ROÇA AND ROLL: Shows de peso na 13ª edição

Por Écio Souza Diniz
O festival sul mineiro Roça and Roll chegou a sua 13ª edição este ano, e como esperado nos recebeu com bandas e shows de ótima qualidade, sendo que o próprio cast do evento falou por si próprio: PERIFERIA S.A., ATACKE NUCLEAR, HUMAN HATE, ANCESTRAL, UGANGA, GENOCIDIO, AMEN CORNER, CLAUSTROFOBIA CHATEDRAL, ANDRE MATOS, DR. SIN, ANCESTRAL e outros. O Pólvora Zine acompanhou o dia principal do evento (25/06/2011) e logo que chegamos, nos deparamos com os veteranos do PERIFERIA S.A. (banda composta por integrantes da primeira formação do RATOS DE PORÃO), mandando ver num punk/hardcore de altíssimo nível, e com uma puta presença de palco fizeram com que o público arrancasse poeira do chão.

 

Em seguida, vieram os caras do UGANGA com seu Thrash/Hardcore com pitadas de Hip Hop, executando também um som nervoso e de pegada firme que chamou a atenção do público. Mas o ponto alto do show da banda foi a execução da música ‘Nightmare’ do SÁRCOFAGO, mandada com força pelo vocalista Joker, que foi baterista do SARCÓFAGO no clássico álbum “Rotting”, e também a paulada de ‘Troops of doom’, do SEPULTURA. Foi um momento muito intenso para muitos dos presentes ali no momento.

 

Para amenizar um pouco a devastação sonora acarretada pela bandas anteriores a GANGRENA GASOSA veio dar uma dose de humor para o público, não deixando de ser obscura também. Com uma temática que trata de de macumba, umbanda e outras práticas do genêros, sob a denominação de “Saravá Metal”, eles vieram com uma boa pegada nas músicas e na energia do show. Os membros da banda se vestirem de Satanás (baixista), Pomba Gira (percursionista) também deu um toque especial ao lado bem humorado da banda.
 

Um momento muito esperado por muitos viria em seguir, com a avalanche chamada CLAUSTROFOBIA. A banda já conta com muitos pontos positivos na cena por sua personalidade fiel ao estilo que toca, o Thrash metal, e sua postura underground, e além disso, derão um show impecável, podreira do início ao fim, fazendo os moshs irem aos extremos em músicas de álbuns clássicos como “Thrasher” e “Fulminant”.



O IMAGO MORTIS trouxe um show bem completo também, que prima pela técnica e profissionalismo dos músicos e fez o público embarcar em várias atmosferas, sob climas hora enérgicos hora densos. Dentre os grandes momentos do show, os principais foram com as músicas de seu bem conceituado álbum “Vida-the play of change”.
 

Me preparo então para retornar ao front e conferir um dos shows pelos quais eu esperava, o dos veteranos do GENOCIDIO. Atualmente divulgando seu mais recente álbum, o ótimo “The clan”, os paulistas vieram mostrar porque são uma das bandas mais originais e inovadoras do Metal nacional. Eles discorreram por músicas de vários momentos da carreira da banda, indo de músicas do incomparável “Depression”, passando por músicas do rápido e direto “Rebellion”. A abertura do show se deu com  “The clan”, uma verdadeira pedrada, que veio seguida de “Transatlantic chatarsis” e fecharam o show com um cover vísceral de ‘Angel of death’ (do SLAYER), que mobilizou um terromento na frente do palco. Um puta show, uma puta banda.

 
Para dar um descanso merecido para a nossa carcaça cançada o southern rock do CRACKER BLUES veio fazer a galera refrescar as idéias. Não somente isso, eles conquistaram a simpatia do público que os assistia, o que eu acredito se dever ao fato de terem também muito de Blues em sua sonoridade e para quem gosta do bom e velho Rock and Roll de bandas como LYNYRD SKYNYRD era um prato cheio.

 

Agora era o momento do ar ficar pesado no festival, os sulistas do AMEN CORNER entraram em cena para mostrar a força do Black Metal nacional. Foi um show médio na minha modesta opinião, talvez pelo fato de eu ter comparado este com demais shows que já assisti da banda e achei que podia ter sido melhor. Apesar disso, e algumas empolações no som em alguns momentos, eles cumpriram o seu papel conseguindo a atenção de grande parte do público do evento.

 

Um dos momentos mais esperados do evento veio em seguida, com a apresentação dos sul mineiros do TUATHA DE DANANN em reunião com o vocalista Bruno Maia. Foi um show repleto, no qual executaram todos os clássicos que os consagraram perante o público e todos cantavam as músicas em um ótimo coro, além de pedirem para que Bruno pernacesse na banda. Mais uma vez a banda provou a adimiração e respeito que têm do publico.

 

Após o folk/celta do TUATHA entrou no palco um dos mais renomados vocalistas brasileiros, ANDRÉ MATOS (SYMFONIA,ex-SHAMAN, ANGRA e VIPER). O show se iniciou com três musicas de seus álbuns da carreira solo (“Time to be free” e “Mentalize”), mas percorreu clássicos de toda sua carreira como ‘Inocence’, do SHAMAN (do álbum “Reason”); a execução inusitada de ‘Prelude to oblivion’ dos tempos aureos do VIPER (do álbum “Theatre of fate”), para completar a facada no peito dos fãs vieram ‘Lisbon’ (do seu último álbum no ANGRA, “Fireworks”), ‘Holy land’ (do álbum homonímo do ANGRA) e ‘Carry on’ (clássico do álbum “Angels Cry” do ANGRA). Além de tecnicamente bem conduzido e bem cheio de energia, realizou um sonho de muitos que almejavam ver as músicas, sobretudo do ANGRA cantadas por ANDRÉ.
 

O momento que aguçava a curiosidade de muitos dos presentes no evento finalmente se consumaria, era hora dos ingleses do CHATEDRAL mostrarem as caras. E mostraram mesmo, com um show autêntico, no melhor de seu Doom metal arrastado e pesado, o líder Lee Dorian (que também já foi parte da clássica banda de Grindcore NAPALM DEATH) tinha um geitão peculiar de envolvimento com as músicas, ensenando-as no palco, ou seja, não somente cantava como reproduzia de forma teatral o que diziam as músicas. A execução de músicas do clássico “The carnival bizarre” foi o ápice do show para mim. Excelente encerramento de carreira da banda e sorte de nós que pudemos prestigiá-la. Como única crítica, reclamo a ausência da energética ‘The unatural world’.

 

Para fechar o cast de grandes bandas do festival com chave de ouro, apareceram os caras do DR.SIN, uma lenda do Hard/Heavy nacional. Com as músicas do set list concentradas nos álbuns “Brutal” e “Dr.Sin II”, deram uma aula de energia Rock and roll. Tocaram clássicos como ‘Time after time’ e ‘Miracles’, ambas do “Dr.Sin II”; ‘Isolated’ e ‘Fire’, todas do “Brutal” e fecharam cantando o que muitos queriam ouvir, no caso dos machos, ‘Futebol, mulher e rock and roll’, dando oportunidade para a brigada feminina se manifestar e falar besteiras também. Fora a parada que deram no show em um momento em que a banda que fecharia o festival, TIERRA MISTICA (Celta metal), teve a falta de profissionalismo de passar o som em um volume que estava interferindo no show do DR.SIN.

Assim, termina mais uma grande edição deste que está se tornando a cada ano, um dos grandes eventos de Metal do país. Esperemos pelo próximo agora.
 
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