RESENHA WACKEN OPEN AIR 2015!

Por Écio Souza Diniz

O que você, caro leitor, mais espera de um festival como o “Wacken Open Air”? Certamente, algumas coisas como: boa cerveja, inúmeras e excelentes bandas e é claro, diversão. A edição 2015 do evento não foi diferente do que se poderia dele esperar e proporcionou isso e muito mais. Foram quatro dias de muita adrenalina e que passaram voando. Apesar das intempéries climáticas que nos submeteram a algumas provações físicas, esta foi uma edição bastante especial. O motivo principal? Foi responsável por um show histórico e inédito na historia do Metal com o SAVATAGE acompanhado pela TRANS SIBERIAN ORCHESTRA. Segundo, o RUNNING WILD que é uma banda que não toca mais regularmente também presenteou-nos com um belo set list. E por fim, o JUDAS PRIEST fechou lindamente o ultimo dia do festival. Aqui, o PÓLVORA ZINE dará a você uma perspectiva geral do evento e as principais bandas que foi possível assistir aos shows completos.

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JUDAS PRIEST

1º dia (29/07/2015): chuva? Sério?

Este primeiro dia do evento foi basicamente para pegar o ônibus em Hamburgo e chegar na cidade de Wacken (Nota: que fica a uma hora de distância), conhece-la um pouco, armar barraca no camping e ir explorar a imensa área do evento. Com pouco mais de uma hora que cheguei ao local a chuva começou e não parecia que ia ser branda. Assim, após ter montado minha barraca (Nota: o meu camping era o ultimo depois de todos os campings, que lá são classificados de A a Z, você pode imaginar que eu precisava andar um tanto bom para chegar a área dos shows) fui para o evento e primeiramente para explorar a “Wackinger village”, que é uma vila que remete a um esquema bem medieval, exceção para uma parte dela que relembra o estilo “Mad Max”, na qual você pode encontrar comidas de varias partes da Europa, roupas medievais, casacos de pele similar aos usados pelos vikings e vários adereços neste estilo para decoração. Além disso, lá sempre rola música folk tipicamente alemã (Nota: as quais muitos alemães assistiam basicamente elas maior parte do tempo, pois para muitos lá o W.O.A é diversão apenas e não tanto sobre  o compromisso de assistir shows).  

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EUROPE

Adentrando mais ainda o evento havia as tendas de camisas, merchandising oficial do evento, botas e objetos decorativos típicos do Metal (Nota: O Metal Market, tenda de lojas de discos abriria só no dia seguinte) e logicamente comida, cujas tendas existiam até dentro da grande arena de shows. Como neste dia não havia muitas atrações, primeiramente fui beber uma gelada com alguns brasileiros que encontrei no ônibus de ida e outros lá mesmo e assistir ao show de uma banda de Folk metal alemã bem peculiar chamada CULTUS FEROX num palco pequeno chamado “Beer garden”, no qual tinham mesas para você sentar, tomar sua cerveja e divertir-se vendo o show. E foi um começo divertido antes da chuva aumentar. A partir daí pegamos nossas providenciais capas de chuva plásticas, que eram dadas no kit que a organização dá para todos os presentes ao entrarem no evento. Como os caras que estavam comigo desanimaram com a chuva e foram para suas tendas, eu permaneci lá, pois ainda queria ver o EUROPE. Muitos podem duvidar da capacidade da banda e acha-la uma pagina do passado, mas garanto a vocês que foi um ótimo show, cheio de energia e a presença de Joey Tempest e seus companheiros em sons como Sign of the times, Superstitious, Rock the night e The final countdown fizeram cada segundo valer a pena.

Como a vida prega peças às vezes, após este show fui tentar voltar para o meu camping, passando dentro dos demais, mas me perdi, a sinalização não estava boa e neste primeiro dia a equipe não estava suficientemente preparada para informar-me a direção do meu destino. Resultado? Duas horas e meia andando debaixo de chuva até chegar em minha barraca (Nota: incrivelmente, eu estava perfeitamente são).

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SAVATAGE & TRANS SIBERIAN ORCHESTRA

2º dia (30/07/2015): Qual é chuva, vai parar não?

Acordei neste dia com minha barraca molhada, assim como eu todo também, e nada da chuva parar. Fui para a área de shows por volta do meio dia e toda a área (campings, arenas etc) havia se tornado um lamaçal bem pior que no dia anterior. Era impossível em vários trechos andar sem atolar-se até o meio da canela. Diante disso, meu coturno ficou encharcado e eu tive de comprar um par das caras botas de borracha que eram vendidas em algumas tendas lá (Nota: esta bota depois de pouco mais de um dia quase me matou de dor nos pés, então voltei para o coturno, mas aí a situação climática já havia melhorado). Meu maior receio era essa chuva atrapalhar-nos para assistir o show do SAVATAGE. Fui então conferir o show de uma das mais famosas bandas de folk metal alemã, o IN EXTREMO, que estava celebrando 20 anos de atividade. E o show deles realmente é bem cheio de energia e interessante com todos os instrumentos típicos da música típica da Alemanha agregados ao Metal. Alguns destaques ficaram a cargo de sons como Frei zu sein e Unischtbar serviram para esquentar a chuva/garoa gelada que caia sobre nós. Me mantive firme ali na grade e logo em seguida entrou o norte-americano ROB ZOMBIE. Apesar de não ser o estilo que eu ouço, a sonoridade embasada em Alternative Rock, Groove, Industrial e um pouco do Country texano usada para falar de temas de horror como assassinos em série e tortura humana agitou a galera. O melhor momento foi na música Superbeast (Nota: não esquecerei da garota com camisa do MISFITS erguida acima do público que tirou-a e ficou só de sutiã, agitando alucinadamente).

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SEPULTURA

Finalmente, após um hiato sem grandes esperanças de retorno, os mestres do “Metal Opera” estavam de volta. Isso mesmo, Jon Oliva e Zak Stevens, acompanhados por Al Pitrelli (guitarra), Chris caffery (guitarra), Johnny Le Middleton (baixo) e Jeff Plate (bateria). Além disso, devemos saudar a espetacular e histórica participação do brasileiro Bill Hudson (Circle Two Circle). Vale lembrar que o TSO foi formado em meados dos anos 90 pelo também produtor do SAVATAGE, Paul O’Neil, e hoje é um dos principais shows de cachê milionário que há. O que ambas as bandas fizeram foi inédito para a história do Metal, ou seja, cada uma executou seu set e depois se uniram num set único. Este foi mais do que um show, foi um espetáculo único, com uma estrutura de primeira e um feeling diferenciado que veio átona após esses anos que ficou engavetado. Não tive palavras diante de tantos momentos incríveis. A simples abertura com The ocean de The Wake of Magellan (1997) já deixou todos nós eufóricos. Aliás, foi um presente ouvir outros petardos deste grande álbum como a execução magistral conjunta de The hourglass, e o incrível dueto entre Zak e Russel Allen (Symphony X, Adrenaline Mob) em Turns to me e Another way. O mestre Oliva e sua poderosa voz ecoaram por todo o W.O.A em sons como Gutter ballet, a ensurdecedora 24 hrs. Ago e a suprema Hall of the mountain king. Além disso, ele nos proporcionou momentos de grande emotividade em Believe e Chance. Para mim algumas partes da expressão máxima da voz de Zak foi em Edge of thorns, que foi simplesmente insana, e Dead winter dead. Alguns dos momentos mais impressionantes da atuação da TSO foram na instrumental Prelude to madness de Hall of the mountain king e no cover da opera Carmina Burana. Já rolaram noticias em mídias norte-americanas que este show serviu de combustível para a o SAVATAGE voltar de uma vez por todas. Obrigado W.O.A.

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DREAM THEATER

3º Dia (31/07/2015): tantas bandas excelentes e difíceis escolhas!

            Este dia foi bom e ruim. Bom, porque parou de chover e abriu um agradável sol. Ruim, porque havia muitas bandas que eu queria ver, mas os horários coincidiam e então tive de fazer escolhas com alguns pesares. Assim que cheguei na arena de shows fui conferir a performance do ANGRA, que foram muito bem recebidos devido ao seu sucesso já corriqueiro no continente e a simpatia que o vocalista Fabio Lione recebe deste publico. O desempenho da banda mostrou que esta tem sido uma formação, embora bem recente, sólida da banda após os últimos anos de turbulências. No set estavam musicas como Angels cry, Carry on, Nothing to say e Nova Era, que foi muito bem cantada pelo público. De Secret garden, eles colocaram Newborn me, bem potente ao vivo, e Storm of emotions (Nota: eu tiraria esta e colocaria Final light, por exemplo). No gancho deste show fui para outro palco ver o SEPULTURA, que fez um show de fazer gringo pirar, celebrando seus 30 anos de estrada (Nota: eu sei, muitos gostariam do velho SEPULTURA, eu também. Mas é preciso olhar para frente e a fase pós-Max tem bons trabalhos e seu mérito). Na abertura foi tacada na cara Troops of doom e o que veio depois foram apenas pedradas como Arise, Refuse/resist, Roots bloody roots, Choke, Convicted in life e The vatican. Até tocaram Orgasmatron do Motorhead e Polícia do Titãs. Foi bem legal ver o quanto o SEPULTURA é bastante forte entre o publico europeu.

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BLACK LABEL SOCIETY

            Após uma pausa que dei para fazer outras coisas cheguei a tempo de pegar desde o inicio do OPETH. Apesar da veia progressiva adotada nos últimos anos, também é bastante expressiva a performance do guitarrista e vocalista Mikael Åkerfeldt neste formato. Foi um show bastante técnico e cuja atmosfera podia leva-lo para universos distantes. Os destaques ficaram a cargo de Eternal rains will come, Cusp of eternity, The drappery falls e Deliverance. Para emendar nessa onda do Prog, me mantive firme para assistir ao DREAM THEATER. Não atoa são uma das bandas mais bem sucedidas deste estilo, pois um show de técnica e beleza define bem a sua apresentação. Momentos excepcionais prenderam a atenção em Metropolis Pt.1: The miracle and the sleeper (Nota: para mim foi o ápice), The spirit carries on, As I am e Bridges in the sky. É surpreendente ver como para pessoas como John Petrucci tocar um instrumento é simplesmente brincar com ele. Também é bem legal o carisma do tecladista Jordan Rudess.

            Após tanto Prog na cabeça, um Guitar Hero entrava em cena. Zak Wylde e o BLACK LABEL SOCIETY chegaram para injetar uma dose cavalar de seu Metal calcado em Groove, Stoner e Southern. Como toca esse barbudo. Afinal, não podia se esperar menos de um cara que gravou álbuns fenomenais como No more tears de OZZY OSBOURNE (Nota: perdeu e muito em manda-lo embora Ozzy!). A audiência em sons eletrizantes como The blessed hellride, Bleed for me e My dying time gerou suas boas doses de surfing no público (Nota: prática na qual uma pessoa é rolada por cima da multidão). Um momento lindo e triste foi quando Zak largou a guitarra e partiu para o teclado para tocar In this river em homenagem ao saudoso Dimebag Darrell (PANTERA e DAMAGEPLAN) (Nota: como você faz falta Dimebag…).

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RUNNING WILD

            Mesmo sem ter tido até então nenhum show que me decepcionasse, isso ocorreu durante a apresentação do IN FLAMES. Tocaram mal? Não, o show foi bem executado, técnico e explosivo. O problema é esta fase bem estranha que a banda (Nota: mesma banda que gravou o clássico Colony, de 1999) adentrou nos últimos quatro álbuns, a qual foi o foco maior do show. Os momentos que realmente valeram a pena foram em Only for the week e Bullet ride do excelente Clayman (2000). Mas que eu queria ter ouvido Embody the invisible, ah isso eu queria. Para compensar e muito bem isso, eu estava novamente na cativa grade para ver o RUNNING WILD (Nota: esse é o lado bom dos precisos 15 minutos de intervalo entre os shows, pois como há bastante movimentação do publico você consegue bons lugares para ver sua banda preferida sem ficar horas e horas esperando. Claro, que em bandas como esta você precisa marcar lugar com umas duas horas de antecedência).

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AMORPHIS

Rolf Kasparek é daqueles coroas com sangue nos olhos, pois é impressionante como ele ainda agita, bate-cabeça, corre pelo palco e claro, toca pra caramba. O que eu poderia dizer da perfeita execução de temas como Under Joly Roger Jennings’ Revenge, Genghis Khan, a viciante Riding the storm, Diamonds of the black chest e Bad to the bone? A atmosfera era como se eu tivesse realmente num navio pirata, saqueando e bebendo rum. Da fase mais recente da banda o melhor momento foi com (2012) e Soldiers of fortune do ótimo Resilient (2013). Realmente, uma pena que não tocam mais regularmente, pois os fãs brasileiros mereciam conferir isso ao vivo.

 4º e último dia (01/08/2015): faltou alguma coisa?

            Depois de três dias de ótimos shows e algumas dificuldades climáticas e de logística, obviamente que o cansaço começa a cobrar seu preço. Assim, larguei a odiosa bota de borracha que quase acabou com meus pés de lado, coloquei meu velho coturno e bora aproveitar as últimas horas de W.O.A. O lado bom foi que o sol se manteve, não choveu e a lama estava já consideravelmente seca em sua maior parte. O primeiro show que peguei foi o dos alemães do POWERWOLF, que para mim foi uma grata surpresa, visto que é bastante performático e cheio de energia. Como eu conhecia apenas o ótimo álbum Blessed and possessed, lançado este ano, eu parei para prestar mais atenção. O Power metal vigoroso ficou bem escancarado em sons como Sanctified with dynamite, In the name of God (Deus Vult), Amen & attack e na apoteótica Army of the night (Nota: confiram o vídeo clipe no Youtube). Apesar deste show ter sido ótimo, o que queria ver mesmo era o AMORPHIS, que veio logo em seguida. Este era um show especial tanto para a banda quanto para os fãs, pois ele celebrava 20 anos do clássico Tales from the Thousand lakes e eles tocaram o álbum na íntegra e ainda incluíram outras pérolas do álbum Elegy (1996). O palco estava muito bonito, decorado com as artes de Tales… e foi uma imensa satisfação ouvir Into hiding, Black winter day, Drowned maid e Magic and mayhem tão minuciosamente executadas. Além disso, Better unborn e My kantele de Elegy certificaram mais ainda que valeu a pena aquele sol forte na testa.

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BLOODBATH

            Como eu ainda não havia visitado o já citado Metal Market nos dias anteriores por questões estratégicas (Nota: se você for lá no começo com muita gana irá consumir boa parte de seu dinheiro. Então, guarde mais para o final) fui lá conferir. Quanta diversidade de LPs, CDs, DVDs etc. Minha estadia lá foi breve, pois do contrário todo o meu dinheiro iria embora ali mesmo. Mas sai feliz com alguns bons materiais em mãos. De volta para a arena, fui curioso conferir o ROCK MEETS CLASSIC (Nota: projeto de Rock que carrega orquestra consigo para tocar vários clássicos do Rock e Metal, tendo vários convidados especiais e acompanhados pela “Prague Symphony Orchestra”). No cast estavam músicos consagrados no Rock/Metal como Michael Kiske (UNISONIC, ex-HELLOWEEN), Dee Snider (TWISTED SISTER), Joe Lynn Turner (RAINBOW, ex-DEEP PURPLE e outros), Marc Storace (KROKUS) e Jennier Haben (BEYOND THE BLACK). A banda de apoio (baixo, guitarra e bateria) era a banda solo de Mat Sinner (PRIMAL FEAR). Só para principio de conversa Storace já entrou arrebentando em Thunderstruk do Ac Dc. Outros momentos incríveis foram com Turner comandando I surrender e Stargazer do Rainbow, Kiske em A little time e I want out do Helloween, a execução do tema musical principal da saga de filmes “Piratas do Caribe”. Mas quem comandou a festa e fez todo mundo pular de verdade foi Dee Snider, arrebentando em We’re not gonna take it e I wanna rock do Twisted Syster e fechando o show com eterno hino Highway to hell do Ac Dc. Também vale citar que Snider é muito carismático, bem humorado e energia pura.

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WACKINGER VILLAGE

            O BLOODBATH é quem trouxe o caos naquela tardinha com seu Death/Black metal visceral e imponente. Os suecos tocaram na integra Grand morbid funeral (2014), um de seus mais importantes e agressivos trabalhos. Os surfings rolavam aos montes na multidão aumentando o trabalho para os seguranças do outro lado da grade, enquanto rolava pancadas como Mock the cross e Cry my name. Os seus conterrâneos do SABATON eram a próxima bola da vez e fizeram um dos shows mais estimulantes e agitados desta edição do W.O.A. Eu fiquei impressionado ao ver o enorme publico que a banda possui na Europa. A energia do vocalista Joakim Brodén também fez muito por merecer deste show ter sido tão legal. Esta apresentação será lançada em DVD e então você, caro leitor, poderá ver o que estou falando, especialmente nas musicas To hell and back, Resist and bite, The art of war e Soldier of 3 armies.

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LAMA! LAMA! LAMA!

            O encerramento desta incrível jornada para mim chegou quando o eterno JUDAS PRIEST adentrou o palco, com Richie Faulkner mandando ver em Dragonaut. Acho que o set list não poderia ter sido mais especial. Afinal, quem pode reclamar quando se tem num único show musicas como Metal Gods, Devils’s child, You’ve Got Another Thing Comin’The hellion e Eletric eye, Breaking the law, Living after midnight, Hell bent for leather, Victim of changesPainkiller? Não somente isso, o velho Rob Halford é uma personificação pura do verdadeiro aço metálico, além de atencioso com seu público. Também foi excelente a execução da faixa titulo de Reedemer of souls. O show terminou e eu ainda fiquei umas boas horas vidrado e com cada imagem na cabeça. Apesar de que ainda havia algumas poucas atrações para fechar o evento, como o CRADLE OF FILTH, eu fui tomar minhas derradeiras cervejas e me retirar para minha barraca para descansar e pegar estrada no dia seguinte. Para aqueles que ainda se perguntam se vale apena investir tempo e grana para ir ao W.O.A, eu espero ter sanado as suas dúvidas.

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