PAR’UZHA: No fronte do Trash!

Por Écio Souza Diniz

Formada em Campos Gerais-MG, a banda PAR’UZHA é mais uma promessa do Thrash Metal mineiro. Com músicas densas e agressivas, eles têm moldado sua identidade, crescendo em técnica e dinamicidade em sua sonoridade. Os quatro integrantes vieram por meio desta entrevista nos falar mais sobre a banda, os planos em andamento e o lançamento do primeiro álbum, “In state of vigilance”.

Pólvora Zine: A banda iniciou suas atividades em 2006, como um projeto para tocar em um festival de colégio. Quem teve a ideia inicial para montar a banda e quando tudo começou a tomar forma?

Eduardo O.: A ideia surgiu em meu último ano de colégio para uma apresentação num Festival de Música Inglesa. Até então, nunca ninguém “ousara” interpretar algo fora da “Pop Music” ali. Foi quando juntamos os velhos grandes amigos de infância para tocar “Violent Revolution” do KREATOR e, para nossa surpresa, ficamos em 3º lugar. Infelizmente naquele momento estavamos nos distanciando geograficamente por motivos de estudo, porém, nossos corações, ansiosos, permaneciam unidos a espera de nos encontrarmos novamente. Isto ocorreu em dezembro de 2009, quando passamos a nos assumir como banda.

P.Z: Mesmo enfrentando a distância entre os componentes da banda por questões profissionais, com muita persistência vocês lançaram agora em 2010, o primeiro trabalho da banda, o EP “In state of vigilance”, de forma independente. Como foi o processo de composição, gravação, as novidades e as dificuldades?

Clayton: O EP é fruto de nossa grande amizade aliada ao reencontro nas férias de verão de 2009/2010. No período de 2007 a 2009 estivemos separados, mas, cada um a seu modo, trabalhou na composição das músicas: eu escrevi alguns trechos de guitarra, Eduardo O. compôs algumas harmonias e as letras, César e Eduardo R. trabalharam em levadas de bateria e baixo, e assim, quando nos reunimos, rapidamente tudo tomou forma e decidimos gravar. Mesmo com limitações financeiras e pouco tempo de ensaio, passando a “macarrão e água” numa “casa espremida” (risos), produzimos nosso EP em 5 dias num estúdio em Alfenas-MG e saímos em turnê.

P.Z: Há alguma concentração de ideias e contribuições para as músicas, sob um membro da banda, ou todos contribuem igualmente?

Eduardo O.: Como o Clayton mesmo já disse, musicalmente cada um contribui a sua maneira, dentro de sua função. A temática, o enredo e as letras são atribuídas a minha pessoa.

P.Z: Fale-nos melhor sobre o significado e alusões por trás do nome “Par’uzha”.

Eduardo O.: PAR’UZHA é um neologismo, por mim criado, alusivo a “parúsia”, que se remete ao fim dos tempos, ao destino de “fogo do inferno ou reino dos céus”. Uma nova palavra permite um novo significado, que assim como ocorre com a escrita e pronúncia, se assemelha a original, não sendo, no entanto, idêntica. Isso nos permite ampliar o tema e a dicotomia dialética salvação- aniquilação, extrapolando a imaginação e abordando temas tradicionais com perspectivas diversas, inclusive com introspecções e conflitos psicológicas, colocando de frente, a submissão e subversão, castigo e culpa, além de trafegar por problemas sociais, guerras e intolerância etnocêntrica – tudo com alta dose de ficção.

P.Z: O EP “In state of vigilance”, é um trabalho denso, com um clima tenso e agressivo, além de partes harmoniosas. A abertura melancólica com ‘Eternal day’, seguida da velocidade e agressividade de ‘Par’uzha’, uma atmosfera meio gótica, a lá PARADISE LOST, em algumas partes de ‘Born dead’, são bons exemplos do que estou falando. Foi algo intencional dar esta atmosfera ao trabalho? E além, da evidente influência de KREATOR, há alguma influência fora do Thrash metal?

César / Eduardo R.: Pela temática proposta, tentamos criar essa atmosfera ora tensa, ora agressiva e explosiva, usando principalmente os recursos de dinâmica, harmonia e andamento. Quanto às influências, elas estão principalmente dentro do “Thrash Metal” alemão, porém, quando se trata de estudar música, sempre estamos abertos a diversos estilos, principalmente aqueles dentro do Metal/Rock. Daí, “um quê” de Doom Metal, levadas progressivas, alguma influência de Death Metal são encontrados no transcorrer das composições.

P.Z: Algo curioso no EP é a faixa ‘Esta noite encarnarei em teu cadáver’, baseada na obra homônima de José Mojica Marins (Zé do Caixão). De onde partiu o interesse em fazer esta homenagem? Vocês tiveram algum contato com o cineasta, divulgando este trabalho?

Eduardo O.: Como ocorre em todos os segmentos artísticos, correntes excêntricas são marginalizadas, não havendo espaço para estas na grande mídia. Com Mojica e seu cinema não foi diferente. Poucos conhecem, porém, a vastidão de suas premiações internacionais e a profundidade de sua genialidade. Resolvi, por isso, homenageá-lo com uma música que conta a história de um de seus filmes. Escrevi-a em português numa tentativa de aproximação à obra referida. No momento estamos estabelecendo contato com o cineasta e estudando a hipótese de um videoclipe da música com o “mestre” na direção. Esperamos que tudo se realize, porque partimos do pressuposto que “underground” apoia “underground” (risos).

P.Z: No geral, como vem sendo a recepção dos bangers ao som e imagem da banda?

César: Tanto a musicalidade quanto a imagem e temática por nós proposta estão sintonizadas ao “headbanger lifestyle”. Por isso mesmo, a aceitação das músicas e propostas de palco por parte do público têm sido empolgantes, deixando-nos estimulados a prosseguir no “longo caminho” (risos).

P.Z: Ainda em 2010, vocês já estão lançando o “In state of vigilance’ como “full length”. O que quem ouviu o EP pode esperar das outras músicas?

Eduardo O.: Será lançado em fevereiro de 2011 pelo selo “Coletivo de Criação” nosso primeiro full: “In State Of Vigilance: The Empire Of The Fear”. O álbum trará a regravação das 6 faixas do EP, mais 7 inéditas. Quem ouviu o EP pode esperar a mesma linha com maior complexidade em relação a composições e temas, além de qualidade infinitamente superior em relação a gravação. Em suma: peso e agressividade aliados à tensão e drama.

P.Z: Quais os planos para 2011?

Eduardo R.: Estamos ansiosos por 2011, pois além do lançamento do primeiro álbum oficial de carreira da banda, produziremos um videoclipe e sairemos em turnê nacional promovida pelo selo. Estamos montando um show com algumas inovações, como recursos oriundos do teatro e o guitarrista/vocalista Eduardo Oliveira lançará um conto homônimo ao CD. As expectativas são as melhores. Quem ainda não conhece nosso trabalho, acesse: www.myspace.com/paruzha. Quem já conhece, continue nos ouvindo e aguarde, pois estamos trabalhando com muita dedicação para conseguirmos proporcionar um trabalho de grande qualidade ao público.

P.Z: Pessoal, valeu pela entrevista, sucesso para a PAR’UZHA nesta jornada no Metal.

Banda: Obrigado pelo espaço concedido. Gostaríamos de parabenizar pela iniciativa do fanzine. Só assim, com apoio mútuo dentro da cena headbanger, será possível o crescimento de todos. Para aqueles que vêm nos apoiando, nossos sinceros agradecimentos e votos de continuidade nessa caminhada.

Mais informações:
www.myspace.com/paruzha

Adicionar aos favoritos o permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.