ANTHARES: o caos ainda rola solto!

anthares_promo

Por Écio Souza Diniz

Responsável por um dos pilares do Thrash metal nacional, o álbum No limite da força (1987), os paulistas do ANTHARES após anos de hiato voltaram com tudo no segundo álbum, O caos da razão (2015), que mantêm a pegada feroz da banda e ainda soa bastante atual. Atualmente, o time é composto por Diego Nogueira (vocal), Mauricio Amaral (guitarra), Topperman (Guitarra), Pardal (baixo) e Evandro Jr. (bateria) e tem levado a sua devastação sonora a vários palcos do Brasil. Para nos contar mais sobre o momento atual como também da trajetória da banda, os membros originais Mauricio e Evandro concederam esta entrevista ao PÓLVORA ZINE.

PÓLVORA ZINE: Após 28 anos vocês lançaram o sucessor do clássico No limite da força (1987), intitulado O caos da razão (2015). Como tem sido o saldo perante este novo lançamento? Quais foram os principais motivos que levaram a este hiato tão longo?

Mauricio Amaral: O saldo tem sido positivo, mesmo depois de mais de um ano do lançamento, continuamos colhendo os frutos e a receptividade dos Headbanges tem sido muito boa. Tivemos vários motivos ao longo período entre os dois álbuns. Pouco depois do lançamento do No Limite da Força a formação da banda mudou muito e só se consolidou novamente em 1991. Os anos 90 foram bem ruins para toda a cena Metal e nós encerramos as atividades em 1996. Retomamos em 2004, mas só focamos no novo álbum após a entrada do Diego Nogueira na banda no fim de 2008, quando começamos a realizar vários shows e preparar o material para O Caos da Razão

P.Z: No limite da força é um dos principais pilares do Thrash metal brasileiro e tem recebido inclusive relançamentos e distribuições em vinil na Europa pelos selos portugueses Blood & Iron Records e Helldprod. Além disso, em 2015 o disco recebeu um ótimo relançamento em vinil pela brasileira Mutilation Records, com o LP em cor azul. Como tem sido a procura e o conhecimento das novas gerações ao disco agora que ele é amplamente disponível?

 Evandro Júnior: Só pelo fato de No Limite da Força já ter sido relançado em diferentes formatos, tanto aqui como no exterior, nos mostra a força do álbum ao longo das décadas e isso só continua sendo possível obviamente graças ao interesse do público. Ainda há uma demanda considerável e acredito que ao longo dos próximos anos ainda haverá outros relançamentos. As novas gerações continuam a consumi-lo e nosso público nos prova isso nos nossos shows, eles conhecem todas as letras, conhecem todas as músicas e sabem da importância deste trabalho, o que é motivo de muito orgulho para nós.

P.Z: Quando ouço O caos da razão tenho a impressão que ele é uma continuação numa pegada mais atual de No limite da força, ou seja, ele tem uma face agressiva, porém mais lapidada, com uma sonoridade mais atual. O que pensam a este respeito?

12189674_1210197912329420_9008568897616706058_n

Revival Metal Fest, Inferno Club/SP (24/10/15) Foto: Leandro Almeida

Maurício: Eu particularmente concordo plenamente. Certamente, é como se fosse uma continuação, pois além de termos aproveitado algumas bases dos anos sucessores do No Limite, O Caos da Razão tem muitas características particulares nossas, que têm a mesma essência do No Limite da força. Portanto, mesmo sendo um álbum moderno, ele contém elementos mais tradicionais que estão intrínsecos aos membros da banda.

Evandro: Importante também dizer que nós tivemos uma grande preocupação durante as gravações para que tudo soasse verdadeiro. Chegamos a conversar sobre isso com o produtor do álbum Roberto Toledo) antes de iniciarmos tudo e ele nos tranquilizou quando nos garantiu que o álbum soaria forte e sem modernismos, mantendo essa atmosfera oitentista aliada a uma produção de qualidade.

P.Z: Pesadelo sul-americano em minha opinião é uma das músicas que melhor define O caos da razão. Pra vocês, quais sãos os carro-chefe do disco?

Maurício: Isso é difícil dizer. Acho que depende muito do gosto pessoal de cada um. Eu também gosto muito da Pesadelo Sul-Americano, que na minha opinião é uma das músicas mais agressivas do álbum, porém a Corporação do Terror tem características tradicionais que me agradam muito e eu acho que a Ócio representa bem o álbum, pois traz bastante as características da formação atual.

Evandro: Eu particularmente gosto muito da música-título do álbum, acho ela forte e bem construída com riffs marcantes, mas, assim como você, também gosto muito da Pesadelo sul-americano por todas as suas variações climáticas.

P.Z: A capa de O caos da razão é algo diferenciado, visto sua abordagem de certo modo surrealista. De onde surgiu a ideia para esta arte de capa e o que quiseram que ela representasse de fato?

Evandro: Quando decidimos gravar O Caos da Razão logo chegamos a um consenso que o artista responsável pela arte do No Limite da Força teria que ser o cara mais uma vez. O Thomas Pinheiro esteve presente ao longo da trajetória do ANTHARES nos anos 80 e 90, sempre criando desenhos para camisetas da banda, flyers, demos etc. Quando o procuramos, ele nos mostrou uma arte que ele havia preparado para a banda há algum tempo e nunca havia sido aproveitada. Nós piramos com aquela visão surrealista do caos e como o título do álbum se encaixava nessa visão meio perturbadora. É isso o que essa arte representa: o caos numa visão surrealista.

P.Z: O vídeo clipe de Ócio também ficou bem legal e mostra claramente um Thrash/Speed afiado, com riffs diretos e rápidos, seguido por uma batera com ótima dinâmica. Como foi o processo de produção deste clipe junto ao João Mauricio Leonel, que também já produziu o KRISIUN?

Maurício: O processo de produção foi democrático, pois contou com a participação de todos. O João Maurício foi fundamental, porque ele abraçou demais a ideia, foi extremamente camarada com a gente e a condução dele como diretor foi crucial para o excelente resultado. Além disso, a letra ajudou muito a criarmos o roteiro e a atuação do Diego como o personagem principal surpreendeu muito.

P.Z: No geral, O caos da razão também tem recebido bom destaque no exterior? A propósito como tem sido a divulgação lá fora?

 Evandro: Hoje em dia, em plena era dos downloads a gente sabe que O Caos da Razão se espalhou pelo mundo afora sendo disponibilizado em diversos blogs e sites. A música como um produto modificou-se radicalmente e tornou-se acessível a todos graças à Internet e às mídias como o Spotify, Deezer e tantos outros. O ANTHARES sempre foi uma banda underground brasileira conhecida por fãs de metal de diversos países e sinceramente nós nunca soubemos, nem podemos mensurar o tamanho disso. O Caos da Razão não foi lançado oficialmente fora do Brasil, mas muita gente lá fora já o ouviu, seja através de downloads, seja através do Youtube, Soundcloud, etc. Mas ainda estamos devendo nossos dois álbuns para a galera que escuta música no Spotify e estamos trabalhando para corrigir isso assim que possível.

P.Z: Felizmente, nos últimos anos tem havido uma espécie de ‘revival’ do clássico Metal brazuca. O que vocês acham da cena metálica nacional atualmente? Em quais pontos julgam que ela estaria melhor ou inferior aos anos 80?

Maurício: A cena metal aparentemente tem melhorado. Alguns festivais grandes têm surgido, outros têm se consolidado e outros se reinventado, o que é ótimo para o underground. Ainda existem alguns problemas, mas isso sempre vai existir em todos os setores. Outro ponto que parece ser muito bom é a renovação, é ótimo ver a molecada aparecer nos shows, o que pode ser observado em vários Estados do Brasil. Nos 80 era tudo muito novo, com poucos recursos e com pequena repercussão. Hoje, com a tecnologia, tudo é mais rápido e acessível como, por exemplo, equipamentos de qualidade são mais fáceis de serem obtidos e a quantidade de gente curtindo Metal aumentou muito.

P.Z: Em termos de Thrash metal quais seriam suas principais influências?

Maurício: As nossas influências musicais sempre foram as principais bandas de Thrash Metal mundial, principalmente o EXODUS e o SLAYER. No caso de O Caos da Razão, além das bandas antigas, toda sonoridade pesada que ouvimos em toda a nossa a vida, de alguma forma, acabou refletindo no álbum, que mantém as velhas raízes mescladas com nova agressividade.

Evandro: Com certeza EXODUS e SLAYER sempre foram referência para nós desde os anos 80. O Thrash metal sempre fez parte das nossas vidas, continua sendo nossa trilha sonora e, claro, estamos sempre acompanhando as novidades, bandas fantásticas que surgem no cenário mundial e aqui no Brasil.

P.Z: No curto-prazo, além da divulgação do segundo álbum, quais seriam os planos da banda?

Maurício: O nosso plano é continuar tocando o máximo possível. Além disso, estamos compondo, queremos gravar um novo material o quanto antes e consequentemente pretendemos fazer novos vídeo-clipes. Resumindo: nosso plano é continuar com gás total!!!

Adicionar aos favoritos o permalink.

Os comentários estão encerrados.