TAURUS: o bombardeio Thrash não para!

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Por Écio Souza Diniz

A cena metálica da capital do Estado do Rio de Janeiro sempre foi rica de bandas que se destacam na cena, não atoa que nos anos 80 era um dos principais expoentes de bandas clássicas do Metal cantado em português do país. O Thrash em especial é um estilo abundante que parece cada vez mais crescer e fortalecer na capital carioca, tendo como exemplo a forte cena que hoje se destaca do Thrash/Speed. Mas como tudo tem que ter um começo, quem deu o ponta pé inicial ao lançar um dos mais icônicos álbuns de Thrash brasileiros foi o TAURUS em sua estreia com o clássico Signo de Taurus (1986). Após esta estreia a banda ainda fez ótimos lançamentos, mas como ocorreu para muitas bandas os anos 90 foram severos para o Metal de forma geral, levando-os a cessar as atividades. Felizmente, atualmente a banda está na ativa e em 2016 lançou um DVD comemorativo dos 30 anos de lançamento do álbum de estreia, no qual o tocaram na íntegra no histórico evento “Super Peso Brasil”. O baterista Sérgio Bezz bateu um papo com o PÓLVORA ZINE sobre esses fatos e muito mais. 

PÓLVORA ZINE: Em 2016 vocês lançaram o CD/DVD Signo de Taurus ao vivo 30 anos, celebrando a três décadas do clássico Signo de Taurus (1986). O que principalmente representou para vocês o show que gerou este lançamento?

Sérgio Bezz: O show que se transformou no DVD aconteceu em São Paulo, em um evento muito interessante que reuniu algumas bandas dos anos 80, tendo particularmente com um traço comum: todas cantando em português. Foi um dia muito especial. A repercussão foi muito interessante, porque dele surgiu o projeto de financiamento coletivo, “Super Peso Brasil”, e dele nasceu o DVD de mesmo nome. Lá tiveram três músicas de cada banda. O nosso DVD de 30 anos contém a íntegra daquele show, além de vários extras. 

P.Z: Outro acontecimento também em 2016 foi a disponibilização da discografia da banda nas principais mídias digitais da atualidade como Itunes, Google Music Store, Amazon MP3, Spotify, Deezer e Last.fm. Qual a opinião de vocês sobre essa nova geração do Metal e essa forma de se consumir música?

Sérgio: É um fato consumado que houve uma mudança radical no acesso do público às bandas, às músicas, enfim, à informação de um modo geral. Nossa discografia estar disponível nessas plataformas digitais foi só uma consequência natural de estarmos nas redes sociais, como o facebook, instagram, site ec. Há uma demanda imediata do público de ter as músicas por esses meios digitais. De nosso lado, entendemos que se recusarmos essa “nova” realidade, é um meio rápido de virarmos peças estáticas de museu. Como ainda estamos vivos, e em movimento, esses são recursos realmente poderosos de acesso. Um avanço nesse sentido, com certeza. Mas não abrimos mão ainda de manter nossos álbuns físicos. Podemos comparar com o acontece com os livros. Pode-se baixar e ler na tela, mas nada substitui ter em mãos o livro, e folheá-lo, ver a arte da capa etc.

P.Z: Houve notícia que está sendo planejado um relançamento para o Signo de Taurus em CD pela Marquee Records e em vinil pela Urubuz Records. Poderiam nos dar detalhes do andamento deste projeto?

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Sérgio: Sim! Acabaram de ser relançados! Fazem parte das comemorações dos 30 anos do TAURUS. A reedição em vinil ficou linda, de uma qualidade excelente de som e gráfica. Um item para os colecionadores. O cd foi mais uma edição, pois já estava esgotado há algum tempo. Haviam muito pedidos do público, aí estão!

P.Z: Há algum plano também para algum relançamento especial de Trapped in lies (1988) e Pornography (1989)?

Sérgio: Sim, na verdade todos já foram relançados há algum tempo em CD. O que acontece é que novas edições estão a caminho. A previsão é que em abril tenhamos do Trapped in Lies. O Pornography ainda é encontrado nas lojas.

P.Z: Em minha opinião Trapped in lies é um álbum autentico, mas ao mesmo tempo soa como uma continuação natural do debut. Em sua opinião, quais características mais unem ou separam os dois discos?

Sérgio: Estou de acordo com você. Acho que há esse lado de continuação, no entanto, são muito diferentes. Em primeiro lugar, houve a mudança do vocal. O Otávio Augusto deu lugar a Jeziel, que além de vocal, também é guitarrista. O Jeziel também escrevia as músicas com a gente, e rapidamente colocou o que é sua personalidade nelas, tanto nas letras quanto na sonoridade.  Evoluímos musicalmente de um para o outro. Tocamos muito no intervalo deles, e também estudamos os instrumentos. Sempre fomos apaixonados pelos instrumentos que tocamos, e isso se aliou com certo amadurecimento pessoal e musical.

P.Z: No Brasil sempre foi desafiador sustentar uma banda de estilo mais underground como o Thrash metal. Quais foram as principais razões que de fato levaram à banda ao hiato que foi quebrado apenas em 2010 com o álbum Fissura?

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Sérgio Bezz

Sérgio: Depois do Pornography, com o decorrer dos anos 90, o Metal passou por um período em que os espaços estavam cada vez mais raros, e isso causou uma desmobilização em nós. Um retorno que esperávamos não veio, e precisavamos cuidar de nossas vidas, nossas famílias recém-criadas, filhos, etc. Depois de um tempo com esse lado pessoal mais consolidado, pudemos retomar o TAURUS sem a pressão da sobrevivência.

P.Z: Sobre o Fissura: o que principalmente os motivou a voltar a cantar em português?

Sérgio: Não foi uma decisão imediata para a banda. Inicialmente fizemos as novas composições em inglês. Ao mesmo tempo, experimentávamos nos shows o enorme impacto que as músicas em português do Signo de Taurus causavam, e ainda causam. Vimos que a comunicação com o público no Brasil era muito importante pra gente. De certo modo abrimos mão se o resto do mundo entenderia a gente. Curiosamente o Fissura foi o álbum que teve lançamentos fora do Brasil, como nenhum outro. Por exemplo, na Europa e América do Norte.

P.Z: Nos últimos 10 anos muita coisa acerca da história do cenário metálico nacional tem sido registrada em documentários e livros, o que é de suma importância principalmente para um entendimento mais claro pelas novas gerações. O documentário “Brasil Heavy metal” (2016) foi um projeto audacioso, complexo, com diversos problemas, mas que felizmente culminou num bom resultado final. O que vocês acharam da participação de vocês nele e do documentário como um todo?

Sérgio: Ficamos muito contentes com nossa participação. O Micka, produtor, teve essa ideia fantástica de registrar essa história do metal nos anos 80 do Brasil, mostrando quem foram os precursores do estilo por aqui. É um documento precioso para quem quer saber um pouco sobre como as coisas começaram por aqui. Acho que retratou muito bem como as coisas aconteciam naquela época, a carência de shows, de equipamentos para as bandas iniciantes, de acesso à informação etc. Mostrou um pouco daquele espírito desbravador, do novo, do que não se reconhecia muito bem, trazendo o risco em fazer e criar o som. Um risco de ser ridículo, amador, desinformado, mas também, abriu a possibilidade de inovar, inventar uma coisa que não existia antes, um tipicamenteHeavy metal brasileiro.

P.Z: A cena carioca tem crescido muito quanto ao número de ótimas bandas voltadas, principalmente, à mescla de Speed e Thrash como FLAGELADOR, THRASHERA, VINGADOR etc. Vocês assumiriam dizer que este é o melhor momento para cena do Estado do Rio?

Sérgio: Não sei dizer se é o melhor momento, mas sem dúvida, há uma cena bem interessante acontecendo. Não deve ter sido por acaso que você citou bandas autorais, e isso é animador, ver novas composições, novos álbuns e um novo público. Isso contrasta com a febre das bandas cover, que ganharam um imenso espaço. Bem, mas isso não é novo, antes elas se chamavam bandas de baile. Aquelas que tocam de tudo que o público pede. Diverte um pouco, mas não cria nada.

P.Z: Quais são os próximos planos no curto-prazo?

Sérgio: Depois de todos os lançamentos de 30 anos, estamos partindo para as composições de um novo álbum. Além de shows, viagens, que gostamos muito de fazer. E vamos adiante.  Obrigado pelo espaço, e espero vê-los ao vivo, nos shows.

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