4° Lavras é rock: O bicho pegou!!

A iniciativa do festival Lavras é Rock tem grandes pretensões de evoluir e contribuir cada vez mais, tanto para cena Lavrense quanto a sul-mineira, dando oportunidade para bandas da cidade e da região mostrarem sua música. Nesta quarta edição, composta pelas bandas ROCK ON (antigo BlACK JACK BONES, Três pontas) KRIG (Belo Horizonte), LEATHERFACE (Alfenas), MURDER RIDE (Alfenas), PAR’UZHA (Campos Gerais) e SACRAMENT (São João Del Rey) não foi diferente. O maior destaque entre as bandas presentes ficou por conta da KRIG, já com quatro registros em sua discografia, executando um Grindcore podre e vísceral e com uma boa postura e presença de palco. As bandas SACRAMENT e MURDER RIDE também desempenhara bem o seu papel, mandando um Trash metal de primeira, esta última com excelentes covers de SEPULTURA (antigo). Para encerrar esta edição com clima de “minha vida é o rock and roll”, a ROCK ON, já conhecida na cena, veio agitar a todos com seu Hard rock, tocando clássicos de bandas como LED ZEPPELIN, LYNYRD SKYNYRD, AC/DC, BLACK SABBATH, entre outras. Diante deste bom saldo, tudo o que esperamos é que haja mais e nunca nos falte uma bom som pra agitar nossa vida!

SACRAMENT

KRIG

MURDER RIDE

Márcio Cativeiro (Apokalyptic Raids, Internal bleed…): Versatilidade no Metal Extremo!

Por Écio Souza Diniz
Versatilidade e técnica para se tocar estilos diferentes dentro do metal, são duas coisas que muitas vezes não encontram o equilíbrio necessário pra tantod. Vindo de uma banda de Brutal Death metal (INTERNAL BLEED) e uma de Grindcore (CADAVERIC IMPREGNATION), e entrando em uma banda de Death metal oitentista (APOKALYPTIC RAIDS), o baterista Márcio Cativeiro mostra a cada dia que é possível tocar algo “incomum” ao seu estilo musical com garra e feeling. O Pólvora Zine o convidou a falar ao público detalhes de sua carreira musical, as bandas que toca e muito mais.
 
Pólvora Zine: Fala Márcio, beleza brother? Vamos falando de quanto tempo você já está na ativa. Conte-nos um pouco sobre seu trajeto até as bandas em que toca atualmente?
 
Márcio Cativeiro: Eu comecei tocando baixo com 13 anos. Ficava tirando covers como: Iron Maiden, Black Sabbath …, tive banda com amigos pra ficar tocando os covers, mais não durou muito, e assim surgiu o meu primeiro contato com a bateria. Num ensaio qualquer, quando estávamos apenas conversando sobre quais mùsicas iríamos tirar para tocar, sentei na bateria para brincar e foi amor na hora! Com 15 anos ganhei minha primeira bateria, uma BNB horrorosa, você batia na caixa, tom e surdo era tudo igual (Risos). Tive aulas de bateria com André Marques, baterista que tocou em bandas como : DKV e com Ronaldo Alvarenga, ex- Chico Buarque. Toquei em muitas bandas e passei por diversos estilos musicais. Toquei nas bandas OBSIN (heavy Metal Tradicional), MORBID DEFORMATION (Gore Grind), RAW RAZE (Heavy Metal) e KABARAH (Black Metal). Hoje em dia toco com o APOKALYPTIC RAIDS (Death Metal Old), BESTIAL CURSE (Black metal), INTERNAL BLEED (Brutal Death Splatter) e CADAVERIC IMPREGNATION (Grind Core).
 
P.Z: Dentre todas as bandas que você compõe e os projetos que participa, as bandas INTERNAL BLEED e CADAVERIC IMPREGNATION, merecem considerável destaque. A primeira com seu Brutal Death Splatter, mostrando influências evidentes de Deicide, Cannibal Corpse, Napalm death, entre outras. Já a segunda constituí-se em uma sonoridade ainda mais crua, com músicas pesadas, curtas e grotescas no melhor estilo Grindcore, com muita influência de NAPALM DEATH e ABSOLUT DISGRACE. Como vem sendo o destaque de ambas as bandas?
 
Márcio: Cada uma se destaca em sua proposta. Com o INTERNAL BLEED conseguimos fazer bastante shows, tanto dentro quanto fora de nosso estado e tocamos com banda importantes do nosso cenário como MYSTIFIER, FARSCAPE, VIOLATOR, UNEARTLHY, entre outras. O CADAVERIC IMPREGNATION era para ser uma banda, mas no final ficou só como um projeto mesmo, no qual eu gravo e vejo algum selo para lançar. Temos bastante material lançado fora do Brasil.
 
P.Z: As suas bandas citadas na pergunta anterior, estão para lançar um Split no meio do ano, intitulado “QUARTERED”. A quantas está a produção deste trabalho? O que podemos esperar dele?
 
Márcio: As duas bandas foram criadas juntas. Conversando no ensaio veio a idéia de fazer um split. Como começamos juntos, por que não do primeiro material em cd não serem juntos! Estamos em estúdio gravando o mais novo artefato. Podem esperar bastante barulho e agressividade.
 
TOQUE RÁPIDO OU MORRA!!!
 
P.Z: No Cadaveric Impregnation você deixou as baquetas para assumir as seis cordas da guitarra. Como foi essa experiência e porque você ocupou este posto? Você também toca guitarra a muito tempo?
 
Márcio: O CADAVERIC IMPREGNATION surgiu comigo e o Renato Marginal baterista da banda Gore (Grind Core/RJ). Mostrei para ele algumas idéias que tinha, idéias que não se encaixam na INTERNAL BLEED. Ele também tinha algumas musicas. Chamei Ronaldo Padula um grande amigo meu para gravar com agente a voz. Fomos para o estúdio ensaiar e acabou q no mesmo dia gravamos alguns “barulhos”. Barulhos que foram muito bem aceitos, saímos em algumas coletâneas e splits dentro e fora de nosso país.
 
P.Z: Além dessas bandas você toca na banda de Death/Black metal, BESTIAL CURSE que lançará split com o LIFE LOCK do Espírito Santo e também gravará com a banda EVIL SLAUGHTER de Trash metal e DRUNKILLER de Grindcore (na qual você toca baixo), ambas do Rio. Conte ao público qual a proposta musical dessas bandas? Qual a maior recompensa em se trabalhar com todas elas, tocando também instrumentos diferentes? E cara, como você consegue conciliar tudo isso de uma vez só (Risos)?
 
Márcio: Realmente é complicado (Risos), mas vamos por parte. O BESTIAL CURSE, eu tocava com o Armando Exekutor guitarra/vocal do Flageladör no Kabara (RIP), assim que a banda terminou tínhamos algumas musicas não gravadas. Como tinha acabado o KABARAH entramos em estúdio para gravar uma demo , 4 musicas. Nisso com a boa aceitação do material lançado recebemos a proposta do selo Dark Sun (RJ/Macaé) para gravar um álbum. EVIL SLAUGHTER (Thrash metal) e DRUNKILLER (Grind Core) , todos nós somos amigos de longas datas. O caso deles são bem parecidos, ambos ficaram sem baterista e me chamaram para gravar, como não gosto nem um pouco de ter mil bandas a resposta vc já sabe né rsrs. Só que com o DRUNKILLER gravei o baixo também, exeperiêcia nova, porém muito boa, além de adorar o som deles.
 
P.Z: O Internal Bleed, relançou ano passado no formato tape a demo “DOUBLE CARNAGE”, intitulado “LIVING DOUBLE CARNAGE”, que conta com as duas músicas já gravadas anteriormente na demo, além de outras 6 faixas gravadas no evento The Apocalipse is Here (Juiz de Fora – MG) em 2008. Este relançamento conta ainda com a participação do seu companheiro de banda, Leon Manssur (Apokalyptic Raids) na homenagem prestada ao VULCANO no clássico Witches Sabbath e também no processo de produção da tape. Qual foi a importância e contribuição do Mansur na produção deste trabalho?
 
Márcio: O Leon é fundamental para qualquer banda que eu toque, apesar dele não gostar dos barulhos que eu amo rsrsrs ele é um dos poucos que estuda e estende qualquer proposta dada a ele. Toco com ele tem 3 anos já. Aconteceu que um dia aqui em casa mostrei o show de Juiz de fora e o som da demo do INTERNAL BLEED, após um dos milhares de ensaios do APOKALYPTIC RAIDS. Nisso ele começou a mexer nos sons, masterizou tudo em alguns horas aqui em casa e me mostrou para ver o q achava. Achei sensacional. Entrei em contato com alguns selos e logo saiu a tape.
 
P.Z: Como foi o show de vocês aqui em Minas no The Apocalipse is here? A receptividade do público, organização, aspectos gerais, o que você achou do festival?
 
Márcio: O show foi muito bom, sou suspeito em falar de MG, pois amo o lugar e tocar então, pra mim se torna perfeito. Quem organizou o show foi o Fernando Extremo, meu amigo de longa data. Ele sempre consegue superar todas as nossas expectativas, nunca tive o q reclamar dele. Valeu muito apena e estamos esperando o próximo convite!
 
P.Z: Falando agora do APOKALYPTIC RAIDS, como você chegou a integrar a banda? E como foi trabalhar um estilo “contrário” aos tipos de metal que você é mais acostumado a tocar. Visto que Grind e Brutal Death possuem uma bateria bastante pesada e o Death primordial dos anos 80, tocado pelo APOKALYPTIC RAIDS é uma bateria mais técnica e rápida?
 
Márcio: O convite do Leon Manssur veio após a ultimo apresentação do KABARAH em Juiz de fora/MG. Ele assistiu o show e algumas semanas depois me chamou para tocar com ele. Sempre toquei e gosto de tocar coisas rápidas, death metal, grindcore, crust. O APOKALYPTIC RAIDS esta sendo muito bom, apesar de ter que segurar a minha onda as vezes. Cada uma tem a sua técnica e velocidade dentro do seu estilo. Porém nenhum perde o seu peso e qualidade. Tocar no APOKALYPTIC RAIDS é muito bom. Não tenho o que reclamar de nada, como músicos ou como pessoas.
 
P.Z: A banda (Apokalyptic raids) está em processo de lançamento de seu quarto álbum (Vol. 4 – Phonocopia). Como está sendo o trabalho que você está fazendo neste álbum? Aliás, como é tocar com eles? Trabalhar com o Mansur, que já tem uma longa estrada percorrida no metal?
 
Márcio: Ta sendo maravilhoso! Trabalhar com o Leon é muito bom. Pessoa bem sincera e dedicada em sua proposta. Dei algumas idéias, ele outras. Fizemos algums pré-demo do que vai ser o 4º álbum. Espero que gostem.
 
P.Z: O APOKALYPTIC RAIDS tocou no festival Roça and roll, em Varginha – MG em 2008 e pude assistir um puta show que vocês fizeram, com direito a participação de Angel (Vulcano) em cover do HELLHAMMER (do clássico álbum Apokalyptic Raids). Apesar de o público ser bastante misturado, devido as diversas vertentes de metal que tocam lá, quais os maiores e saldos e boas lembranças você tem daquele dia?
 
Márcio: VULCANOOOOOOOOOOO . Po tocar HELLHAMMER é muito bom, com o Angel no vocal então foi perfeito. Era algo que não tínhamos em mente, ele perguntou qual cover do HELLHAMMER que íamos tocar, falamos para ele e convidamos na hora . O evento foi muito bom oferece uma ótima estrutura. Além de bandas muito boas que tocaram no mesmo dia. Valeu para ver os amigos distantes, por o papo em dia. Valeu do começo ao fim.
 
P.Z: Sua carreira no metal, tem se mostrado bastante promissora, dando aulas de bateria, tocando instrumentos diferentes e gravando a todo vapor. Você pensa em se focar algum dia, efetiva ou paralelamente no ramo da produção musical?
 
Márcio: Olha, mais foi o que aconteceu. Montei um estúdio de ensaio e gravação com um amigo meu. Cativeiro Estúdio. Já dava aula em casa de bateria, aos poucos ia comprando equipamento para ensaiarmos aqui em casa, recebi a proposta do Renan Carriço (Soulifer) para montarmos um estúdio. Montamos ele aqui no RJ. Trav. Maria Elmira, 20. Santa Rosa – Niteroi. Alguns projetos e bandas vão ser gravados la. Aguarde e confira!
 
P.Z: Pra ir finalizando, há algo mais que podemos esperar para este ano, além de todos os trabalhos já sendo feitos e a serem lançados? Há também alguma previsão ou proposta de alguma de suas bandas tocarem por aqui?
 
Márcio: Todos os matérias serao lançados esse ano. Pretendo finalizar a gravação de tudo até agosto. No momentoso aóa tour do APOKALYPTIC RAIDS q vai rolar, passando por vários estados do Brasil. Convites recebemos, mais nada certo ainda. Prioridade no momento é de terminar as gravações, para marcar novos show com as outras bandas. Estamos abertos a convites!
 
 
P.Z: Obrigado pela entrevista Márcio, sucesso em todos os seus projetos, estamos aí pra divulgar.
 
Márcio: Eu é que agradeço a você por ter me dado espaço para divulgação o meu trabalho. Continue assim. Força ao metal Nacional
 
Abração
Apokalyptic Raids
Acesse o myspace oficial:
 
 
Myspace da banda Internal bleed:
 
 
Cadaveric Impregnation:
 
Bestial Curse:
 
Apokalyptic Raids:
 
Vídeos:
 
Cadaveric Impregnation – The dilacerated Rotten Skull
 
 
Cadaveric Impregnation – Cadaveric Impregnation
 
 
Internal Bleed – Hammer Smashed Face – Cannibal Corpse COVER (05.09.2009 Cordeiro Massacre)
 
 
Internal bleed “Raped And Decapitated”
 
 
Flageladör – Cavaleiro Nuclear (18.04.2010 Duque de Caxias/RJ)
 
 
Flageladör – ULTIMATUM (intro) + PERSEGUIR e EXTERMINAR
 
 
Marcio Cativeiro (INTERNAL BLEED – SCULPTOR OF CADAVERS)
 
 
 
 
 
 

4° Triumph of Metal Festival: Com Paul Di’Anno e muito mais. Vai ser muito Metal na cabeça!

O festival Triumph of Metal é um evento que vem crescendo a cada edição, trazendo o que de melhor no Metal. Agora, chegando a sua quarta edição, ele traz uma lenda na história do Heavy Metal, Paul Di’Anno, a marca registrada do grande início do Iron Maiden, tocando as músicas do primeiro álbum da banda na integra mais as músicas do Killers. Mas não é só isso, haverá o Chakal, lenda do Trash nacional destruíndo tudo com sua música. É Minas no Heavy Metal, é Triumph of Metal. Vai perder essa?!?

Contato com a produção:  triumphfestival@yahoo.com.br

Comunidade do evento: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=97729925

Orkut do evento: http://www.orkut.com.br/Main#FullProfile?uid=4803886897639595292

Site do evento: http://www.triumphofmetal.com.br/

4° Lavras é Rock

O festival Lavras é Rock, é uma iniciativa já outorgada desde sua primeira edição no princípio de manter viva a cena Lavrense do Metal, que fora consagrada por nomes como Expulser, Suicide, Human Hate e Thorny Woods (as duas últimas ainda na ativa). O Pólvora Zine dá apoio a este evento que,  divulgando e posteriormente cobrindo, visto que ele também proporciona oportunidade a bandas de vários lugares para, mostrarem seu som ao público de Lavras e do Sul de Minas. Vamos detonar geral no dia 3 de julho!!!

Metalmorphose – Nas raízes do Metal Brasileiro!

Por Écio Souza Diniz
Muitas bandas fizeram a história do metal em nosso país, mas há aquelas pioneiras que são além de uma lenda, precursoras do estilo por aqui. Dentre um time de respeito, como Dorsal Atlântica, Harppia, Azul Limão, Salário Mínimo, Centúrias, entre outros, a banda Metalmorphose, uma das primeiras a lançar um álbum de Metal no Brasil, está de volta pra continuar levando seu legado aos fiéis seguidores do Metal Brazuca. Nos privilegiando em falar mais a respeito da banda, o retorno e muito mais, o Pólvora Zine entrevistou o baixista André Bighinzoli e também contou com a presença do mais novo componente da banda, Leon Manssur, vocalista da grande banda carioca, Apokalyptic Raids. Acompanhem essa entrevista, que ascenderá o fogo de todos os fãs.
Pólvora Zine: Olá André, como vai? Pra começar, fale-nos como é estar de volta, fazendo shows, relembrando os bons tempos e vivendo isso de novo, além claro, de fazer a graça e alegria de muitos fãs dessa época importantíssima do Metal Brasileiro?
André Bighinzoli: Gratificante. Nos anos 80, estávamos no meio de um movimento em construção, literalmente carregando a bandeira do Metal. Hoje, é muito bom tocar para um público consolidado, que reconhece o nosso trabalho. Principalmente estando à frente de uma das melhores bandas, com os melhores músicos que eu já toquei. É muito bom poder emocionar tanto a galera das antigas, quanto ver gente que nem era nascida nos anos 80 cantando as músicas de cor. É uma satisfação.
P.Z: Quando vocês começaram, eram juntamente com Harppia e Dorsal Atlântica, pioneiras do Heavy Metal e se tornariam referência pra muito do que viria a seguir em termos de Metal. Como era fazer esse tipo de música naquela época? Quais as maiores dificuldades e maiores satisfações?
André: Estávamos construindo a cena do Metal. Não existia nem local nem público definido. Nos anos 80, a informação chegava devagar, os jovens não tinham internet para baixar músicas. Quem tinha condições comprava revistas importadas, mas nas lojas de discos só se achava discos das bandas maiores como Iron Maiden. Quem quisesse ir mais a fundo e saber o que era Manowar, Metallica ou Slayer tinha que arrumar uma copia da cópia da cópia da fita de alguém. Tudo também era muito caro. Não existiam estúdios caseiros e nem computadores. Entrar num estúdio pra gravar uma demo custava uma fortuna. A grande satisfação era ver aquele moleque mais novo do colégio indo aos shows do Metalmorphose com a camisa do Ozzy e deixando o cabelo crescer. Não pensávamos que íamos influenciar e incentivar uma geração inteira.
P.Z: Juntamente com quem você iniciou a banda e de onde surgiu a idéia de também cantar em português?
André: O Celso Suckow e o Marcelo Ferreira chamaram o André Delacroix e o Tavinho Godoy para formar uma banda. Eu entrei logo em seguida. Nós batizamos a banda “Pena de Morte” (ideia minha, por influência Sabbática) e depois, felizmente, o Celso veio com o nome Metalmorphose. O grupo já nasceu sendo original porque desde o primeiro ensaio, nós só tocamos músicas próprias. Tínhamos umas trinta músicas antes de surgir o Ultimatum. Todas em português é lógico. Lembre-se que estávamos nos anos 80, jamais passaria pela nossa cabeça cantar em inglês. Não fazia sentido. Os únicos artistas brasileiros que cantavam em inglês eram aqueles bregas dos anos 70 que adotaram nomes artísticos como: Michael Sullivan, Morris Albert (Maurício Alberto) e Mark Anthony (que depois fez muito sucesso com o nome de Fabio Junior) e acima de tudo, vivíamos uma ditadura militar e queríamos muito resgatar a honra do nosso país e da nossa língua. Além do mais, é muito legal ver a galera cantando junto e entendendo (de fato) o sentido das letras. Nossas letras têm papel importante no nosso trabalho. Já vi muita gente que canta em inglês assumir publicamente que enche lingüiça. Sou um dos grandes defensores do Metal em português. Acho que porque fui um dos primeiros a carregar a bandeira do Metal, quero continuar expandindo, atingir mais gente. Tomara que cada vez mais bandas voltem a cantar em português. Nossos CDs vendem na Europa e Japão, sem problemas.
P.Z: No início dos anos 80, estava havendo a consolidação do Heavy Metal com uma onda gigante de bandas surgindo. Vocês acompanharam esta explosão e foram parte da explosão do estilo em nosso país. O que você acha e como analisa o movimento Metal daquela época em detrimento do atual?
André: Gosto do cenário atual. Tenho muito orgulho de ver como foi a evolução da coisa. A diferença básica entre hoje e os anos 80 é que quando a coisa surgiu, a expansão foi naturalmente mais espontânea. Acho que as bandas antigamente eram mais genuínas.
P.Z: Em meio a muita luta, juntamente com o Dorsal Atlântica, vocês finalmente lançaram o EP/Split “Ultimatum”, que se tornou um clássico, sendo o primeiro LP de metal do Rio de Janeiro e também um dos primeiros do Brasil. Neste disco vocês fizeram composições históricas como “Cavaleiro Negro” (considerado por muitos como o carro forte da banda), “Hárpya” (intensa e envolvente), as sarcásticas “Nosso futuro” e “Complexo Urbano” (com forte crítica social) e “Desejo imortal” (outro clássico). Como foi a recepção do público naquela época? Os shows?
André: Fizemos o Ultimatum para o público. Formamos um público cativo que ia aos nossos shows e a galera merecia. A recepção foi excelente. O disco saiu durante o Rock In Rio (janeiro de 85) e eu fui ao Copacabana Palace e dei um na mão do Ozzy (onde será que ele estará?).
P.Z: O que representa hoje pra você ter lançado o primeiro registro com a “Dorsal Atlântica”? O que você pensa sobre eles terem cessado atividade e novo rumo tomado por Carlos Lopes?
André: Foi legal termos feito o disco com a Dorsal, mas também podíamos ter feito o disco sem eles. Na época, as bandas tinham a mesma estatura. A Dorsal cresceu porque era uma grande banda e foi adiante. O Carlos tem um enorme talento, entendo que ele queira dar outros voos. O fato de ele negar a Dorsal agora, instiga mais os fãs. Inteligente como ele é, quem sabe já não estaria arquitetando um retorno?
P.Z: Isto seria realmente muito bom, mas o que podemos e devemos fazer, é respeitar as escolhas dele e não desmerecê-lo por isso. Em 2009, o “Ultimatum” foi lançado em CD, como ocorreu o processo para esse lançamento e como você se sente, vendo que agora muitos puderam ter esse material que é uma relíquia em vinil, que nem todos possuem?
André: Fui eu que tive a iniciativa de lançar o Ultimatum em CD. Achei que era uma injustiça histórica esse disco pioneiro não ter uma versão oficial em CD. O Carlos concordou e preparou com muito carinho a parte gráfica do CD, com o encarte original recriado e mais fotografias da época e depoimentos.
P.Z: Também em 2009, foi lançado o CD “Maldição”, que conta com músicas inéditas da banda de 1986 e gravações ao vivo entre 84 e 85. Conte-nos porque este material não pôde ser lançado na época e quais fatores fizeram a banda cessar as atividades?
André: Na verdade, quando o Metalmorphose se reuniu em 2008, a grande motivação da galera era lançar finalmente a nossa famigerada “demo” de 86. Em 86, o Metalmorphose estava no auge e gravou uma demo incrível. A banda, que estava com a autoestima lá no teto, resolveu apostar num contrato com uma “major”. A gente pensava “Porra, não é possível que a EMI contratou a merda de uma “Legião Urbana” e não contrata a gente que toca muito mais que esses caras!” rsrs. Pois é. Então, taí o divisor de águas: Enquanto a Dorsal mergulhou no underground, a gente queria aparecer no “Chacrinha” e um contrato com uma gravadora que nem o do “RPM”. O final da história todo mundo conhece: a Dorsal galgou a sua história enquanto o Metalmorphose, apesar de sua qualidade, definhou e morreu na praia (literalmente) em 88 depois que o EP “Correntes” foi abortado pela gravadora. Pois bem, como em 2008 o Metalmorphose estava há muitos anos no ostracismo, resolvemos lançar antes o “Ultimatum” para desenferrujar a nossa imagem e posteriormente, em 2009, foi lançado o “Maldição”, que se consiste na nossa “demo” de 86 (a menina dos olhos) e mais algumas coisas ao vivo do período do Ultimatum.
P.Z: O que você acha do lançamento do “Maldição”, depois de tanto tempo, visto também a excelente qualidade das composições como “Rebeldia”, “Minha droga é o Metal” e “Esperança nunca morre”, calcadas em um Heavy Metal mais pesado, mostrando mais qualidade e técnica dos músicos? Você acha o “Maldição” melhor que o “Ultimatum”? Como os headbangers têm respondido a essas músicas?
André: O Maldição é uma evolução natural do Ultimatum. Nossas composições evoluíram e nós também evoluimos tecnicamente. Ambos os discos são muito honestos e genuínos. No Ultimatum, por exemplo, colocamos uma flauta em Harpya e em seguida atacamos de “Complexo Urbano” (meio-Motörhead-meio-punk-rock) num disco que tinha “Império de Satã” (música da Dorsal Atlântica) do outro lado… Sempre fomos aplaudidos em todos os lugares que tocamos. Lembro também que tínhamos muito mais músicas que foram descartadas de ambos os discos por falta de espaço. Não dá pra dizer qual dos dois discos eu prefiro.
P.Z: O que você pensa sobre a fase Hard/glam adotada pela banda há anos atrás? E os seus ex-membros que foram tocar pop Rock?
André: Não condeno nada. Quando a tua referência que era assim
 e do dia pra noite ficou assim,
 você há de convir que é foda. O Metalmorphose sempre quis a fama em nível nacional. Isso é pra quem pode. Depois que eu saí do Metalmorphose voltei às raízes do Metal, toquei muito Rock and Roll e Blues. Isso também é pra quem pode.
P.Z: Gostaria que nos dissesse, o que você acha da formação atual da banda? Como é estar trabalhando com caras como Leon Manssur (Apokalyptic Raids) e Felippão, que além de serem ótimos músicos, são fãs da banda e cresceram a ouvindo?
André: São excelentes músicos e bons amigos. Eles conhecem e respeitam muito o Metalmorphose. Está sendo um prazer tocar com eles.
P.Z: Apesar de ser um estilo diferente, o que você acha do Apokalyptic Raids?
André: Uma merda. BRINCADEIRA!!!! O “Apokalyptic Raids” é uma banda que tem um trabalho sério e consistente. O Leon está há anos na estrada e é muito competente em tudo que faz. Considero que o “Apokaliptic Raids” está no rol das bandas mais importantes deste país.
P.Z: Vocês fizeram um show histórico com a formação original da banda no Teatro Odisséia (RJ) em 2009. Como foi este show? A quantas está o processo pra lançá-lo em CD até o fim deste ano?
André: O show foi uma catarse! Lavou a nossa alma. O CD está em processo de fabricação e vai chegar ao mercado em junho de 2010. Quando você ouvir o CD, vai perceber a energia do que foi aquilo lá. Foi a primeira vez que o Metalmorphose se apresentou com a formação original desde 1985! Posteriormente, será lançado o DVD desse show antológico.
P.Z: O que você acha da participação de vocês no documentário e CD “Brasil Heavy Metal”, coordenado pelo guitarrista “Micka” Michaelis, que conta a história do Metal no Brasil? E qual a importância você vê no retorno de bandas daquela época como “Harppia”, “Centúrias”, “Salário Mínimo” e “Viper”? Você acha que pode ajudar a consolidar uma nova e produtiva fase de Heavy Metal feito com honestidade?
André: Estamos dando toda força pro Micka. Tocamos no ano passado em São Paulo com o “Salário Mínimo” e “Volkana”. Espero que as bandas voltem com força total, como está acontecendo com o “Metalmorphose”.
P.Z: Falando em bandas das antigas, o “Harppia” se apresentou recentemente em Pouso Alegre, Sul de Minas e o “Salário Mínimo” se apresentará na 12° edição do “Roça and roll” em Varginha, dia 12/06. Vocês têm algum plano de nos presentear com um show por esses lados?
André: Já fechei com o Bruno pro “Roça and Roll” 2011. Estamos loucos pra tocar pelo interior. Alguém se habilita pra fechar uns showzinhos?
P.Z: Realmente será muito bom poder assistir um show de vocês por aqui. Dou todo incentivo ao promotores de evento a convidá-los para tocar. André, obrigado pela entrevista. Sucesso e prosperidade pra vocês. Encerrando, fale-nos um pouco sobre os planos futuros pra banda e pode deixar uma mensagem aos fãs.
André: Eu que agradeço, Écio. Nosso plano é lançar um CD com músicas novas para 2011. Mando um abraço para a galera do Pólvora Zine, a todos(as) fãs e a gente se vê na estrada!
Leon Mansur é um grande fã da Metalmorphose e nada mais interessante, que ouvir um fã que realiza seu sonho tocando com a banda que ouve a tanto tempo.

P.Z: Mansur, conte-nos como ocorreu a sua entrada na banda.
O André Delacroix (batera) me conhecia do “Apokalyptic Raids”, e eu acomepanhei o trabalho dele no “Dust From Misery” e “Imago Mortis”, ele se liga em sons mais extremos. Até cheguei a testá-lo para as baquetas do “A.R” em 2001, mas acabou não funcionando. Naquela ocasião, ele tinha me mostrado a demo “Maldição”, que eu passei para CD. Isto ficou guardado até 2008, quando o Metalmorphose voltou à ativa com outra formação. Encontrei o Bighinzoli (André) e entre um uísque e outro, acabamos conversando sobre eu masterizar os relançamentos em CD, o que já me deixou muito feliz pois eu curto bastante o som deles. Continuei em contato e ajudando na distribuição dos CDs. O Metalmorphose sempre foi uma banda de 2 guitarras, as músicas foram compostas e arranjadas para 2 guitarras. Então agora no início de 2010, quando precisaram de um guitarrista, eles me chamaram, mas eu não me achava à altura. Depois de uma certa insistência deles (ainda bem!) e sabendo que teria o Felippe para segurar nos solos, fizemos um teste, e, pelo visto, agradei! Agora, acabo de mixar também o álbum ao vivo, gravado em 2009, para lançamento em breve!
P.Z: O que representa pra você estar tocando com uma banda pioneira no Metal brasileiro?
É um sonho, eu nem poderia imaginar. O “Ultimatum” foi um dos discos que mais teve impacto na minha formação. Eu me lembro de ter em 1985 uma fita com “At With Satan” do “Venom” de um lado e o “Ultimatum” do outro. O disco já era raro na época, só um cara no meu colégio tinha, mas acabei arrumando uma cópia depois. Aquilo era a prova, muitos anos antes, de que era possível fazer som pesado no Brasil. E o aspecto de feito à mão, conferia ainda mais o aspecto de um seleto grupo que tinha acesso. Curiosamente, eu só fui ter contato com o som do “Stress” depois de muito ouvir o “Ultimatum”.
P.Z: Como tem sido a reação dos fãs, tanto do “Apokalyptic Raids” quanto do “Metalmorphose”?
Ainda está recente, como eu disse, alguns meses, mas o pessoal fã do “A.R” em geral curte também o “Metalmorphose”, assim é Metal em dobro!
P.Z: Você tem planos elaborados pra sua atuação ao lado do André (Bighinzoli)?
Sim! Claro que a gente sempre imprime nossa marca. Mas em vez de impor meu estilo e sonoridade característicos do “A.R”, meu objetivo é tocar no “Metalmorphose” como a banda era na época. Tenho feito um grande esforço do ponto de vista técnico e estilístico para me adequar ao “Metalmorphose”, eu que nunca toquei com 2 guitarras. Não existe um manual de instruções para essas coisas! Por outro lado, eu sempre fui um grande fã de “Manowar”, “Accept”, “Purple” e principalmente da pegada do Tony Iommi, mas nunca tive muita oportunidade de dar vazão. Até fiz algumas músicas no limite do Heavy Épico/Doom no “A.R”, e no que couber continuarei fazendo, mas o “Metalmorphose” é certamente uma nova dimensão pra mim. Os ensaios tem sido intensos para fazer cada detalhe dos arranjos soarem como devem. Quanto aos palcos, eu pretendo usar um visual não muito diferente do que eu uso no “A.R”, só que menos carregado.
P.Z: Eu presumo que você deva estar bem inspirado pra colaborar com suas idéias em futuras composições. Qual contribuição musical você acha que pode acrescentar a banda?
Primeiro, estou estudando o repertório existente, incluindo músicas inéditas como “Luta” e “Rock’n Roll no Inferno”. São muitas fases, e estou absorvendo o estilo “Metalmorphose” de compor. Na verdade, o estou devorando! Creio que em breve vão surgir contribuições minhas. Os planos são para um disco de inéditas em breve…
P.Z: Qual disco e fase do “Metalmorphose” você mais gosta? O que te chama mais atenção na banda?
O “Ultimatum” tem composições fáceis, é espontâneo, o “Maldição” mostra mais peso e composições mais bem pensadas, e é o maior desafio para mim agora do lado de cá das 6 cordas… Fico no meio dos 2 em preferência. Mas tenho curtido muito tocar “Correntes” também. Quando você desconta o histórico de roupas a lá “glam californiano”, o que sobra é uma ótima música com riffs matadores, como todo o repertório do “Metalmorphose”. É isso que mais me chama atenção, a qualidade das composições e dos músicos.
P.Z: Você sairá junto com a banda no documentário “Brasil Heavy Metal”?
Acredito que o material já estava gravado quando eu entrei.
P.Z: Valeu aí Mansur. Sucesso nessa jornada. Deixe uma mensagem pra todos que acompanham seu trabalho.
Obrigado pelo espaço! Fiquem ligados no trabalho do “Metalmorphose”, o disco ao vivo está matador !!! E vamos pra estrada em breve!!!
Acessem o myspace da banda, confiram músicas, vídeos, novidades e contato:
     Metalmorphose no Calabouço (2010)
Época do “Ultimatum”

 

Corpse Grinder: A luta do verdadeiro Death metal!!

Por Écio Souza Diniz
O Death metal em Minas, sempre foi um estilo bastante difundido, apresentando bandas de grande importância para o estilo, que executam esse tipo de som de forma autêntica e muitas vezes com características bem singulares. Algumas encerraram suas atividades, outras retornaram e outras estão aí desde o início, no final dos anos 80, quando o estilo ganhava mais força e passava por mudanças, sobretudo no peso. Aqui no Sul de Minas, uma das bandas que podem disfrutar do reconhecimento de estarem a mais de 20 anos na ativa, como perseverantes do Underground brasileiro, são os caras do Corpse Grinder, de Machado-MG. Para nos falar a respeito da carreira da banda, os lançamentos mais recentes, entre outras coisas, chamamos o guitarrista/vocalista Junior, que nos fala tudo de forma aberta e limpa.
 
Pólvora Zine: E aí Junior, como vai? Vamos começar falando sobre o último álbum de estúdio da banda, “Hail to death metal legion” (2007), sendo uma verdadeira saudação à legião do Death metal e teve também boas críticas em revistas especializadas em metal, como a Roadie Crew. Como tem sido o saldo deste trabalho: a recepção dos bangers, shows, divulgação?
 
Junior: Tem sido excelente em todos zines, revistas e websites e grande parte dos headbangers que compraram o “Hail to Death Metal Legion” pelo correio ou em nossos shows, escrevem dizendo que gostaram, qual foi a música que mais gostou e isto é muito gratificante, ver nosso trabalho, que é uma humilde homenagem de uma banda underground as legiões Death Metal de todo o mundo, que são os fãs, as bandas, selos e zines, ser reconhecido entre seguidores do Old School Death Metal de todo Brasil e até do exterior.
 
P.Z: “Hail to the death metal legion” mostra a banda em uma de suas melhores formas, com elementos que remete a banda em seus dois primeiros discos, com uma notável evolução nas composições, que são muito bem elaboradas, podendo compará-lo a clássicos como, “Persistence (2001)”. Este foi um processo natural alcançado ao longo de todos esses anos ou foi algo intencional mesmo?
 
Junior: Com certeza a evolução nas composições foi algo alcançado naturalmente, com muita luta e dedicação ao longo de nossa carreira. A nossa intenção é sempre melhorar as composições, sempre evoluir, mas sempre tocando o verdadeiro Death Metal. Eu digo evoluir em termos de técnica, produção, mas sem deixar de ser pesado e sempre tocar Death Metal puro e simples como nos anos 80. Isto é ser uma verdadeira banda de Old School Death Metal, que nunca se importa com qual estilo esta sendo mais divulgado na mídia especializada e nunca absorve essas modas que surgem na mídia, que alguns críticos dizem que é o futuro ou a evolução do metal. Eu acho que para o Metal verdadeiro não existe evolução, porque já é uma coisa perfeita e o Metal verdadeiro para mim é um só, Metal é “Old” não é “new”!!!
 
P.Z: Algo interessante que vejo e interpreto quando ouço o Hail… é que ele segue cru até quase que a metade do set list e vai crescendo em técnica e densidade dali para frente, com composições até meio cadenciadas. Isto pode ser visto ao comparar-se músicas como I despise the human hate (que abre o disco) e Sinister winged minstrel com a faixa-título e Deceivers of the faith. Qual foi o propósito de se fazer um álbum com esses dois contrastes? Vocês quiseram mostrar o estilo em sua forma mais primitiva contraposto com a mais elaborada?
 
Junior: Não teve propósito nenhum, nós simplesmente escolhemos a ordem das músicas sem escolher qual é mais elaborada ou mais primitiva. Você fez uma observação interessante, mas foi simples coincidência as músicas mais cruas e diretas ficarem no início do álbum e as mais elaboradas mais para o final.
 
 
PZ: Agora falando do lançamento mais recente, o “DVD 20 years grinding corpses”, além ter comemorado os 20 anos da banda e ser um importante registro, foi também um bom presente aos seus fãs. Fale mais aos Headbangers sobre este DVD: o que o compõe, de que forma foi lançado, como adiquiri-lo… E como o tem sido o interesse do público underground em adquirir este material?
 
Junior: Este é um material duplo com um DVD e um CD. O DVD tem como show principal um show que fizemos no Hammer Rock Bar em Campinas-SP em Novembro de 2007, tem como bônus um show em Cuiabá-MT, no Cavernas Bar em Abril de 2008, tem dois clips das músicas “Sinister Winged Minstrel” e “Imminent War”, Tem shows antigos, sendo uma música de cada, em Passos-MG 1994, Rio de Janeiro 1998, Ribeirão Preto-SP 2001, Taguatinga-DF 2002, galeria de fotos e discografia. O CD é composto por músicas antigas re-gravadas, sendo uma de cada demo e de cada cd lançado e encerra com dois covers do Death – “Baptized in Blood” e Massacre – “Cryptic Realms”. Este material também foi lançado pela Kill Again Records e para adquiri-lo é só escrever para nós por carta ou e-mail (c_grinder@bol.com.br), que enviamos para qualquer parte do Brasil, o preço é 25,00 já incluindo despesas de correio, portanto um preço bem barato em se tratando de um material duplo, original e com encarte de 12 páginas com fotos da banda e dos lançamentos de cada época. O público underground tem se interessado bastante em adquirir este material, pois os DVD/CD’s que tenho comigo para venda já estão esgotando e na Kill Again Records as vendas também estão surpreendendo. Eu acredito que isto é devido a ser um material com uma apresentação e produção excelentes e isto está ajudando bastante. Até agora as críticas nos zines, revistas, websites e de headbangers que compraram tem sido muito boas.
 
P.Z: Vocês realizaram ótimos shows, ao longo dos anos, principalmente aqui no Sul de nosso Estado, incluindo o último que fizeram aqui em Lavras, que pude presenciar. Você pode citar um show memorável para a banda?
 
Junior: Felizmente nós fizemos muitos shows bons no Sul de Minas e em outros estados e fica até difícil de citar só um. Um show que foi muito importante para nós foi em Brasília (Taguatinga, 2002), quando abrimos o show do Vader e Chakal, o público estava muito bom, muito animal e foi inesquecível ver o público gritar nosso nome praticamente na mesma intensidade que o nome da banda principal.
Os shows que fizemos em Lavras também foram muito bons, principalmente os que rolaram no Karambas bar. Nós sempre tivemos muita amizade aí em sua cidade e toda vez que íamos tocar aí nos sentíamos em casa. Mande um abraço para o Tilú, Caíto, Adriano, Geo, Kal, Junior, Beto, Jorge, Vandinho, Digão, Alessandro e toda galera banger daí de Lavras.
 
P.Z: Também já tocaram com bandas importantes da região, como o Human Hate (Lavras-MG) e Decerebration (Três Pontas-MG), que ainda estão na ativa. Como é dividir o palco com bandas como o Human Hate, que retornou ano passado e estão aí na luta? Qual importância você enxerga no retorno de bandas que deram sua contribuição verdadeira ao Metal?
 
Junior: Eu acho muito legal ver grandes bandas do underground sul mineiro, que junto com nós ajudaram a fazer a história do movimento Metal Underground em nossa região estarem de volta. Na verdade eu acho que essas bandas nunca deveriam ter parado, mas cada um tem suas dificuldades e problemas particulares, que os obrigam a encerrar as atividades e não cabe a ninguém ficar julgando porque pararam, cada um sabe da sua vida. Mas o importante é que estão aí de volta ajudando a fortalecer a cena da região e seria um grande prazer para nós tocarmos com o Human Hate e Descerebration novamente, tomarmos muita cerveja e lembrarmos dos velhos tempos.
 
P.Z: Falando em Metal como um todo, como você enxerga a Cena atual, visto que em muitos aspectos falta de honestidade em várias coisas que são feitas hoje? Em contrapeso a isto, há também, o surgimento e reaparecimento de Bangers que seguem as linhas Oldschool do metal, devido a ascensão que este movimento está tendo novamente. Será que este “retorno as raízes” pode contribuir pra restabelecer bons moldes à cena nacional?
 
Junior: Eu acho muito melhor ver novos bangers surgirem interessados pelo Metal raiz do que se todos caras mais jovens fossem somente tudo um bando de emos viadinhos ou new merdas alternativos. Muitos caras das antigas que estão à muito tempo na cena discriminam a molecada que usam coletes jeans novos cheio de patches e se interessam pelo metal old school, mas eu acho isso uma ignorância, porque quem gosta realmente do metal raiz nunca quer vê-lo em extinção e para que isso não aconteça tem que sempre estar surgindo novos fãs para ajudar a eternizar o verdadeiro metal. Eu nunca quis ver o metal como um estilo popular, isso não tem nada haver com o underground, mas a necessidade de novos fãs é indispensável para as bandas continuarem a fazer shows, gravarem novos álbuns, os selos contratarem novas bandas, as revistas, zines e websites estarem sempre na ativa e assim o metal sobreviver.
 
P.Z: Já fazem mais de 20 anos que o Corpse Grinder está na estrada, com um início bastante cru e agressivo, como nas demos “Necropsy (1990)”, a que mais curto, e “Peace (1991)”, o caminho no cenário underground foi aberto, chegando a patamares superiores com os álbuns “Persistence (2001)” e “Celebration of hate (2003)”. Como é o reconhecimento e qual a maior vitória para a banda após todo este tempo percorrido? O que você acha do atual momento vivido pela banda?
 
Junior: O momento atual está muito bom, estamos com um novo baterista chamado Kleber, que já está a mais de um ano na banda, estamos ensaiando e compondo novas músicas para o próximo álbum e iremos para o estúdio no segundo semestre deste ano. Legal saber que você gosta da “Necropsy” nós regrávamos a música título desta demo no CD do nosso ultimo material “20 Years Grinding Corpses”. É muito bom ter o reconhecimento das pessoas que valorizam o Metal, principalmente para nós que estamos lutando por isso a mais de 20 anos, porque reconhecimento é a única coisa que uma banda de Death Metal Underground nacional pode esperar, porque se existe alguém que toca em alguma banda de Death Metal no Brasil, esperando ganhar dinheiro esta no lugar errado e viajando totalmente. Nos shows até hoje as pessoas pedem músicas do “Persistence”, do “Celebration of Hate” e até das demos. No show em Cuiabá fomos para tocar 12 músicas e acabamos tocando 19, porque o público não deixava a gente parar e na ultima música pediram para tocar “Shadows Land”  de novo e eu anunciei como “Shadows Land Again”,isto é um grande exemplo de reconhecimento, que nos faz continuar sempre firmes em nossa luta no Underground.
 
P.Z: A banda só veio a lançar o primeiro álbum, “Death or glory” em 1996, quais foram os maiores caminhos percorridos até esse momento? E o lançamento do ótimo ao vivo, “Underground Celebration live (2003)”, qual a importância este disco tem pra vocês? A propósito, qual o melhor disco da banda segundo sua visão? Qual diferencial ele tem que te agrada?
 
Junior: Cada lançamento foi muito importante para nós na época que foram lançados, porque nós fizemos o melhor possível, o que estava ao nosso alcance. Até chegar no Death or Glory, nós lançamos 4 demos oficiais e sonhávamos um dia lançar um 7 EP e ou até um LP e resolvemos enviar a demo 94 para Heavy Metal Rock, para ver se seríamos escolhidos para participar do “Death or Glory vol.2” e fomos escolhidos e logo em seguida fomos gravar em São Paulo, em Março de 1995, e logo enviamos o material para o selo, só que o lançamento saiu somente em Agosto de 1996 e durante este tempo de espera enfrentamos muitas críticas e gozações aqui em nossa cidade, porque ninguém aqui da região do Sul de Minas havia gravado CD ainda, nem de estilos comerciais como sertanejo ou samba, então a maioria das pessoas achavam que era mentira. Quanto ao cd demo ao vivo “Underground Celebration live 2003” foi gravado em um dos primeiros shows que fizemos para divulgar o “Celebration of hate” aqui em Machado, e teve uma excelente divulgação na época porque foi distribuído grátis anexo ao zine Metal Blood, que é o zine do nosso selo Kill Again records e foi de grande importância para a divulgação do Corpse Grinder na época.
O melhor disco de músicas inéditas na minha opinião é o “Hail to Death Metal Legion”, mas eu prefiro o CD de músicas re-gravadas que saiu junto com o DVD do nosso novo material, porque nele estão as principais músicas da nossa carreira, com a produção atual, bem superior as originais, aliada a nossa técnica que melhorou bastante, então é como se eu voltasse no tempo para poder refazer as músicas que mais gostava e colocar todas em um só álbum, por isso o CD do “20 Years Grinding Corpses” é o meu preferido.   
 
P.Z: Valeu aí pela entrevista Júnior, sucesso e persistência pra vocês. Para encerrar, fale sobre os planos futuros da banda. O que podemos esperar? Algo em especial para este ano?
 
Junior: Nossa prioridade no momento é terminar a ultima música que fará parte do próximo CD, que como já disse, iremos gravar no segundo semestre deste ano e ensaiar bastante para os próximos shows, para poder mostrar o melhor de nosso som aos verdadeiros headbangers. Um novo álbum este ano será difícil, mas podem esperar muito Death Metal Ortodoxo nos próximos shows, feito de headbanger para headbanger! Valeu pela oportunidade desta entrevista!  
 
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Apokalyptic Raids – O Apocalipse no death metal

Por Écio Souza Diniz

 

 

Atualmente, o metal extremo têm sofrido bastante com a falta de originalidade, o que está constatado principalmente no Death metal. Estilo este, no qual muitas bandas se focam no peso e virtuosismo, deixando carecer o feeling que nos faz ter nas veias, a sede e vontade de agitar em um mosh apocalíptico e bater cabeça.

Com a proposta de manter vivo e resgatar o vigor, forma orgânica e sonoridade soturna e agressiva do Death metal primordial dos anos 80, a banda carioca Apokalyptic Raids vem se destacando na cena underground dentro e fora do país, conquistando leais seguidores. Falando conosco sobre os 12 anos de estrada da banda, a cena atual do metal e o lançamento do quarto disco da banda, Vol.4-Phonocopia, temos o vocalista/guitarrista e líder, Leon Mansur, “Necromaniac”.

Pólvora Zine: Olá Mansur, como vai? Gostaria de começar, perguntando como você visualiza o atual momento do Death metal e do Metal em geral?

Leon Mansur: Hell-o! Estamos ainda numa indefinição… Os headbangers dos anos 80 agora estão com seus 40 anos, ouvindo classic rock, metal e tudo mais. A geração dos anos 90 fez muita produção, mas falhou em nos dar algo de original, com a técnica sendo colocada em primeiro plano. A geração dos anos 2000 tem muita informação nas mãos, mas ainda não tem maturidade para apresentar um conteúdo interessante. Então, vamos ter que esperar pra ver o que vem por aí. Nossa parte garanto que estamos fazendo!

P.Z: Agora, falando sobre a banda, vocês completam neste ano, 10 anos do lançamento do clássico debut “ONLY DEATH IS REAL”. Há preparação de algo especial para comemorar esta primeira década do referido álbum?

Mansur: Sim e não… O que há de especial para comemorar é lançar mais um álbum, o nosso quarto, mais alguns split eps, incluindo regravações do Only Death is Real e esperamos superar os anteriores e cair na estrada!

P.Z: Já algum tempo, vocês selaram contrato com a gravadora americana HELL’S HEADBANGER, que fará reprensagem dos albums da banda em LP (hoje todos esgotados). Como tem sido esta parceria?

Mansur: Ainda não terminamos os layouts dos relançamentos, pois estamos dando prioridade ao disco novo, mas sim, a Hell’s Headbangers é muito respeitada e temos contato com eles há muitos anos. Portanto, creio que teremos a devida exposição destes relançamentos.

P.Z: Ainda me lembro que no início das atividades com o primeiro disco, muitos radicais ignorantes acusaram a banda de falta de originalidade e estar fazendo o que já fora feito. O que ao contrário do dito, há muitas particularidades e coisas originais na sonoridade da banda, que podem ser notadas nas letras (exemplo de Angels of hell), solos harmoniosos e bem trabalhados e uma bateria com muitas variações. De que forma você reagia respondia a todas essas acusações?

Mansur: Bom, agora já passados 10 anos, se é que algum destes críticos ainda curte som, continuamos firmes em nossa proposta. Fazer o que já foi feito, mesmo, é o que 99% das bandas de metal extremo fazem. Nós continuamos (de uma maneira até bem original, como mostramos no terceiro álbum) uma proposta que não foi desenvolvida o suficiente, pois tudo foi americanizado e atropelado pela técnica no fim dos anos 80. Ninguém é obrigado a gostar ou aprovar, mas ouçam antes de julgar.

P.Z: Querendo realmente manter o espírito oitentista do metal, vocês lançaram o segundo álbum da banda (The return of the satanic rites) em cassete pela gravadora Polonesa TIME BEFORE TIME. Também consolidaram contrato com a gravadora DARK SUN. Como tem sido trabalhar com eles? E quanto Time Before time, a parceria ainda se mantem?

Mansur: Não, a Dark Sun é página virada. Não podemos trabalhar com quem não é profissional e não cumpre prazos, nem dá uma satisfação, pois isso nos causa grandes prejuízos… Quanto a Time Before Time, a parceria foi apenas para aquele lançamento. Eu até tenho os layouts prontos dos demais álbuns em tape, mas ultimamente tem sido difícil achar tapes para comprar. Eu não sou particularmente fã do formato tape, mas se puder faremos o lançamento.

P.Z: A banda contou com a presença do jovem baterista Pedro Rocha “Skullkrusher”, da excelente banda de Trash metal, FARSCAPE, que foi substituído por Márcio Cativeiro “Slaughterer” (Cadaveric impregnation, Internal bleed), que ainda permanece na banda. Apesar do ótimo trabalho que o Pedro fez no 2º álbum e o 3° (The third storm-World war III) em músicas como Ready to go (To hell), Skullkrusher e Manifesto politicamente incorreto. Como foi trabalhar com ele? E como o Márcio (Cativeiro) tem se saído com a banda?

Mansur: O Pedro deu uma verdadeira injeção de ânimo na banda, durante um período crítico da nossa passagem para uma atividade mais profissional. O afastamento dele se deu por problemas familiares, de saúde, e começamos a treinar o Márcio para assumir o posto. Eu sempre faço questão de ter um ambiente de trabalho saudável na banda, e isto inclui levar em conta o lado humano dos integrantes. Não foi fácil, o Pedro é um excelente baterista, e o Márcio tem um estilo diferente, com bumbos mais pesados, e não estava acostumado aos nossos andamentos. Mas hoje, 2 anos e meio depois, posso dizer que o Márcio está tão integrado ao nosso som, que nem parece que passamos por mudanças tão estruturais. Já há quem diga que estamos melhores que antes. Ele está se mostrando um cara versátil, adequado ao nosso som, e está atingindo uma maturidade até para compor e quem sabe cantar algum som na banda.

P.Z: Vocês vêm realizando shows para públicos cada vez maiores, com cerca de 3.000 pessoas para mais. Também abriram shows de bandas respeitadas como Possessed (em 2008) e Onslaught (em 2009). O quanto esta exposição da banda a tem ajudado a conquistar novos e maiores públicos?

Mansur: Na verdade, 3.000 pessoas foi o recorde, no dia a dia pode ser bem menos. A diferença é que depois de todos esses anos, os shows estão mais freqüentes. E sim, precisamos nos manter tocando porque sempre aparecem novas gerações de headbangers e temos que estar presentes. Em que pese o fato de que com a crise do CD, o mercado tem se voltado cada vez mais para os shows, causando um congestionamento nos palcos, e fatos esdrúxulos como bandas que pagam pra tocar.

P.Z: Houve também a produção dos Show da volta do Vulcano e Chakal, como foi o processo para realização deste importante evento?

Mansur: Eu tinha contato com o pessoal do Chakal, desde os anos 80 quando eu acompanhei a banda de perto. Também acompanhava o Vulcano, mas o contato apareceu através de um amigo de uma banda norueguesa que tinha o e-mail do Zhema. Assim, conseguimos costurar um acordo que nos proporcionou aquele evento histórico, alugamos o som e o local e fizemos acontecer.

P.Z: O Only death is real, fora o principio de tudo, cativando os ouvintes por sua sonoridade crua e agressiva, visto também os demais álbuns e conseqüente evolução de lá pra cá. Qual você julga ser o melhor e mais completo álbum da banda, no sentido de elementos que você gosta de acrescentar a música?

Mansur: Eu não curto muito o Only Death is Real porque tem algumas coisas muito falhas na produção dele. Tem bateria desencontrada, vocais mal colocados e toda a nossa imaturidade na época. O disco que eu mais curto é o The Third Storm, porque ali a banda estava bem redonda. Tenho orgulho da nossa performance naquele álbum. Incidentalmente, ele é o mais variado, por uma necessidade de expandir o estilo mantendo a sonoridade. O segundo disco, The Return Of The Satanic Rites é um álbum de transição, muito importante, porque contém as 2 músicas que foram compostas para a banda propriamente dita , e não composições antigas: Ready To Go To Hell e Voyeur. Quanto à produção, ele se situa no meio do caminho entre o 1º. e o 3º. álbuns, mas eu creio que mais para o 3°. Eu curto acrescentar alguns efeitos sonoros que deixem o álbum com uma certa cara de filme de horror.

P.Z: Quando sairá o novo álbum “Vol.4-Phonocopia” e o que podemos esperar encontrar nele?

Mansur: O novo álbum já está gravado, mas atrasou devido a alguns problemas que tivemos pelo meio do caminho. Estamos no layout da capa e masterização, e queremos lançar o mais rápido possível. Este disco está mais direto do que o The Third Storm e agressivo como o Only Death is Real, mas com um know how que demoramos estes 10 anos pra atingir. Tomamos mais cuidado do que nunca na composição, e temos tocado os sons ao vivo, e o público tem aprovado.

P.Z:Para finalizar. Quero que nos fale qual é gratificação depois de 12 anos na estrada (oficialmente) e o que está por vir neste ano, além é claro do novo álbum?

Mansur: Como eu disse, temos esses splits pra sair, além do álbum novo, e no mais é pegar a estrada e tocar no maior número possível de lugares. Nossa maior recompensa é ver no olhar dos headbangers a cumplicidade numa música que, muito mais do que entretenimento fácil, é arte, e um reflexo do nosso modo de vida e contribuição pra construção de um ser humano que valha a pena.

Vejam nosso novo site em www.apokalypticraids.com

Valeu!

PZ: Bem, obrigado pela entrevista Mansur. Sucesso pra vocês.

 

 

GENOCIDIO – Mais sólido do que nunca!

Por Écio Souza Diniz
O metal nacional sempre foi composto de muito pioneirismo, ousadia e luta. Através disso, várias de nossas bandas ganharam espaço, tornando-se muitas vezes referências de seu estilo mundo afora. Dentre estas, está a banda paulista Genocídio. Calcada em uma sonoridade crua, rápida e agressiva nos seus primórdios com elementos do Black metal, Trash e Hardcore, passando por uma constante inovação em sua sonoridade, conquistando leais fãs até os dias de hoje. Após períodos de interrupção de suas atividades por problemas internos, entre outros, estão agora na ativa, mais fortes e ousados do que nunca, divulgando seu recente trabalho, o album “Probations”, gravado ao vivo no Blackmore Rock Bar, em São Paulo e realizando os processos finais para o lançamento do novo album de estúdios, “The clan”. Convidamos o baixista W. Perna, para nos falar sobre o atual momento da banda, o novo trabalho e um pouco de sua história.
Pólvora zine: E aí Perna, como vai? Recentemente o Genocídio divulga o CD e DVD ao vivo “Probations”, que traz além das músicas, uma entrevista. Como vem sendo o saldo deste trabalho?
W. Perna: Tudo tranquilo! O saldo é positivo, apesar de ter pouca divulgação e ser um trabalho “artesanal”, pois toda a parte de edição e a entrevista foi feita na minha casa. O DVD tinha sido projetado para sair alguns anos antes, mas infelizmente o acidente que sofri atrasou o projeto (Perna sofreu um acidente na escada rolante do complexo Galeria do Rock, em São Paulo, que lhe custou a perda de um dedo da mão).
P.Z: Em 2007, vocês disponibilizaram o EP ao vivo, “Hiatus”, para download com objetivo de promover “Probations”. Como foi a repercussão para este EP?
Perna: Foi bem melhor do que esperávamos, pois em uma semana tivemos mais de 1.000 downloads.
P.Z: Uma característica peculiar do Genocídio, está na transição de uma sonoridade mais crua e agressiva nos primórdios da banda, para sonoridades com grandes evoluções e inovações, como pode ser ouvido nos álbuns “Phostumus” e “One of them”. Depois houve o retorno as raízes da banda em “Rebellion”. De que forma você pode explicar tantos estágios diferentes alcançados ao longo dos anos? Seria em partes, devido às influências trazidas pelos músicos que passaram pela banda?
Perna: As influências que cercam a banda são bem variadas e procuramos fazer o que é melhor para se encaixar na formação, no “Rebellion” voltamos a ser um trio e seria difícil criar climas ao vivo com uma guitarra.
P.Z: Dentre as reformulações que houveram na banda, qual o melhor formato da banda para você? Power trio ou outros formatos?
Perna: Quarteto sempre será a melhor opção, principalmente ao vivo… mas fizemos muitas cosias boas como trio.
P.Z: Muitos já chegaram a apelidar o Genocídio de “Paradise Lost brasileiro”. O motivo se deve a presença de elementos do Gótico e Doom, combinados com Hardcore, como ocorre em “One of them” e um som denso e com variadas atmosferas como “Phostumus”. Particularmente quando ouço, “Phostumus”, por exemplo, vejo muita inflência de Paradise, mas também vejo um pouco de Candlemass. Qual dessas bandas tiveram mais influência sobre você?
Perna: Na época que gravamos o “Posthumous”, não tinha nehuma banda brasileira fazendo musica pesada, usando vocal feminino, violino, talvez seja esse o motivo. Particularmente sou grande fã do Paradise Lost, Anathema, My Dying Bride, são algumas influências da banda.
P.Z: Eu vejo como característica própria da banda, além de sua sonoridade, letras bastante originais e uma grande alusão do homem em relação a máquina, que pode ser vista na estética do site oficial da banda também? Esta alusão denota uma mensagem da banda para ou ouvinte. Para os que ainda não conseguiram captá-la em sua essência, você poderia esclarecê-la?
Perna: A banda teve duas fases de letras e agora com o “The Clan” será a terceira fase. A primeira foi com Juma, depois eu e o Marcão e agora no The Clan o Murillo assumiu a parte das letras. As idéias basicamente questionam se a evolução humana teve uma intervenção tanto na forma espiritual como tecnológica por outros seres.
P.Z: O Genocídio foi a primeira banda Brasileira a realizar um lançamento em Picture Disc, fato ocorrido em 1991, no relançamento do primeiro e excelente Ep da banda (auto-intitulado apenas como Genocídio). Qual importância tal feito representou e ainda representa para a banda?
Perna: Foi muito importante na época e continua sendo, pois mesmo hoje são pouquíssimas bandas que tiveram um Picture Disc em sua coleção.
P.Z: A banda atingiu intensa notoriedade através da exposição dos clipes de “Depression” (do Clássico álbum omonímo) e “Up roar” (do pesado Hoctaedrom). Esta última, além de grande freqüência nas rádios da época, teve seu clipe lançado como bonus. O quanto este feito ajudou na divulgação da banda?
Perna: Na época a mídia estava mais aberta para o estilo, era uma oportunidade de levar a música do Genocídio para outras pessoas. Tudo isso foi muito positivo para a banda na época e continua sendo.
P.Z: O que representou a saída de Marcão para a banda? Quais foram as maiores contribuições dele para banda? Como é o trabalho com Murillo (Vocal)?
Perna: Depois de um certo tempo tocando junto, os integrantes precisam estar pensando igual, como um só ideal, quando isso não acontece fica difícil um relacionamento, mas todas as formações tiveram sua importância.
P.Z: Quando você olha para trás e vê uma banda que você faz parte fundamentalmente, que lançou álbuns clássicos, como o indiscutível “Depression”, o pesado “Hoctaedrom” e o rápido e direto “Rebellion”, qual a sua maior gratificação e os melhores e piores momentos da banda?
Perna: Acho que a maior gratificação é continuarmos fazendo shows e ver a galera indo nos shows, cantando as músicas, isso não tem preço, já que nesses anos vimos muitas bandas querendo comprar o sucesso como o PUS e o Scars e não chegaram a lugar nenhum.
P.Z: Vocês colocaram no myspace da banda uma música do novo álbum de estúdio (The clan), “Transatlantic catharsis”, que é uma música pesada e com riffs muito bem trabalhados, além de um vocal bem denso, o que podemos ver no todo do álbum? Para quando podemos esperar o lançamento de “The clan”?
Perna: O álbum já está pronto, estamos agora acertando detalhes com a gravadora, esperamos que até abril o CD esteja pronto. Musicalmente o CD vai surpreender muita gente, pois as musicas são um reflexo de todos os discos do Genocídio com uma qualidade sonora nunca alcançada pela banda.
P.Z: Obrigado pela entrevista Perna. Para finalizar, além do novo álbum, quais os projetos do Genocídio para este ano?
Perna: Queremos apenas lançar o CD e fazer muitos shows, nada mais… Obrigado pelo apoio!
Pra conferir mais notícias sobre a banda acesse: www.genocidio.com.br

Acesse também o myspace oficial da banda:

Human hate – O grande retorno!!!

Por Écio Souza Diniz
O Estado de Minas Gerais, leva o mérito de ter sido um dos grandes berços do metal brasileiro, apresentando bandas que ficaram marcadas pra sempre na cena, inclusive algumas que estão até hoje na ativa. Bandas como Chakal, Sextrash, Sarcófago, Sepultura, Mutilator e Overdose, são apenas alguns exemplos do que estou falando.
Entre essas bandas de grande importância e que ainda contribuem para a formação das novas gerações do metal, sobretudo do Trash metal, está o Human Hate. Formada no final da década de 80 e expandindo seu público, tocando com bandas como Dorsal Atlântica, o Human Hate está aí novamente na ativa, mais sólido e perseverante do que nunca. Para nos falar sobre o atual momento vivido pela banda, o lançamento de novas Demos, o lançamento do primeiro álbum em CD e o projeto para um novo disco, chamamos o vocalista Kal, para nos esclarecer melhor todas essas coisas.
 
Pólvora zine: E aí Kal, como vai? Já são anos de estrada que fizeram com que o Human Hate deixasse sua marca na história do Trash metal. Para começar, gostaria que nos falasse como começou o Human Hate e quais as dificuldades enfrentadas naquela época para se efetivar como banda, inclusive até chegar ao primeiro disco?
 
Kal: O Human Hate começou com o Geo, Tilú e o Cureba em meados de 1988, quando foi gravada uma demo com o Geo nos vocais. Devido a desentendimentos o Tilú e Cureba saíram e formaram o Expulser. Foi nessa época que o Moíses da Hellion teve acesso a demo e entrou em contato para um possível contrato, foi então que o Geo reuniu a formação que gravaria o disco, inclusive o Moisés estranhou e questionou o fato da mudança dos vocais porque o Geo teve que tocar guitarra, quando ele ouviu o novo vocal calou-se. Outro detalhe: a música “Putrefacion” que nós temos que tocar em todo lugar que vamos, foi criada as pressas para preencher espaço no disco.
 
P.Z: No lançamento do debut “Los in the abyss”, vocês abriram para ninguém menos que Dorsal Atlântica no Dynamo Festival. Qual importância este show teve para abrir caminhos para o Human Hate?
 
KAL: Para quem está iniciando uma oportunidade de tocar com uma banda de renome como o Dorsal é muito importante, ótima divulgação e nós fizemos um trabalho legal, pois o nome do Human Hate é conhecido em SP devido a esse show.
 
P.Z: A banda foi fundada por você e seus dois irmãos, Geo (guitarra) e Junior (Bateria), com o time sendo completado por D.R.I (baixo), mas tão logo ao lançamento do álbum de estréia o Junior deixou a banda. O que está perda representou para vocês?
 
KAL: A saída do Júnior foi uma perda pra nós, além de ser irmão, ele possui uma técnica apurada que se tornou uma das características do Human Hate, nós o substituímos mais sem dúvida a banda perdeu um pouco sua identidade.
 
P.Z: O “Lost in the abyss” é um álbum forte, calcado nas linhas de um Trash bem riffado, com viradas rápidas e variadas de bateria, baixo estralado e vocal ácido e odioso. Ou seja, é uma sonoridade bem orgânica e repleta de feeling, a qual faz agitar moshs e bater cabeça. Qual foi o caminhado seguido para se obter uma unidade tão intrínseca, como esta que compõe o álbum?
 
KAL: Vocal ácido e odioso? Gostei disso rsrsrsrsrsr. O caminho é tocar o que gostamos e queremos, sem nos preocuparmos muito com rótulos. Chegamos, temos as idéias, fazemos os arranjos, todos da banda gostaram? Então vamos em frente.
 
P.Z: Vocês tiveram vários períodos de interrupção das atividades. Qual deles foi o mais difícil e extenso? E quais as maiores barreiras encontradas ao longo dos anos?
 
KAL: O maior deles foi o último, ficamos de 2003 quando tocamos em Alfenas até 2009 sem tocar, foram várias barreiras durante todos esses anos, como por exemplo, os locais de ensaios, os vizinhos sempre odiavam, quase sempre tinha polícia rsrsrs.
 
P.Z: O retorno de vocês em 2009, ocorreu com elementos surpresa na banda, que foram a presença de uma segunda guitarra, ocupada por Beto (ex-Suicide) e o baixista Donieverton (ex-Tribal Roots, Hellseeker e outros) no lugar de D.R.I. Como está sendo trabalhar com esses músicos, inclusive o Beto, que também vem Trash old school dos anos 80? Quais contribuições, musicalmente falando ambos trouxeram para a banda?
 
KAL: Na verdade o Beto já está com a gente há muito tempo, ele entrou na banda quando houve uma espécie de fusão do Human Hate e Suicide, foi quando entrou o Beto e o Renam (suicide) e eu e o Geo. O Renam ficou pouco tempo, houve então o retorno do Júnior que estava morando em S.P. Quanto ao Donieverton, ele faz parte de uma geração que cresceu ouvindo a gente, a entrada dele trouxe dinamismo e qualidade.
 
P.Z: Recentemente vocês estão distribuindo em shows, a demo “Rehersal Back” que contém cinco músicas novas. Como vem sendo a repercussão da banda através disso?
 
KAL: A melhor possível, eu diria até surpreendente. O pessoal tem curtido bastante.
 
P.Z: As músicas novas tem muita garra e energia e além de uma evolução notada na sonoridade, a banda manteve sua essência sem soar enjoativo (algo que não são todas as bandas que voltam fazem). Como vocês conseguiram alcançar e trabalhar este equilíbrio nas músicas? Foi natural ou intencional? Também foi pretensão de todos na banda?
 
KAL: A evolução é natural pelo tempo que a gente toca. Nós procuramos manter a mesma proposta do início da banda, que é um som agressivo sem as barreiras dos rótulos. As músicas saem naturalmente, todos partícipam, como cada um tem suas preferências o resultado é esse, o Human Hate.
 
P.Z: A demo “Rehersal Back” tem músicas que se destacam facilmente como “Shame mask”, as instigantes “Toxic” e “Wodka waltz”. Como o público que tem assistido aos shows do Human Hate tem reagido a essas músicas em relação às antigas? É perceptível alguma preferência?
 
KAL: O público tem se dividido em dois: aquele pessoal das antigas, para esses a gente sempre toca músicas do disco e o pessoal mais novo, esses tanto faz as músicas, é tudo uma coisa só, ainda não conhecem muito a banda, e ficam nos olhando com o seguinte pensamento: O que será que esses coroas vão tocar, então quando começamos ficam olhando meio espantados, depois se soltam aí o mosh rola.
 
P.Z: O retorno da banda tem se mostrado audacioso, com muitos shows e participação em festivais. Em 2009 vocês abriram o show da banda See you in hell, importante nome do Hardcore na República Tcheca e tem tocado com bandas mais novas como Ataque Nuclear de Três Corações. Como tem sido essas experiências?
 
KAL: Em Divinópolis, com See you in hell, fizemos um show técnicamente perfeito, o pessoal curtiu bastante, foi uma ótima experiência pra gente. Quanto ao pessoal do Ataque. Eles são nossos irmãos cara! A gente já viajou pra tocar juntos, sem contar o som deles que é du caralho.
 
P.Z: Kal, o que você pensa e enxerga em aspectos gerais do atual momento do metal nacional? E o atual o momento do Human Hate?
 
KAL: Cara! Hoje tem uma coisa que me incomoda muito, as nomenclaturas aumentaram , existem muitas subdivisões dentro do metal, em conseqüência disso, nos shows, fica uma turma de um determinado estilo sentados ou do lado de fora e só entram quando está tocando alguém dos estilos deles. Na minha opinião isso não é legal, também tenho minhas preferências, mais acho que todos do Underground devem ser prestigiados. Quanto ao atual momento do Human Hate, estamos ávidos para tocar por aí!
 
P.Z: Bem Kal, obrigado pela entrevista. Para encerrar, o público do Human Hate, gostaria de saber como andam os planos para o tão esperado lançamento do LP “Lost in the abyss” em CD e a gravação de um novo álbum? Quais os demais planos da banda para 2010?
 
KAL: O cd com as músicas do disco “Lost in the abyss” está sendo preparado, estará disponível em breve, o pessoal tem procurado muito. Quanto a um novo disco, vamos começar do zero, estamos preparando calmamente as músicas, queremos fazer algo bem legal, inclusive temos uma demo como algumas dessas músicas, quem quiser é só entrar em contato que eu mando.
Para entrar em contato:
No myspace oficial da banda você pode ouvir as músicas novas:

Mustang – Criatividade em alta!!!

Por Écio Souza Diniz
Fazer Rock and Roll no Brasil, a despeito de hoje, nem sempre foi tarefa fácil. Mesmo assim, vários pioneiros do estilo conseguiram chegar ao topo, se consagrando tanto nacional quanto internacionalmente. Os exemplos clássicos são Raul Seixas, Secos e Molhados, Os Mutantes, entre outros. Nesse time seleto de batalhadores, está Carlos Lopes, um veterano na cena brasileira.
Com uma visão crítica e aguçada sempre presentes em sua personalidade, sobre o mundo e a sociedade em que vive, associadas a uma postura clara e consciente a respeito da vida, expressas em sua música, Carlos carrega com o Mustang a bandeira do Rock and roll nacional. Engajado em levar o Mustang a caminhos mais longínquos, conquistando públicos cada vez maiores e marcar na história do Rock a “MPR – música popular roqueira” e com uma humildade singular, o convidamos para nos falar sobre a banda, pretensões na música, o recente álbum (Mustang V) e muito mais.
 
 
Pólvora zine: O Mustang iniciou suas atividades lançando o debut álbum “Rock and Roll Junkfood” em vinil picture disc em inglês. O quanto este feito ajudou na projeção da banda na cena Rock and roll brasileira? E internacionalmente?
 
 
Carlos Lopes: Na verdade o disco foi lançado em 3 versões: picture disc, vinil vermelho e CD em português com algumas das mesmas faixas em inglês. Ele foi gravado e lançado na virada de 2000 para 2001, há quase dez anos. Lembro sempre desse disco como um trabalho de passagem, feito com a intenção de romper com o passado, mas um trabalho ainda atrelado a esse mesmo passado de certa forma. Junkfood é fruto da necessidade de me reescrever, e de resgatar a vontade de compor e tocar. Ao ouvi-lo hoje fica evidente que o som da banda amadureceu a cada novo trabalho, foram 5 discos em dez anos, uma loucura. Uma boa loucura.
 
P.Z: O “Rock and Roll Junkfood” é um disco bem peculiar, pois suas músicas e sonoridade são bastante orgânicas, tanto musical quanto liricamente. Sendo assim, um álbum com muito feeling. Não é sempre que uma banda alcança essa essência logo no início. Você já tinha os conceitos e parte das músicas prontas a um bom tempo? O que você mais gosta neste álbum?
 
Carlos: Em uma das crises existenciais-artísticas que tive em relação à carreira, durante as quais perdi a vontade de tocar, ou me expressando melhor, quando não vi mais sentido em tocar, compus esse disco durante vários ensaios livres sem intenção, inclusive de gravá-las. O repertório nasceu do resgate de lembranças das primeiras bandas de rock pesado que escutei como Kiss, Black Sabbath, UFO e principalmente punk rock 77, Beatles e Rolling Stones. O Mustang nasceu a princípio para reavivar essa chama em um momento pregresso na vida, por volta de 13 e 15 anos, no qual eu não pretendia ter banda ou tocar, era apenas fã. E sendo assim, queria que esse disco do Mustang marcasse um momento com uma produção rústica e real, diferente do mundo plástico que havia tomado conta do rock, das produções artificiais, essa era a idéia. O disco foi gravado ao vivo, baixo, guitarra, solos e bateria. Só as vozes foram adicionadas depois. É um disco independente e corajoso. E cada novo ato de coragem, ou a cada novo disco, vou ficando mais ousado, muito ciente do que quero. A cada disco o caminho fica cada vez mais claro.
 
P.Z: Quando saiu o segundo álbum, o clássico “Oxymoro”, vocês deram a cartada definitiva e impressionaram a muitos com um disco cheio de energia e paixão, envolto em uma aura única de rock and roll. Músicas como as enérgicas “Muito Além” e “Saco Cheio”, as críticas “Caridade” e “Cheiro de Mijo Guardado” e a sacana “Ela Lê a Bíblia” são bons exemplos do que digo. Quais foram os caminhos trilhados para se chegar à um álbum tão sólido como este? Qual a importância desse disco pra você?
 
Carlos: Sou muito dedicado ao que faço, exploro o melhor e o mais criativo de mim. Sempre fiz isso, mesmo que o mercado não entendesse ou rejeitasse. A evolução ocorrida entre o CD anterior e esse segundo trabalho foi gigante. O maior destaque, além da parte musical, foram as letras, humanas e exóticas. Necessárias. Na contracapa Che Guevara está com os lábios pintados com batom rosa. Essa imagem explica a intenção não de agredir, mas de rir contestando, o que não é fácil de explicar para gente carrancuda. O humor sempre foi um ingrediente essencial no imaginário do Mustang.
 
P.Z: Ainda sobre o “Oxymoro”, de onde surgiu a idéia de falar sobre contradições no disco? E as versões em inglês para “muito além”, “saco cheio”, “tudo pelo dinheiro” e “fim de semana”, elas foram divulgadas no exterior? Qual foi o propósito de colocar essas versões no álbum?
 
Carlos: Eu havia entrevistado os 3 músicos remanescentes da banda MC5, uma das minhas favoritas antes da gravação do disco. Na entrevista, o guitarrista Wayne Kramer usou o termo oximoro, que simboliza dubiedade, como por exemplo “Inteligência da Polícia”. Achei que esse título simbolizava minha percepção do que é o rock: uma música que pode te fazer evoluir como involuir, dúbia ao extremo, um verdadeiro oximoro.
 
P.Z: O terceiro álbum, “Tá tudo Mudando… Mas Nem Sempre Pra Melhor” se mostrou um disco direto e nostálgico em vários momentos, principalmente em suas letras. As revoltadas e ferozes “Geração Perdida”, “Janis Joplin” e “Cueca e Meia” esbanjam criatividade e sonoridade visceral, que são ouvidas ao longo do disco. O que mais te chama atenção neste disco? Quais são suas maiores peculiaridades?
 
Carlos: Desde o início esse terceiro trabalho da banda foi pensado para ser uma homenagem aos anos 70, às bandas estrangeiras e brasileiras que haviam me influenciado. A capa cita o disco Let It Bleed dos Rolling Stones tropicalisticamente falando, não usando esse ícone apenas como referência, mas reinventando-o com uma visão crítica e debochada. Sempre tive como objetivo abrasileirar toda a informação, degluti-la e regurgitá-la como fez o Modernismo. Nunca me interessou ser passivo.
 
P.Z: Um outro destaque interessante pra mim no álbum anteriormente citado é o título, que faz referência a consequências dos avanços tecnológicos e urbanísticos. Carlos, com você enxerga esta realidade atual do mundo em que vivemos? E qual a importância de se transferir isto tudo para a música?
 
Carlos: Não sou o Carlos de 20 anos atrás e nem o Carlos de 2 dias atrás, graças a Deus. E isso não quer dizer inconsistência, mas a aceitação da imutabilidade do mundo e das coisas. Somos seres em mutação, que se renovam a cada nova experiência, isso é, se você estiver aberto para extrair o melhor das suas vivências. Cada disco é retrato apenas do momento no qual ele foi escrito. Apesar de todos os álbuns terem o nome Mustang eu só me reconheço sempre no último trabalho e nunca nos anteriores.
 
P.Z: O Mustang é uma das bandas que são sinônimo de perseverança e persistência. A partir dessas características, foi moldado o quarto álbum, “Santa Fé”. Como vem sendo a luta do Mustang ao longo de todos esses anos para conseguir seu lugar ao sol? Como foi a divulgação de “Santa Fé” com CD encartado distribuído através da revista “O Martelo” que você dirige?
 
Carlos: O tal “lugar do sol” é um termo genérico para rotular algo que só o seu coração possui ou imagina que possui a resposta exata. O mercado é complexo e o público muitas vezes é conservador ao extremo e tudo isso não tem nada a ver com a proposta livre do Mustang. Não posso mentir e te dizer que é fácil entender a nossa música, isso envolve uma questão cultural e de sensibilidade. O parâmetro do que é sucesso ou não é exclusivamente seu. Sucesso para mim é o Mustang ter 5 belos discos em uma década.
A versão impressa da revista O Martelo que vem com o CD “Santa Fé”, o quarto disco da banda, é uma edição especial que fala, na maioria, sobre as bandas que formaram o som do Mustang. Entrevistei várias bandas e escrevi sobre outros artistas, que foram referências para a fundação da banda. A revista e o CD se completam.
 
P.Z: Falando na revista “O Martelo”, fale para a galera, qual o objetivo da mesma e o que compõe seu conteúdo?
 
Carlos: A intenção sempre foi distribuir informação. São os livros que leio, os filmes, os programas de TV, as revistas, artes plásticas, as exposições, enfim, tudo o que gosto e que acho que possa interessar às pessoas.
 
P.Z: Como foi o show para 15 mil pessoas na Virada Cultural em São Paulo em 2009, abrindo para os Titãs?
Carlos: Era muita gente na plateia e mesmo que a maioria não nos conhecesse fomos muito bem tratados e o mais importante, ouvidos com atenção. Tecnicamente e como show de rock, foi um momento marcante em nossa carreira. É muito importante para nós tocar para públicos diferentes, se comunicar através da linguagem da música.
 
P.Z: “Santa Fé” é um disco bastante completo. Com elementos de rock psicodélico (exemplo de “Doktor Alzheimer”), bases fortes de guitarra (como em “Esperança”) e soul (destaque para “Eu Não Faço”). Como foi trabalhar todos esses conceitos dentro de um único disco? Quais elementos você teve maior pretensão de enfocar e por quê?
 
Carlos: A intenção foi caminhar para uma nova direção musical, com algumas conquistas anteriores, mas que prioritariamente ansiava pelo novo. As referências ainda são as mesmas de muitas e poderosas fontes, mas algo novo despontava no horizonte. O Santa Fé não é um disco pop e alegre. É um disco, até certo ponto, triste. Eu estava triste e o disco simboliza isso, as músicas contam a minha vida no período 2006/2008, uma fase muito conturbada. Por isso esse é um disco forte.
 
P.Z: O maior destaque de “Santa Fé” foi o despontar da “MPR – música popular roqueira”, um estilo bastante versátil e aberto, devido ao fato de englobar vários elementos do Rock como: punk, soul, psicodélico, folk e soul, etc. Explique-nos melhor o trabalho por trás do conceito da MPR. Qual a sua satisfação em está fazendo essa inovação no Rock brasileiro?
 
Carlos: Nesse disco teve início o desenvolvimento do nosso estilo, a MPR, música popular roqueira, um termo que simboliza bem nossa alma mater musical. Precisava ficar claro que a banda estava marcando território, tipo o que foi feito antes também é Mustang, é válido, mas já é antigo, é outra fase. O Mustang anseia pelo novo a toda hora, a necessidade é criativa, não é adular, dar continuidade ao que já foi, mas sim instituir o novo.
 
P.Z: Saindo um pouco do foco do Mustang, como vão as coisas com sua outra banda, a Usina Le Blond? Fale um pouco sobre ela para a galera, sua proposta musical, sonoridade, os músicos.
 
Carlos: Quando fundei as 2 bandas em 2000, o Mustang era para ser uma banda de rock e a Usina para tocar mpb com soul e rock. Foram vários músicos durante uma década inteira. Desde o início tive a intenção de somar as duas bandas, mas precisava me amadurecer e amadurecer o público que nos ouve. Esse momento chegou agora em 2009, quando pude no novo disco do Mustang somar as duas musicalidades, os dois rostos. Ou seja, Mustang e Usina agora são uma banda só.
 
P.Z: E sua carreira como escritor, poderia nos falar um pouco sobre lançamentos, projetos e como você se sente realizando este tipo de arte: a da escrita?
 
Carlos: Meu último lançamento foi O SEGREDO J, que levei 5 anos para escrever. O livro versa sobre teorias conspiratórias. Pesquisei bastante até conseguir visualizar uma linha que ligasse os assassinatos de personalidades políticas e musicais nos anos 60 e cujas mortes mudaram o mundo e impediram que evoluíssemos. O livro tem início no final da segunda guerra mundial e prossegue até o primeiro presidente civil no Brasil em 1985. Pode parecer apenas ficção, mas tudo o que cito nessa obra é a mais pura verdade. É tão chocante que parece mentira. Por exemplo, detalho minha tese, com provas, na qual afirmo que Mark Chapman não foi o único a matar John Lennon em 1980.
Escrevi um novo livro em outubro de 2009 sem previsão de lançamento e tenho alguns rascunhos e idéias para outros 2. Acho que não sei viver sem criar, simplesmente acho que não dá.
 
P.Z: O Mustang, está lançando o álbum duplo, auto-intitulado como “Mustang V”. Um dos CDs que compõe o mesmo foi disponibilizado para download gratuito. Como vem sendo a divulgação e popularidade do disco até o momento?
 
Carlos: O My Space Brasil assumiu a divulgação inicial do álbum V, o que foi sem sombra de dúvida, uma honra para nós. O disco I disponível apenas para audição no My Space em 320k em http://www.myspace.com/mustangbandcombr e pode ser baixado em http://www.clnetsys.com/mustang/
P.Z: O “Mustang V” é o trabalho mais audacioso banda até o momento com grande diversidade de elementos, destacando o tropicalismo (ouvido na marchinha “Corta o Bigode do Sarney”), umbanda e a influência dos afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Como foi o processo de produção desse disco? Como é o trabalho com os músicos que completam o time?
 
Carlos: V é o nosso melhor disco, o que realmente define melhor o que é MPR. V é um disco brasileiro e que trafega sobre qualquer estilo musical que desejar sem perder a diretriz e o rumo. Osíris presta uma homenagem à new wave dos anos 80 de bandas como Devo, Missing Persons, The Knack e The Cars. Órion é uma canção poderosa e psicodélica. Passagem é a música mais dramática que já escrevi, é dolorosa, angustiada. Enfim, a criatividade do álbum me orgulha como autor e músico. O que vou contar parece mentira, mas compus o disco em 2 semanas em outubro, ensaiamos durante uma semana e gravamos o álbum em 6 dias. Foi o trabalho mais rápido que já fiz, não porque fiz “nas coxas”, mas porque nunca tive uma convicção tão grande do que queria. Nunca na minha carreira soube tão claramente o que tinha que fazer. Parece que renasci com esse disco.
Os músicos que gravaram foram Bráulio Azambuja na bateria e Vinícius Dantas no baixo, os mesmos que gravaram o Santa Fé.
 
P.Z: No V há músicas ótimas como a Zeppeliana “Brasileirismo”, a pegada a lá Mutantes de “Nada pra Mim” e a levada meio surf music de “Osíris” (minha preferida). Como você se sente em realização com um disco duplo (um sonho que você tinha há muito tempo) e que atingiu o máximo da MPR até então?
 
Carlos: Para fazer um álbum duplo é necessário que as músicas sejam e soem interessantes e que possam ser escutadas em ordem ou separadamente. E isso só consegui agora. Tentei antes mas não rolava. De todas as formas é uma conquista, é um grande e maravilhoso passo artístico. O Mustang não é mais uma possibilidade é uma realidade.
 
P.Z: Para quando está previsto o lançamento completo do álbum? O que podemos esperar musicalmente do restante do álbum?
 
Carlos: Não há uma data precisa ainda, mas o álbum duplo pode ser lançado até março de 2010 que pode ser adquirido no e-mail: mustangmartelo@gmail.com
 
P.Z: Bem, Carlos, obrigado pela entrevista, sucesso pra vocês. Finalizando, visto a crescente popularidade do Mustang, há pretensão de lançar um álbum ao vivo? E quais os planos da banda para 2010?
 
Carlos: Com esse “surto criativo” que estou vivendo, acho que dá para escrever mais 2 discos de inéditas antes de um ao vivo, hein? J
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