OMFALOS-Idiots savants

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É do conhecimento de todos os fiéis admiradores do Metal Extremo, que tivemos e temos grandes obras metálicas feitas neste meio. Mas, também sabemos que ao mesmo tempo há muito “mais do mesmo”, sendo feito por aí. Para a salvação da lavoura, felizmente, temos pessoas que enxergam neste tipo de música uma forma artisticamente eficaz de demonstrá-la, de forma que o contexto lírico se alia com aura e força à sonoridade exposta.
A OMFALOS se encaixa perfeitamente neste ranking de bandas que propõe não mais um álbum de Black metal, mas uma “Ópera Extrema”. A começar pelo conceito da capa, que remete a uma forma de arte abstrata, achei incomum para uma banda desta categoria e ao mesmo tempo um tema fantástico. A introdução com as passagens ritualísticas com final de cerestra mexicana em ‘Que bonito és um entierro’, retirada da obra-prima do cinema surrealista de Alejandro Jodorowsky, abre de forma incomum o álbum, no entanto se alia muito a fúria que vem em seguida com ‘Drain the air out of my lungs’, que tem  uma técnica muito apurada, tanto nas bases quanto nos solos. A ira prossegue com ‘Sleep state misperception’ e ‘The naked lunch’, com ótimos solos e vocais agonizantes que se contrapões com rasgados insanos, mostrando uma pitada de Death metal e Industrial, que tornaram-na interessante. A pegada de ‘Anonymous hate manifesto’ lembra um Death/Black primordial, revelados ao mundo por bandas como HELLHAMER, CELTIC FROST e os mineiros do IMPURITY, tornando esta a composição mais orgânica do álbum.  ‘Bipolar affective disorder’ é uma verdadeira caixa das mais diversas emoções que vão desde o desespero e insanidade profunda até as emoções mais recônditas da mente humana. Esta música varia de um começo furioso, passando por um insano, chegando a uma parte cadenciada harmônica com belíssimo solo, e se desfecha em uma atmosfera sombria e psicótica. Ou seja, é uma faixa progressiva, mas acessível, na qual você se deixa levar facilmente. Um clima embriagante, cadenciado, e que vai evoluindo densamente em peso, constitui ‘A funeral dirge for my sanity’, que é também altamente técnica e melódica envolta numa atmosfera rústica. Foi uma das que mais gostei. A instrumental ‘The disperate ballad of the motherless child’, tem um começo dedilhado e outros elementos sonoros como ondas do mar, que lhe tornam perfeita ao contexto do álbum. ‘A failed experimente in fitting into this world’ fecha com maestria o trabalho com sua levada a lá PARADISE LOST. Certamente, os já conhecidos no cenário nacional Thormianak  (MIASTHENIA) e Zé Misanthrope (CABRUNCO, RED OLD SNAKE) deram uma grande contribuição para o Metal brasileiro com este “Idiots savants”, um álbum que consegue ser uma mescla de temas, ao mesmo tempo correlatos, pois tratam dos mais intensos problemas mentais/emocionais humanos , e ser acessível ao ouvinte, sem aquela velha necessidade que muitos músicos tem de tratar tais coisas em músicas longas e enfadonhas. Concerteza, “Idiots savants” é um dos trabalhos mais inovadores feitos por aqui nos últimos tempos, e deixará sua marca.
 
Por Écio Souza Diniz
Selo: Equivokke records
 
Formação:
Thormianak: guitarras, baixos e arranjos
Le Misanthrope: vozes, samples e ruídos
 
Faixas:
 
1-    1-Que bonito és um enterro
2-    2Drain the air out of my lungs
3-     3– Sleep state misperception
4-     4- The naked lunch
5-     5- Anonymous hate manifest
6-    6–  Bipolar affective disorder
7-     7– A funeral dirge for my sanity
8-     8The disperate ballad of the motherless child
9-     9-A failed experimente in fitting into this world
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