sobre este DVD: o que o compõe, de que forma foi lançado, como adiquiri-lo… E como o tem sido o interesse do público underground em adquirir este material?
 
Junior: Este é um material duplo com um DVD e um CD. O DVD tem como show principal um show que fizemos no Hammer Rock Bar em Campinas-SP em Novembro de 2007, tem como bônus um show em Cuiabá-MT, no Cavernas Bar em Abril de 2008, tem dois clips das músicas “Sinister Winged Minstrel” e “Imminent War”, Tem shows antigos, sendo uma música de cada, em Passos-MG 1994, Rio de Janeiro 1998, Ribeirão Preto-SP 2001, Taguatinga-DF 2002, galeria de fotos e discografia. O CD é composto por músicas antigas re-gravadas, sendo uma de cada demo e de cada cd lançado e encerra com dois covers do Death – “Baptized in Blood” e Massacre – “Cryptic Realms”. Este material também foi lançado pela Kill Again Records e para adquiri-lo é só escrever para nós por carta ou e-mail (c_grinder@bol.com.br), que enviamos para qualquer parte do Brasil, o preço é 25,00 já incluindo despesas de correio, portanto um preço bem barato em se tratando de um material duplo, original e com encarte de 12 páginas com fotos da banda e dos lançamentos de cada época. O público underground tem se interessado bastante em adquirir este material, pois os DVD/CD’s que tenho comigo para venda já estão esgotando e na Kill Again Records as vendas também estão surpreendendo. Eu acredito que isto é devido a ser um material com uma apresentação e produção excelentes e isto está ajudando bastante. Até agora as críticas nos zines, revistas, websites e de headbangers que compraram tem sido muito boas.
 
P.Z: Vocês realizaram ótimos shows, ao longo dos anos, principalmente aqui no Sul de nosso Estado, incluindo o último que fizeram aqui em Lavras, que pude presenciar. Você pode citar um show memorável para a banda?
 
Junior: Felizmente nós fizemos muitos shows bons no Sul de Minas e em outros estados e fica até difícil de citar só um. Um show que foi muito importante para nós foi em Brasília (Taguatinga, 2002), quando abrimos o show do Vader e Chakal, o público estava muito bom, muito animal e foi inesquecível ver o público gritar nosso nome praticamente na mesma intensidade que o nome da banda principal.
Os shows que fizemos em Lavras também foram muito bons, principalmente os que rolaram no Karambas bar. Nós sempre tivemos muita amizade aí em sua cidade e toda vez que íamos tocar aí nos sentíamos em casa. Mande um abraço para o Tilú, Caíto, Adriano, Geo, Kal, Junior, Beto, Jorge, Vandinho, Digão, Alessandro e toda galera banger daí de Lavras.
 
P.Z: Também já tocaram com bandas importantes da região, como o Human Hate (Lavras-MG) e Decerebration (Três Pontas-MG), que ainda estão na ativa. Como é dividir o palco com bandas como o Human Hate, que retornou ano passado e estão aí na luta? Qual importância você enxerga no retorno de bandas que deram sua contribuição verdadeira ao Metal?
 
Junior: Eu acho muito legal ver grandes bandas do underground sul mineiro, que junto com nós ajudaram a fazer a história do movimento Metal Underground em nossa região estarem de volta. Na verdade eu acho que essas bandas nunca deveriam ter parado, mas cada um tem suas dificuldades e problemas particulares, que os obrigam a encerrar as atividades e não cabe a ninguém ficar julgando porque pararam, cada um sabe da sua vida. Mas o importante é que estão aí de volta ajudando a fortalecer a cena da região e seria um grande prazer para nós tocarmos com o Human Hate e Descerebration novamente, tomarmos muita cerveja e lembrarmos dos velhos tempos.
 
P.Z: Falando em Metal como um todo, como você enxerga a Cena atual, visto que em muitos aspectos falta de honestidade em várias coisas que são feitas hoje? Em contrapeso a isto, há também, o surgimento e reaparecimento de Bangers que seguem as linhas Oldschool do metal, devido a ascensão que este movimento está tendo novamente. Será que este “retorno as raízes” pode contribuir pra restabelecer bons moldes à cena nacional?
 
Junior: Eu acho muito melhor ver novos bangers surgirem interessados pelo Metal raiz do que se todos caras mais jovens fossem somente tudo um bando de emos viadinhos ou new merdas alternativos. Muitos caras das antigas que estão à muito tempo na cena discriminam a molecada que usam coletes jeans novos cheio de patches e se interessam pelo metal old school, mas eu acho isso uma ignorância, porque quem gosta realmente do metal raiz nunca quer vê-lo em extinção e para que isso não aconteça tem que sempre estar surgindo novos fãs para ajudar a eternizar o verdadeiro metal. Eu nunca quis ver o metal como um estilo popular, isso não tem nada haver com o underground, mas a necessidade de novos fãs é indispensável para as bandas continuarem a fazer shows, gravarem novos álbuns, os selos contratarem novas bandas, as revistas, zines e websites estarem sempre na ativa e assim o metal sobreviver.
 
P.Z: Já fazem mais de 20 anos que o Corpse Grinder está na estrada, com um início bastante cru e agressivo, como nas demos “Necropsy (1990)”, a que mais curto, e “Peace (1991)”, o caminho no cenário underground foi aberto, chegando a patamares superiores com os álbuns “Persistence (2001)” e “Celebration of hate (2003)”. Como é o reconhecimento e qual a maior vitória para a banda após todo este tempo percorrido? O que você acha do atual momento vivido pela banda?
 
Junior: O momento atual está muito bom, estamos com um novo baterista chamado Kleber, que já está a mais de um ano na banda, estamos ensaiando e compondo novas músicas para o próximo álbum e iremos para o estúdio no segundo semestre deste ano. Legal saber que você gosta da “Necropsy” nós regrávamos a música título desta demo no CD do nosso ultimo material “20 Years Grinding Corpses”. É muito bom ter o reconhecimento das pessoas que valorizam o Metal, principalmente para nós que estamos lutando por isso a mais de 20 anos, porque reconhecimento é a única coisa que uma banda de Death Metal Underground nacional pode esperar, porque se existe alguém que toca em alguma banda de Death Metal no Brasil, esperando ganhar dinheiro esta no lugar errado e viajando totalmente. Nos shows até hoje as pessoas pedem músicas do “Persistence”, do “Celebration of Hate” e até das demos. No show em Cuiabá fomos para tocar 12 músicas e acabamos tocando 19, porque o público não deixava a gente parar e na ultima música pediram para tocar “Shadows Land”  de novo e eu anunciei como “Shadows Land Again”,isto é um grande exemplo de reconhecimento, que nos faz continuar sempre firmes em nossa luta no Underground.
 
P.Z: A banda só veio a lançar o primeiro álbum, “Death or glory” em 1996, quais foram os maiores caminhos percorridos até esse momento? E o lançamento do ótimo ao vivo, “Underground Celebration live (2003)”, qual a importância este disco tem pra vocês? A propósito, qual o melhor disco da banda segundo sua visão? Qual diferencial ele tem que te agrada?
 
Junior: Cada lançamento foi muito importante para nós na época que foram lançados, porque nós fizemos o melhor possível, o que estava ao nosso alcance. Até chegar no Death or Glory, nós lançamos 4 demos oficiais e sonhávamos um dia lançar um 7 EP e ou até um LP e resolvemos enviar a demo 94 para Heavy Metal Rock, para ver se seríamos escolhidos para participar do “Death or Glory vol.2” e fomos escolhidos e logo em seguida fomos gravar em São Paulo, em Março de 1995, e logo enviamos o material para o selo, só que o lançamento saiu somente em Agosto de 1996 e durante este tempo de espera enfrentamos muitas críticas e gozações aqui em nossa cidade, porque ninguém aqui da região do Sul de Minas havia gravado CD ainda, nem de estilos comerciais como sertanejo ou samba, então a maioria das pessoas achavam que era mentira. Quanto ao cd demo ao vivo “Underground Celebration live 2003” foi gravado em um dos primeiros shows que fizemos para divulgar o “Celebration of hate” aqui em Machado, e teve uma excelente divulgação na época porque foi distribuído grátis anexo ao zine Metal Blood, que é o zine do nosso selo Kill Again records e foi de grande importância para a divulgação do Corpse Grinder na época.
O melhor disco de músicas inéditas na minha opinião é o “Hail to Death Metal Legion”, mas eu prefiro o CD de músicas re-gravadas que saiu junto com o DVD do nosso novo material, porque nele estão as principais músicas da nossa carreira, com a produção atual, bem superior as originais, aliada a nossa técnica que melhorou bastante, então é como se eu voltasse no tempo para poder refazer as músicas que mais gostava e colocar todas em um só álbum, por isso o CD do “20 Years Grinding Corpses” é o meu preferido.   
 
P.Z: Valeu aí pela entrevista Júnior, sucesso e persistência pra vocês. Para encerrar, fale sobre os planos futuros da banda. O que podemos esperar? Algo em especial para este ano?
 
Junior: Nossa prioridade no momento é terminar a ultima música que fará parte do próximo CD, que como já disse, iremos gravar no segundo semestre deste ano e ensaiar bastante para os próximos shows, para poder mostrar o melhor de nosso som aos verdadeiros headbangers. Um novo álbum este ano será difícil, mas podem esperar muito Death Metal Ortodoxo nos próximos shows, feito de headbanger para headbanger! Valeu pela oportunidade desta entrevista!  
 
Para conferir novidades e saber mais coisas sobre a banda, acessem o blog oficial:
 
 
Confira também músicas e vídeos da banda no myspace:
 
 
 

Apokalyptic Raids – O Apocalipse no death metal

Por Écio Souza Diniz

 

 

Atualmente, o metal extremo têm sofrido bastante com a falta de originalidade, o que está constatado principalmente no Death metal. Estilo este, no qual muitas bandas se focam no peso e virtuosismo, deixando carecer o feeling que nos faz ter nas veias, a sede e vontade de agitar em um mosh apocalíptico e bater cabeça.

Com a proposta de manter vivo e resgatar o vigor, forma orgânica e sonoridade soturna e agressiva do Death metal primordial dos anos 80, a banda carioca Apokalyptic Raids vem se destacando na cena underground dentro e fora do país, conquistando leais seguidores. Falando conosco sobre os 12 anos de estrada da banda, a cena atual do metal e o lançamento do quarto disco da banda, Vol.4-Phonocopia, temos o vocalista/guitarrista e líder, Leon Mansur, “Necromaniac”.

Pólvora Zine: Olá Mansur, como vai? Gostaria de começar, perguntando como você visualiza o atual momento do Death metal e do Metal em geral?

Leon Mansur: Hell-o! Estamos ainda numa indefinição… Os headbangers dos anos 80 agora estão com seus 40 anos, ouvindo classic rock, metal e tudo mais. A geração dos anos 90 fez muita produção, mas falhou em nos dar algo de original, com a técnica sendo colocada em primeiro plano. A geração dos anos 2000 tem muita informação nas mãos, mas ainda não tem maturidade para apresentar um conteúdo interessante. Então, vamos ter que esperar pra ver o que vem por aí. Nossa parte garanto que estamos fazendo!

P.Z: Agora, falando sobre a banda, vocês completam neste ano, 10 anos do lançamento do clássico debut “ONLY DEATH IS REAL”. Há preparação de algo especial para comemorar esta primeira década do referido álbum?

Mansur: Sim e não… O que há de especial para comemorar é lançar mais um álbum, o nosso quarto, mais alguns split eps, incluindo regravações do Only Death is Real e esperamos superar os anteriores e cair na estrada!

P.Z: Já algum tempo, vocês selaram contrato com a gravadora americana HELL’S HEADBANGER, que fará reprensagem dos albums da banda em LP (hoje todos esgotados). Como tem sido esta parceria?

Mansur: Ainda não terminamos os layouts dos relançamentos, pois estamos dando prioridade ao disco novo, mas sim, a Hell’s Headbangers é muito respeitada e temos contato com eles há muitos anos. Portanto, creio que teremos a devida exposição destes relançamentos.

P.Z: Ainda me lembro que no início das atividades com o primeiro disco, muitos radicais ignorantes acusaram a banda de falta de originalidade e estar fazendo o que já fora feito. O que ao contrário do dito, há muitas particularidades e coisas originais na sonoridade da banda, que podem ser notadas nas letras (exemplo de Angels of hell), solos harmoniosos e bem trabalhados e uma bateria com muitas variações. De que forma você reagia respondia a todas essas acusações?

Mansur: Bom, agora já passados 10 anos, se é que algum destes críticos ainda curte som, continuamos firmes em nossa proposta. Fazer o que já foi feito, mesmo, é o que 99% das bandas de metal extremo fazem. Nós continuamos (de uma maneira até bem original, como mostramos no terceiro álbum) uma proposta que não foi desenvolvida o suficiente, pois tudo foi americanizado e atropelado pela técnica no fim dos anos 80. Ninguém é obrigado a gostar ou aprovar, mas ouçam antes de julgar.

P.Z: Querendo realmente manter o espírito oitentista do metal, vocês lançaram o segundo álbum da banda (The return of the satanic rites) em cassete pela gravadora Polonesa TIME BEFORE TIME. Também consolidaram contrato com a gravadora DARK SUN. Como tem sido trabalhar com eles? E quanto Time Before time, a parceria ainda se mantem?

Mansur: Não, a Dark Sun é página virada. Não podemos trabalhar com quem não é profissional e não cumpre prazos, nem dá uma satisfação, pois isso nos causa grandes prejuízos… Quanto a Time Before Time, a parceria foi apenas para aquele lançamento. Eu até tenho os layouts prontos dos demais álbuns em tape, mas ultimamente tem sido difícil achar tapes para comprar. Eu não sou particularmente fã do formato tape, mas se puder faremos o lançamento.

P.Z: A banda contou com a presença do jovem baterista Pedro Rocha “Skullkrusher”, da excelente banda de Trash metal, FARSCAPE, que foi substituído por Márcio Cativeiro “Slaughterer” (Cadaveric impregnation, Internal bleed), que ainda permanece na banda. Apesar do ótimo trabalho que o Pedro fez no 2º álbum e o 3° (The third storm-World war III) em músicas como Ready to go (To hell), Skullkrusher e Manifesto politicamente incorreto. Como foi trabalhar com ele? E como o Márcio (Cativeiro) tem se saído com a banda?

Mansur: O Pedro deu uma verdadeira injeção de ânimo na banda, durante um período crítico da nossa passagem para uma atividade mais profissional. O afastamento dele se deu por problemas familiares, de saúde, e começamos a treinar o Márcio para assumir o posto. Eu sempre faço questão de ter um ambiente de trabalho saudável na banda, e isto inclui levar em conta o lado humano dos integrantes. Não foi fácil, o Pedro é um excelente baterista, e o Márcio tem um estilo diferente, com bumbos mais pesados, e não estava acostumado aos nossos andamentos. Mas hoje, 2 anos e meio depois, posso dizer que o Márcio está tão integrado ao nosso som, que nem parece que passamos por mudanças tão estruturais. Já há quem diga que estamos melhores que antes. Ele está se mostrando um cara versátil, adequado ao nosso som, e está atingindo uma maturidade até para compor e quem sabe cantar algum som na banda.

P.Z: Vocês vêm realizando shows para públicos cada vez maiores, com cerca de 3.000 pessoas para mais. Também abriram shows de bandas respeitadas como Possessed (em 2008) e Onslaught (em 2009). O quanto esta exposição da banda a tem ajudado a conquistar novos e maiores públicos?

Mansur: Na verdade, 3.000 pessoas foi o recorde, no dia a dia pode ser bem menos. A diferença é que depois de todos esses anos, os shows estão mais freqüentes. E sim, precisamos nos manter tocando porque sempre aparecem novas gerações de headbangers e temos que estar presentes. Em que pese o fato de que com a crise do CD, o mercado tem se voltado cada vez mais para os shows, causando um congestionamento nos palcos, e fatos esdrúxulos como bandas que pagam pra tocar.

P.Z: Houve também a produção dos Show da volta do Vulcano e Chakal, como foi o processo para realização deste importante evento?

Mansur: Eu tinha contato com o pessoal do Chakal, desde os anos 80 quando eu acompanhei a banda de perto. Também acompanhava o Vulcano, mas o contato apareceu através de um amigo de uma banda norueguesa que tinha o e-mail do Zhema. Assim, conseguimos costurar um acordo que nos proporcionou aquele evento histórico, alugamos o som e o local e fizemos acontecer.

P.Z: O Only death is real, fora o principio de tudo, cativando os ouvintes por sua sonoridade crua e agressiva, visto também os demais álbuns e conseqüente evolução de lá pra cá. Qual você julga ser o melhor e mais completo álbum da banda, no sentido de elementos que você gosta de acrescentar a música?

Mansur: Eu não curto muito o Only Death is Real porque tem algumas coisas muito falhas na produção dele. Tem bateria desencontrada, vocais mal colocados e toda a nossa imaturidade na época. O disco que eu mais curto é o The Third Storm, porque ali a banda estava bem redonda. Tenho orgulho da nossa performance naquele álbum. Incidentalmente, ele é o mais variado, por uma necessidade de expandir o estilo mantendo a sonoridade. O segundo disco, The Return Of The Satanic Rites é um álbum de transição, muito importante, porque contém as 2 músicas que foram compostas para a banda propriamente dita , e não composições antigas: Ready To Go To Hell e Voyeur. Quanto à produção, ele se situa no meio do caminho entre o 1º. e o 3º. álbuns, mas eu creio que mais para o 3°. Eu curto acrescentar alguns efeitos sonoros que deixem o álbum com uma certa cara de filme de horror.

P.Z: Quando sairá o novo álbum “Vol.4-Phonocopia” e o que podemos esperar encontrar nele?

Mansur: O novo álbum já está gravado, mas atrasou devido a alguns problemas que tivemos pelo meio do caminho. Estamos no layout da capa e masterização, e queremos lançar o mais rápido possível. Este disco está mais direto do que o The Third Storm e agressivo como o Only Death is Real, mas com um know how que demoramos estes 10 anos pra atingir. Tomamos mais cuidado do que nunca na composição, e temos tocado os sons ao vivo, e o público tem aprovado.

P.Z:Para finalizar. Quero que nos fale qual é gratificação depois de 12 anos na estrada (oficialmente) e o que está por vir neste ano, além é claro do novo álbum?

Mansur: Como eu disse, temos esses splits pra sair, além do álbum novo, e no mais é pegar a estrada e tocar no maior número possível de lugares. Nossa maior recompensa é ver no olhar dos headbangers a cumplicidade numa música que, muito mais do que entretenimento fácil, é arte, e um reflexo do nosso modo de vida e contribuição pra construção de um ser humano que valha a pena.

Vejam nosso novo site em www.apokalypticraids.com

Valeu!

PZ: Bem, obrigado pela entrevista Mansur. Sucesso pra vocês.

 

 

GENOCIDIO – Mais sólido do que nunca!

Por Écio Souza Diniz
O metal nacional sempre foi composto de muito pioneirismo, ousadia e luta. Através disso, várias de nossas bandas ganharam espaço, tornando-se muitas vezes referências de seu estilo mundo afora. Dentre estas, está a banda paulista Genocídio. Calcada em uma sonoridade crua, rápida e agressiva nos seus primórdios com elementos do Black metal, Trash e Hardcore, passando por uma constante inovação em sua sonoridade, conquistando leais fãs até os dias de hoje. Após períodos de interrupção de suas atividades por problemas internos, entre outros, estão agora na ativa, mais fortes e ousados do que nunca, divulgando seu recente trabalho, o album “Probations”, gravado ao vivo no Blackmore Rock Bar, em São Paulo e realizando os processos finais para o lançamento do novo album de estúdios, “The clan”. Convidamos o baixista W. Perna, para nos falar sobre o atual momento da banda, o novo trabalho e um pouco de sua história.
Pólvora zine: E aí Perna, como vai? Recentemente o Genocídio divulga o CD e DVD ao vivo “Probations”, que traz além das músicas, uma entrevista. Como vem sendo o saldo deste trabalho?
W. Perna: Tudo tranquilo! O saldo é positivo, apesar de ter pouca divulgação e ser um trabalho “artesanal”, pois toda a parte de edição e a entrevista foi feita na minha casa. O DVD tinha sido projetado para sair alguns anos antes, mas infelizmente o acidente que sofri atrasou o projeto (Perna sofreu um acidente na escada rolante do complexo Galeria do Rock, em São Paulo, que lhe custou a perda de um dedo da mão).
P.Z: Em 2007, vocês disponibilizaram o EP ao vivo, “Hiatus”, para download com objetivo de promover “Probations”. Como foi a repercussão para este EP?
Perna: Foi bem melhor do que esperávamos, pois em uma semana tivemos mais de 1.000 downloads.
P.Z: Uma característica peculiar do Genocídio, está na transição de uma sonoridade mais crua e agressiva nos primórdios da banda, para sonoridades com grandes evoluções e inovações, como pode ser ouvido nos álbuns “Phostumus” e “One of them”. Depois houve o retorno as raízes da banda em “Rebellion”. De que forma você pode explicar tantos estágios diferentes alcançados ao longo dos anos? Seria em partes, devido às influências trazidas pelos músicos que passaram pela banda?
Perna: As influências que cercam a banda são bem variadas e procuramos fazer o que é melhor para se encaixar na formação, no “Rebellion” voltamos a ser um trio e seria difícil criar climas ao vivo com uma guitarra.
P.Z: Dentre as reformulações que houveram na banda, qual o melhor formato da banda para você? Power trio ou outros formatos?
Perna: Quarteto sempre será a melhor opção, principalmente ao vivo… mas fizemos muitas cosias boas como trio.
P.Z: Muitos já chegaram a apelidar o Genocídio de “Paradise Lost brasileiro”. O motivo se deve a presença de elementos do Gótico e Doom, combinados com Hardcore, como ocorre em “One of them” e um som denso e com variadas atmosferas como “Phostumus”. Particularmente quando ouço, “Phostumus”, por exemplo, vejo muita inflência de Paradise, mas também vejo um pouco de Candlemass. Qual dessas bandas tiveram mais influência sobre você?
Perna: Na época que gravamos o “Posthumous”, não tinha nehuma banda brasileira fazendo musica pesada, usando vocal feminino, violino, talvez seja esse o motivo. Particularmente sou grande fã do Paradise Lost, Anathema, My Dying Bride, são algumas influências da banda.
P.Z: Eu vejo como característica própria da banda, além de sua sonoridade, letras bastante originais e uma grande alusão do homem em relação a máquina, que pode ser vista na estética do site oficial da banda também? Esta alusão denota uma mensagem da banda para ou ouvinte. Para os que ainda não conseguiram captá-la em sua essência, você poderia esclarecê-la?
Perna: A banda teve duas fases de letras e agora com o “The Clan” será a terceira fase. A primeira foi com Juma, depois eu e o Marcão e agora no The Clan o Murillo assumiu a parte das letras. As idéias basicamente questionam se a evolução humana teve uma intervenção tanto na forma espiritual como tecnológica por outros seres.
P.Z: O Genocídio foi a primeira banda Brasileira a realizar um lançamento em Picture Disc, fato ocorrido em 1991, no relançamento do primeiro e excelente Ep da banda (auto-intitulado apenas como Genocídio). Qual importância tal feito representou e ainda representa para a banda?
Perna: Foi muito importante na época e continua sendo, pois mesmo hoje são pouquíssimas bandas que tiveram um Picture Disc em sua coleção.
P.Z: A banda atingiu intensa notoriedade através da exposição dos clipes de “Depression” (do Clássico álbum omonímo) e “Up roar” (do pesado Hoctaedrom). Esta última, além de grande freqüência nas rádios da época, teve seu clipe lançado como bonus. O quanto este feito ajudou na divulgação da banda?
Perna: Na época a mídia estava mais aberta para o estilo, era uma oportunidade de levar a música do Genocídio para outras pessoas. Tudo isso foi muito positivo para a banda na época e continua sendo.
P.Z: O que representou a saída de Marcão para a banda? Quais foram as maiores contribuições dele para banda? Como é o trabalho com Murillo (Vocal)?
Perna: Depois de um certo tempo tocando junto, os integrantes precisam estar pensando igual, como um só ideal, quando isso não acontece fica difícil um relacionamento, mas todas as formações tiveram sua importância.
P.Z: Quando você olha para trás e vê uma banda que você faz parte fundamentalmente, que lançou álbuns clássicos, como o indiscutível “Depression”, o pesado “Hoctaedrom” e o rápido e direto “Rebellion”, qual a sua maior gratificação e os melhores e piores momentos da banda?
Perna: Acho que a maior gratificação é continuarmos fazendo shows e ver a galera indo nos shows, cantando as músicas, isso não tem preço, já que nesses anos vimos muitas bandas querendo comprar o sucesso como o PUS e o Scars e não chegaram a lugar nenhum.
P.Z: Vocês colocaram no myspace da banda uma música do novo álbum de estúdio (The clan), “Transatlantic catharsis”, que é uma música pesada e com riffs muito bem trabalhados, além de um vocal bem denso, o que podemos ver no todo do álbum? Para quando podemos esperar o lançamento de “The clan”?
Perna: O álbum já está pronto, estamos agora acertando detalhes com a gravadora, esperamos que até abril o CD esteja pronto. Musicalmente o CD vai surpreender muita gente, pois as musicas são um reflexo de todos os discos do Genocídio com uma qualidade sonora nunca alcançada pela banda.
P.Z: Obrigado pela entrevista Perna. Para finalizar, além do novo álbum, quais os projetos do Genocídio para este ano?
Perna: Queremos apenas lançar o CD e fazer muitos shows, nada mais… Obrigado pelo apoio!
Pra conferir mais notícias sobre a banda acesse: www.genocidio.com.br

Acesse também o myspace oficial da banda:

Human hate – O grande retorno!!!

Por Écio Souza Diniz
O Estado de Minas Gerais, leva o mérito de ter sido um dos grandes berços do metal brasileiro, apresentando bandas que ficaram marcadas pra sempre na cena, inclusive algumas que estão até hoje na ativa. Bandas como Chakal, Sextrash, Sarcófago, Sepultura, Mutilator e Overdose, são apenas alguns exemplos do que estou falando.
Entre essas bandas de grande importância e que ainda contribuem para a formação das novas gerações do metal, sobretudo do Trash metal, está o Human Hate. Formada no final da década de 80 e expandindo seu público, tocando com bandas como Dorsal Atlântica, o Human Hate está aí novamente na ativa, mais sólido e perseverante do que nunca. Para nos falar sobre o atual momento vivido pela banda, o lançamento de novas Demos, o lançamento do primeiro álbum em CD e o projeto para um novo disco, chamamos o vocalista Kal, para nos esclarecer melhor todas essas coisas.
 
Pólvora zine: E aí Kal, como vai? Já são anos de estrada que fizeram com que o Human Hate deixasse sua marca na história do Trash metal. Para começar, gostaria que nos falasse como começou o Human Hate e quais as dificuldades enfrentadas naquela época para se efetivar como banda, inclusive até chegar ao primeiro disco?
 
Kal: O Human Hate começou com o Geo, Tilú e o Cureba em meados de 1988, quando foi gravada uma demo com o Geo nos vocais. Devido a desentendimentos o Tilú e Cureba saíram e formaram o Expulser. Foi nessa época que o Moíses da Hellion teve acesso a demo e entrou em contato para um possível contrato, foi então que o Geo reuniu a formação que gravaria o disco, inclusive o Moisés estranhou e questionou o fato da mudança dos vocais porque o Geo teve que tocar guitarra, quando ele ouviu o novo vocal calou-se. Outro detalhe: a música “Putrefacion” que nós temos que tocar em todo lugar que vamos, foi criada as pressas para preencher espaço no disco.
 
P.Z: No lançamento do debut “Los in the abyss”, vocês abriram para ninguém menos que Dorsal Atlântica no Dynamo Festival. Qual importância este show teve para abrir caminhos para o Human Hate?
 
KAL: Para quem está iniciando uma oportunidade de tocar com uma banda de renome como o Dorsal é muito importante, ótima divulgação e nós fizemos um trabalho legal, pois o nome do Human Hate é conhecido em SP devido a esse show.
 
P.Z: A banda foi fundada por você e seus dois irmãos, Geo (guitarra) e Junior (Bateria), com o time sendo completado por D.R.I (baixo), mas tão logo ao lançamento do álbum de estréia o Junior deixou a banda. O que está perda representou para vocês?
 
KAL: A saída do Júnior foi uma perda pra nós, além de ser irmão, ele possui uma técnica apurada que se tornou uma das características do Human Hate, nós o substituímos mais sem dúvida a banda perdeu um pouco sua identidade.
 
P.Z: O “Lost in the abyss” é um álbum forte, calcado nas linhas de um Trash bem riffado, com viradas rápidas e variadas de bateria, baixo estralado e vocal ácido e odioso. Ou seja, é uma sonoridade bem orgânica e repleta de feeling, a qual faz agitar moshs e bater cabeça. Qual foi o caminhado seguido para se obter uma unidade tão intrínseca, como esta que compõe o álbum?
 
KAL: Vocal ácido e odioso? Gostei disso rsrsrsrsrsr. O caminho é tocar o que gostamos e queremos, sem nos preocuparmos muito com rótulos. Chegamos, temos as idéias, fazemos os arranjos, todos da banda gostaram? Então vamos em frente.
 
P.Z: Vocês tiveram vários períodos de interrupção das atividades. Qual deles foi o mais difícil e extenso? E quais as maiores barreiras encontradas ao longo dos anos?
 
KAL: O maior deles foi o último, ficamos de 2003 quando tocamos em Alfenas até 2009 sem tocar, foram várias barreiras durante todos esses anos, como por exemplo, os locais de ensaios, os vizinhos sempre odiavam, quase sempre tinha polícia rsrsrs.
 
P.Z: O retorno de vocês em 2009, ocorreu com elementos surpresa na banda, que foram a presença de uma segunda guitarra, ocupada por Beto (ex-Suicide) e o baixista Donieverton (ex-Tribal Roots, Hellseeker e outros) no lugar de D.R.I. Como está sendo trabalhar com esses músicos, inclusive o Beto, que também vem Trash old school dos anos 80? Quais contribuições, musicalmente falando ambos trouxeram para a banda?
 
KAL: Na verdade o Beto já está com a gente há muito tempo, ele entrou na banda quando houve uma espécie de fusão do Human Hate e Suicide, foi quando entrou o Beto e o Renam (suicide) e eu e o Geo. O Renam ficou pouco tempo, houve então o retorno do Júnior que estava morando em S.P. Quanto ao Donieverton, ele faz parte de uma geração que cresceu ouvindo a gente, a entrada dele trouxe dinamismo e qualidade.
 
P.Z: Recentemente vocês estão distribuindo em shows, a demo “Rehersal Back” que contém cinco músicas novas. Como vem sendo a repercussão da banda através disso?
 
KAL: A melhor possível, eu diria até surpreendente. O pessoal tem curtido bastante.
 
P.Z: As músicas novas tem muita garra e energia e além de uma evolução notada na sonoridade, a banda manteve sua essência sem soar enjoativo (algo que não são todas as bandas que voltam fazem). Como vocês conseguiram alcançar e trabalhar este equilíbrio nas músicas? Foi natural ou intencional? Também foi pretensão de todos na banda?
 
KAL: A evolução é natural pelo tempo que a gente toca. Nós procuramos manter a mesma proposta do início da banda, que é um som agressivo sem as barreiras dos rótulos. As músicas saem naturalmente, todos partícipam, como cada um tem suas preferências o resultado é esse, o Human Hate.
 
P.Z: A demo “Rehersal Back” tem músicas que se destacam facilmente como “Shame mask”, as instigantes “Toxic” e “Wodka waltz”. Como o público que tem assistido aos shows do Human Hate tem reagido a essas músicas em relação às antigas? É perceptível alguma preferência?
 
KAL: O público tem se dividido em dois: aquele pessoal das antigas, para esses a gente sempre toca músicas do disco e o pessoal mais novo, esses tanto faz as músicas, é tudo uma coisa só, ainda não conhecem muito a banda, e ficam nos olhando com o seguinte pensamento: O que será que esses coroas vão tocar, então quando começamos ficam olhando meio espantados, depois se soltam aí o mosh rola.
 
P.Z: O retorno da banda tem se mostrado audacioso, com muitos shows e participação em festivais. Em 2009 vocês abriram o show da banda See you in hell, importante nome do Hardcore na República Tcheca e tem tocado com bandas mais novas como Ataque Nuclear de Três Corações. Como tem sido essas experiências?
 
KAL: Em Divinópolis, com See you in hell, fizemos um show técnicamente perfeito, o pessoal curtiu bastante, foi uma ótima experiência pra gente. Quanto ao pessoal do Ataque. Eles são nossos irmãos cara! A gente já viajou pra tocar juntos, sem contar o som deles que é du caralho.
 
P.Z: Kal, o que você pensa e enxerga em aspectos gerais do atual momento do metal nacional? E o atual o momento do Human Hate?
 
KAL: Cara! Hoje tem uma coisa que me incomoda muito, as nomenclaturas aumentaram , existem muitas subdivisões dentro do metal, em conseqüência disso, nos shows, fica uma turma de um determinado estilo sentados ou do lado de fora e só entram quando está tocando alguém dos estilos deles. Na minha opinião isso não é legal, também tenho minhas preferências, mais acho que todos do Underground devem ser prestigiados. Quanto ao atual momento do Human Hate, estamos ávidos para tocar por aí!
 
P.Z: Bem Kal, obrigado pela entrevista. Para encerrar, o público do Human Hate, gostaria de saber como andam os planos para o tão esperado lançamento do LP “Lost in the abyss” em CD e a gravação de um novo álbum? Quais os demais planos da banda para 2010?
 
KAL: O cd com as músicas do disco “Lost in the abyss” está sendo preparado, estará disponível em breve, o pessoal tem procurado muito. Quanto a um novo disco, vamos começar do zero, estamos preparando calmamente as músicas, queremos fazer algo bem legal, inclusive temos uma demo como algumas dessas músicas, quem quiser é só entrar em contato que eu mando.
Para entrar em contato:
No myspace oficial da banda você pode ouvir as músicas novas:

Mustang – Criatividade em alta!!!

Por Écio Souza Diniz
Fazer Rock and Roll no Brasil, a despeito de hoje, nem sempre foi tarefa fácil. Mesmo assim, vários pioneiros do estilo conseguiram chegar ao topo, se consagrando tanto nacional quanto internacionalmente. Os exemplos clássicos são Raul Seixas, Secos e Molhados, Os Mutantes, entre outros. Nesse time seleto de batalhadores, está Carlos Lopes, um veterano na cena brasileira.
Com uma visão crítica e aguçada sempre presentes em sua personalidade, sobre o mundo e a sociedade em que vive, associadas a uma postura clara e consciente a respeito da vida, expressas em sua música, Carlos carrega com o Mustang a bandeira do Rock and roll nacional. Engajado em levar o Mustang a caminhos mais longínquos, conquistando públicos cada vez maiores e marcar na história do Rock a “MPR – música popular roqueira” e com uma humildade singular, o convidamos para nos falar sobre a banda, pretensões na música, o recente álbum (Mustang V) e muito mais.
 
 
Pólvora zine: O Mustang iniciou suas atividades lançando o debut álbum “Rock and Roll Junkfood” em vinil picture disc em inglês. O quanto este feito ajudou na projeção da banda na cena Rock and roll brasileira? E internacionalmente?
 
 
Carlos Lopes: Na verdade o disco foi lançado em 3 versões: picture disc, vinil vermelho e CD em português com algumas das mesmas faixas em inglês. Ele foi gravado e lançado na virada de 2000 para 2001, há quase dez anos. Lembro sempre desse disco como um trabalho de passagem, feito com a intenção de romper com o passado, mas um trabalho ainda atrelado a esse mesmo passado de certa forma. Junkfood é fruto da necessidade de me reescrever, e de resgatar a vontade de compor e tocar. Ao ouvi-lo hoje fica evidente que o som da banda amadureceu a cada novo trabalho, foram 5 discos em dez anos, uma loucura. Uma boa loucura.
 
P.Z: O “Rock and Roll Junkfood” é um disco bem peculiar, pois suas músicas e sonoridade são bastante orgânicas, tanto musical quanto liricamente. Sendo assim, um álbum com muito feeling. Não é sempre que uma banda alcança essa essência logo no início. Você já tinha os conceitos e parte das músicas prontas a um bom tempo? O que você mais gosta neste álbum?
 
Carlos: Em uma das crises existenciais-artísticas que tive em relação à carreira, durante as quais perdi a vontade de tocar, ou me expressando melhor, quando não vi mais sentido em tocar, compus esse disco durante vários ensaios livres sem intenção, inclusive de gravá-las. O repertório nasceu do resgate de lembranças das primeiras bandas de rock pesado que escutei como Kiss, Black Sabbath, UFO e principalmente punk rock 77, Beatles e Rolling Stones. O Mustang nasceu a princípio para reavivar essa chama em um momento pregresso na vida, por volta de 13 e 15 anos, no qual eu não pretendia ter banda ou tocar, era apenas fã. E sendo assim, queria que esse disco do Mustang marcasse um momento com uma produção rústica e real, diferente do mundo plástico que havia tomado conta do rock, das produções artificiais, essa era a idéia. O disco foi gravado ao vivo, baixo, guitarra, solos e bateria. Só as vozes foram adicionadas depois. É um disco independente e corajoso. E cada novo ato de coragem, ou a cada novo disco, vou ficando mais ousado, muito ciente do que quero. A cada disco o caminho fica cada vez mais claro.
 
P.Z: Quando saiu o segundo álbum, o clássico “Oxymoro”, vocês deram a cartada definitiva e impressionaram a muitos com um disco cheio de energia e paixão, envolto em uma aura única de rock and roll. Músicas como as enérgicas “Muito Além” e “Saco Cheio”, as críticas “Caridade” e “Cheiro de Mijo Guardado” e a sacana “Ela Lê a Bíblia” são bons exemplos do que digo. Quais foram os caminhos trilhados para se chegar à um álbum tão sólido como este? Qual a importância desse disco pra você?
 
Carlos: Sou muito dedicado ao que faço, exploro o melhor e o mais criativo de mim. Sempre fiz isso, mesmo que o mercado não entendesse ou rejeitasse. A evolução ocorrida entre o CD anterior e esse segundo trabalho foi gigante. O maior destaque, além da parte musical, foram as letras, humanas e exóticas. Necessárias. Na contracapa Che Guevara está com os lábios pintados com batom rosa. Essa imagem explica a intenção não de agredir, mas de rir contestando, o que não é fácil de explicar para gente carrancuda. O humor sempre foi um ingrediente essencial no imaginário do Mustang.
 
P.Z: Ainda sobre o “Oxymoro”, de onde surgiu a idéia de falar sobre contradições no disco? E as versões em inglês para “muito além”, “saco cheio”, “tudo pelo dinheiro” e “fim de semana”, elas foram divulgadas no exterior? Qual foi o propósito de colocar essas versões no álbum?
 
Carlos: Eu havia entrevistado os 3 músicos remanescentes da banda MC5, uma das minhas favoritas antes da gravação do disco. Na entrevista, o guitarrista Wayne Kramer usou o termo oximoro, que simboliza dubiedade, como por exemplo “Inteligência da Polícia”. Achei que esse título simbolizava minha percepção do que é o rock: uma música que pode te fazer evoluir como involuir, dúbia ao extremo, um verdadeiro oximoro.
 
P.Z: O terceiro álbum, “Tá tudo Mudando… Mas Nem Sempre Pra Melhor” se mostrou um disco direto e nostálgico em vários momentos, principalmente em suas letras. As revoltadas e ferozes “Geração Perdida”, “Janis Joplin” e “Cueca e Meia” esbanjam criatividade e sonoridade visceral, que são ouvidas ao longo do disco. O que mais te chama atenção neste disco? Quais são suas maiores peculiaridades?
 
Carlos: Desde o início esse terceiro trabalho da banda foi pensado para ser uma homenagem aos anos 70, às bandas estrangeiras e brasileiras que haviam me influenciado. A capa cita o disco Let It Bleed dos Rolling Stones tropicalisticamente falando, não usando esse ícone apenas como referência, mas reinventando-o com uma visão crítica e debochada. Sempre tive como objetivo abrasileirar toda a informação, degluti-la e regurgitá-la como fez o Modernismo. Nunca me interessou ser passivo.
 
P.Z: Um outro destaque interessante pra mim no álbum anteriormente citado é o título, que faz referência a consequências dos avanços tecnológicos e urbanísticos. Carlos, com você enxerga esta realidade atual do mundo em que vivemos? E qual a importância de se transferir isto tudo para a música?
 
Carlos: Não sou o Carlos de 20 anos atrás e nem o Carlos de 2 dias atrás, graças a Deus. E isso não quer dizer inconsistência, mas a aceitação da imutabilidade do mundo e das coisas. Somos seres em mutação, que se renovam a cada nova experiência, isso é, se você estiver aberto para extrair o melhor das suas vivências. Cada disco é retrato apenas do momento no qual ele foi escrito. Apesar de todos os álbuns terem o nome Mustang eu só me reconheço sempre no último trabalho e nunca nos anteriores.
 
P.Z: O Mustang é uma das bandas que são sinônimo de perseverança e persistência. A partir dessas características, foi moldado o quarto álbum, “Santa Fé”. Como vem sendo a luta do Mustang ao longo de todos esses anos para conseguir seu lugar ao sol? Como foi a divulgação de “Santa Fé” com CD encartado distribuído através da revista “O Martelo” que você dirige?
 
Carlos: O tal “lugar do sol” é um termo genérico para rotular algo que só o seu coração possui ou imagina que possui a resposta exata. O mercado é complexo e o público muitas vezes é conservador ao extremo e tudo isso não tem nada a ver com a proposta livre do Mustang. Não posso mentir e te dizer que é fácil entender a nossa música, isso envolve uma questão cultural e de sensibilidade. O parâmetro do que é sucesso ou não é exclusivamente seu. Sucesso para mim é o Mustang ter 5 belos discos em uma década.
A versão impressa da revista O Martelo que vem com o CD “Santa Fé”, o quarto disco da banda, é uma edição especial que fala, na maioria, sobre as bandas que formaram o som do Mustang. Entrevistei várias bandas e escrevi sobre outros artistas, que foram referências para a fundação da banda. A revista e o CD se completam.
 
P.Z: Falando na revista “O Martelo”, fale para a galera, qual o objetivo da mesma e o que compõe seu conteúdo?
 
Carlos: A intenção sempre foi distribuir informação. São os livros que leio, os filmes, os programas de TV, as revistas, artes plásticas, as exposições, enfim, tudo o que gosto e que acho que possa interessar às pessoas.
 
P.Z: Como foi o show para 15 mil pessoas na Virada Cultural em São Paulo em 2009, abrindo para os Titãs?
Carlos: Era muita gente na plateia e mesmo que a maioria não nos conhecesse fomos muito bem tratados e o mais importante, ouvidos com atenção. Tecnicamente e como show de rock, foi um momento marcante em nossa carreira. É muito importante para nós tocar para públicos diferentes, se comunicar através da linguagem da música.
 
P.Z: “Santa Fé” é um disco bastante completo. Com elementos de rock psicodélico (exemplo de “Doktor Alzheimer”), bases fortes de guitarra (como em “Esperança”) e soul (destaque para “Eu Não Faço”). Como foi trabalhar todos esses conceitos dentro de um único disco? Quais elementos você teve maior pretensão de enfocar e por quê?
 
Carlos: A intenção foi caminhar para uma nova direção musical, com algumas conquistas anteriores, mas que prioritariamente ansiava pelo novo. As referências ainda são as mesmas de muitas e poderosas fontes, mas algo novo despontava no horizonte. O Santa Fé não é um disco pop e alegre. É um disco, até certo ponto, triste. Eu estava triste e o disco simboliza isso, as músicas contam a minha vida no período 2006/2008, uma fase muito conturbada. Por isso esse é um disco forte.
 
P.Z: O maior destaque de “Santa Fé” foi o despontar da “MPR – música popular roqueira”, um estilo bastante versátil e aberto, devido ao fato de englobar vários elementos do Rock como: punk, soul, psicodélico, folk e soul, etc. Explique-nos melhor o trabalho por trás do conceito da MPR. Qual a sua satisfação em está fazendo essa inovação no Rock brasileiro?
 
Carlos: Nesse disco teve início o desenvolvimento do nosso estilo, a MPR, música popular roqueira, um termo que simboliza bem nossa alma mater musical. Precisava ficar claro que a banda estava marcando território, tipo o que foi feito antes também é Mustang, é válido, mas já é antigo, é outra fase. O Mustang anseia pelo novo a toda hora, a necessidade é criativa, não é adular, dar continuidade ao que já foi, mas sim instituir o novo.
 
P.Z: Saindo um pouco do foco do Mustang, como vão as coisas com sua outra banda, a Usina Le Blond? Fale um pouco sobre ela para a galera, sua proposta musical, sonoridade, os músicos.
 
Carlos: Quando fundei as 2 bandas em 2000, o Mustang era para ser uma banda de rock e a Usina para tocar mpb com soul e rock. Foram vários músicos durante uma década inteira. Desde o início tive a intenção de somar as duas bandas, mas precisava me amadurecer e amadurecer o público que nos ouve. Esse momento chegou agora em 2009, quando pude no novo disco do Mustang somar as duas musicalidades, os dois rostos. Ou seja, Mustang e Usina agora são uma banda só.
 
P.Z: E sua carreira como escritor, poderia nos falar um pouco sobre lançamentos, projetos e como você se sente realizando este tipo de arte: a da escrita?
 
Carlos: Meu último lançamento foi O SEGREDO J, que levei 5 anos para escrever. O livro versa sobre teorias conspiratórias. Pesquisei bastante até conseguir visualizar uma linha que ligasse os assassinatos de personalidades políticas e musicais nos anos 60 e cujas mortes mudaram o mundo e impediram que evoluíssemos. O livro tem início no final da segunda guerra mundial e prossegue até o primeiro presidente civil no Brasil em 1985. Pode parecer apenas ficção, mas tudo o que cito nessa obra é a mais pura verdade. É tão chocante que parece mentira. Por exemplo, detalho minha tese, com provas, na qual afirmo que Mark Chapman não foi o único a matar John Lennon em 1980.
Escrevi um novo livro em outubro de 2009 sem previsão de lançamento e tenho alguns rascunhos e idéias para outros 2. Acho que não sei viver sem criar, simplesmente acho que não dá.
 
P.Z: O Mustang, está lançando o álbum duplo, auto-intitulado como “Mustang V”. Um dos CDs que compõe o mesmo foi disponibilizado para download gratuito. Como vem sendo a divulgação e popularidade do disco até o momento?
 
Carlos: O My Space Brasil assumiu a divulgação inicial do álbum V, o que foi sem sombra de dúvida, uma honra para nós. O disco I disponível apenas para audição no My Space em 320k em http://www.myspace.com/mustangbandcombr e pode ser baixado em http://www.clnetsys.com/mustang/
P.Z: O “Mustang V” é o trabalho mais audacioso banda até o momento com grande diversidade de elementos, destacando o tropicalismo (ouvido na marchinha “Corta o Bigode do Sarney”), umbanda e a influência dos afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Como foi o processo de produção desse disco? Como é o trabalho com os músicos que completam o time?
 
Carlos: V é o nosso melhor disco, o que realmente define melhor o que é MPR. V é um disco brasileiro e que trafega sobre qualquer estilo musical que desejar sem perder a diretriz e o rumo. Osíris presta uma homenagem à new wave dos anos 80 de bandas como Devo, Missing Persons, The Knack e The Cars. Órion é uma canção poderosa e psicodélica. Passagem é a música mais dramática que já escrevi, é dolorosa, angustiada. Enfim, a criatividade do álbum me orgulha como autor e músico. O que vou contar parece mentira, mas compus o disco em 2 semanas em outubro, ensaiamos durante uma semana e gravamos o álbum em 6 dias. Foi o trabalho mais rápido que já fiz, não porque fiz “nas coxas”, mas porque nunca tive uma convicção tão grande do que queria. Nunca na minha carreira soube tão claramente o que tinha que fazer. Parece que renasci com esse disco.
Os músicos que gravaram foram Bráulio Azambuja na bateria e Vinícius Dantas no baixo, os mesmos que gravaram o Santa Fé.
 
P.Z: No V há músicas ótimas como a Zeppeliana “Brasileirismo”, a pegada a lá Mutantes de “Nada pra Mim” e a levada meio surf music de “Osíris” (minha preferida). Como você se sente em realização com um disco duplo (um sonho que você tinha há muito tempo) e que atingiu o máximo da MPR até então?
 
Carlos: Para fazer um álbum duplo é necessário que as músicas sejam e soem interessantes e que possam ser escutadas em ordem ou separadamente. E isso só consegui agora. Tentei antes mas não rolava. De todas as formas é uma conquista, é um grande e maravilhoso passo artístico. O Mustang não é mais uma possibilidade é uma realidade.
 
P.Z: Para quando está previsto o lançamento completo do álbum? O que podemos esperar musicalmente do restante do álbum?
 
Carlos: Não há uma data precisa ainda, mas o álbum duplo pode ser lançado até março de 2010 que pode ser adquirido no e-mail: mustangmartelo@gmail.com
 
P.Z: Bem, Carlos, obrigado pela entrevista, sucesso pra vocês. Finalizando, visto a crescente popularidade do Mustang, há pretensão de lançar um álbum ao vivo? E quais os planos da banda para 2010?
 
Carlos: Com esse “surto criativo” que estou vivendo, acho que dá para escrever mais 2 discos de inéditas antes de um ao vivo, hein? J
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