HERESIS: Direto e honesto!

Por Écio Souza Diniz
Formada no final de 2001, pelo músico e compositor, Luciano Andrade, a banda HERESIS, carrega a bandeira do Metal Extremo com garra e perseverança. Praticando um Death metal cru, agressivo e bem elaborado, eles estão na ativa, divulgando seu primeiro trabalho, “Septical”. Assim, para nos falar sobre tudo que envolve a banda, o guitarrista/vocalista Luciano, veio ao Pólvora Zine, munido de argumentos e uma postura singular perante sua música.
Pólvora Zine: A banda teve seu início no final de 2001 em Lavras-MG, onde contou com vários integrantes, sobretudo pessoas oriundas de bandas fortes tanto na cena Lavrense como no resto do Estado. Quais foram as grandes contribuições deixadas por esses ex-integrantes para moldar a identidade da HERESIS?
Luciano Andrade: Sem dúvidas a grande contribuição foi o resultado de todo um esforço e dedicação, proporcionando portanto a continuidade de nossas atividades, sem eles certamente não chegaríamos a este trabalho.
P.Z: No início, você somente tocava guitarra, o que o levou a assumir também as cordas vocais?
Luciano: Apenas um retorno, no início até cheguei a assumir os vocais mas por instantes achamos melhor termos um vocalista (Guilherme Cristelli) e assim foi por um tempo, portanto quando o mesmo não pôde mais continuar na banda ficou uma lacuna, chegamos a fazer testes com outros vocalistas e alguns convites, porém no final optamos por eu retornar aos vocais.
P.Z: Em contraste a questão anterior, pouco tempo após sua formação a banda se transferiu para São João Del Rei, onde se mantêm até hoje. Como foi o processo de procura de novos integrantes? O que esta mudança significou para a banda, musicalmente falando?
Luciano: Esta transição foi mais fácil que esperávamos, pois, como eu, em virtude de meu trabalho, passava mais tempo em São João Del Rei do que em Lavras. Os ensaios começaram a ficar cada vez mais difíceis, às vezes aconteciam ensaios em um lugar e outro mas não deu certo, a situação começava a se desgastar, por outro lado, São João Del Rei também possuía muitas bandas, o cenário underground era forte, com isso muitos bons músicos, o resultado dessa mudança não poderia ser melhore: o fortalecimento de nossa identidade.
P.Z: Na época, você foi trabalhar no conservatório de São João, onde hoje é vice-diretor, correto? Assim, é evidente que além do Metal, você tem influências eruditas. Como você usa este conhecimento técnico da música na sonaridade da banda?
 

Luciano: Correto, porém o Conservatório veio anos antes, também sou Bacharel em Violão Clássico e tenho Licenciatura Plena em Música, assim é natural que o erudito também faça parte de minha vida, mas noto que a principal influência é no processo de composição, me preocupo com a dinâmica da música, junto ao efeito sonoro e técnico. Já levando-se em conta que este é nosso primeiro trabalho, é certo que as coisas tendem a mudar, pelo novo material que estamos compondo, novos elementos poderão ser agregados.

P.Z: Na realidade Heresis, além de ser uma palavra latina (originalmente Haeresis), é também um trabalho literário seu não publicado. Poderia nos falar mais sobre esta obra e o porque da criação da banda calcada nela?
Luciano: O significado da palavra Haeresis é bem interessante e propício ao que eu estava querendo dizer com as letras e nossa postura, significa, “crença ou doutrina nascida de uma escolha pessoal, em oposição a um sistema geralmente aceito e acatado”, e o conto que escrevi, por sua vez também se utiliza destes preceitos para expressar em três pequenas histórias toda a trama que se passa.
P.Z: “Septical”, é um trabalho interessante e envolvente no seu todo. Com um início já estrondoso com ‘The unstandable existence of god’, seguida de ‘To everybody’ (com partes mais cadenciadas bem encaixadas), passando por um lado mais Trash e técnico em ‘Sex, corpses, desires’ e ‘Any sorrow’. O maior destaque pra mim, está em ‘Little prisoner soul’ (que inclusive rendeu um video-clip), por sua alternação de vocais guturais e rasgados em ótima sincronia, associados a densidade do instrumental. O fechamento do set list, dá retorno às músicas mais cruas, caso de ‘Decadence’ e ‘Endogenous hostility’. De onde surgiu o conceito do disco? Você já possuia algumas partes instrumentais prontas, ou que iriam ser usadas em outrora?
Luciano: o conceito girou em torno do contexto de nosso símbolo (nota: Insígnia Cética) além de temas diversos como mediocridade; (‘Decadence’, ‘To Everybody’), necrofilia; (‘Sex, Corpses,Desires’), valores éticos (‘Endogenous Hostility’, que trata de racismo e também possui vídeo-clip), existencial (Any Sorrow) e Ceticismo; (The Unstandable Existence of God e ‘Little Prisioner Soul’). O instrumental portanto é oriundo um pouco de antigos fragmentos e material novo composto no decorrer do tempo.
P.Z: Voltando a falar do passado, como foi tocar com o EXPULSER, uma banda renomada na cena underground mineira, e até fora do país?
 

Luciano: Foi uma boa época, levando-se em consideração que sempre fui um grande admirador do som deles, pessoalmente foi uma realização.

P.Z: É impossível, não dizer que noto uma semelhança em algumas poucas partes de “Septical” com “Haeresis”, do EXPULSER. Você tem alguma influência do som deles? Como foi sua contribuição quando ainda era membro da referida banda?
Luciano: Do material antigo do EXPULSER é inegável, porém do álbum “Haeresis”, se assim parecer é mera coincidência, a tirar por umas poucas músicas que cheguei a tocar ao vivo, o restante foi produzido quase que simultaneamente ao “Heresis”, quando eu já estava fora da banda, não tive portanto acesso ou participação a este material, mesmo na época quando estava na banda o meu papel era desempenhado apenas em shows e divulgação.
P.Z: O HERESIS, teve um tempo inativo, devido a saída do baterista Felipe Lopes, mas está aí novamente na estrada, contando agora com Kiko Ciocciola (Ex-EXPULSER, INOCENTES) nas baquetas. Como tem sido o trabalho dele com vocês?
Luciano: Simplesmente tem fluído, o Kiko só tem acrescentado ao grupo, é ótimo hoje poder contar com sua experiência e amizade.
P.Z: Falando da temática da banda, qual a postura do HERESIS diante de questões político-sociais-religiosas?
Luciano: O nosso principal conceito é o Ceticismo, sempre na busca de um livre pensamento, isento de crenças, dogmas e hipocrisia. .
P.Z: Você é o detentor do símbolo da estrela céptica (presença na capa do disco). Fale-nos o seu significado e porque resolveu criá-la e registrá-la?
L.A: Criei a Insígnia Cética com o propósito de que apenas uma figura pudesse simbolizar o pensamento Cético do qual o HERESIS permeia como postura, possui a insígnia, portanto os símbolos religiosos das três maiores religiões fundamentalistas: o cristianismo, judaísmo e islamismo de forma fragmentada ou invertida, por ser a religião um forte traço em qualquer sociedade, sendo detentora de muitos elementos como história, arte, comportamento, política, filosofia, espiritualidade além é claro de valores éticos e morais.
P.Z: A música ‘Little prisoner soul’, é um pensamento Nitzschiano profundo se formos analisar. Nietzsche representa a maior ou uma de suas maiores inspirações para a parte lírica das músicas?
Luciano: Certamente uma das maiores influências, sem descartar, porém o filósofo Spinosa além dos contemporâneos Daniel Dennett, Richard Dawkins e Sam Harris.
P.Z: Quais suas maiores influências musicais?
Luciano: Slayer, Morbid Angel, Deicide, Napalm Death, Terrorrizer, Krisiun, dentre outros.
P.Z: Visto a agilidade e crueza de “Septical”, o que podemos esperar do próximo disco do HERESIS? Aliás, estão sendo trabalhadas músicas novas?
Luciano: Certamente o mesmo de sempre, som extremo e letras contestadoras!!! (risos) Sem contar com as novas músicas, serão um ato insano de violência sem precedentes.
P.Z: Para encerrar, quais os planos mais breves da banda?
Luciano: Nosso principal objetivo no momento é tocar no maior número de shows possível, para que possamos
divulgar nosso trabalho, sem perder o foco de trabalharmos em nosso novo material.
P.Z: Valeu pela entrevista, sucesso para vocês. O espaço está aberto para você falar a todos que acompanham o HERESIS.
 

Luciano: Obrigado, foi um prazer falar a vocês e a todo este público fiel que é o Metal, agradecemos também àqueles que durante todos estes anos tem nos apoiado e comparecido aos nossos shows. Para aqueles que quiserem conhecer nosso trabalho acessem nosso site: http://www.heresis.com/, lá poderão conhecer melhor nosso trabalho, baixar músicas e acessar mais links relacionados. Espero vê-los em futuros shows!!!! Um abraço e vida longa ao Metal!!!!!!!

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