SECURITATE: Entre a força e a atitude!

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Por Écio Souza Diniz
A SECURITÄTE, formada em Machado-MG nos início de 1998, é uma das ótimas e fieis bandas do H.C Crust nacional. Assim, mandando um som simples e direto, através de músicas que são uma porrada no ouvido, eles se mantêm na ativa até hoje, nos proporcionando bons shows e mostrando uma postura honrada e crítica com o underground musical e social. O guitarrista/vocalista Gambá, veio nos falar mais sobre a banda e suas atividades. Real underground!!!
Pólvora Zine: A banda tá aí na ativa já a mais de uma década. Como foi o início das atividades e a luta pela sobrevivência na cena?
Gambá: Saudações a todos primeiramente. Sim, a banda está na ativa há 13 anos, o início foi em meados de março de 98, e o Rômulo fazia parte do CORPSE GRINDER, eu e o Cristhian tivemos a idéia de rolar um som juntos e foi muito tosco. Desde então, ocorreram muitas mudanças e dificuldades nas várias formações até chegar a formação atual que na minha opinião  é a que mais se identifica com a cara da SECURITÄTE.
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P.Z: As demos “Visão caótica do mundo” e “Basta”, são dois grandes registros da banda, bastante cultuadas na cena pelas músicas toscas e agressivas que constam em ambas. Como foi a composição das músicas destas demos nas suas respectivas épocas? E como era a interação das formações que as gravaram?
Gambá: Cara, a demo “Visão caótica do mundo” foi o primeiro registro da banda e eu praticamente não participei tanto das composições, pois a maioria dos sons vinham da SNAIL BRAIN, extinta banda do Christian e outros sons vinham de uma banda também extinta que o Rômulo fazia parte que se chamava ORGIA. Assim, os sons foram reformulados com a cara da SECURITÄTE. Já a demo “Basta” foi uma regravação de quatro sons que já existiam na primeira demo. A primeira demo foi gravada só com um microfone no teto do local de ensaio, bem tosco mesmo, e a formação da demo “Basta” já contava com Etola no baixo e Tiago na bateria e eu assumi os vocais juntamente com a guitarra e a interação entre a gente era bem massa nas duas demos. A diferença foi que na primeira eu estava iniciando na cena do hardcore e o Rômulo e o Christian já eram veios de guerra. Por outro lado, na segunda os caras eram novos tanto na cena quanto em relação ao som. Gostaria só de comentar aqui que antes da mudança de formação a SECURITÄTE gravou uma demo ao vivo durante um fest que rolou em Passos, no sul de Minas. Essa gravação na minha opinião é melhor e mais agressiva que a “Visão caótica do Mundo”, pois mostrava na época a energia da banda ao vivo e de certa forma deixou com que nos estivéssemos certos do que fazer na gravação do debut álbum.
P.Z: O que representou para o SECURITÄTE ter sua participação na disputada coletânea “36 ensaios anti-imperialistas”, lançado pelo selo Pecúlio Discos?
Gambá: Então essa participação ocorreu por força dada pelo Junior do CORPSE GRINDER, que enviou um material nosso para o Boca da Pecúlio Discos e o cara curtiu e abriu espaço pra gente. Foi muito legal por ter a honra de dividir espaço com bandas que admiramos e respeitamos muito e que fazem parte da nossa historia e nos influenciaram e continuam nos influenciando muito!
P.Z: Através do selo No Fashion Records, vocês lançaram o debut álbum, o ótimo “Estado decadente…violência gratuita”. Este disco é uma explosão de energia e criação de moshs. A abertura com ‘S.O.S El Salvador’, ‘Mal da religião’ (uma porrada na cara da hipocrisia), ‘Real underground’ (candidata à melhor do álbum, puro veneno) e ‘Massacre dos Carajás (O retrato da impunidade)’, que é mais cadenciada e mostra uma ótima abordagem a respeito de violência social e abuso de poder, mostram a qualidade das músicas. Como foi a recepção deste álbum na cena? E o quanto vocês acham que evoluíram como compositores/instrumentistas nele?
Gambá: A recepção deste trabalho foi muito massa, pois foi onde a banda começou a ter uma identidade mais definida e madura na cena, nessa época a formação era bem recente pois eu era o único da formação inicial,  todos estavam tocando e gravando em um estúdio profissional pela primeira vez,  mas o entrosamento e a energia falavam mais alto do que nossa evolução como músicos (Risos). Eu acredito que não evoluímos muito a não ser de tocar mais rápido e perder a noção da altura do volume dos amplificadores nos ensaios.
P.Z: Como vem sendo a parceria com a No Fashion Records?
Gambá: Cara já faz um bom tempo em relação ao lançamento do disco, e de certa forma temos pouco contato hoje em dia com o Sergião e a No fashion records devido às correrias de trampo, familia, casa, filho, etc. No início nossa parceria foi muito massa, pois a experiência do Sergião e a força que ele nos deu foi muito importante e somos muito gratos a ele.
P.Z: Há uma grande cena punk/H.C. em outros países Latino-Americanos, como o Perú, por exemplo. Vocês têm grande divulgação ou até mesmo já tiveram propostas para tocar nestes países?
Gambá: Cara o Sergião da No Fashion fez uma divulgação legal pra fora por conta da distro e também muitos contatos. Já quanto a propostas para tocar no exterior ainda não rolaram, estamos  ae aguardando  um convite firme e forte, di cum força!
P.Z: O que você acha da atual cena do H.C. em geral, diante das grandes transformações do século 21?
Gambá: Acho que tem muita banda nova na cena, mas com pouco conteúdo a respeito da situação atual, muitas bandas fazendo muito barulho sem foco nenhum, tipo dando tiro pra todo lado, vejo muito bandas que só se preocupam em se auto-promover sem ideal algum.
P.Z: É de conhecimento de alguns, que as influências de vocês trancedem o punk/H.C., englobando o Metal. Como você enxerga a fusão destes estilos que antigamente eram muito separados?
Gambá: Acho que a fusão é extremamente importante pra nós, cada vez mais usamos influência de metal em nosso som, pois o que realmente acreditamos é que a cena não precisa de rótulos nem divisões.
P.Z: O SECURITATE veio de Machado, uma cidade mineira onde surgiram ótimas bandas, como por exemplo, vocês e os veteranos do CORPSE GRINDER, este último com seu Death metal de grande qualidade. Na cidade e arredores, ainda há esta grande explosão de bandas e festivais?
Gambá: Pra ser síncero as gigs e as bandas andam um pouco devagar, eu mesmo fiz por algum tempo parte da organização de vários festivais e comecei a perceber que o pessoal não tava nem aí pro seu esforço. O quanto estávamos gastando pra tentar fazer algo legal e organizado não tinha respaldo, então resolvi dar um tempo e aconteceu o mesmo em muitas cidades da região e hoje em dia o que mais rola são fests, com muita banda tocando muito mal sons de bandas grandes, “Os Covers”, e poucas bandas com algo realmente próprio que é o que eu e os reais amantes da música extrema underground valorizam.
P.Z: Como foi a concepção do EP “Entre o poder e a força”? Ele foi gravado de forma independente, correto? Por que?
Gambá: Cara, a concepção desse EP foi muito massa, a banda estava em uma fase muito boa, todos fizeram parte das composições e estávamos bem entrosados, tanto que resultou em uma gravação ao vivo e foram feitas aproximadamente 200 copias totalmente independentes do tipo silca, grava, imprime e passa pra frente, optamos por fazer assim mais pra divulgar melhor a banda e com um custo mais baixo, e também por não ter condições de fazer um disco prensado.

P.Z: O que você acha de “Entre o poder e a força” em relação ao “Estado decadente…”, visto que ele é um trabalho mais denso e agressivo, como já pode ser visto na abertura com a paulada e força de expressão da música ‘Respeite minha natureza’?

Gambá:
Acho que a maturidade do som e das letras fizeram com que “Entre o Poder e a Força” fosse um disco mais expressivo e direto.

P.Z: Qual o motivo para o enfoque no abuso de poder e atos selvagens da polícia, tão explicito em músicas como “P.M”, “Sinfonia do medo” e “Polícia falida”?

Gambá: Primeiro, porque acredito, que como quase todos na cena já sofreram,  eu já sofri agressões e abusos por parte de policiais e não consigo aceitar que uma instituição que era para  servir e proteger seja tão escrota e banalizada, pois dizem, há policias bons e ruins, claro acredito e até conheço bons policiais dignos e íntegros. A pena é que os bons nunca vão pra rua ficam sempre dentro dos quartéis, enquanto os ruins mal remunerados e de mal com a vida saem pra rua, distribuindo violência e protegendo a elite.
P.Z: Você é o único remanescente da formação original da banda atualmente. Como é a interação com os integrantes atuais?
Gambá: É muito massa, o Deninho já está na banda há uns nove anos e é praticamente um irmão pra mim, ele está sempre agarrado em todas as nossas empreitadas e a entrada do Alexandre, que já tem uns dois anos foi uma contribuição muito grande pra evolução do som e é claro pra nossa amizade acima de tudo.
P.Z: Já faz um bom tempo desde o lançamento de “Estado decadente…”. Há planos em andamento para um novo full lengh? O que poderíamos esperar de um novo trabalho de vocês?
Gambá: Estamos trabalhando legal em sons novos para um material que devemos gravar no segundo semestre, o que podem esperar é um som mais brutal, agressivo e pesado com bastante influência de Metal, sem perder nossas raízes é claro, serão mais ou menos uns 20 sons.
P.Z: Tem rolado muitos shows ultimamente? Quais os planos para 2011?
Gambá: Os shows vão meio devagar, quanto aos planos pra esse ano, primeiramente concretizar a produção de um novo disco e retomar as atividades em relação a gigs e festivais que organizávamos e pretendemos voltar a realizar.
P.Z: Gambá, Valeu pela entrevista. Sorte e persistência para vocês!
Gambá: A Securitäte agradece pelo espaço e apoio, persistência e resistência sempre!
 
www.myspace.com/securitate

 
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