HARPPIA: Em altos voos!

Por Écio Souza Diniz
Um dos nomes pioneiros no Heavy Metal brasileiro, a banda HARPPIA teve um papel de suma importância nos explosivos anos 80. Agora no século 21, a HARPPIA se mantem na ativa, alçando ainda grandes voos e dando continuidade ao seu legado. Temos aqui conosco o baterista Tibério Luthier, que nos fala por meio desta, fatos marcantes na história da banda. Voem conosco rumo ao Metal!
Pólvora Zine: Olá Tibério, vamos começar voltando ao início de tudo. Como surgiu a HARPPIA?
Tibério Luthier: A HAPPIA, foi formada por Jack Santiago e Hélcio Aguirra, juntos chamaram Marcos Patriota, que chamou seu primo Ricardo Ravache, que tinham acabado de sair da banda AEROPLANO, da qual eu também fazia parte. Na época (1982), eu resolvi parar de tocar, me sentia velho e cansado, afinal comecei muito cedo: com meus 16 anos. Assim, não deu muito tempo, Ricardo veio a minha casa e disse que eu precisava conhecer a banda em que ele e o primo tinham entrado, pois era a minha cara, e não estavam satisfeitos com o batera da época. Eu fui na Praça do Rock , que estava começando a vingar. Quando assisti a banda já me vi dentro, pois eles sabiam o quanto eu gostava de BLACK SABBATH e eu não conhecia JUDAS, mas adorei quando me mostraram. Na semana seguinte, eles foram em minha casa e gravaram separado (cada um em um canal) em uma mesa de quatro canais que eu tinha, e me pediram para colocar a bateria. Nós chegamos a ensaiar sem o baterista saber, pois ainda tinham dois shows para serem feitos. Bem, para encurtar: 15 dias depois, chega o Hélcio com a proposta da Baratos a Fins de gravarmos duas faixas na coletânea que iria lançar, a “SP METAL”. Falei para ele conversar melhor com o Luiz Calanga,  pois o mesmo dizia que a HARPPIA era sua banda favorita, e deste modo, por que não gravarmos um LP inteiro? Ele gostou da idéia e assim gravamos o EP “A Ferro e Fogo”.     
P.Z: A HARPPIA é uma das pioneiras do Heavy Metal nacional. Fale-nos melhor como era a cena naquela época. Vocês faziam ideia da importância que estavam tendo e do legado que estavam construindo?
Tibério: Pra falar a verdade, eu e os primos Ravache e Patriota, vínhamos de uma banda de Rock tradicional, e não sabíamos do movimento até irmos a Praça do Rock, que como já disse estava começando. Depois que entrei na banda, é que pude ver a importância que tinhamos dentro do movimento, pois era uma porrada de garotos batendo cabeça, os famosos “Metaleiros” na época.
P.Z: Atualmente, há diversos companheiros de vocês que retornaram como SALÁRIO MINÍMO e METALMORPHOSE. Eu acho que tais retornos são de uma grande importância, para resgatar e fortalecer sempre mais a essência do Metal brasileiro. O que você nos diz a este respeito?
Bem como todos sabem (os fãs da HAPPIA), desde que entrei para a banda vesti a camisa mesmo e estou à 25 anos batalhando Por causa das bandas cheguei até mesmo a acabar com um de meus casamentos. Mas, tem gente que acha que paramos algumas vezes, o que não é verdade, a verdade é que a HARPPIA, sempre teve o cuidado não tocar em qualquer lugar, e sim em lugares que pudéssemos dar um grande show para os fãs jamais não esquecerem.
P.Z: O lançamento do primeiro EP da banda, “A ferro e fogo”, teve uma enorme repercussão por todo o país. O set list impecável composto pelas instrumentais inspiradas ‘Harpago’ e ‘Incitatus’, as clássicas e marcantes ‘Salém’ e ‘A ferro e fogo’, e as enérgicas ‘Náufrago’ e ‘Asas cortadas’, fala por si próprio. Você concorda que a banda toda estava em um momento de grande interação, quando lançaram este trabalho?
Tibério: Como já disse antes, na hora que escutei a banda, cai duro, pois era a melhor que eu tinha visto na época, tanto que entrei de cabeça para colocar a bateria em cada música (Algumas pessoas não conhecem como eram as batidas de bateria antes de mim, e acham que entrei de sopa. Há gravações anteriores à minha entrada, basta ouvirem e irão ver a diferença). 
P.Z: No segundo trabalho, “7”, notamos a HARPPIA já com uma evolução em termos de composição, explicita na maior acessibilidade do trabalho a públicos maiores. Esta acessibilidade se deve a algumas pequenas mudanças, como um flerte maior com o Hard rock, visto em ‘AIDS’, ‘Balada’ e ‘Voz da consciência’, além do vocal mais melódico de Percy Weiss. Isto tudo foi algo intencional ou natural?
Tibério: Nesta época eu já estava à frente da banda, pois logo após gravarmos o disco, aconteceram coisas bobas ao ponto de cada um sair para outros trabalhos, deixando a HAPPIA. Foi aí que eu disse que eu não sairia e continuaria, e o único que ainda ficou foi o Hélcio. Mas ele também logo saiu, pois, estava curtindo mais a outra banda na qual estava, que viria a ser o GOLPE DE ESTADO. Sendo assim, fui buscar outro ex-AEROPLANO, Flávio Gutock (um bom guitarrista), e chamei também, Fillippo Lippo (guitarra, ex-MAD BRASIL), Percy Weiss (Vocal, que na época estava em um projeto solo) e Claudio Cruz (baixo, ex-dono do Rainbow  Bar, que só veio a sair por causa de doença, 22 anos depois). As músicas foram compostas por pessoas que vinham do  Hard roc, então era natural que os temas soassem diferentes.
P.Z: Ao comparar “A ferro e fogo” e “7”, qual você apontaria como o melhor e por quê?
Tibério: O primeiro vai ficar na história, mas o segundo teve problemas que poucas pessoas sabem: no dia das fotos da capa, Flávio sofreu um acidente de carro e estava em coma na hora das fotos ( por isso a dedicatória do disco pra ele, e a sua guitarra à frente nas fotos). Graças ao bom Deus  ele se recuperou, mas teve que ficar de cama por mais um ano, e por amizade resolvemos não tocar enquanto ele não se recuperasse, e assim foi; a Rock Brigade, que contratamos para a distribuição, não fez o trabalho que deveria ter feito, então muito poucas pessoas tiveram acesso ao LP, pois o mesmo só foi lançado fora do país  em CD, com três bônus  ao vivo.   
P.Z: Qual foi o maior motivo para a banda ter cessado as atividades após o “7”, voltando em 1995?
Como expliquei antes, não cessamos as atividades, só esperamos o Flávio poder tocar novamente.
P.Z: Em 1997, vocês lançaram o álbum “Harppia’s flight”, o maior sucesso da banda até então, muito conhecido na Asia e Europa, por meio de grandes e viscerais músicas como ‘Army of the strangers’, ‘Hidden wisdom’ e ‘Last chance’. Como foi o processo de composição dele? Você acha que hoje ele atinge o status de clássico tanto no Brasil como fora dele?
Tibério: Neste CD também aconteceu o que não esperávamos, pois após a recuperação do Flávio, fizemos vários shows, e fomos convidados pela Rede Globo para sermos os “Menudos do Heavy Metal”, pois pretendiam investir no Metal nacional e o lançamento seria no Rock in Rio. É só ver que naquele ano, no primeiro dia faltou uma banda, que seria a nossa; para isso tivemos que ensaiar por mais de seis meses com a supervisão de uma equipe deles, e na época iríamos ser os apresentadores de um programa chamado Babilônia, que acabou sendo só piloto e não foi em frente; chegou até a ser transmitido um com a RITA LEE e outro com INIMIGOS DO REI, do Rio de Janeiro. Bem, a historia é muito longa e nem gosto muito de lembrar, mas sei que acabamos cada um indo para um lado, sem ao menos acabar a banda. Com o tempo, resolvemos nos reunir para gravar o disco da banda LINX, que na verdade era eu, Flavio, Juary e outros amigos. Após um tempo, Cláudio (baixo), eu e o Marquinhos (guitarra), que estávamos só brincando de tocar, acabamos fazendo as músicas desde disco, mas era só instrumental, ai veio o Bonzo e perguntou se estávamos precisando de vocal. Deste modo, demos a fita k7 pra ele e dissemos que teria uma semana pra colocar as letras e gravar as vozes. Assim foi feito, e um amigo em comum ouviu e me pediu uma cópia Dias depois veio com uma proposta de gravar, só que teria que ser em inglês, pois a gravadora queria investir no mercado externo Como para nós foi uma brincadeira topamos.
Por incrível que possa parecer, o álbum “Harppia s Flinght”  é mais conceituado lá fora do que o “A Ferro e Fogo”.  
P.Z: Algo interessante em “Harppia’s flight”, é o fato de as músicas que compõe o set list terem versões playback instrumental. De onde partiu esta ideia e qual é a sua finalidade?
Tibério: Partiu de estar de saco cheio de vocalistas que se acham deuses. No entanto, do playback  não foi tirada somente a voz, foi remasterizado e se ouvirem com atenção, notarão que é bem diferente do que as músicas com a voz. E no caso de trocarmos de vocal, não temos que ficar horas passando as bases feito bobos para eles, eles que treinem com o CD (Risos).
 P.Z: Falando em trabalhos da banda, há um projeto para lançar um novo álbum que será chamado “Harppia’s flight 2”. O que podemos esperar dele musicalmente? Há previsão de quando ele deve sair?
Tibério: Eu não sei quem soltou essa de ser esse o nome, mas posso afirmar que este ano sairá um disco novo e com muito peso, e também com uma novidade a nível mundial: ter duas guitarristas mulheres na linha de frente de uma banda masculina, e tocando muito mais do que alguns marmanjos que estão por aí.
P.Z: Há um CD pirata de músicas inéditas, intitulado “Harppia ao vivo: músicas inéditas”, que é uma compilação de shows e ensaios da banda após o lançamento de “7”. O que você acha deste “álbum” circulando por aí? Aliás, visto que a banda disponibiliza suas músicas, capas de discos e letras para download, qual sua postura quanto a grande difusão de informação propagada pela internet?
Tibério: Na verdade, fui eu quem deu essa copia para a Camelot Record (apelido carinhoso que dei para os camelos que estão vendendo por aí). Acho que é um ótimo meio de divulgação da banda, assim como a internet.
P.Z: Como anda a agenda da banda ultimamente? Há possibilidade de tocarem no Sul de Minas?
Tibério: O ano que se passou foi muito bom para nós. Nós até tocamos em duas cidades do Sul de Minas, Pouso Alegre e Cachoeira de Minas, e fomos muito bem recebidos. Estamos à disposição para tocar em qualquer lugar aonde nos queiram.
P.Z: Quais são os voos almejados para a HARPPIA este ano?
Tibério: Somente o disco novo e se possível, muitas viagens pelo Brasil, principalmente. Talvez viagens internacionais também.
P.Z: Tibério, obrigado pela entrevista. Sucesso para vocês, e que a HARPPIA ainda empreenda muitos voos.
Tibério: O mesmo desejo à você e seu trabalho, pois foi uma honra responder a suas perguntas,  que foram diferentes das que estou  acostumado a ouvir.
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